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Em relação à natureza dos meus pensamentos anteriores, eu já pensei em muita ilusão, em muita fantasia, como se estivesse vivendo em mundos imaginários, pois que esta era a única forma por mim encontrada para me afastar do mundo Terra, para evitar o cansaço de permanecer constantemente afeito aos fluidos deletérios da sua atmosfera e às investidas dos espíritos quedados no astral inferior, antes de me tornar saperólogo. Na realidade, eu não tinha assuntos que julgasse interessantes para que pudesse neles focar as minhas ideias. Então, no dia a dia, eu geralmente me concentrava no trabalho, e quando não estava trabalhando pensava apenas no que estava fazendo no momento. No entanto, à noite, quando ia dormir, esquecia tudo aquilo que se referia ao dia que havia passado, ocasião em que vinham as ilusões, as fantasias, ingressando em mundos imaginários.

Ficava pensando, por exemplo, que era o mais competente dos médicos, que mantinha um hospital com tratamento gratuito para todos os seres humanos, sendo ele totalmente equipado, inclusive com setor de pesquisa. Nesse delírio, eu imaginava que todos os médicos eram competentes, mas quando se deparavam com algum caso tido como insolúvel, requisitavam a minha presença, e, de imediato, eu fornecia o diagnóstico, e caso não tivesse o remédio indicado para a cura, eu mesmo o criava. E assim a minha imaginação ia se aprofundando, até que eu considerasse tudo isso sem qualquer objetivo, como se fosse apenas um paliativo para a vida humana, quando então procurava dormir, ou então adormecia antes que considerasse tudo isso sem objetivo.

E em relação a isso eu também imaginava analogamente como sendo um cientista e até sendo um grande empresário, assim como outros. Como cientista, eu imaginava que fazia descobertas por cima de descobertas, inventos por cima de inventos, até que me cansava de tanto imaginar, pois não conseguia chegar a uma finalidade específica que fosse definitiva. Como grande empresário, eu imaginava reunir em minhas mãos um fortuna colossal, a seguir ficava imaginando uma maneira de distribuir a minha fortuna entre os mais necessitados, mas essa distribuição se tornava muito cansativa, pois que levava sempre em consideração o merecimento, e este era muito difícil de avaliar, pois queria ver o esforço do necessitado de qualquer maneira, e não conseguia ver, então eu partia para distribuir a minha fortuna realizando grandes obras na minha cidade, imaginando obra tal, e obra tal, quando, após algum tempo, eu olhava para as demais cidade, que não tinham essas minhas obras, então passava a me doer a consciência. E assim era em qualquer uma das minhas imaginações.

Eu sei que a doutrina racionalista cristã preparou adredemente o meu retorno a este mundo, como que preparando o terreno para o seu explanador, principalmente para que não prosperasse nenhuma dúvida da sua autenticidade por parte dos seres humanos, mas conseguir prever todos os meus passos, através dos meus pensamentos, causou-me uma surpresa tão impressionante que, deslumbrado, eu mesmo não cheguei a atentar para o fato de que tudo isso era em obediência ao plano elaborado por Jesus, o Cristo, para a espiritualização da nossa humanidade.

Certo dia, quando estava a ler uma das obras de Maria Cottas, a digníssima filha de Luiz de Mattos, esposa de Antônio Cottas, denominada de Discursos de Maria Cottas, um dos seus ensinamentos, que estava contido a página 22, relativo ao seu discurso proferido em comemoração ao aniversário de desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1941, chamou-me bastante atenção, pois nele a valorosa e letrada representante do gênero feminino, dizia o seguinte:

“Não! Não é em mundos imaginários que curaremos as chagas que a vida nos faz, as decepções e as injustiças do mundo, mas recorrendo à nossa inteligência esclarecida e nos tornando verdadeiramente livres. Quanto mais livre for a criatura de preconceitos e sectarismos, tanto mais culta e convicta. À medida que a personalidade cresce, a liberdade avança, afrouxam-se os laços materiais e se estreitam os espirituais”.

Ninguém tem noção da grande importância que teve esse ensinamento para que eu pudesse modificar completamente a natureza dos meus pensamentos. Pela imensa influência dessa grandiosa mulher, à medida que eu ia me aprofundando no estudo e pesquisa da espiritualidade, cada vez mais os meus pensamentos iam se modificando, passando a ser dirigidos para a verdadeira vida, em sua realidade, até que, enfim, eu me espiritualizei completamente, quando então me tornei um verdadeiro saperólogo.