No futuro, quando todos os seres humanos estiverem falando o esperanto, recomendo aos filólogos observarem atentamente o significado específico de cada palavra, pois que é uma grande oportunidade para que a nossa humanidade possa extinguir de vez o dicionário de sinônimos, que todos denominam de “pai dos burros”, aliás, acertadamente, apesar da maneira jocosa e um tanto exagerada, embora todos atirem no que veem e acertem no que não veem, pois que tal denominação é proveniente do fato do dicionário esclarecer aos que não conseguem compreender os sinônimos das palavras, quando o correto seria os seus significados.
A realidade é que não existem duas coisas iguais no Universo, e isso se estende também às palavras. Portanto, cada palavra deve ter o seu próprio significado, que seja específico para ela, por isso os compêndios filológicos devem conter uma descrição extensiva do significado de cada palavra. No entanto, isto não impede que seja elaborado um compêndio que traga cada uma das palavras com as suas similaridades, para que assim os escritores e outros possam pesquisar e escolher aquela que mais se adeque ao assunto que está a escrever ou a pesquisar, mas sem a sua sinonimidade.
Para comprovar que realmente não existem sinônimos, eu vou fazer uma analogia da minha língua falada, o português, com a Matemática, parece até uma incongruência, principalmente pelo fato dos estudantes colocarem a língua pátria em antagonismo com a Matemática, mas que não é, pelo fato da analogia ter a sua real procedência, como veremos mais adiante, em sua similitude.
Mas antes, apenas por questão didática, eu devo esclarecer acerca das alterações que foram introduzidas na ortografia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabe Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste. No Brasil, o acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo n° 54, de 18 de abril de 1995.
Esse acordo se restringe à língua escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada, sendo, portanto, meramente ortográfico. Portanto, ele não elimina as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, e embora os estudiosos do assunto considerem que este acordo seja um passo em direção à pretendida unificação ortográfica desses países, não o é, na realidade, pois que a verdadeira pretensão é que todos os países falem somente uma única língua: o esperanto.
Em conformidade com a 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras, em março de 2009, o alfabeto passa a ter 26 letras, tendo sido reintroduzidas as letras k, w e y, com o alfabeto completo passando a ser: A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, W, X, Y, Z. É utilizando estas 26 letras que as inúmeras palavras da língua portuguesa são formadas.
Por outro lado, em analogia ao que pretendo comprovar, a Matemática se utiliza dos números 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9, para determinar as quantidades de tudo que pretenda mensurar, com o 0 exercendo uma função específica, que lhe é inerente e peculiar.
Então, quando lançamos mão de algumas palavras quaisquer, iremos buscar nos dicionários os seus sinônimos, sabendo-se que em termos filológicos a palavra sinônimo é aquela que tem a mesma significação de outra, ou quase a mesma significação. No caso da mesma significação é erro grosseiro, pois não existem duas coisas iguais no Universo. E no caso de ter quase a mesma significação, pode ser admitida esta similaridade, pois que a palavra quase traz em si a conotação de aproximado. Tomemos apenas um exemplo:
Virtude = moral, valor, castidade, pureza, causa, motivo, razão, validade, legitimidade.
Em sendo assim, poderíamos também afirmar do mesmo modo que:
1.234 = 7.987, 14.321, 134, 9.568, 10.568, 4.734, 8.390.
Como se pode claramente constatar, nem um e nem outro procedem, uma vez que as letras sendo reunidas vão formando as palavras, e cada uma delas tem o seu próprio significado, assim como os números reunidos vão formando as quantidades, e cada uma delas tem a sua própria quantificação, podendo ainda os números em si, representarem uma quantificação que lhe é própria, assim como as letras em si podem representar os significados que são próprios delas.