Muitas vezes eu ficava me indagando se realmente era tão incompetente ao ponto de não conseguir reunir as condições necessárias para ter um negócio que fosse somente meu, que fosse relativamente próspero, para que dele eu também pudesse reunir as condições necessárias para o sustento dos meus familiares.
O que mais me intrigava era o fato de que quando eu era empregado de alguma empresa, sempre exercendo cargos de destaque, como auditor, gerente administrativo, gerente de auditoria e organizações e métodos, controller e até de diretor administrativo, eu sempre me destacava nas minhas funções profissionais, envidando esforços no sentido de me desincumbir a contento das tarefas a elas pertinentes, ciente do funcionamento de todos os setores das empresas, a não ser daqueles mais específicos, como no caso dos setores de produção, mas mesmo assim entendendo da sua produtividade, embora não me sentisse muito à vontade na minha profissão, pois não gostava muito daquilo que fazia, digo melhor, não trabalhava com satisfação, mas sim por obrigação. No entanto, eu sempre trabalhava com lisura, sem jamais haver me beneficiado do que quer que fosse quando no exercício dos cargos que ocupava, e sem jamais haver aceitado qualquer peita no sentido de receber “comissões” para privilegiar qualquer fornecedor, qualquer instituição financeira ou mesmo uma factoring.
Assim, mesmo entendendo do funcionamento geral de qualquer tipo de empresa, todas as vezes que eu iniciei um negócio próprio, em qualquer ramo de atividade que estivesse a exercer, ele sempre ia à bancarrota, com a exceção de uma pequena empresa de processamento eletrônico de dados e de consultoria empresarial, que somente foi à bancarrota muito depois que a abandonei, por ocasião da minha separação conjugal, quando fui realizar as minhas experiências científicas acerca da baixa espiritualidade, dedicando-me totalmente a elas.
Mas o fato é que eu não me preparei em plano astral para ser empresário, tanto no aspecto de ser negociante dos bens materiais, como na dedicação ao meu próprio negócio. Na realidade, eu não tinha o mínimo interesse em me dedicar totalmente ao negócio que estava iniciando, pouca importância dando para ele. No entanto, quando estava tratando dos negócios alheios, a situação era completamente diferente, pois procurava deixar todos os afazeres sob a minha competência, em inteira conformidade com aquilo que considerava ser o mais adequado, sem jamais deixar de atender às expectativas dos patrões.
A explicação para tudo isso tem por base o fato de que eu não reencarnei para ser um autêntico profissional da área administrativo-financeira, ou mesmo comercial, e muito menos para ser empresário, mas sim para ter uma visão das empresas que movimentam a economia do planeta, enquanto sopitava da minha alma os atributos individuais inferiores que me foram apontados por Luiz de Mattos, quando da minha encarnação anterior como Ruy Barbosa. Foi uma época muito infeliz desta minha encarnação, mas mesmo assim eu vivia alegre e satisfeito, sempre de bom humor, sorridente e brincalhão, sem jamais me lastimar da vida, pois sempre considerei que tudo em relação a mim era pura dureza, nada de moleza, encarando, pois, tudo como sendo natural.
Em resumo: tudo aquilo que fosse inerente aos meus semelhantes, eu dava o máximo de valor, pois considerava que era próprio deles, e sendo realmente deles, tinha que ser valorizado; enquanto que tudo aquilo que fosse inerente a mim, eu dava o mínimo de valor, ou não dava qualquer valor, pois não considerava que era próprio de mim, e sendo realmente de mim, tinha que ser desvalorizado. Um exemplo disso era o caso de uma empresa, que sendo de propriedade de outra pessoa, eu valorizava ao máximo, mas que sendo de minha propriedade, eu pouco valorizava, ou nenhum valor dava para ela. Outro exemplo que faz mais eco na compreensão humana é a de um carro de luxo, que sendo de propriedade de outra pessoa, eu achava lindo e o valorizava ao máximo, considerando que era inerente a ela, mas que esse mesmo carro, passando a ser da minha propriedade, perdia totalmente o seu valor, passando a ser vulgar e trivial, pois passava a estar ligado a mim.
Conclusão: mesmo sem ser espiritualizado, eu já estava me desligando das coisas materiais que eram próprias deste mundo, considerando que tudo o que a elas dizia respeito a mim era de pouca importância, como se de nulo valor fosse, desde que se ligasse diretamente a mim, mas que tinha o seu grande valor, a sua grande importância, desde que se ligasse aos outros, pois que assim teria que ser.
Hoje eu sei a razão de tudo isso. Todos nós temos que nos espiritualizar, desligando-nos dos bens materiais, na medida certa, mas para tanto temos que desenvolver ao máximo a nossa inteligência, sopitando os nossos atributos individuais inferiores e os nossos atributos relacionais negativos, conquistando os atributos individuais superiores e os atributos relacionais positivos, assim como exige a evolução espiritual, para que primeiro possamos produzir a amizade espiritual, tornando-nos fraternos uns para com os outros, para somente depois então podermos produzir o amor espiritual.
Mas como os seres humanos ainda não desenvolveram a contento as suas inteligências, sendo também detentores de atributos individuais inferiores e de atributos relacionais negativos, os quais comandam as suas precárias inteligências, ainda postas no âmbito da imaginação, e ainda muito ligados à ilusão da matéria, ou então ao devaneio do sobrenatural, a Sabedoria Universal lhes proporciona os meios necessários para que eles possam evoluir espiritualmente, desenvolvendo as suas inteligências e lhes proporcionando os meios necessários para que eles possam debelá-los e conquistar os superiores e positivos, respectivamente, mas que eles confundem como se isso fosse progresso de vida. Senão vejamos:
Sendo muito ligados à ilusão da matéria e considerando que a conquista de riquezas representa o progresso na vida, assim como as posições de destaque conquistadas no âmbito das sociedades, com muitos sendo ávidos pelo poder, com este sendo exercido tanto na política, como no serviço público, tais como autoridades, ou como abastados, economicamente falando, os seres humanos de tudo fazem para que destas maneiras possam progredir na vida.
Nessa ânsia quase tresloucada por esse progresso na vida dentro do contexto da ilusão da matéria, os seres humanos procuram de todas as maneiras alcançar o sucesso relativo aos seus próprios ideais, que geralmente nunca são nobres, posto que individualizados, sempre em benefício próprio, lançando mão de todo o raciocínio que dispõem, aumentando a sua racionalidade, engendrando mil e uma maneiras de alcançar a esses seus ideais, aumentando o seu poder criador e tudo o mais que consideram necessário às suas conquistas, incrementando, substancialmente, os seus cabedais de esforços, o que também proporciona um incremento das suas percepções, das suas compreensões e das suas próprias consciências.
No entanto, tudo isso é em benefício próprio, em benefício dos seus próprios progressos individuais, dos seus próprios interesses pessoais, atrelados que estão à ilusão da matéria, ou então ao sobrenatural, sem conseguirem fazer surgir em seus espíritos a mínima preocupação com a eternidade universal dos seus futuros, alheios que estão à espiritualidade, uma vez que a ligam diretamente à salvação, considerando que com missas, cultos, preces, ou, simplesmente, dizendo-se cristãos, o assunto estará resolvido, já que no âmago dos seus espíritos sabem que tudo isso é balela, mas como ainda não possuem uma diretriz de vida baseada na autêntica espiritualidade, em que a verdade irmanada com a sabedoria atinge a razão, conformam-se totalmente com a situação, aliás, consideram até melhor assim, pois deste modo podem dar vazão aos seus anseios pessoais.
Então todas as ações humanas passam a ser desencadeadas nesse sentido, passando os seres humanos por inúmeras situações em suas vidas, todas elas sendo propícias no sentido de serem debelados os atributos individuais inferiores e conquistados os superiores, assim como os atributos relacionais negativos e conquistados os positivos, mas como todos eles possuem o livre arbítrio, as escolhas das decisões nos momentos mais cruciais das suas vidas dependem somente deles mesmos, já que estão desenvolvendo as suas inteligências justamente para isso, pois que todos se encontram em demanda da Inteligência Universal.
É por isso que os colegas de trabalho tentam prejudicar aos outros, para que assim possam galgar posições mais altas nas hierarquias das empresas, ou em outros estabelecimentos aonde exercem as suas profissões. É também por isso eu os profissionais liberais tentam obscurecer as competências laborativas dos seus colegas, para que assim possam conquistar uma maior clientela e auferir um renome profissional.
E é por isso que os políticos se danam a medrar na lama da demagogia para poderem conquistar um maior número de eleitores, na ânsia incontida de poderem se manter em seus cargos, como se fossem seres humanos impolutos, sem quaisquer defeitos, gabando-se tanto das suas pseudo e decantadas virtudes, mas com tanta demagogia, que o eleitorado ingênuo, tendendo sempre a ser crédulo, quase que os comparando ao próprio Jesus, o Cristo, passa a considerar a este como sendo apenas um ente sobrenatural, na época, um criminoso, e a aqueles como sendo uns verdadeiros santos, mas santos do pau oco, como assim se expressam os populares em jargões credulários, quando não passam dos Barrabás da vida, tal como aconteceu, na realidade. Demonstra muita estupidez aquele que procura cavalgar o poder, sem conhecer a realidade da sua montaria, por isso não pode ser um bom cavaleiro, já que com ela não consegue saltar as barreiras da vida. Para que possa ser realmente um bom cavaleiro, tem que vir preparado do plano astral, portanto, tem que mostrar os seus próprios ideais, através de si mesmo, e nunca através de terceiros.
São esses e outros inúmeros exemplos que explicam os desentendimentos e os conflitos humanos neste mundo, que são provenientes da imaginação. Caso os seres humanos conseguissem aproveitar as oportunidades oferecidas pela vida, o viver neste mundo seria outro. Mas está correto o ditado popular que diz que “não há um mal que não traga um bem”, pois assim os seres humanos vão desenvolvendo tanto as suas inteligências, como tomando ciência tanto dos seus atributos individuais inferiores e superiores, assim como dos seus atributos relacionais negativos e positivos, os quais se encontram norteando as suas ações e as dos seus semelhantes.
Em sendo assim, ninguém mais pode ser considerado como sendo inocente, pois agora todos são plenamente conscientes das suas ações, sejam elas voltadas para o bem, sejam elas voltadas para o mal. Então, que todos agora tenham pelo menos a hombridade de suportar com galhardia o resultado daquilo que semeou em suas vidas, tanto as passadas como a presente, pois com certeza irão colher aquilo que plantou cá neste mundo, em total obediência à lei do retorno.
Mas voltando ao assunto relativo ao começo deste pensamento, hoje em dia eu posso me considerar como sendo o ser humano mais feliz deste mundo, pois estou fazendo justamente aquilo que mais amo na vida, que é justamente estudar, e, ainda, o mais importante, com a pena inflamada na mão, expondo as minhas ideias e os meus pensamentos acerca da verdade, explanando o Racionalismo Cristão com a minha sabedoria, assim como deste modo vou fixar também os meus ideais na face da terra. E tudo isso, note-se, anonimamente, sem um tostão furado no bolso, já que estou vivendo de uma pequena remuneração proveniente da pensão da minha querida mãezinha, que os meus irmãos, gentilmente, concordaram em dela descontar, já que essa pensão é relativamente substancial, sendo a minha esposa quem recebe e quem controla todas as despesas, para que assim eu tenha poucas preocupações, podendo me dedicar totalmente aos meus estudos e escritos.
Fica assim comprovado, então, que neste mundo só se pode ser realmente feliz quando se está cumprindo com as suas obrigações e com os seus deveres, ou, então, com a sua missão, com tudo isso tendo sido previamente preparado em plano astral.