A minha mãe era uma arrebanhada fervorosa do catolicismo, dispondo-se a assistir missa diariamente, todos os dias, como diz o matuto, ao que me lembro, pois não dava qualquer importância ao fato. Em seus dois joelhos se formaram calos, de tanto ela se ajoelhar nas missas e em suas preces. Nos momentos das cantorias das músicas ditas como sacras, a sua voz sempre ecoava mais alta que todas as demais, pelo menos era o que me contavam a minha namorada e a sua mãe, com esta sempre com um sorriso na face, que era acompanhado de um olhar observador direto para as minhas feições, bem perscrutador, analisando todo o meu semblante, na tentativa de captar algum tipo de reação da minha parte, em relação ao fato, pelo que recebia apenas um sorriso de volta, pois eu não estava nem aí para nada, como se diz comumente. Nesse seu fervor católico, ela frequentava a igreja do Sagrado Coração de Jesus, que pertencia à ordem dos frades capuchinhos.
Agora, imaginem só, um coração, que não passa de um músculo, ser considerado como sendo sagrado! Mas também pudera, as igrejas, tanto dos católicos como dos protestantes, não são todas tidas como sagradas, como se fossem a casa do seu deus? Ao que parece, tudo para os sacerdotes é sagrado, pois existe uma cidade sagrada, uma terra sagrada, uma missa sagrada, um monte sagrado, um povo sagrado, uma hóstia sagrada, um manto sagrado, um óleo sagrado, uma água sagrada. Ufa! Até eles mesmos são sagrados, tais como se fossem esses mesmos objetos inanimados, pois que inanimados eles também são, já que não passam de uns tremendos indolentes e vagabundos, inertes aos ditames da evolução espiritual, mas que se animam para o cometimento de crimes, de assassinatos, de pedofilia, de homossexualismo, de conquistas amorosas de mulheres solteiras e casadas, e de tudo o mais que de ruim e pernicioso eles praticam, e ainda mais animados eles ficam quando semeiam a ignorância, com o fim de praticar o estelionato, arrancando pela lábia artificiosa e grosseira os escassos cobres das bolsas dos seus arrebanhados.
Pois bem, ela chegava ao cúmulo de todo ano armar uma barraquinha nas quermesses desses frades capuchinhos, e ela mesma vendia, juntamente com outras voluntárias, todos os tipos de bolos e outras guloseimas mais, que ela mesma passava dia e noite preparando, entregando toda a renda para os frades barbudos.
E o mais engraçado de toda essa embrulhada, consiste no fato de que nós flagramos um desses barbudos, ao adentrar no convento, que ficava em frente à igreja, na hora do almoço, em um dia comum da semana, exclamar bem alto: “Essas lagostas não estão me cheirando bem!”. Ora, a minha querida mãezinha ficar dia e noite preparando guloseimas para vender e entregar toda a renda para os barbudos comerem lagostas, e um deles ainda reclamar que elas não estavam cheirando bem! Isso era demais para o meu gosto. No entanto, dado o nosso espírito moleque de cearense, nós fizemos piada do fato, e saímos contando para todo o mundo, morrendo de rir da palhaçada do barbudo.
Enquanto isso, o Astral Superior ficava no maior esforço que lhe era possível, intuindo a minha mãe para que ela abandonasse o catolicismo, através de mensagens, que ela compreendia perfeitamente, mas que não se decidia a obedecer, pois preferia seguir a fé credulária, ao invés de seguir o Racionalismo Cristão. O Astral Superior insistiu tanto, dizendo até que ela era bastante teimosa, por demais renitente, que ela, como que encurralada pela insistência superior, foi certa vez se confessar com um dos barbudos, o frei Henrique, o mesmo que havia exclamado que as lagostas não estavam cheirando bem, dizendo-lhe:
─ Frei Henrique, eu ouço nitidamente como se fosse uma voz determinando que eu abandone o catolicismo e vá para outro lugar, em busca da espiritualidade, e isto está ocorrendo de maneira cada vez mais constante.
O frade barbudo, não sei se consciente de que estava confessando uma mulher direita e de vergonha, com sérias intenções na vida, em um dos seus momentos de lucidez, envolvido pelas luzes do Astral Superior, intuído pela sua plêiade, de uma maneira inesperada e surpreendente, respondeu-lhe:
─ Dona Marineide, ao que tudo indica a senhora está mais do que correta, parece que aqui não é o seu lugar, saia e procure algo que lhe satisfaça o espírito, que dê fim à sua busca pela espiritualidade, atendendo ao que lhe está sendo determinado por essas espécies de voz.
Enquanto isso, sendo perseguido pelo astral inferior, tal como se fosse o seu instrumento, já que estava servindo de laboratório para eles, em minhas experiências científicas acerca da baixa espiritualidade, eu resolvi ser acólito, assumindo ao cargo de ajudante de missas, tendo que decorar toda a missa em latim, mas como não tinha memória, mais enrolava do que respondia corretamente ao que o frade dizia, por ocasião da missa, e o mais engraçado de tudo isso, era que toda vez que, em determinados momentos da missa, eu tocava a campainha, sempre olhava de soslaio para os fiéis, que se ajoelhavam e baixavam a cabeça, como em sinal de respeito. Eu achava tudo isso hilariante, e sempre procurava me controlar ao máximo para não cair na mais espontânea gargalhada, pois achava tudo aquilo a coisa mais ridícula do mundo. Eta, que povo cearense mais moleque!
E bote molecagem nisso, pois eu também era encarregado de fabricar as hóstias, que vinham para mim inteiras com um diâmetro aproximado de uns 25 a 30 cm, pelo que eu tinha que cortá-las em uns poucos centímetros de diâmetro, operando uma pequena máquina manual. Eu jamais me apropriei de qualquer hóstia, mas com os retalhos advindos das grandonas, eu sempre procurava beber os vinhos dos frades para deles fazer o meu tira-gosto preferido. Afinal, os frades bebiam o vinho tanto no convento como nas missas, e por que, então, eu que ajudava tanto nas missas como na fabricação das hóstias, não podia também beber um pouco do seu vinho? Afinal, eu trabalhava sem qualquer remuneração.
Mas acontece que eu tinha uma verdadeira aversão por um desses frades, chamado de frei Ambrósio, um fradeco de barbicha branca, um tanto gordo, barrigudo, que usava um perfume feito de essência de rosas, o qual me dava náuseas, pois que era por demais enjoativo, que sempre quando me via, insistia em me levar ao confessionário. Acanhado, eu fui umas três ou quatro vezes ao seu confessionário, sempre dizendo que não tinha pecados a confessar, e, realmente, eu não os tinha, pois somente pensava em brincar e fazer esculhambação, como era o termo que utilizávamos na época, e que ainda hoje se utiliza.
Porém, quando no confessionário, esse frade safado, que já era conhecido por todos como sendo um tremendo homossexual, ficava alisando o meu rosto e os meus cabelos, querendo dar a entender que estava me alisando tal qual um pai carinhoso alisava ao filho, mas eu sentia por trás das suas intenções aparentes, que ele estava a todo o custo tentando demonstrar, ou transparecer, toda a peçonha da sua alma, pois o seu modo real de sentir exalava no ar imundo do seu ambiente, toda a sua intenção carnal. Eu era animoso, como sempre fui, embora ainda fosse adolescente, não abrindo nem para um trem, mesmo estando ele carregado de pedras, como assim nós falávamos, mas nada podia fazer contra o patife, pois que ele, safado e sem-vergonha como era, iria alegar que estava me tratando como se trata a um filho, mesmo sem possuir qualquer noção do que seja realmente um pai, e assim todos iriam me condenar.
Mas como, mesmo em defesa própria, eu poderia ser violento com um ser tão ignóbil de tal natureza, que caso levasse umas boas pancadas, aliás, bem merecidas, iria me acusar de haver sido agressivo, quando ele mesmo, em sua defesa, declararia que estava no auge da “santidade”, “perdoando” os meus pecados? Como eu poderia ir de contra um frade, com violência, se ele era o capelão da Base Aérea de Fortaleza, sendo reverenciado por tal cargo?
Todos eram cientes, que me desculpem a expressão, mas ela é típica do meu mais que moleque Ceará, de que esse fradeco era um tremendo baitolão, mas a hipocrisia era tamanha, que em um conflito de tal natureza eu seria certamente massacrado, tendo então que reagir à altura, e assim muito mais violência eu teria que praticar, pois não conseguiria jamais me conter, diante de tamanha injustiça. Afinal, cá para nós, ele bem que merecia levar umas boas pancadas, para aprender, para deixar de ser tão safado e sem-vergonha, para deixar de ser audacioso, para conter aos seus ímpetos bestiais, para deixar de ser tarado, para poder respeitar ao próximo, principalmente sendo este um adolescente. Mas, em bem da verdade, ele, na realidade, estava fazendo jus à batina que usava. Logicamente que eu abandonei de vez a esse encargo infrutífero.
Mas parece que toda a minha vida, antes de começar realmente a explanar o Racionalismo Cristão, foi toda de aventuras, de mundanidade, como se fosse uma mescla de sofrimento e dor, mas sempre com comicidade, em função da minha molecagem de cearense.
Nessa época em que eu era acólito, estávamos eu e o meu irmão Jansen, o Pombinho, que também era acólito, sozinhos preparando a igreja do Sagrado Coração de Jesus para a missa do galo. Estando ambos no altar, olhei despretensiosamente para os bancos dos fiéis, que deveriam mais tarde ser ocupados por eles, e qual não foi a minha máxima surpresa quando avistei uma velhinha, de cabelos bem branquinhos, em pé, a nos observar atenta e fixamente. Eu sorri, dirigi o olhar para o meu irmão, e perguntei:
─ Pombinho, você está vendo aquela velhinha sozinha lá embaixo?
Ele, então, olhou para mim, e respondeu assim:
─ Não, Negão, não estou vendo não.
Eu abaixei um pouco a cabeça, dei um leve sorriso, olhei para um lado, olhei para o outro, olhei novamente para a velhinha, e pensei no que iria fazer. Então, enquanto estava meditando, parece que o meu semblante se alterou, sem que eu notasse, pois ao que tudo indica, toda a minha animosidade aflorou. Assim, um milésimo de segundo antes que eu decidisse o que fazer, e também um milésimo de segundo antes de agir, lancei um último olhar para o meu irmão, como se para ele dissesse:
─ Eu agora vou agir.
Ele, então, imediatamente, falou um tanto quanto apressado:
─ Negão, eu também estou vendo ─ no que se pôs a rir.
Ora, caso a velhinha fosse alguma alma, o mais lógico é que eu iria me dirigir diretamente a ela para tomar satisfações, e, certamente, não sei o que iria acontecer, com certeza eu não iria partir de imediato para a agressão, no entanto, iria depender da sua manifestação.
Mas continuando ao assunto da minha mãe, ela atendeu às determinações do Astral Superior, indo de encontro ao Racionalismo Cristão. Tudo quanto ela comentava a respeito da doutrina, eu guardava dentro de mim, de um modo totalmente diferente como eu encarava qualquer credo, considerando que tudo quanto ela dizia tinha a sua real procedência, no entanto, mesmo assim, eu não estava nem aí para nada, pois somente queria brincar.
Até que um certo dia ela me levou para uma das suas sessões, em que o seu presidente, o correto e valoroso João Candéa presidiu, que nessa época era um simples correspondente da Casa Chefe, não sendo ainda filial. Eu nunca tinha visto, na minha vida, algo parecido. Ele somente falava do bem, da moral, das coisas sérias da vida, da conduta humana escorreita, da elevação dos pensamentos, da alta espiritualidade, e tudo o mais que a doutrina do Racionalismo Cristão sempre transmitiu aos seus militantes. Eu ouvi a tudo com bastante atenção. Mas, por incrível que pareça, não dei tanta importância, pois considerei que ele estava falando, simplesmente, o óbvio, e que o óbvio não se precisava falar, pois todo o mundo sabia daquilo, de cor e salteado, como comumente se diz. Meus Deus! Como eu estava enganado! Ninguém sabia nada daquilo que o evoluidíssimo João Candéa estava doutrinando. Mas eu sim, realmente sabia de tudo isso.
A minha mãe continuou militando no Racionalismo Cristão. Ela não era muito insistente para com os filhos, mas sempre fazia as suas admoestações para que nós todos, na condição dos seus queridos filhos, resolvessem se dedicar à doutrina. Mas quando ela admoestava um pouco além da conta, eu sorria, e lhe dizia:
─ Mãezinha, não se preocupe, deixe comigo, eu ainda sou muito novo, porém, quando eu for mais velho, e não tiver mais nada o que fazer, vou me dedicar totalmente ao Racionalismo Cristão. Aguarde para ver.
E, realmente, eu dizia isso com as melhores das intenções, já bem influenciado pelas suas argumentações, que sempre eu ponderava, mesmo sem me sentir, pois já sabia que a verdade ali se encontrava, na doutrina que ela tanto prezava. No entanto, a vida me convidava com mais insistência para os seus desafios, pois eu tinha, cá comigo, dois objetivos, totalmente antagônicos um com o outro, dos quais eu não conseguia abrir mão, nem de um, nem de outro. O primeiro era proporcionar uma vida digna para a minha mulher e os meus filhos, isto vinha em primeiríssimo lugar. O segundo era desfrutar dos prazeres das mulheres, que estavam todas à disposição de quem se mostrasse como homem, levando vantagem aqueles que tinham certa lábia, e esta eu tinha para dar e vender, já que primeiro escutava o que elas diziam, para depois dizer justamente aquilo que elas queriam ouvir, sem que elas soubessem que eu as considerava um simples objeto de prazer, apenas um pedaço de carne bem elaborado para o meu entretenimento, já que não as considerava como se fossem gente, mas apenas um marionete, que eu manipulava à vontade, ao meu bel prazer, como bem queria e entendia. E, além das mulheres, a vida de boemia.
Até que, certo dia, eu comecei a ler as obras de Luiz de Mattos. A partir daí, então, tudo começou a mudar em minh’alma. E mudou mais ainda, quando eu comecei a ler as obras de Luiz de Souza. Com essas obras, eu pude contemplar toda a extensão da verdade, deveras admirado com o estilo da escrita de cada um.
Mas, infelizmente, eu era um zero à esquerda, um Zé Ninguém na vida terrena, uma pessoa sem qualquer significância na sociedade. Em virtude disso, não poderia supor, nem de leve, e nem de longe, que poderia fazer parte da grande revolução que estava por vir, pois isso deveria estar reservado ao homens que tivessem alguma importância, que realmente tivessem valor, aos mais destacados no meio social, aos que demonstravam ter as soluções para todos os problemas do mundo, já que todos diziam: “Eu acho que tem que ser assim”; “Eu acho que tem que ser de tal maneira”; “Eu acho que temos de adotar soluções drásticas”; “Eu acho que tem de haver mudanças profundas”; “Eu acho isso, eu acho aquilo, eu acho aquilo outro”.
Meu Deus! Ao contrário deles, eu, simplesmente, não achava nada!
A única ideia que eu tinha na mente, era que as soluções de todos os problemas do mundo só poderiam vir dos grandes homens, das grandes mentalidades, e eu, com toda a certeza, não tinha o perfil de um grande homem. Ora, eu jamais havia me manifestado para dar opinião sobre a solução de qualquer problema do mundo, enquanto que os meus semelhantes tinham mil e uma soluções para um único problema. Então, eu pensei cá comigo, até com certa lógica, esses é que realmente são os bons, pois, como sou fã do futebol, em analogia ao nosso glorioso Dadá Maravilha, um dos grandes artilheiros do futebol brasileiro, que dizia que para “cada problemática havia uma solucionática”, eu concordava com essa sua tirada hilária. Mas eles, no caso, para cada “problemática”, tinham mil e uma “solucionáticas”. Então, quem era eu que não tinha pelo menos uma “solucionática” para tantas e tantas “problemáticas”.
Assim, eu passei a questionar aos meus semelhantes que mais se destacavam, como se eles fossem os escolhidos para a grande obra remodeladora da nossa humanidade, já que procuravam demonstrar saber de tudo, aliás, de tudo e mais ainda alguma coisa, simplesmente deles indagando mais ou menos o seguinte:
─ Meu amigo, você é ciente que a 2.000 mil chegará e daí não passará?
─ É lógico que eu sei, antes de 2.000 tudo vai ser esclarecido.
─ Meu amigo, você está sabendo que Jesus, o Cristo, declara-se o explanador da verdade, e que ele mesmo reexaminou a sua obra de explanador, e que o Racionalismo Cristão tem que ter um explanador?
─ É mesmo?
─ Meu amigo, você está sabendo que o espírito pode antever as suas várias encarnações futuras?
─ Depende do espírito.
Essas e tantas outras indagações correlatas eu fazia aos militantes da doutrina do Racionalismo Cristão, mas parecia que eles estavam navegando ao sabor do vento, sem demonstrar a consciência plena da importância da doutrina da verdade que eles mesmos estavam nela a militar.
Eu então aguardei com certa ansiedade que surgisse uma grande mentalidade, mas não via sinais dela em nenhum grande homem que se dispusesse a explanar o Racionalismo Cristão, pelo menos a dar explicações mais detalhadas sobre tudo aquilo nele estava contido, mas que ainda carecia de maiores detalhes a respeito. Então eu decidi o seguinte: bom, já que até agora não apareceu ninguém para fazer o que considero seja feito, eu mesmo, com toda a minha insignificância vou fazê-lo, mas do meu modo, custe o que custar.
Hoje em dia, eu sei mais profundamente a grande importância da explanação do Racionalismo Cristão, assim como da minha missão na Terra, e o encadear das minhas várias encarnações futuras, na humanidade que nos segue na esteira evolutiva do Universo. Sim, eu sei plenamente que serei o futuro Cristo da minha humanidade, pois que zelar pela minha e pelas outras humanidades como eu zelo, não existe mais ninguém que se esforce para tanto, a não ser Luiz de Mattos, como assim já demonstrou.
No entanto, na condição do Antecristo que eu sei que sou da minha humanidade, um papel de fundamental importância estou desempenhando em prol da sua evolução, do seu progresso, cujo desempenho é revestido de um imenso esforço e de uma imensa boa vontade, já que estou travando uma verdadeira guerra de pensamento contra o meio ambiente, por demais pesado e deletério, principalmente contra o astral inferior.
Mas o engraçado é que, no início, este meu pensamento era apenas para falar de uma afirmativa de Luiz de Mattos, que ele não explica o porquê de tal afirmativa, mas quando fui colocar no papel, iniciei de outro modo, tendo ele se estendido além da conta.
Mas, enfim, o que eu quero realmente dizer, é que Luiz de Mattos nunca quis agradecimentos por tudo o que fez pela nossa humanidade, e muito menos honrarias, pois que era inteiramente ciente de que é mil vezes preferível antes merecer as honrarias e não as ter, do que tê-las e não as merecer.
A explicação lógica para isso, reside no fato de que tudo aquilo que conquistamos, tudo aquilo que incorporamos ao nosso acervo espiritual, em nossas evoluções, é decorrente da convivência que tivemos com os nossos semelhantes, os quais nos proporcionaram os meios necessários para evoluirmos com mais rapidez. Então tudo o que somos devemos a eles, que assim se tornam os nossos credores. E agora é chegada a hora de resgatarmos a todos esses débitos, proporcionando os meios necessários para que eles também possam evoluir. Por isso, não precisamos de agradecimentos, de honrarias, e muito menos de aplausos, que devem ser destinados diretamente aos artistas das artes, e não aos artistas do pensamento, que também produzem sentimentos superiores, além dos pensamentos positivos.
Além do mais, nós temos que produzir tanto a amizade como o amor espirituais, e nessas produções tomamos a consciência plena de que devemos ser solidariamente fraternos uns para com os outros, o que nos leva fatalmente a ajudar aos nossos semelhantes, independentemente de eles haverem sido os instrumentos necessários para as nossas evoluções espirituais, por isso não existem inimigos, mas sim companheiros na jornada evolutiva universal. A inimizade, pois, é fruto da ignorância acerca da espiritualidade.
Por fim, quero apenas deixar bem claro, que quanto mais o espírito evolui, tanto mais ele sente a necessidade de ajudar ao próximo. Essa ajuda é efetivada por intermédio de uma escala progressiva, que começa com a ajuda de apenas um, de poucos, e assim vai se estendendo, até que ele consiga ajudar a toda uma massa humana, onde se encontram inseridos todos os seres humanos que são os seus companheiros de humanidade, e, às vezes, estendendo-se até a outra humanidade seguinte, e que, como uma onda benéfica e salutar, radia-se a todas as demais.
Isso é algo tão belo de se contemplar, assim como também é belo de se realizar.