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Com base na nossa inteligência posta no âmbito da espiritualidade, nós somos obrigados a ser racionais, quer queiramos, quer não, já que somos dotados das faculdades do raciocínio e do livre arbítrio, por essa razão se diz que o homem é um animal racional.

Em sendo assim, a verdade tem que ser transmitida estando ela inserida de alguma sabedoria, a fim de que a sua doutrina possibilite a formação uma saperologia, para que assim ela possa estar em conformidade com a razão. Caso contrário, ela tende a se situar fora do âmbito da compreensão, impedindo que a própria Saperologia venha a chancelar a sua procedência, certificando a sua autenticidade, e então possa explaná-la em toda a sua extensão, por intermédio da Ratiologia. Então ela tem que estar fundada com base no raciocínio, tendo os seus conhecimentos metafísicos que ser absolutos, imutáveis, ontológicos, e jamais relativos, mutáveis, empíricos.

Desta maneira, nós podemos considerar o racionalismo, no âmbito da Saperologia, como sendo o modo de considerar as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza somente pelos dados que com eles possamos alcançar a razão, independentemente de tudo o mais que venha obstar o raciocínio, causando embaraços, como é o caso da fé credulária, que os credulários põem acima da razão, sobrepondo-a a esta, para assim possam estar em conformidade com o sobrenaturalismo, sem se disporem a dar trato ao raciocínio.

Em sendo a verdade transmitida desta maneira acima apontada, ela torna possível que o ratiólogo, ao explaná-la, consiga uni-la, irmaná-la, congregá-la, com a sabedoria, com ambas alcançando assim a razão. Note-se que em sua transmissão ela forma uma doutrina, preenchendo os requisitos exigidos pela Saperologia, e em sua explanação ela forma um sistema, com este estando complementado por uma finalidade, preenchendo assim a todos os requisitos exigidos tanto pela Saperologia como pela Ratiologia, tal como agora nós podemos constatar com a explanação do Racionalismo Cristão.

No entanto, desde que o veritólogo seja realmente um racionalista, não importando se racionalista cristão ou não, algo muito importante dele deve ser aproveitado, pois que ele segue ou professa o racionalismo, para que assim o saperólogo consiga alcançar a razão.

Foi exatamente isso o que ocorreu com Descartes, o qual pode ser considerado como sendo o maior veritólogo da saperologia denominada de Racionalismo, seguido muito de perto por Spinoza, a cuja doutrina o nosso Farias Brito se prendeu, pois foi justamente ele quem elaborou o Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia, cujo método eu segui inteiramente, em todo o seu teor, para que assim pudesse provar para toda a nossa humanidade que o racionalismo, sendo ou não cristão, tem o seu grande valor, uma vez que as suas ideias são provenientes das substâncias racionalistas, devendo elas ser aproveitadas, pelos menos naquilo em que se pode comprovar a sua autenticidade.

Adaptando o que disse Latino Coelho, em sua obra Literatura e História, a página 325, eu posso então afirmar que enquanto os credulários, à semelhança dos pequenos, contentam-se em enceleirar e consumir as suas imaginações acerca do sobrenaturalismo, tirando tudo do deus bíblico supostamente composto de carne e osso, feito à imagem e semelhança do homem, com base na fé credulária, que faz submergir a inteligência humana nas águas profundas da ignorância; os racionalistas cristãos, à semelhança dos gigantes, alegram-se em urdir e fabricar as suas ideias da própria natureza, em sua sublimação, tirando tudo do Deus verdadeiro, que é composto de Substâncias, sem qualquer imagem, de quem as suas criaturas são da mesma essência e vão adquirindo as mesmas propriedades no processo da evolução, pois que possuem as mesmas substâncias do Criador, tendo como base a convicção, que eleva e sublima a inteligência humana, fazendo emergir o esclarecimento espiritual.