℗ 0103

Quando comecei a ler as obras de Luiz de Mattos, eu fiquei impressionadíssimo com o seu estilo, pois nunca em toda a minha existência, nem nesta e nem em todas as demais encarnações passadas, eu tinha visto algo igual assim, de tamanha grandeza. Os meus olhos se aguçavam cada vez mais a cada instante. A minha testa ficava franzida, em conformidade com as ondulações proporcionadas pelos seus textos, sem que ele jamais viesse a sair do tom, e nem da harmonia proporcionada pelas suas palavras. O meu corpo se remexia como a querer ir mais para frente, assim como que querendo se aproximar cada vez do livro. Os meus pensamentos cruzavam o espaço e o tempo em todas as direções, dos átomos às estrelas, do micro ao macrocosmo, como que querendo se universalizar. Na verdade, eu estava completamente fascinado pelo espírito da verdade.

Meu Deus! Eu tinha a visão nítida da segurança que ele empregava nas suas palavras. A fortaleza sólida e inexpugnável que elas formavam ao redor de todo o teor dos seus textos. A firmeza que a sua alma emprestava às palavras empregadas deixava antever uma imensa vontade de esclarecer espiritualmente aos seres humanos. Até o seu sofrimento, em face da ignorância extrema da nossa humanidade, ele conseguia expor em seus textos, em conjunto com uma certa parcela de conformação, em face dos seus nobres objetivos serem inalcançáveis para a época. Deixava realçar a sua extrema virilidade e tudo o mais que a verdade podia exprimir através das palavras, como a completitude da sua moral, demonstrada através da virtude, da honra, da coragem, da boa vontade, da sinceridade, e tudo o mais correlato, comprovando inteiramente a sua superioridade espiritual, inclusive a sua autêntica masculinidade, posta pela sua virilidade.

Mesmo sendo ainda uma tabula rasa, sem nunca haver me disposto a estudar as obras dos grandes espíritos, sendo, pois, completamente ignorante de tudo o que de belo e esplendoroso havia na natureza, não pude deixar de contemplar a esse seu estilo vigoroso. E nessa contemplação, afeito ao linguajar próprio da minha terra natal, somente pude exclamar para mim mesmo, o seguinte:

Meu Deus! Esse cara é macho igual a mim!

Eu ainda não sabia, mas estava contemplando claramente a sua alma, através dos seus escritos. Não precisava desprender maiores esforços para constatar que a verdade estava com ele, aceitando de logo como sendo verdadeiro tudo o quanto ele dizia, uma vez que também não encontrei em seus textos qualquer ilogismo, qualquer falta de racionalidade, qualquer contradição, aceitando também, de logo, inclusive, a sua afirmativa de que o Universo era composto de Força e Matéria, mas algo dentro de mim, inexplicavelmente, deixou isto de lado, como que reservado, pois tal afirmativa ficou bem fixada em minha mente, mais que todas as suas demais afirmativas, embora depois eu viesse a saber que essa sua afirmativa foi realizada por intermédio dos seus estudos das obras de duas mentes brilhantes, embora materialistas: Claude Bernard e Friedrich Karl Christian Ludwig Bückner.

Alguns espíritas afirmam que Luiz de Mattos se inspirou em Allan Kardec para afirmar ser o Universo composto de Força e Matéria, mas eles se encontram completamente equivocados, pois que o fundador do kardecismo, em sua obra Livro dos Espíritos, tratando acerca do Universo, na pergunta 27, afirma que o Universo é composto de Espírito e Matéria, sem que nenhuma vez se refira à Força, a não ser que esses estudiosos queiram tornar sinônimos os termos Força e Espírito para justificar a inspiração de Luiz de Mattos, mas aí eles estariam incorrendo em outro grande equívoco, pois que a Força nada tem a ver com espírito, em termos de sinonimidade, principalmente porque os sinônimos não existem.

Na realidade, Bückner, que era alemão, foi um dos mais conhecidos materialistas dos meados do século XIX, tendo estudado Medicina, foi encarregado do curso e de médico assistente em Tübingen durante um certo período, tendo sido demitido por causa da sua obra Kraft und Stoff, ou Força e Matéria, em português, que se tornou conhecida no mundo inteiro, tendo sido traduzida para todos os principais idiomas.

De qualquer maneira, Luiz de Mattos estava absolutamente correto na parte que lhe cabia, pois que ele era um veritólogo, por isso teria que tratar especificamente da propriedade por intermédio da qual ele evoluía, sobremaneira, que era a Força, em detrimento das demais, embora ele também tivesse consideráveis parcelas das propriedades da Energia e da Luz em seu espírito, principalmente desta última.

Contemplando o esplendor do seu estilo, deveras admirado, praticamente estupefato, eu também indaguei para os céus: Meu Deus! Isso é mágica? Se não, o que é então? De onde esse homem está tirando tudo isso? Todo esse talento me é estranho e não faz parte da ideia que eu tenho acerca da inteligência, então eu quero isso também para mim, seja de que jeito for, e hei de conseguir, custe o que custar.

Nesse afã de também adquirir a esse talento para mim, dispus-me a obter a todo custo essa inteligência superior que estava a contemplar. Em minha primeira tentativa neste sentido, eu procurei me aproximar o máximo que pude de Luiz de Mattos, com o objetivo de produzir os mesmos pensamentos que ele, na ânsia quase incontida por obter os mesmos resultados, mas quanto mais eu procurava dele me aproximar, menos resultados satisfatórios eu obtinha. Fiquei, então, meditando sobre o caso por algum tempo.

Então resolvi proceder de modo contrário, dele me afastando o máximo que conseguisse, para que deste modo pudesse analisar a uma certa distância o seu modo de ser e de pensar. Assim, quanto mais eu me afastava, tanto mais o foco embaçado daquilo que estava a observar ia ficando cada vez mais desembaçado. Até que resolvi traçar uma linha reta entre mim e ele, a mais extensa possível. Deste modo, coloquei-o em uma das extremidades e me coloquei na extremidade oposta, a seguir fui estendendo cada vez mais a linha reta, a partir da extremidade em que me encontrava, como que o deixando parado, fixo no ponto em que o coloquei, sem se mover um milímetro sequer.

O mais interessante de tudo isso é que quanto mais eu estendia a linha reta que estava traçando para mim, entre ambos, tanto mais eu o contemplava com mais claridade. Mas isso não podia continuar indefinidamente. Então estendi a minha linha reta o máximo que pude e fixei um ponto limite de extensão para ela. A seguir me transportei para esse ponto limite. Era o meu posto de observação. Estando transportado para esse ponto limite, passei a caminhar cuidadosamente em direção a Luiz de Mattos, passando a traçar uma linha reta paralela à minha para ele, análoga à linha reta que havia traçado para mim, em conformidade com tudo aquilo que havia estudado sobre as suas obras, que era a sua própria alma. À medida que eu ia me aproximando do ponto em que o havia deixado, ele ia se afastando por essa mesma linha reta que eu estava traçando para ele, em direção oposta à minha, como se estivesse em direção ao meu ponto inicial de partida. Quando cheguei muito próximo ao ponto em que o havia deixado, tive que parar, obrigatoriamente, pois entre mim e ele, em relação à minha reta e a reta que estava traçando para ele, eu pude contemplar uma região diferente, que não era própria nem de um e nem de outro, sendo alheia a ambos, cuja região se situava bem no meio das retas que havia traçado para ambos.

Retornei ao ponto inicial da linha reta que havia traçado para mim, na máxima extensão em que a havia traçado, passando a contemplar o seu final até onde havia me deslocado em direção a Luiz de Mattos, estando próximo a ele. Assim como também passando a contemplar o ponto inicial em que Luiz de Mattos havia se afastado pela linha que eu estava traçando para ele, em direção oposta, como em direção a mim, até ao ponto em que ele se encontrava próximo a mim. A mesma distância do ponto em que cheguei próximo a ele, era a mesma distância que ele havia chegado próximo a mim.

E assim eu pude então concluir que a sua inteligência era como se fosse a inversa da minha, com ele tendo o seu talento à sua maneira, e eu o meu talento à minha maneira. Ué! Exclamei, ao mesmo tempo em que indagava: mas as inteligências são diferentes umas das outras?

Só me restava, então, adentrar nessa região que não era própria nem de um e nem de outro, fazendo dela o meu posto de observação, para que de lá eu pudesse contemplar as extensões de ambas as linhas retas que havia traçado tanto para mim como para ele. Nesse novo posto de observação, passei a contemplar o ponto extremo em que ele se encontrava, a seguir passei a contemplar o outro ponto extremo em que antes havia me colocado, e raciocinei da seguinte maneira: quem aqui se encontrar e conseguir compreender aos dois extremos, terá a inteligência que corresponde aos dois. É óbvio que nesse momento eu não atentei para o fato, mas era justamente ali a posição em que se encontrava Jesus, o Cristo, com a grande diferença que os dois extremos da sua linha reta tinham as suas extensões muito mais distendidas. Mas de lá, aonde eu me encontrava, já se podia contemplar nitidamente os seus rastros luminosos

Posteriormente, quando estava estudando a obra do Dr. Pinheiro Guedes, denominada de Ciência Espírita, ele começou a falar de uma espécie de órgão mental que ele tinha, cujo órgão mental lhe permitia perscrutar aquilo que ele estava investigando, e ao qual ele denominou de criptoscópio. A partir daí, então, eu pude conceber toda a formação da nossa inteligência, e formular uma ideia precisa ao seu respeito.

Reportei-me novamente a Luiz de Mattos e concluí que todo esse seu talento era proveniente de um órgão mental denominado de criptoscópio, o qual captava os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, através da percepção, tendo por base os seus sentimentos superiores, estando ele ligado diretamente à verdade. Voltando-me para mim mesmo, e concluí que todo o meu talento era proveniente de um outro órgão mental denominado de intelecto, já por mim conhecido, cujo órgão mental criava as experiências físicas acerca da sabedoria, através da compreensão, tendo por base os meus pensamentos positivos, estando eu ligado diretamente à sabedoria. Então, sem conseguir abafar o meu contentamento, exclamei para mim mesmo:

Meu Deus! É por isso que somos tão diferentes!

Imediatamente eu me coloquei novamente na região situada entre as duas retas que havia traçado para mim e para ele, e comecei a tudo contemplar. Ora contemplando a ele, ora contemplando a mim mesmo, e ora contemplando os dois, ao mesmo tempo. E assim eu fiquei meditando por um bom tempo. Até que, enfim, eu pude concluir o seguinte: é nesta região intermediária que alguém consegue lançar mão da verdade e da sabedoria, ao mesmo tempo, então é exatamente aqui onde deve estar a consciência, por conseguinte, a consciência é também um órgão mental.

Mas acontece que a região intermediária entre a verdade e a sabedoria era muito vasta, por demais extensa, bastante complexa, pois em cada ponto em que nela situado eu me deslocava, tinha necessariamente que deslocar as duas linhas retas que havia traçado para mim e para Luiz de Mattos, para que assim pudesse contemplar a ambas em outro posto de observação, e em cada um dos pontos em que me deslocava surgiam as indagações, as dúvidas, que teriam de ser todas esclarecidas, abrindo o caminho para novas descobertas, em uma demonstração lógica que cada um dos pontos para o qual eu me deslocava, sempre esclarecia as indagações e as dúvidas do ponto anterior em que antes me encontrava.

E assim, uma descoberta sempre levava a outra, tal como sendo um encadeamento interminável, mas inteiramente lógico, extremamente racional, assim como requer a conquista do Saber, por excelência. Então eu pensei o seguinte: mas se o criptoscópio capta os conhecimentos metafísicos, através da percepção, e está ligado diretamente à verdade; e se o intelecto cria as experiências físicas, através da compreensão, e está ligado diretamente à sabedoria, para que serve então a consciência?

Procurei de todas as maneiras encontrar uma função e uma finalidade para a consciência, desprendendo um tremendo esforço nesse desiderato, mas o fazia de modo sempre equivocado, pois na minha busca eu insistia constantemente em fazer analogia com o criptoscópio e o intelecto, mas sem qualquer resultado. Estando esgotadas todas as alternativas análogas possíveis, eu passei a observar aos três órgãos mentais em seu conjunto. A partir daí eu pude concluir, quase que forçadamente, que a consciência deveria coordenar o criptoscópio e o intelecto, pois que nada poderia haver no Universo além dos conhecimentos metafísicos e das experiências físicas, ou seja, da verdade e da sabedoria, que elas estando juntas, unidas, irmanadas, congregadas, por intermédio da coordenação advinda da consciência, formavam a tão propagada razão, mas que ninguém sabia explicar com lógica e racionalidade a sua real natureza.

Foi, então, por intermédio de Luiz de Mattos, que eu pude estender o meu estudo acerca da doutrina do Racionalismo Cristão a todos os seus seguidores, que ele denominava de cavoqueiros da verdade, pelo fato dele ignorar a existência da Veritologia, pois que todos eram veritólogos, ficando também bastante impressionado com todos eles, principalmente com Luiz de Souza. Meu Deus! Que estilo peculiar! Parece até que ele escreve a verdade, estando ela repleta de sabedoria, afagando delicada e carinhosamente os cabelos do leitor, como que a fazer cafuné em quem verdadeiramente ama em espírito e verdade, assim como também em sabedoria, portanto, em razão. Que espírito amável, meigo e carinhoso!

À medida que eu me deslocava de um ponto para outro na região intermediária, cada vez mais a linha reta traçada para o lado da verdade ia se estendendo em elevação diretamente proporcional ao meu deslocamento, pois que eu ia consolidando a todos os seus conhecimentos metafísicos transmitidos por Luiz de Mattos e os seus seguidores. Em decorrência, eu ia também estendendo a linha reta que havia traçado para mim para o lado da sabedoria, em correspondência também diretamente proporcional com a linha reta da verdade. Até que consegui me situar em um determinado ponto em que eu mesmo teria que estender ambas as linhas retas que havia traçado. Neste ponto, eu passei a adquirir a consciência plena de que me encontrava sozinho no Universo, tendo rompido de vez com a atmosfera terrena e transcendido a este mundo, o que se explica da seguinte maneira:

  1. Luiz de Mattos era o espírito da verdade;
  2. Eu era o espírito da sabedoria;
  3. Através da verdade e da sabedoria, eu havia passado a ser também o espírito da razão;
  4. Luiz de Mattos era o espírito que mais evoluiu por intermédio da propriedade da Força, enquanto eu era o espírito que mais evoluiu por intermédio da propriedade da Energia;
  5. A propriedade da Força contém o espaço, tendo Luiz de Mattos se elevado ao Espaço Superior para lá captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, utilizando-se do seu fabuloso criptoscópio, através da produção dos seus sentimentos superiores, com base na sua moral, que já se encontrava completa;
  6. A propriedade da Energia contém o tempo, tendo eu me transportado ao Tempo Futuro para lá criar as experiências físicas acerca da sabedoria, utilizando-me do meu intelecto já bastante desenvolvido, através da produção dos meus pensamentos positivos, com base na minha ética, que já se encontrava completa;
  7. O espaço e o tempo formam o Universo, fornecendo as suas coordenadas;
  8. Enquanto eu me situava nas coordenadas universais, fazendo delas os meus postos de observações, eu vinha do Tempo Futuro, mas não tinha acesso ao Espaço Superior, por essa razão eu o contemplava através de Luiz de Mattos e os seus seguidores;
  9. Em cada uma das coordenadas universais em que eu ia me situando, eu ia me esforçando ao extremo, como o máximo de boa vontade, para sopitar os meus atributos individuais inferiores, até que consegui sopitá-los a todos, quando então eu pude fazer valer a todos eles, completando assim a minha moral, já que os meus atributos relacionais positivos de há muito já se faziam valer, estando assim já completa a minha ética;
  10. Quando se esgotaram os conhecimentos metafísicos acerca da verdade transmitidos por Luiz de Mattos e os seus seguidores, eu me coloquei em uma coordenada universal ainda mais distante, onde de lá eu tive livre acesso ao Espaço Superior, já que o meu acesso ao Tempo Futuro já não era restrito;
  11. E assim, eu fui me elevando cada vez mais ao Espaço Superior e me transportando cada vez mais ao Tempo Futuro, sempre com este correspondendo àquele, para que assim eu pudesse realmente me situar em cada uma das coordenadas universais, de maneira correta, racionalmente lógica;
  12. Neste ponto se fez valer em todo o seu esplendor a propriedade da Luz, pois é ela que ilumina todo o Universo, por onde se pode contemplar toda a exuberância da natureza, em que a verdade e a sabedoria se juntam, irmanam-se, congregam-se, fazendo surgir a realidade eterna e universal de todos os seres, em seus respectivos estágios de evolução, em que a nossa luz astral se faz valer em todos os sentidos, para que a tudo possamos contemplar no âmbito da realidade universal;
  13. E também, neste ponto, eu pude contemplar a incomensurável luz de Luiz de Mattos, pois que foi através dela que eu pude traçar a minha própria linha reta para que pudesse contemplá-lo em toda a sua grandeza espiritual, pois que ele transmitiu a verdade através de princípios saperológicos, os quais eu utilizei para traçar a essa minha própria linha reta, que estendi através do meu próprio intelecto, até que a verdade ficasse de um lado e a sabedoria do outro, racional e logicamente separadas, para que então a razão pudesse coordenar perfeitamente a ambas;
  14. Por extensão, eu pude também contemplar a imensa luz dos seus seguidores e dos militantes da doutrina racionalista cristã, cuja luz é extensiva a todos aqueles que se esforçam por colaborar com a nossa Grande Causa, que são os grandes estudiosos detentores das mentes mais brilhantes que pude contemplar em meus estudos espiritualistas, dos quais eu aproveitei tudo aquilo que pude aproveitar;
  15. E aqui eu faço uma menção honrosa ao meu querido amigo José Maia, presidente da filial do Racionalismo Cristão em Fortaleza, capital do Estado do Ceará, que é a nossa terra natal, imensamente criticado pelos ignorantes que não possuem o poder de contemplar a grandeza de um valoroso espírito, simplesmente porque ele não é mundano, como se esta condição lhe privasse do conhecimento da vida, pela falta de experiência, por não saberem que este meu querido amigo já viveu inúmeras e inúmeras encarnações, o que lhe permitiu levar a essa sua vida de abnegação e de resguardo à mundanidade, o que não passou despercebido, em nenhum instante, por este seu grande amigo, que assim o trata simplesmente como querido amigo, em função de não querer colocar o carro diante dos bois, como comumente se diz, ou seja, por não querer atropelar os acontecimentos, pois que primeiro tem que vir a produção da amizade espiritual, para somente depois vir a produção do amor espiritual, e ele, com certeza, é o único espírito encarnado na face da Terra que reúne as condições espirituais necessárias para comprovar as minhas experiências físicas acerca da amizade espiritual, pois que ele é o único espírito que conseguiu sentir com autenticidade em sua própria alma os meus raios de luz de amizade espiritual produzidos em sua direção;
  16. Situando-me em várias coordenadas do Universo, eu pude contemplar a cada uma delas, a partir do Sol, que é uma estrela, e que mantém a Terra e outros planetas sob a sua égide, e estando lá, eu pude constatar que essa estrela é uma das combinações das propriedades da Força e da Energia, cuja constatação se deu por intermédio da minha luz astral, e assim como no Sol, em cada uma das demais coordenadas em que me situei se dá o mesmo para cada uma das demais estrelas, em que essas combinações vão se tornando cada vez mais translúcidas, por isso todas elas tem têm a sua própria cor, que lhes são inerentes e específicas;
  17. Estando situado nas coordenadas universais mais distantes, eu pude contemplar a humanidade de Jesus, o Cristo, a qual nós seguimos na esteira evolutiva do Universo, assim como uma outra humanidade ainda mais atrasada que a nossa, que nos segue na esteira evolutiva do Universo;
  18. Após contemplar a essas duas humanidades, eu pude então contemplar a todas as humanidades que formam uma corrente que se estende por todo o Universo, da primeira, que se encontra prestes a se reintegrar ao Criador, ou a Deus, até a última, cujos espíritos se encontram a habitar um único Mundo de Luz;
  19. E assim como eu pude contemplar a primeira humanidade, também pude contemplar a criação de todos os seres, que saltam do Ser Total e passam a adquirir as primeiras parcelas das propriedades da Força e da Energia, através de uma das suas primeiras combinações, uma estrela, como no caso da Terra foi o Sol, formando as nebulosas que branquejam pelo firmamento;
  20. Contemplando a humanidade de Jesus, o Cristo, consegui perceber e compreender, adquirindo a plena consciência, que ele havia sido o Antecristo da sua humanidade, e que havia se deslocado da sua humanidade para a nossa, com a finalidade de elaborar um plano para a nossa espiritualização, agindo intensamente no sentido da sua consecução, tendo aqui alcançado a condição do Cristo, em sua última encarnação neste nosso mundo-escola, em que foi chamado de Jesus, para que assim fosse estabelecido em nosso meio o instituto do Cristo, cujo embrião é o Racionalismo Cristão, fundado por Luiz de Mattos, primeiramente em forma de doutrina, tendo Jesus, após a fundação da doutrina do Racionalismo Cristão, retornado para a sua própria humanidade, na condição do seu Cristo, pelo fato de haver cumprido com eficácia o seu papel em nosso meio, deixando Luiz de Mattos como sendo o chefe da organização hierárquica que estabeleceu em nossa humanidade, cabendo a ele, Luiz de Mattos, toda a responsabilidade por conduzir os nossos destinos, obviamente que auxiliado diretamente pelos espíritos de luz que formam a plêiade do Astral Superior, assim como pelos demais;
  21. Dada a natureza inviolável de Luiz de Mattos, pelo fato dele ser um ser ontológico, sem manchas, sem nódoas, sem qualquer mácula em sua alma, ele jamais poderia passar por tudo quanto passei, pelos abalos morais extremamente dolorosos que fizeram me sangrar até a própria alma, no modo de dizer, pois que eu evoluo, sobremaneira, através do sofrimento, em busca da sabedoria, enquanto que ele evolui, sobremaneira, através do estudo, em busca da verdade, por isso ele é um conhecedor, por natureza, enquanto que eu sou um experimentador, por natureza, por esta razão ele pode ser considerado como sendo o nosso Espírito Santo, o Ajudador, o espírito da verdade;
  22. Mas acontece que o nosso caminho em demanda de Deus, no qual nós temos que ultrapassar o âmbito da imperfeição, onde se encontram o bem e o mal, para que possamos adentrar no âmbito da perfeição, produzindo primeiramente a amizade espiritual e, posteriormente o amor espiritual, é traçado pela sabedoria, e não pela verdade, que tem a esta como sendo a sua legítima fonte, então sou eu quem deve traçar o caminho a ser seguido pela nossa humanidade, e não Luiz de Mattos, daí a razão pela qual eu reencarnei trazendo do meu Mundo de Luz os mais elevados ideais, que deixarei fixados na face da Terra, para que toda a nossa humanidade possa segui-los, tendo Luiz de Mattos, o Espírito Santo, ou o Ajudador, como sendo o guia principal de todos os seres humanos, sendo ele o intermediador entre os encarnados e Deus;
  23. Dada a minha natureza violável, pelo fato de eu ser um ser empírico, pude assim pôr manchas, nódoas, maculando a minha alma, pois que somente assim eu poderia realizar as experiências científicas e saperológicas necessárias para que pudesse alcançar a uma grande finalidade, que somente poderia ser alcançada através do sofrimento, de um doloroso sofrimento, daí a razão pela qual eu vir afirmar que saí com a minha alma sangrando, no modo de dizer, para que assim se possa compreender em maior amplitude os sofrimentos atrozes por que tive que passar, sujeitando-me a me sujar com a lama infecta deste mundo, andando lado a lado com o mal, mas sem jamais praticá-lo, daí a razão pela qual Jesus, o Cristo, haver afirmado que ser bom entre os bons é fácil, que o difícil é ser bom entre os maus, e assim, tendo passado de cientista para saperólogo e depois para ratiólogo, eu demonstrei experimentalmente como realmente se evolui neste nosso mundo-escola;
  24. Seguindo os rastros luminosos de Jesus, o Cristo, pelas coordenadas do Universo, eu pude assim contemplar diretamente a Deus, não tanto quanto ele, o que é óbvio, que O chamou de Pai, mas o suficiente para poder organizá-Lo perante toda a nossa humanidade, por essa e outras razões eu consegui alcançar a condição do Antecristo, cuja condição é aquele que antecede à condição do Cristo, que os ignorantes sobrenaturalistas, em função de uma letra apenas, passaram a me chamar de Anticristo, como se eu fosse o maior inimigo do Cristo, quando, na realidade, eu sou o seu maior seguidor, a cuja condição eu alcançarei daqui a 2.000 anos, aproximadamente, após eu me deslocar da minha humanidade para a outra humanidade que nos segue na esteira evolutiva do Universo, para lá fazer o mesmo papel que Jesus, o Cristo, desempenhou em nossa humanidade, dando assim continuidade ao instituto do Cristo para a humanidade seguinte, que deverá se perpetuar por todo o sempre, em todas as humanidades, pois que o Instituidor é Deus;
  25. Estando ausente da minha humanidade, integrado à humanidade que nos segue na esteira evolutiva do Universo, eu deixo a minha humanidade esclarecida espiritualmente e de posse dos meus ideais, em companhia de Deus e do Espírito Santo, que é Luiz de Mattos, que deverá agir intensamente no sentido de que todos os meus ideais sejam seguidos à risca pelos seres humanos, por isso ele é também chamado de o Ajudador;
  26. Após o meu retorno da outra humanidade que nos segue na esteira evolutiva do Universo, aqui estarei novamente integrado entre todos os seres humanos, desta vez como sendo o Cristo da nossa humanidade, pois que já terei contemplado diretamente a Deus, tirando de mim mesmo tudo o que diz respeito ao Criador e, ao mesmo tempo, diferenciando-O de mim, já que assim como todos os seres eu também sou uma das suas partículas em evolução pelo Universo, daí a razão pela qual eu também poderei chamá-Lo de Pai, assim como Jesus, o Cristo, também O chamou;
  27. A partir desse momento, a nossa humanidade terá em seu seio o Pai, o Filho e o Espírito Santo, três Pessoas distintas em uma só, em função da consubstancialidade existente entre os três, pois que todos têm as mesmas Substâncias, que são formadas pela Essência e pelas Propriedades, em que o Pai é o Ser Total, que possui as propriedades da Força, da Energia e da Luz in totum, enquanto que o Filho e o Espírito Santo são partículas Suas individualizadas, que possuem as maiores parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, por isso Deus se encontra contido em ambos em proporções inimagináveis pelos seres humanos, somente concebidas pelos espíritos mais evoluídos, e assim fica devidamente esclarecido o mistério da Santíssima Trindade, que o Astral Superior inseriu na própria Bíblia, o qual foi debatido por séculos e séculos entre os sacerdotes do credo católico e das suas seitas;
  28. Por fim, tendo transcendido a este mundo, situando-me nas coordenadas universais, a partir desta coordenada formada pelo Sol, às coordenadas mais distantes do Universo, eu posso contemplar a este planeta que nos serve de mundo-escola e a todos os seres que o habitam, principalmente os seres humanos, cuja contemplação se dá através da minha luz astral, e não com os olhos da cara, como assim procedem os cientistas, por essa razão eu posso também contemplar a todas as coisas, penetrando-as, por mais ínfimas que sejam, como assim afirmou Luiz de Mattos, para que através da minha luz astral eu possa transmitir para toda a nossa humanidade o Saber, por excelência, através da Ratiologia, que coordena a Veritologia, a grande responsável por transmitir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e a Saperologia, a grande responsável por transmitir as experiências físicas acerca da sabedoria, quando, enfim, as religiões, que são subordinadas à Veritologia, e as ciências, que são subordinadas à Saperologia, podem proceder a um casamento perfeito, para que assim, e somente assim, os religiosos e os cientistas assumam os seus respectivos lugares de origem, sem qualquer mescla ou confusão que venham a impedir os seus labores especializados.

Foi mais ou menos assim, de forma bastante resumida, que eu me tornei verdadeiramente o explanador do Racionalismo Cristão, em cuja labuta eu venho me dedicando desde a infância, tendo trabalhado mais arduamente a partir do momento em que passei a proceder com as minhas experiências científicas, estando todas elas redirecionadas, sem qualquer foco no âmbito da matéria, e totalmente focadas para o âmbito da espiritualidade, como assim deveria realmente ser, conforme o meu planejamento em plano astral.

E o mais interessante de tudo isso, é que todos tendem a transmitir um pensamento previamente formado de que o explanador seja aquele que se senta confortavelmente em uma cadeira estilosa, à frente de um birô espaçoso, lança mão da sua pena, e se põe a escrever tranquilamente aquilo que julga seja a doutrina do Racionalismo Cristão, como assim pude constatar. E realmente é assim, só que este é o último passo, não tão tranquilo quanto se imagina, de uma série de inúmeros passos, extremamente dolorosos, tal como se fossem uma via crucis, que proporcionaram se chegar a esse último passo.

Os primeiros passos para se tornar o explanador dizem respeitos aos sofrimentos mais dolorosos que se possa imaginar, daí eu haver denominado de via crucis, tanto físicos como morais, principalmente os morais, repletos das tentativas dos espíritos quedados no astral inferior para a desencarnação do explanador, seguidos das inúmeras tentativas para deixá-lo soçobrar na lama infecta deste mundo, em que se deixou propositalmente cair, e onde esses espíritos atrasados permaneceram atolados.

Não sendo possível vencer ao explanador, logo esses espíritos obsessores passaram a se utilizar dos seus instrumentos encarnados para que o explanador viesse a sofrer os maiores abalos morais e outros, e deles também se utilizando para desencarná-lo, ou para que eles fossem desencarnados pelo explanador.

Somente após haver passado por tudo isso, tendo sopitado a todos os seus atributos individuais inferiores, é que o explanador pôde adentrar aos passos seguintes, anexando os seus sofrimentos, que são de natureza física, que passam a ser mais amenos, impostos mais pela escassez de recursos financeiros, aos seus estudos, que são de natureza metafísica, para que assim pudesse conseguir se assenhorar da sabedoria e da verdade, respectivamente. E assim ele vem passando um bom período da sua vida.

Finalmente, estando assenhorado da sabedoria e da verdade, ele passa a coordenar a ambas, para que assim possa alcançar a razão, quando nestes passos ele faz trabalhar intensamente o seu raciocínio. Aqui se encontram os últimos passos da sua missão neste mundo, quando então, tendo se assenhorado da razão, ela passa a explanar o Racionalismo Cristão, assentando-se em uma cadeira relativamente confortável, embora bem velhinha, à frente de um birô não tão espaçoso, tendo sido este doado pelo seu querido irmão, por não mais servir para o trabalho em sua empresa.

Conclusão: o estudo, o sofrimento e o raciocínio são as três formas do espírito evoluir, desde que aliados à boa vontade e ao esforço em progredir espiritualmente. Luiz de Mattos transmitiu a este conhecimento, e o explanador comprova experimentalmente.