O comunismo totalitário é um sistema social em que tanto os bens da terra como o produto do trabalho pertencem à comunidade ou ao Estado, e não exclusivamente a cada cidadão, como no capitalismo. Mas acontece que ninguém consegue viver em sociedade sem o comunismo, pelo menos com o comunismo parcilitário. Isto se explica em função dos seres humanos, pelas circunstâncias das suas próprias convivências interpessoais, serem obrigados a compartilhar, entre si, tanto os bens da terra como o produto do trabalho, em parte, quando direcionados ao bem comum. Daí uma das necessidades da existência do governo.
No comunismo totalitário, que é imposto com base na força bruta, de cima para baixo, os que impõem esse sistema social, situados na parte de cima, ao invés de darem o exemplo aos demais cidadãos, ao usufruírem dos bens e serviços em comum, sacrificando-se mais que os próprios cidadãos comuns, situados na parte de baixo, quando não deveria haver nem parte de cima e nem parte de baixo, mas sim uma racional hierarquia, agem justamente ao contrário, pois são eles que usufruem com mais regalia dos bens e serviços em comum, inclusive com mordomias, sempre com fartura, sem que nada lhes falte, pois que são os seus administradores, aliás, péssimos administradores, tais como se fossem raposas tomando conta do galinheiro, como se diz por aí. Essa falta de honestidade, essa deturpação de caráter, essa ausência de solidariedade fraternal para com o próximo, que fazem a injustiça deste mundo vir à tona, torna inviável a adoção desse sistema social no atual estágio evolutivo em que se encontra a nossa humanidade.
No comunismo parcilitário, que é imposto com base nas leis e nos princípios que sejam comuns a todos, como forma de governo, começando pela Constituição de uma nação, não há a imposição desse sistema social, pois os bens e serviços são segregados. De um lado, os bens que são destinados ao bem comum para a formação das ruas, dos parques, dos prédios públicos e de tudo em comum que integram as cidades, os quais são necessários para a administração das convivências interpessoais, proporcionando o ir e vir das pessoas, a administração da cidade, da justiça e das leis e dos princípios, além dos serviços que sejam comuns a todos, inclusive a saúde e a educação públicas. De outro, os prédios residenciais, comerciais e industriais, assim como as terras agrícolas e os terrenos privados, além da produção dos bens e da prestação dos serviços que são destinados aos particulares e ao próprio governo, que assim vão gerando as riquezas das nações.
Mas acontece que no comunismo parcilitário, nós vamos encontrar os mesmos problemas ocorridos no comunismo totalitário, os quais são ainda mais agravados com o repugnante problema da corrupção e da extorsão por parte daqueles que estão representando o poder estatal. Note-se que no comunismo totalitário os bens e serviços, incluindo-se os recursos monetários, já se encontram à disposição daqueles que se situam na parte de cima, por isso basta apenas lançar mão deles, da maneira que mais lhes convier, sem que seja preciso lançar mão da corrupção e da extorsão, mas o correto seria distribuí-los igualmente entre todos os cidadãos. Enquanto que no comunismo parcilitário os bens e serviços são comuns a todos os cidadãos, inclusive os recursos monetários, os quais devem ser utilizados com parcimônia em prol do bem comum pelos dirigentes.
Esses mesmos problemas em comum dizem respeito aos altos escalões dos poderes executivo, legislativo e judiciário, em que aqueles que os integram, além de receberem uma alta remuneração pecuniária, praticam os mais diversos tipos de mordomia, inclusive com carros e motoristas particularmente à disposição, com muitos sendo também corruptos e extorsionários, agindo como se fossem os donos intocáveis dos respectivos poderes em que atuam, considerando que são deveras importantes, além, mas muito além dos cidadãos comuns, quando, na realidade, não passam de meros empregados dos cidadãos comuns, daí a razão de serem considerados servidores públicos.
Para que se possa ter uma ideia mais acentuada acerca dessa condenável petulância, dessa impostura nada recomendável, dessa tremenda empáfia, um ministro de governo, empavonadamente, determinou que fosse alterada a rota de um avião comercial para satisfazer ao seu ego de importante, simplesmente para se exibir e também para exibir a sua audácia, prejudicando a dezenas e dezenas de particulares, que tinham os seus compromissos particulares e comerciais previamente marcados. Caso eu fosse o comandante da aeronave, tê-lo-ia posto para fora quase que imediatamente, logo ao primeiro desembarque, sem mais delongas, uma vez que o comandante de qualquer aeronave é a sua autoridade suprema, por ser o grande responsável por ela, por isso detém o poder para expulsar um arrogante como esse, não importando que seja ministro ou mesmo o presidente da república, pois a autoridade que a estes compete é inerente ao cargo que ocupam, e não aos bens particulares, a não ser que fosse uma emergência plenamente justificável, o que também seria extensível a qualquer cidadão, mas que não foi o caso em questão.
Outro, que também era político, ao assumir temporariamente a presidência da república, juntou uma comitiva em um avião do governo e determinou que ele pousasse em sua terra natal, demonstrando que possuía as mesmas características nocivas do outro servidor público, mas com o acréscimo da ridicularidade, que se sobrepôs à petulância perante os olhos de todos os cidadãos, principalmente no seu Estado natal, o Ceará, a terra mais moleque do mundo, pelo que foi alvo dos mais diversos tipos de piadas por todos nós, os moleques cearenses.
Essas e tantas outras que fazem com que os cidadãos comuns fiquem aterrorizados. Eu mesmo, como funcionário graduado de algumas empresas, já presenciei os seus dirigentes comprarem juízes e promotores. Em uma delas, por ocasião de uma ação de cobrança impetrada pelo Banco do Brasil contra uma dessas empresas em que trabalhei. Outra, para conceder concordata, na época em que esta era utilizada. Mas com toda a certeza eu vou acabar com toda essa insensatez deslavada, quando fixar os meus ideais na face da Terra, pois que deverá haver uma mudança brusca e profunda em todos os setores da vida.
Enquanto isso, os baixos escalões dos três poderes, cujos integrantes não possuem as mesmas autoridades dos que integram os altos escalões, fazem de tudo para adquirir recursos fora das suas remunerações mensais, mas dentro das suas funções. As comissões para adquirir bens e serviços das empresas particulares e os superfaturamentos são as práticas mais comuns entre esses corruptos, em todos os setores dos serviços públicos, mais acentuadamente nas prefeituras, em que praticamente a totalidade dos prefeitos são corruptos, tendo eu que deixar uma ínfima margem para a honestidade, mesmo que esta não exista, pois pelo menos serve de incentivo para a sua prática.
Estava eu certa vez em uma mesa de bebidas, bebericando alguns goles de cerveja, quando o prefeito da cidade do Icó, no Ceará, declarou aberta e descaradamente aos presentes na mesa que roubava os recursos públicos, sem receio de qualquer punição, pois considerava menos prejudicial para o seu caráter roubar do que mentir, quando grande mentiroso ele também era, uma vez que a mentira e o cinismo são os carros-chefes da classe política e de todos os corruptos e extorsionários, pois covardes como são, eles jamais confessariam esses seus crimes de traição ao público em geral, por conseguinte, de traição à sua pátria, já que sempre negam as suas práticas criminosas, sempre alegando, invariavelmente, que é perseguição política, ignorando que são os maiores perseguidores do povo em geral, por não lhes conceder o que de direito.
Um prefeito da cidade de Beberibe, também no Ceará, recebeu uma grande importância extorquida de um dos meus irmãos, que possui uma construtora, para que somente assim ele pudesse executar uma obra nessa cidade. Tendo esse prefeito sido substituído, o seu substituto foi à sede da construtora desse meu irmão exigir ainda mais dinheiro pela obra executada, recebendo um sonoro não como resposta, uma vez que a obra já havia sido concluída e o recurso recebido. Caso contrário, com toda a certeza ele iria bloquear os pagamentos, até que recebesse a extorsão pretendida, pois todo corrupto é também extorsionário, para a infelicidade geral da minha pátria e de todas as demais nações.
Um amigo meu, candidato a prefeito de uma cidade do interior, ainda no Ceará, gastou uma pequena fortuna na eleição, afirmando para todos os seus conhecidos, como se fosse algo mais normal do mundo, que iria recuperar tudo quanto gastou quando assumisse a prefeitura da cidade, assim como também iria remunerar aos que contribuíram para a sua campanha. Tendo sido convidado para participar da candidatura, obviamente que dela não participei, pelo fato dessa prática ser contrária aos meus princípios.
Tudo isso não chega a ser nem a ponta do iceberg do que ocorre no dia a dia no serviço público brasileiro, sendo, pois, como se fossem poucas bactérias causadoras de uma infecção generalizada, que tende a fazer perecer a minha nação, mas que eu jamais deixarei que ela pereça, por hipótese alguma. Pelo contrário, pois farei com que a minha querida pátria seja o exemplo para todas as demais nações que povoam este planeta Terra, para tanto Luiz de Mattos afirmou que eu era o primeiro grande brasileiro, quando encarnado como Ruy Barbosa, assim como também duas grandes revistas de circulação nacional me elegeram o maior brasileiro de todos os tempos, que foram as revistas Isto É e Época, então eu jamais deixarei que o espírito da verdade esteja equivocado com relação a essa sua afirmativa, e também os meus eleitores de ambas as revistas.
Além disso, quando os servidores públicos, sejam eles políticos ou simples funcionários, não praticam a essas canalhices traiçoeiras de tais maneiras, eles se utilizam dos cargos que ocupam para poderem extorquir a iniciativa privada, e caso esta não ceda às suas extorsões, não consegue a prestação do serviço público de que necessita, ou então é perseguida de outras maneiras, como principalmente nas fiscalizações. E os piores desses canalhas corruptos, traiçoeiros, mentirosos, hipócritas, cínicos, e tudo o mais do gênero, são os fiscais, seja qual for a natureza do serviço que estejam prestando, pois eles sempre exigem uma propina para dar os seus pareceres favoráveis. Sendo tudo isso praxe comum, uma prática habitual, da qual já fui vítima por diversas vezes, quando nas empresas em que era o administrador.
Um caso interessante ocorreu comigo quando eu administrava uma empresa de transportes de cargas rodoviárias, em que os seus sócios sonegavam os recolhimentos para a Previdência Social. O fiscal da Previdência Social detectou a sonegação, pois não se podia esconder tal prática, em função do simples exame das guias de recolhimento. Então os sócios da empresa, não querendo se envolver diretamente no assunto, determinaram que eu fosse negociar com o fiscal, cuja conversa ocorreu da seguinte maneira:
─ Meu amigo, eu sou fiscal da Previdência Social, e vocês estão sonegando os encargos devidos a ela.
─ Eu sei, meu amigo, mas isso é decisão dos sócios da empresa, e não minha, que de qualquer maneira não há como ocultar.
─ Pois é isso, meu amigo, os valores atrasados, juntos com os juros, as correções monetárias e as multas perfazem um montante exorbitante.
Em assim dizendo, ele já estava preparando o terreno para extorquir uma quantia substancial, pelo que então eu lhe falei.
─ Não se preocupe, pois eu faço uma ideia aproximada do valor total a ser recolhido, e já estou pensando em uma maneira de realizar o recolhimento.
Desta maneira, eu estava colocando a minha posição diversa da posição do fiscal, como se estivesse descartando a possibilidade de algum modo ele viesse a ser remunerado, em função do devido pagamento, justamente para que ele se revelasse, dispondo-se a se abrir, e assim eu não viesse a me colocar na posição de corruptor, embora hoje em dia eu não venha a concordar com tal posição, pois que a corrupção é obra exclusiva daquele que se deixou corromper, sendo ele o verdadeiro corrupto, não existindo as figuras das corrupções ativa e passiva. Dito isto, ele então de imediato assim falou:
─ Eu só lhe peço que você não venha com a conversa mole de querer tentar me comprar, pois eu não sou corrupto e nunca me vendi em toda a minha vida.
Essa maneira dele colocar a questão assim como colocou, irritou-me um pouco. Em retribuição, então, eu lhe disse de uma maneira também um tanto quanto descortês:
─ Cara, deixe de frescura! Diga logo quanto você quer para passar a mão por cima do débito não recolhido. Aviso-lhe que a quantia tem que ser pequena, pois não temos dinheiro disponível para tanto, caso você pretenda exorbitar na pedida, além do mais, ela tem que ser parcelada, por menor que venha a ser.
Ele, então, mostrou primeiramente uma falsa indignação, para logo depois informar, na “negociação”, após se certificar que eu tinha poderes para negociar, que tinha alguns companheiros com quem dividir a quantia, mostrando assim que fazia parte de um bando, de uma corja asquerosa resolvida a extorquir as empresas, em detrimento do erário público, sendo esta é uma das causas pelas quais todos se esforçam por não recolher os seus tributos, pois são cientes de que boa parte vai para os bolsos dos corruptos, além do restante ser mal empregado, aliás, muito mal empregado.
Para que não pudesse surgir a mínima dúvida da minha conivência com qualquer tipo de desonestidade, como se eu estivesse tirando proveito da situação em benefício próprio, eu fiz absoluta questão de que um dos sócios da empresa participasse diretamente da discussão acerca da quantia a ser paga, e da sua presença não abri mão, assim como também já havia procedido igualmente em outras empresas que havia trabalhado anteriormente. E assim foi feito. E assim foi pago. E assim mais um ato corrupto foi realizado, dos milhões e milhões que ainda hoje são realizados pelo meu Brasil afora, que nos tempos atuais, com a operação Lava Jato, uma boa parte veio à tona, deixando antever o tamanho do iceberg que se encontra submerso.
Em virtude disso tudo, eu posso reafirmar com a máxima convicção o que antes foi dito: não existe a corrupção ativa, e nem tampouco a passiva, apenas a corrupção, que é praticada pelos servidores públicos, incluindo-se os políticos, que são os principais, em razão do poder que esses traidores da pátria detêm em suas mãos. Ora, caso os servidores públicos fossem realmente honestos, com uma ressalva para os que realmente o são, na realidade, não haveria a corrupção, muito menos a extorsão. E caso algum particular tentasse suborná-los, eles simplesmente ririam e não aceitariam, dando o assunto por encerrado, alertando, porém, para a não insistência em demasia, quando então o particular poderia ser punido, nem tanto pela tentativa de suborno, e mais pela chatice, por fazer o servidor público perder tempo em rechaçar a investida ingloriosa.
Embora não sendo servidor público, tendo até passado em um concurso público e sendo chamado para assumir a função inerente, mas tendo recusado, em razão da minha missão neste mundo, que impedia esse tipo de ocupação, foi exatamente assim que eu agi com fornecedores e gerentes de bancos, quando me peitavam para receber comissões para facilitar as suas vendas e as prestações de serviços, respectivamente. Mas o que acontece, na realidade, no meio do serviço público, não é apenas a corrupção, pois ela sempre vem acompanhada da extorsão. Desconsiderando aqui a incompetência de quase todos eles, além do reizinho na barriga que todos trazem consigo, e que não conseguem digerir, em face dos poderes que julgam possuir, cujos poderes não são propriamente deles, mas sim inerentes aos cargos que ocupam, e que por isso não devem ser utilizados particularmente, mas somente em bem do serviço público, portanto, do povo em geral.
No caso do escândalo da Petrobrás, em que os seus diretores, todos cupinchas dos políticos, notadamente dos políticos integrantes do partido do PT, o Partido dos Trabalhadores, que de trabalhador nada possui, tanto que foram por eles nomeados, extorquiam o dinheiro das empreiteiras, em um dos inúmeros casos de corrupção, seguido de extorsão, assim como no caso do latrocínio, que é o roubo seguido de morte. E tudo isso extensivo aos demais partidos. Ora, somente conseguia prestar serviços para a Petrobrás aqueles que se dispusessem a dar propina a esses diretores, os quais ficavam com as suas partes e entregavam as partes restantes para os políticos, inclusive para os partidos políticos, estando envolvidos os funcionários públicos dos três poderes, alcançando até a presidência da república.
E agora é de se indagar: o que poderiam fazer as empreiteiras? Elas tinham apenas duas opções: deixavam de prestar os seus serviços para a Petrobrás, ou, então, davam as propinas e prestavam os seus serviços. Por esta razão, para que nenhuma empreiteira se beneficiasse mais do que as outras, elas formaram uma espécie de cartel, que não é propriamente um cartel, para que assim pudessem distribuir as obras equitativamente. Todos esses empresários foram presos injustamente, pois que a iniciativa da corrupção partiu dos próprios diretores da Petrobrás, mandados pelos políticos, que sagazes como são, às vezes piores que os sacerdotes, sempre tiram o corpo fora da confusão, e quando nesta são incluídos, mentem muito mais do que o boneco Pinóquio, com a grande diferença de que neste cresce apenas o nariz, enquanto que nos políticos cresce tudo o que é de mal e perverso em suas almas, como a mentira, o cinismo, a safadeza, a desfaçatez, a hipocrisia, a demagogia, e todos os adjetivos correlatos, o que daria um rol de várias páginas, ficando no topo a traição à pátria. Além do mais, mesmo que partisse dos empresários a iniciativa de subornar a esses diretores criminosos, bastaria apenas rechaçar a peita e o assunto estaria encerrado. Os empresários, pois, são todos inocentes. Aliás, não apenas inocentes, mas vítimas de extorsão dos políticos e dos seus cupinchas, que formam um verdadeiro bando de assaltantes, e mais do que isso, de traidores da pátria, como dito.
Na realidade, do presidente da república ao simples faxineiro, dos presidentes do legislativo ao simples porteiro, e dos ministros do STF ao simples copeiro, todos são servidores públicos, sem qualquer exceção. Então, como a própria denominação assim o diz claramente, eles ocupam essas posições justamente para servir ao público, e não para que deste venham a se servir. Em decorrência disto, as suas remunerações têm que ser condizentes com um padrão de vida que seja razoável, sem que haja uma disparidade entre uns e outros, e muito menos em relação a iniciativa privada.
Que todos sejam cientes do seguinte: quando alguém se dispõe a ser um servidor público, ele planejou a sua encarnação em plano astral, para que assim pudesse se desincumbir a contento das suas obrigações e dos seus deveres para com o público em geral, que é o seu próprio povo, devendo empregar o máximo esforço possível para proporcionar o bem-estar à coletividade que está a servir, e não do público se servindo.
Todos são unânimes com a seguinte máxima: quer conhecer realmente o homem, dê-lhe então poder e dinheiro, pois que sempre através desta dupla o verdadeiro caráter se revela. Mas, infelizmente, ninguém tem a mínima noção do que seja realmente o poder, o autêntico poder, o qual é espiritual, e não material, já que não precisa da companhia de quem quer que seja para ser exercido, para que assim não seja coercitivo, com base na força bruta. É justamente por essa razão que eu me considero o homem mais poderoso do mundo, já que o meu poder emana de mim mesmo, não sendo proveniente de qualquer cargo, e muito menos estribado em terceiros, por essa razão eu sou o único que tem o real poder de promover a paz, a ordem e o progresso da minha humanidade, mesmo caminhando sozinho e de maneira anônima, já que a minha grande arma é a minha própria pena, que traduz todo o meu poder, e através da qual eu transmito a produção dos meus sentimentos superiores, dos meus pensamentos positivos e de todo o meu amor pela minha humanidade, além da fixação dos meus ideais na face da terra, o que justifica plenamente o fato de eu ser um dos dois expoentes da minha humanidade, pois, na realidade, os ditos poderosos e ricaços cá embaixo, são os fracos e os pobres lá de cima, enquanto que os poderosos e os fortes lá de cima, são os ditos fracos e os não poderosos cá de baixo, pelo menos até que as suas ações se façam valer através dos seus ideais por todo o orbe terrestre, ou então através das suas penas, por intermédio das quais eles mostram toda a sua alma, demonstrando assim o imenso valor que realmente possuem.
Um certo juiz de Direito, que foi desembargador, e que foi o meu professor na Escola de Administração do Estado do Ceará, hoje desencarnado, em plena sala de aula, expressou-se da seguinte maneira: “Deixemos de hipocrisia, um juiz merece ganhar muito mais do que ganha”. Esse mesmo juiz, demonstrando o seu próprio caráter, foi pedir a um dos meus irmãos, que na época era gerente do Banco do Brasil, uma polpuda contribuição para a associação dos magistrados, no que recebeu um sonoro não como resposta, já que o meu irmão não tinha autorização da direção do Banco do Brasil para tal tipo de contribuição, e nem que a tivesse a teria dado, como ele mesmo assim claramente afirmou diretamente para mim. Mas o engraçado é que esse juizinho safado e hipócrita, acrescentando ao seu péssimo caráter toda a sua empáfia, assim para o meu irmão ainda se expressou: “‒ Ok! Então me dê somente a metade, que eu fico satisfeito!”. É lógico que essa contribuição iria diretamente para o seu bolso, caso tivesse sido efetivada.
Eu quero aqui ressaltar o fato de que praticamente todos os seres humanos são adeptos do princípio de que se deve respeitar aos mortos, como se com as suas desencarnações os espíritos viessem a deixar o mau-caratismo neste mundo. Eu respeito sim, a tudo e a todos. Mas acontece que eu sou um ser universal, e ponho os reais predicados nos espíritos onde quer que eles se encontrem, seja no Astral Superior, seja no astral inferior, e não apenas quando eles se encontram encarnados, pois, afinal, em relação a mim, o que aqui eu sou, o sou também em alhures.
Outro caso, que desta vez se refere uma grave doença de que são acometidos os juízes, e em alta escala os desembargadores, que o povo em geral, principalmente os advogados, denominam jocosamente de “juizite”, deu-se com um juiz federal do trabalho, que estava reclamando do fato de alguns advogados receberem boas quantias em honorários, enquanto ele recebia uma remuneração bem menor como juiz, como se ele realmente fosse mais importante, tivesse realmente mais preparo técnico e como se realmente existisse alguma hierarquia entre o juiz e o advogado, ignorando completamente que em face das condições econômicas do Brasil, ele, como servidor público, recebe muito mais daquilo que deveria receber, portanto, que não merece nem ao menos aquilo que ganha. Nessa ocasião, então, o seu primo se manifestou diretamente para ele, da seguinte maneira:
─ Rapaz, você está na profissão errada, se não está satisfeito com o cargo público que ocupa como juiz, peça logo a sua demissão e vá para a iniciativa privada, para que lá você possa ganhar o dinheiro que pretende ou que julga merecer.
O juiz, então, zangou-se com essas palavras ditas pelo primo e ficou um tanto quanto revoltado, mas sem réplica, pois devia ser ciente de que o seu primo estava com a razão, e se não tinha a ciência do fato, assinou um atestado da sua própria estupidez.
Mas o fato é que os servidores públicos, em geral, consideram-se muito importantes, pelo fato de serem assaz presunçosos, por isso passam a agir como se estivessem fazendo um grande favor à coletividade, quando, na realidade, estão vivendo às custas da própria coletividade, sendo remunerados bem mais que o merecido, aliás, muito mais, em relação ao mercado. No caso desse juiz federal do trabalho, ele sempre afirma que uma “canetada” de um juiz pode decidir a vida de uma pessoa, por isso o cargo que ocupa é por demais importante, tendo que ser regiamente remunerado, muito além das remunerações dos demais cargos públicos.
Ora, pobre criatura ignorante e pretensiosa, ainda muito necessitada de evoluir espiritualmente, preste bem atenção ao seguinte: e o que dizer do pincel de um professor, que, ao invés de decidir uma pendenga judicial qualquer em juízo, com uma “canetada”, forma toda a vida de uma pessoa, com inúmeras “pinceladas”? E o que dizer do bisturi de um médico, que, ao invés de decidir a vida de uma pendenga judicial qualquer em juízo, com uma “canetada”, salva a sua própria vida, inclusive a sua, meritíssimo, com inúmeras “bisturizadas”? E o que dizer da vassoura de um humilde faxineiro, que, ao invés de decidir uma pendenga judicial qualquer em juízo, com uma “canetada”, limpa os locais onde o meritíssimo trabalha no dia a dia, inclusive os banheiros, e caso não fosse esse serviço o seu ambiente se tornaria insuportável, com inúmeras “vassouradas”? E o que dizer das próprias mãos do humilde gari, que, ao invés de decidir uma pendenga judicial qualquer em juízo, com uma “canetada”, retira o lixo da sua própria casa e das ruas, tornando o ambiente fora do seu trabalho limpo e sadio, portanto, suportável, com inúmeras “garigações”?
Podemos, pois, concluir, em resumo, o seguinte: todas as profissões têm a sua própria importância dentro do contexto da nossa humanidade, sem que uma venha a se sobrepor sobre a outra, pois que ninguém vive com um conforto relativo na falta de uma delas, caso contrário ela seria prescindível, quando não o é, na realidade. Mas é óbvio que existem as profissões mais destacadas, que exigem mais estudos e perícias nos seus exercícios, mas que nem por isso há que haver uma disparidade em relação às suas remunerações, notadamente no serviço público, em que todos são servidores públicos especializados, consoante os cargos que ocupam nos respectivos poderes estatais.
Portanto, há que ser estabelecida uma remuneração mínima para que todos os servidores públicos possam levar uma vida com relativo conforto, começando pelos mais humildes, abolindo de vez as suas contratações através de empresas prestadores de serviços, em que os seus proprietários ficam com a parte do “leão”, remunerando precariamente aos seus empregados postos à disposição dos poderes públicos, e com o governo gastando muito mais além de que se os estivessem contratando, em que a corrupção anda à solta, como eu mesmo presenciei pessoalmente, ao trabalhar por um curtíssimo período de tempo em um grupo dessas empresas locadoras de mão-de-obra, quando mesmo assim funcionários locados não deixam de ser servidores públicos; e terminando com o presidente da república, quando não deve haver muita disparidade entre as suas remunerações; pois, de qualquer maneira, todos são originariamente servidores públicos.
As remunerações dos servidores públicos não devem ser estabelecidas por eles mesmos, para que se evite legislar em causa própria, mas sim pelos particulares em geral, que, na realidade, são os seus legítimos patrões. Para tanto, deve ser elaborado um rol de todos os cargos relativos aos três poderes, nos âmbitos federal, estadual e municipal, para que assim uma junta de particulares decida as remunerações por cargos, devendo ainda ser definido um pequeno percentual de acréscimo por tempo de serviço. Tudo isso em inteira conformidade com um percentual orçamentário, obviamente que com base na arrecadação de impostos, sem jamais ultrapassar a esse determinado percentual orçamentário, muito aquém dos percentuais orçamentários destinados à educação e à saúde, os quais devem ser as principais prioridades governamentais, assim como também a agricultura.
Devem ser abolidas todas as mordomias, inclusive a utilização de veículos exclusivos para os servidores públicos que se utilizam de tal regalia, pois que se locomovam com os seus próprios veículos. Todos os veículos são de propriedade comum, ou seja, do povo, por isso devem ser utilizados somente quando em serviço do interesse público. As únicas exceções devem ser para o presidente da república e para os governadores, que devem andar acompanhados de escolta, pois que ainda existem muitos fanáticos que apelam para a violência, quando insatisfeitos com esses governantes. E mais ninguém.
Todos os servidores públicos devem ser constitucionalmente impedidos da utilização de serviços médicos particulares, devendo, obrigatoriamente, utilizarem-se dos serviços públicos de saúde. E caso um deles receba alguma primazia no atendimento do serviço público de saúde, em detrimento dos cidadãos em geral, tanto ele como quem concedeu tal primazia devem ser sumariamente demitidos, pois não se justifica, hoje em dia, a elevada remuneração dos servidores públicos, em detrimentos dos precários serviços de saúde, por isso as suas remunerações devem ser diminuídas, em prol da saúde, da educação e de outros benefícios para o povo em geral. Assim, e somente assim, todos os servidores públicos serão obrigados a zelar pelos serviços públicos de saúde, inclusive o próprio presidente da república e os seus ministros, os senadores e os deputados federais e estaduais, os governadores e os seus secretários, os prefeitos e os seus secretários, os desembargadores e os juízes, e quem quer que seja servidor público. E mais: todo servidor público que realmente tenha alguma honra, deveria colocar os seus próprios filhos na rede pública de ensino, embora a isso não devam ser obrigados, pois que os seus filhos não são servidores públicos.
Como é que se explica o fato dos servidores públicos, em geral, do presidente da república ao mais humilde servidor público, serem os responsáveis pelos serviços públicos de saúde e pela rede de ensino público e não se utilizarem de tais serviços? É ou não é uma prova incontestável de que são relapsos e agem com descaso em relação a esses serviços essenciais para a população em geral, pelo menos em sua grande maioria? É ou não é uma grande demonstração de que eles são remunerados bem acima do que deveriam ser realmente remunerados, segundo o mercado, notadamente em relação à iniciativa privada?
Mas acontece que há aqueles que se portam como enguias, ondulando os seus corpos no caminhar pelas águas procelosas da vida para tirá-los do caminho da realidade da vida, imposta pelos percalços existentes no mundo, por isso logo alguns deles podem se manifestar, individualmente, exclamando: “Mas eu não tenho nada a ver com os serviços de saúde e de educação!”. Isso é uma verdadeira demonstração da falta de solidariedade para com os seus companheiros servidores públicos, os quais, incluindo esses exclamadores, são os verdadeiros responsáveis pelo todo do serviço público, em que há deficiência e descaso em todo e qualquer dos seus setores, com a exceção do setor de arrecadação, pois que a sanha arrecadatória é extrema e insaciável por parte deles, sendo prejudicada apenas pela corrupção. Ora, os três poderes não são harmônicos? Então, por que não seriam harmônicos os diversos setores do serviço público? Além do mais, todos fariam pressão para que a saúde e a educação brasileira melhorassem, uma vez que tal melhoria seria também em benefício deles mesmos, pelo que assim eles não ficariam alheios à sua eficácia, como hoje desta maneira se encontram.
Todo esse quadro deficiente que hoje encontramos nos serviços públicos tem que mudar, obrigatoriamente, e logo, o mais rápido possível, para que assim somente os que encarnarem para ser servidores públicos possam assumir de vez aos seus nobres encargos, acabando de vez com essa ânsia tresloucada pelo concurso público, em busca de uma altíssima remuneração, de estabilidade no emprego, da mania de ser autoridade, da mania de exercer o poder, pois o poder é do povo, pelo povo e para o povo, e nunca, jamais, do servidor público, pelo servidor público e para o servidor público, seja ele político ou não, e tudo o mais que hoje a serventuária pública proporciona aos seus integrantes, que por isso se julgam os senhores do povo, quando, na realidade, são os seus servos, posto que são os servidores públicos, e nada mais do que isso. Mas como povo eles também exercem o poder.
Devem ser criados mecanismos específicos para que a iniciativa privada venha também a assumir ares de autoridade, demitindo aos funcionários públicos corruptos ou relapsos, e, principalmente, aos que tratam mal ao público em geral, sem cortesia e sem presteza, agindo como se estivessem fazendo algum favor, sem demonstrarem qualquer interesse nas prestações dos serviços que estão a prestar, que são as suas máximas obrigações. Tudo isso, trabalhando 40 horas semanais, sendo descontados os atrasos significativos, os que ultrapassarem aos limites de tolerância, assim como também as faltas, estas inclusive para todos os parlamentares, com todos tendo direito a 30 dias de férias por ano, sem qualquer recesso, seja no judiciário, seja no parlamento, ou em qualquer outro setor público.
Todos os servidores públicos são úteis à coletividade, sem qualquer exceção. No entanto, aqueles que se julgam merecedores de alguma regalia, por ocuparem quaisquer cargos de destaque, ou por se considerarem os maiorais em suas profissões, que fiquem cientes, e bem cientes, de que os seus serviços não interessam ao público em geral. Portanto, que peguem as suas empáfias, os seus orgulhos, as suas soberbias, as suas manias de grandeza, e coloquem tudo em uma mala tão grande quanto a própria estupidez que demonstram para todos os que raciocinam, mas com os seus valores espirituais sendo tão minúsculos quanto os seus próprios universos, e assim, debandem para a iniciativa privada, em marcha acelerada, pois que para ser servidor público tem que ter o real valor espiritual, trazido do plano astral, para que por seu intermédio possa trabalhar em prol do bem comum, até priorizando a este em detrimento do seu próprio bem. Isto sim, é realmente ter valor! Isto sim, é realmente ser servidor público!