℗ 0156

Eu estava certo dia a escutar algumas músicas, absorto em meus pensamentos, sem prestar muita atenção a elas, quando de repente um trecho da música que estava a tocar me chamou a atenção, pelo que me pus a rir, soltando sonoras gargalhadas, divertindo-me bastante com a criação artística. O trecho da música que me divertiu bastante foi o seguinte: “Eu ontem falei prás paredes, coisas do meu coração”.

O meu pensamento foi o seguinte: se alguém me encontrasse sozinho falando para as paredes os devaneios das minhas paixões, afirmando que eram coisas do meu coração, sem que tivesse qualquer desconforto ocasionado por algum problema fisiológico nesse músculo, ele iria dizer que eu era apenas um romântico, mas se eu lhe falasse diretamente as razões da minha concepção, transmitindo-lhe as minhas ideias acerca da minha missão neste mundo, afirmando haver sido Ruy Barbosa na minha encarnação passada, com certeza ele iria dizer que eu era um doido. Como eu poderia me conter e não soltar sonoras gargalhadas?