Eu não falo para quem quer que seja sobre as minhas precárias condições financeiras, nem mesmo para os meus familiares, embora eles saibam, pois não sou afeito a expor as minhas dificuldades pessoais para terceiros, que nessas ocasiões às vezes se dispõem até a ouvir, mas com impaciência, para não serem grosseiros, em face da situação, mas sem manifestarem qualquer solidariedade fraterna, considerando que o expositor da própria situação não passa de um simples chato.
Mas se fosse apenas isso seria até razoável. O lamentável é que os seres humanos somente dão valor aos que possuem poder ou riqueza, embora já consigam tratar normalmente aos que possuem uma situação financeira estável.
No entanto, aos que são mais carentes, eles tratam com um visível desprezo, quando não, de um modo que retrata visivelmente o seu desdém pelo semelhante, em forma de descaso, como se eles fossem superiores, mesmo não sendo afortunados, e os pobres fossem inferiores, quando é exatamente o contrário da situação, pois todo aquele que demonstra superioridade material, sem a possuir, e mesmo os que a possuem, está a demonstrar a sua própria inferioridade no âmbito da espiritualidade.
Por isso, eu sempre digo que vou bem, e jamais me lastimo, seja do que for. Mas com relação ao status financeiro, eu sempre procuro me colocar na média dos seres humanos, em termos coloquiais, pois não quero ver estampada na face dos amigos e conhecidos o desprezo, o desdém, ou o descaso por mim, pois que eu os amo e os prezo pelo que eles realmente são, e não pelo que eles julgam ser. Além do mais, eu não pretendo me privar das suas companhias, pois se tornaria ainda mais difícil a minha jornada neste mundo, pois todos precisam da companhia dos amigos e conhecidos, pelo menos em certos momentos da vida, apesar de raras vezes eu me dispor a usufruir das suas companhias, pelo menos nos tempos atuais.