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Todos são unânimes em afirmar que os pequenos frascos contêm as grandes essências, sendo tal afirmativa procedente, mas isto porque, se as grandes essências forem colocadas em grandes frascos, os seus valores aumentarão proporcionalmente, talvez um pouco menos, em face da economia de escala, saindo do poder aquisitivo de grande parte da população, por conseguinte, prejudicando as suas vendas, já que eles irão alcançar apenas a faixa que possui um maior poder aquisitivo.

Mas como eu não estou vendendo bens de consumo, e não almejo nem de longe auferir lucros com as assinaturas das minhas obras relativas à explanação do Racionalismo Cristão, pois que a minha intenção real diz respeito à liberalidade e a magnanimidade, desisti da pretensão de publicar as minhas obras em livros volumosos, mas sim por intermédio do sistema eletrônico de dados, com os assuntos sendo transmitidos em uma imensa quantidade de páginas, em analogia aos grandes frascos que contêm as mesmas essências dos pequenos.

As minhas obras, então, não passam a ser dirigidas diretamente aos que possuem pouco poder aquisitivo em relação ao saber, mas sim aos que possuem a sede do Saber, por excelência. Muitos dos que viram o esboço da minha obra relativa ao sistema, o qual foi encadernado artesanalmente, ficaram deveras admirados com o volume do livro, inclusive com o seu peso, sugerindo, de imediato, que eu o desdobrasse em volumes menores, exclamando o seguinte: “Não dá para ler um livro tão volumoso desse tipo”. Enquanto outros indagavam o seguinte: “Como é que eu vou ler um livro tão pesado desse jeito?”.

É de se exclamar, jocosamente, tal como se estivesse exclamando com desprezo, mas sem assim o ser, por puro diletantismo, à moda da molecagem cearense, já que esses não possuem a mínima noção acerca da existência eterna e universal, o seguinte: pobres seres humanos mortais!

Ora, quanto mais as obras forem sendo transmitidas através de livros cada vez mais volumosos, tanto mais prazer eu vou tendo nas suas leituras, desde que elas realmente tenham algum conteúdo, ou, em analogia aos frascos, desde que elas realmente tenham grandes essências. E com relação aos seus pesos, que me traga, então, o mais pesado dos livros, ponha-o em minhas mãos, e complete com uma saca de qualquer material sobre os meus ombros, que eu garanto que o prazer mental da leitura será muito maior do que o esforço físico desprendido para a sustentação do peso da saca desse material sobre os ombros. Note-se aqui que o peso do livro é totalmente relevado.

Em sendo assim, as minhas obras não são destinadas aos indolentes mentais, aos que não anseiam por aprimorar as suas inteligências, aos que procuram se conservar em seus universos pessoais, próprios de si mesmos, sempre subjetivos, alheios à realidade universal, da qual este mundo faz parte integrante, estando inertes e satisfeitos com as suas próprias mediocridades, sem desprenderem esforços para o próprio progresso espiritual, apenas para o próprio progresso pessoal e material, que é ilusório e efêmero.

Portanto, elas não são destinadas aos preguiçosos, aos que sentem profundas dores mentais quando pensam em algo alheio aos seus próprios universos pessoais, aos que são indolentes, posto que não mais sejam considerados criancinhas para poderem receber a papinha na boca, mas sim adultos, bem crescidos, que já reúnem as condições propícias para poderem se alimentar por si mesmos, pois que o alimento para fortalecer aos seus órgãos mentais já se encontra à mesa, ao alcance das mãos, posto que já esteja servido, portanto, pronto para ser completamente devorado com os olhos, já que estes nunca enchem aos órgãos mentais, ao contrário da boca, que sempre enche o estômago. As minhas obras, quanto mais volumosas, tanto mais alimentam aqueles que procuram alimento para a alma.

Conclusão: nos grandes frascos se encontram o problema do poder aquisitivo dos consumidores, e nas grandes obras se encontram o problema da capacidade mental dos leitores.