℗ 0191

Estando bastante acostumado a ser denominado de doido, de perturbado, de obsedado, de doente mental, de vagabundo, de vaidoso, de soberbo, de irresponsável, de viciado, de farrista, de mundano, e tudo o mais que é próprio da imaginação humana, termos esses que eles mesmos não sabem sequer definir, e até de chato, pelo fato de aqui e acolá eu adentrar no assunto da Espiritologia, que para eles é a mais pura chatice, já que não possuem a mínima ideia acerca dos seus próprios assuntos corriqueiros e triviais, para que possam saber o que seja realmente um chato, e, portanto, quem na realidade medra na chatice, eu sabia que nenhum dos seres humanos era capaz de confiar em mim. Tudo isso jamais me abalou, inclusive a confiança, pois eu sempre confiei em mim mesmo, e para mim era o bastante.

No entanto, a partir do momento em que eu pude conceber que havia alcançado a condição do Antecristo, mas que ainda não havia concebido a existência das coordenadas universais, mesmo assim, eu já sabia que iria me deslocar da minha humanidade e me integrar a uma outra humanidade, a que nos segue na esteira evolutiva do Universo.

Então, com o semblante contraído, eu ficava pensando acerca da minha apresentação aos espíritos integrantes da plêiade do Astral Superior dessa humanidade a qual eu iria me integrar, e indagava para mim mesmo: Como é que esses espíritos vão contemplar a minha luz? Como é que esses espíritos vão adquirir a confiança em mim? Será que esses espíritos vão poder contemplar a confiança que eu tenho em mim mesmo, para que assim possam adquirir a confiança em mim? Se eu disser para eles que estou integrado à sua humanidade com a finalidade de elaborar um plano para a sua espiritualização e agir diretamente nesse sentido, eles acreditarão? Se eu disser para eles que tudo aquilo que digo, eu realmente faço, custe o que custar, eles acreditarão?

Eu ficava deveras preocupado com tudo isso, pois nessa época eu ainda não havia concebido tudo o que com muito esforço e com muita luta ainda deveria conceber, sendo isso apenas um reflexo de como os seres humanos me tratavam neste mundo.

Mas hoje eu sei que Deus se encontra em cada um de nós, na proporção direta do estágio evolutivo em que cada um se encontra, em conformidade com a coordenada universal que habita, para que assim a hierarquia na espiritualidade se estabeleça de baixo para cima, através do reconhecimento da superioridade, pois o espírito superior somente pode emitir as suas ordens ao espírito que lhe é inferior quando este reconhece devidamente a sua superioridade, caso contrário as suas ordens emitidas seriam em vão, inócuas, improfícuas, carentes de qualquer sentido. É por isso que na organização militar se faz o uso da patente, justamente para que o inferior reconheça a patente do superior e lhe obedeça. É por isso que na organização das empresas se faz o uso do organograma, com a especificação dos cargos, que atribui as funções e as atribuições inerentes a cada um desses cargos, para que os menos graduados obedeçam aos mais graduados. E assim nas demais estruturas organizacionais.

Então não cabe a mim demonstrar aquilo que sou para os espíritos integrantes dessa humanidade, principalmente para aqueles que integram a sua plêiade do Astral Superior, mas apenas me apresentar como realmente sou, nada mais do que isso. Cabe a eles, portanto, reconhecer a minha superioridade espiritual, para que assim possam depositar as suas fés em mim, para que, em contrapartida, eu possa depositar em cada um a minha convicção, em conformidade com as minhas ordenações.