A minha encarnação anterior como Ruy Barbosa teve os seus motivos, um deles foi me destacar de todos por intermédio da minha inteligência, que não era propriamente inteligência, em sua completitude, pois que se destacava prioritariamente o meu intelecto, tendo eu, de qualquer maneira, conseguido o meu intento, pois todos os brasileiros quando abordam o assunto da inteligência se lembram logo de mim, tal como se dela eu fosse sinônimo, portanto, o ícone da inteligência no Brasil. Em função disso, quando me tornei convicto de que fui Ruy Barbosa na encarnação passada, transmiti o fato para os meus familiares, notadamente para a minha mãe. Por essa razão, todos riram e disseram que era pura vaidade minha, um elevadíssimo egocentrismo. Mas o que eu podia fazer? Para mim tudo isso era absolutamente natural, próprio de mim mesmo, por isso nem me apercebi do tremendo impacto que estava causando aos meus familiares e conhecidos. Deveria eu negar a mim mesmo com receio da opinião alheia? Jamais! A minha sinceridade teria que imperar acima de tudo!
Então assim eu pensei: quem tiver a sua própria opinião sobre o que quer que seja, que tenha formado em sua mente, que guarde para si ou a transmita da forma que mais lhe convier, pois para mim pouco importa, mesmo que seja taxado de doido, de perturbado, de obsedado, de vaidoso, de soberbo, de egocêntrico, ou seja lá do que for, pois para mim o mais importante, que se situa acima de tudo, é a minha própria convicção, e dela eu não abro mão, nem que o sertão vire mar, e o mar vire sertão, e nem que vaca tussa, como se diz comumente.
Para que alguém possa ter uma ideia a respeito da firmeza das minhas decisões, que são sempre apoiadas nas minhas convicções, logo de início, quando pude supor que a salvação da minha humanidade iria depender das minhas ações, não da salvação infernal, mas da salvação da sua extinção mais uma vez, ponderei se isso poderia ser alguma loucura, em virtude de tanto eu seu tachado de doido por todos os que me rodeavam, inclusive que era doido por haver herdado a doença mental do meu pai, sendo assim portador da esquizofrenia. Então decidi o seguinte: eu prefiro mil vezes ser tachado de doido, de esquizofrênico, e até assumir realmente tais condições, sendo doido e esquizofrênico, na realidade, do que expor a minha humanidade a um mínimo risco, portanto, eu vou em frente, com doidice, com esquizofrenia, ou sem elas, ou seja lá com que for, mas deixar de seguir em frente eu não deixo, por hipótese alguma, afinal a verdadeira importância cabe à minha humanidade, e não a mim, que sou apenas um, enquanto que ela representa o nosso todo.
Na realidade, como poderia um ser humano insignificante e mundano como eu, sem qualquer valor em relação aos demais, que havia chafurdado em todo o tipo de lama infecta deste mundo, ser o grande responsável pela salvação da minha humanidade? Pelo menos, pensando assim, eu sabia que não era vaidoso, nem soberbo, nem egocêntrico, e tudo o mais que se enquadra no gênero. O resto deveria vir com o passar do tempo. Mas eu teria que muito estudar, que muito investigar e que muito pesquisar.
Esse fato de eu haver ressaltado a minha inteligência teve o seu grande mérito, pois será ela o grande alicerce da minha explanação do Racionalismo Cristão, que aliada à minha coragem e boa vontade levará de vencida a todas as barreiras e obstáculos que estão impedindo o estabelecimento da razão neste mundo.
É a grande luta do pensamento que ora está sendo travada nesta época de final de uma Grande Era e começo de outra, que é a maior de todas as lutas, em que a inteligência se sobressai acima de tudo, pois somente ela pode sair vencedora em tudo e por tudo. Antônio Cottas já sabia desta grande realidade, tanto que na obra Discursos de Antônio Cottas, a página 61, por ocasião do seu discurso proferido em comemoração à desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1936, ele diz o seguinte:
“A doutrina da verdade, ou de Cristo, é revolucionária, mas a sua guerra é de ideias, sua arma, a inteligência, a sua bandeira carrega os emblemas abstratos do amor, da ordem, do trabalho e do progresso”.
Assim, em sendo a nação brasileira a grande responsável por levar a bandeira do Racionalismo Cristão a todas as demais nações deste mundo, pergunto agora: quem é, então, o único brasileiro que pode desfraldar essa bandeira universal e tremulá-la com inteligência para todas as demais nações?