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É de fundamental importância que os seres humanos aprendam a racionar em sinopse, pois será somente por intermédio do pensamento sinóptico que os veritólogos, os saperólogos, os ratiólogos, os religiosos, os cientistas e os religiocientistas, assim como as demais grandes mentalidades, conseguirão alavancar de vez o progresso da nossa humanidade, com base em tudo o que agora está sendo explanado pelo Racionalismo Cristão, que contém a verdade, a sabedoria e a razão.

No entanto, é preciso que antes todos compreendam como se raciocina em sinopse. Vejamos, então, o exemplo do Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia, elaborado por Descartes, o qual eu segui em todo o seu teor.

Sem que seja preciso explanar a todo o método, eu vou me fixar apenas na parte que diz “faça revisões gerais tantas quantas forem necessárias”. O marinheiro de primeira viagem tende logo a pensar que essas revisões gerais são as mesmas revisões que os escritores procedem comumente, por ocasião da elaboração das suas obras, estando o autor do método apenas como que reiterando esse procedimento ao saperólogo, ou como se o estivesse lembrando, ou ainda o tornando obrigatório para a primeira saperologia, sendo ele essencial para o êxito da obra, mas sem a pretensão de extrapolar ao âmbito da revisão costumeira.

Puro erro! Ledo engano!

Embora desde o início eu estivesse procedendo ao tipo de revisão especial recomendada pelo veritólogo, somente agora, após escrever quase mil páginas da última obra, relativa à finalidade, e estando a revisar a obra relativa ao sistema, é que eu atinei para o verdadeiro sentido dessas revisões, cuja natureza eu agora passo a explicar, para que todos possam compreender.

Na minha primeira obra, na época relativa ao método, eu segui fielmente os três primeiros passos do discurso do veritólogo, embora não soubesse que estava seguindo o método proposto por ele, até que o meu irmão Kelsen me telefonou e falou sobre o mesmo, já que eu era uma tabula rasa. Esses três primeiros passos foram os seguintes:

  1. Eu nunca aceitei uma coisa como realmente verdadeira, sem antes conhecê-la como tal, pois cuidadosamente evitava pré-julgamentos e sempre incluía nos meus julgamentos somente aquilo que se apresentava para a minha mente, com tal claridade e precisão, que não tinha ocasião de pô-la em dúvida;
  2. Eu dividi cada dificuldade examinada, em tantas partes quantas foram necessárias, para que assim pudesse resolvê-las da melhor maneira possível;
  3. Eu conduzi os meus pensamentos de uma maneira ordenada, começando pelos objetos mais simples e os elevando, gradualmente, como por degraus, para o conhecimento das coisas mais complexas. E sempre supondo uma ordem entre as coisas, mesmo que não procedesse naturalmente uma da outra.

Desconsiderando o período em que passei chafurdando na lama infecta deste mundo, realizando as minhas experiências científicas acerca da baixa espiritualidade, e considerando já concluída a minha primeira obra, relativa ao método, passei a escrever a minha segunda obra, relativa ao sistema, e aqui eu dei início ao quarto passo, que foi o seguinte:

  • Eu fiz enumerações completas e revisões tão gerais, que pude me certificar de que não havia omitido nada.

Com relação às minhas enumerações completas, elas se referem a um pequeno método que eu mesmo criei para que pudesse investigar e pesquisar as coisas, os fatos e os fenômenos universais, para que através dele eu pudesse escrever acerca dos mais diversos assuntos, uma vez que sou desprovido de memória.

Agora com relação às revisões gerais, aqui entra definitiva e verdadeiramente o raciocínio sinóptico. Senão vejamos:

Para a explanação do Racionalismo Cristão, não era o bastante que eu estudasse apenas as obras de Luiz de Mattos e dos seus seguidores, essas obras que na época chegaram a meia centena de livros, aproximadamente, que tratavam acerca da verdade, mesmo que elas me dessem uma boa noção acerca do tratado veritológico. Então eu me deparei com uma obra que tratava da história da Filosofia, deixada na mesa de um bar por um conhecido meu, e, após lê-la, estendi os estudos para os grandes homens que eram considerados como sendo saperólogos, os maiorais em termos de pensamentos. E quanto mais eu estudava, mais me faltava terra nos pés, pois que pouco ou nada sabia acerca da história da civilização, então eu tive que também estudá-la, por completo. E assim fui escrevendo a obra relativa ao sistema.

No entanto, à medida que ia escrevendo, outros assuntos correlatos me obrigavam novamente aos seus estudos. Ora, o que eu sabia de Português, de Direito, de Ciência Política, de Sociologia, de Antropologia, de Cosmologia, de Astronomia, de Física, de Química, de Matemática e de tudo o mais que era correlato àquilo que estava a escrever? Nada. No entanto, eu teria que ter uma boa noção acerca de tudo isso. E mais: eu teria que contestar boa parte de tudo isso, em seus fundamentos lógicos e racionais, em conformidade com a realidade universal, partindo sempre da sua origem, pois tudo aquilo que estava a escrever tinha que fazer eco na minha compreensão, quer estivesse em acordo com os seus estudiosos especialistas, quer não, já que tinha os fundamentos da verdade como sendo a minha legítima fonte.

─ Meu Deus! Eu deveria ter começado a estudar logo após o meu nascimento, com apenas um segundo de vida. Brinquei cá comigo. E assim, eu ia escrevendo e ao mesmo tempo estudando os assuntos correlatos, em conformidade com o texto, uma vez que os assuntos eram variados, extensos e complexos.

Em certa altura, quando já havia escrito boa parte da obra relativa ao sistema, deparei-me com uma nova conclusão a respeito de um determinado assunto. Logo então, eu abstraí tudo, observei o todo daquilo que já havia escrito, de uma única vez, como se estivesse relendo tudo em um só golpe de vista, e fui dando uma espécie de zom em tudo que estava em desacordo com a nova conclusão. Assim, eu pude obter um novo sentido de tudo aquilo que já havia escrito. Fiz a minha primeira revisão da obra, alterando tudo aquilo que não estava congruente com o novo sentido que havia obtido.

Ao partir novamente de onde havia parado, após várias páginas escritas, deparava-me com uma nova conclusão a respeito de outro determinado assunto. Procedendo da mesma maneira. E assim, por várias vezes eu tive que revisar a obra.

Até que enfim, quando já havia escrito quase mil páginas da obra relativa à finalidade, deparei-me com uma nova conclusão a respeito de determinado assunto. Nesta nova conclusão, eu deveria alterar não somente as obras relativas ao sistema e à finalidade, mas também, inclusive, a obra relativa ao método, que eu considerava como sendo fixa, sem que tivesse o direito de alterá-la, pois que ela deveria se conservar em sua originalidade, mas que, mesmo assim, eu poderia nela inserir os assuntos que se faziam necessários antes de tudo, assim como também uma exposição preliminar dos títulos das minha três obras relativas à explanação do Racionalismo Cristão, que são os prolegômenos, que somente deverei escrever quando houver concluído a obra relativa a finalidade, ou mesmo antes, para que assim possam os leitores compreender o que vão ter pela frente para ler.

Esse pensamento foi bastante benéfico para os meus estudos e escritos, pois proporcionou a que eu evidenciasse alguns dos seus aspectos mais importantes, como se estivesse matando vários coelhos com uma só cajadada, quais sejam:

  1. Demonstrar a superioridade do raciocínio sinóptico, em relação aos outros tipos de raciocínio;
  2. Evidenciar a importância do raciocínio sinóptico para a elaboração das obras que sejam importantes para a nossa humanidade, pois as demais são sempre escritas por quem não detém um raciocínio profundo;
  3. Comprovar que o racionalismo, mesmo não sendo cristão, sem conter a verdade, tem a sua grande importância para a nossa humanidade, por isso nele deve ser aproveitado tudo o que seja útil;
  4. Que há que se destacar os grandes veritólogos considerados como sendo racionalistas, como Descartes, Spinoza, Malebranche, Leibniz e Wolff, que em pequena parte foram os precursores da doutrina do Racionalismo Cristão;
  5. E, por fim, a grande diferença que existe entre os veritólogos, que buscam os conhecimentos acerca da verdade, ocupando-se da parte metafísica do Universo, e os saperólogos, que buscam as experiências acerca da sabedoria, ocupando-se da parte física do Universo, com esta minha prova de que, realmente, sem qualquer sombra de dúvida, eu sou um autêntico e legítimo experimentador, por natureza.