℗ 0106

Eu sempre me julguei simples, sem vaidade, sem qualquer importância e sem jamais querer ser aquilo que não podia ser em termos de perspectivas relativas a este mundo, notadamente em relação aos bens materiais e aos atrativos do poder, pois achava tudo isso complicado e não dependia apenas de mim mesmo esse tipo de sucesso. Contudo, jamais adquiri o complexo de inferioridade, pois sempre tratava os simples como simples e os médios como médios, mas os que se consideravam superiores ou os ricos, eu tratava sempre com certa frieza e rispidez, mas sem ser bruto, pois sempre ficava à espera de alguma descortesia por parte deles, quando então eles poderiam ver se realmente iriam aguentar ou não o tranco, advindo da situação por eles mesmos criada.

Mas quando eu me deparei com a verdade relativa à vida espiritual, então cá comigo eu pensei: aqui tem um campo extenso para eu percorrer sozinho, sem depender de quem quer que seja; aqui eu posso galgar os patamares mais elevados dependendo apenas de mim mesmo, pois ninguém precisa saber o que estou fazendo.

Tendo ingressado no caminho da espiritualidade, sozinho, anônimo, sem ser importunado por qualquer pessoa, eu pude constatar depois que esse caminho por mim escolhido era o único que havia sido reservado para mim, por ser o correto. E quem me disse isso foi o próprio Luiz de Mattos, por intermédio das suas comunicações contidas na obra Clássicos do Racionalismo Cristão, idealizada por Nilton Figueiredo de Almeida, a páginas 269 e 270, quando o espírito da verdade diz o seguinte:

“A criatura sem esclarecimento adquire um complexo de inferioridade, cria em seu mental coisas inexistentes e fica convencida de que não dá para grandes coisas, que nunca conseguirá ser feliz; ao passo que o ser esclarecido, sente-se apoiado na verdade e passa muitas vezes a ser aquilo que nunca pensou ser, sente estimulada a vontade e se julga capaz de chegar às grandes coisas, porque começa a agir, desembaraça-se e passa a ser uma criatura de valor nos seus empreendimentos”.