Certa vez eu me encontrava no escritório do dono de uma factoring, estando comigo um livro relativamente volumoso das minhas anotações que eu havia mandado encadernar, quando ele pediu para olhar. Ao abrir o livro, exclamou para mim, ao mesmo tempo interrogando:
‒ Viiiiixe, cara! Você lê isso tudinho?
Eu sorri para ele, e lhe disse:
É o jeito, meu amigo, isso que você está vendo é a minha vida.
Outra vez, em conversa com o meu irmão Jansen, a quem carinhosamente eu chamo de Pombinho desde a infância e adolescência, ele assim me falou:
‒ Negão, eu não gosto de ler qualquer livro que seja muito volumoso.
Eu apenas sorri para ele, pois nada tinha a lhe falar em relação ao fato. O que dizer? Se ele realmente não gosta, eu nada tinha a questionar sobre a questão.
Que me desculpem não somente os dois citados, como também todos aqueles que não gostam de ler livros volumosos, mas isto é próprio do ser humano vulgar, que não prima pela aquisição do saber, por isso vão demorar ainda um bom tempo para que possam se tornar estudiosos afeitos ao saber, embora o tempo dependa exclusivamente dos esforços que poderão empregar em seus estudos. No entanto, para nenhum deles eu revelei esta realidade.
Mas o interessante de tudo isso, é o seguinte: se eles não gostam de ler livros volumosos, o que seria deles se assumissem o encargo de escrevê-los, não apenas um, mas vários deles, com todos os seus assuntos sendo extremamente complexos e revolucionários?