Às vezes eu ficava me perguntando as razões pelas quais os ricos eram tão admirados e reverenciados por aqueles seres humanos apreciadores da fortuna, submissos aos portadores dos status sociais e subalternos aos detentores do poder, já que, ao contrário deles, eu sempre tratei com formalidade e até com certa rispidez a aqueles que eram abastados, este último em certas ocasiões, sem nunca haver tido um deles como amigo, não que eu tivesse qualquer preconceito em relação a eles, mas pela absoluta incompatibilidade de mentalidades, uma vez que o universo deles era de uma determinada natureza, que se revelava em forma de grandeza indevida, e o meu de outra completamente diferente.
É óbvio que a partir de um determinado período da minha vida, eu já sabia que as suas encarnações eram previamente traçadas em plano astral, uma vez que as suas almas ainda ansiavam por satisfazer aos seus desejos ligados à ilusão da matéria, às suas posições sociais e ao poder, mas eu não me contentava apenas com esse saber.
Por isso, eu ficava cá com os meus botões, deveras intrigado com algo que ocorria paralelo a isso, pois muitas vezes eles eram admirados e honrados pelas suas inteligências e pelas suas competências, e muitos realmente demonstravam tais requisitos.
Com relação às suas inteligências, eu já sabia ser certo que estas não se manifestavam nas direções certas quando utilizadas na busca da riqueza, do status social e do poder, pois que nas direções corretas eu considerava as inteligências manifestadas nas direções da Veritologia e da Saperologia, das religiões e das ciências, com as demais sendo apenas ascendentes a estas, conforme as realizações dos seus detentores mais destacados, mas apenas quando essas realizações fossem nobres.
Mas com relação às suas competências, estas sim, eram realmente incontestáveis, pois muitos eram bons naquilo que estavam a fazer no dia a dia, apesar de andarem com as cristas bem empinadas e de sentirem melhor e mais importantes do que os seus semelhantes, como se andassem digerindo um rei na barriga, sem nada fazerem em prol da sociedade e do povo em geral, mesmo se julgando os seus representantes no alto soçaite, pelo que eu os considerava uns verdadeiros idiotas.
Foi quando, então, eu atentei para o fato de que os trabalhadores mais simples são também competentes em suas respectivas profissões, e mesmo aqueles considerados mais iletrados são cientes de praticamente todos os seus direitos, sem que deixem de exercê-los sob quaisquer circunstâncias, assim como também das suas obrigações, mas às vezes deixando de as cumprir, tendo por isso, geralmente, que ser supervisionados por outros.
Em face dessa situação, muitas vezes eu brincava com os meus amigos e colegas, dizendo o seguinte: pegue um trabalhador analfabeto e lhe dê um salário calculado com base em equações matemáticas das mais complicadas, aplique logarítmo e algumas funções mais complexas, a seguir lhe pague o salário faltando apenas um centavo, que no mesmo dia ele será capaz de calcular o seu próprio salário e no dia seguinte virá reclamar o centavo faltante.
É óbvio que tal dizer não passava de uma simples brincadeira, que por isso contém muito exagero em relação a capacidade do trabalhador, ou seja, da sua competência na busca por realizar algo previamente estabelecido, quando em interesse próprio, justamente por isso era uma simples brincadeira. No entanto, nela está contida uma boa parcela da realidade vivida nos nossos dias.
Em analogia ao trabalhador analfabeto, podemos afirmar que, em paralelo ao fato das encarnações dos que buscam a riqueza serem previamente traçadas em plano astral, uma vez que as suas almas ainda anseiam por satisfazer aos seus desejos ligados à ilusão da matéria, as suas posições sociais e ao poder, ela também serve para proporcionar um incremento das suas inteligências, notadamente do poder criador, uma vez que somente assim, quando em benefício próprio, na ânsia por obter as suas satisfações pessoais, eles conseguem empregar um esforço inaudito para a consecução dos seus objetivos pessoais, com o mesmo se aplicando aos grandes executivos, os quais, além disso, que se enquadram em menor monta, com menos proporção, buscam, acima de tudo, a admiração e o reconhecimento das suas competências como dirigentes empresariais, como se fossem grandes inteligências que se destacam em nossa humanidade, quando, na realidade, não as são, estando ainda muito aquém de merecerem o que ardentemente buscam.
Por isso, os ricos desenvolvem as suas inteligências utilizando todas as suas capacidades para progredir. Para tanto, sentimentalizam, pensam, conscientizam-se sobre as suas próprias aspirações individuais. Mas todos esses esforços giram em torno de si mesmos, em prol dos seus próprios progressos materiais. Nessas suas ações eles aniquilam a concorrência e fazem de tudo para alcançar a riqueza, o status social e o poder.
E como tudo gira em torno de si mesmos, eles conseguem muitas realizações, ignorando completamente que o difícil, o realmente complexo, é empregar o esforço redobrado em prol dos semelhantes, ou em prol do bem comum. Daí o fato deles se disporem a prejudicar a tudo em benefício próprio, manipulando inclusive o mercado, achando-se por isso inteligentes e competentes, quando, na realidade, o ser humano verdadeiramente inteligente e competente prefere prejudicar a si mesmo a prejudicar terceiros, agindo sempre em benefício dos seus semelhantes, em prol do bem comum.
A verdadeira inteligência somente pode se manifestar, em toda a sua plenitude, quando o ser humano desenvolve os seus órgãos mentais em patamares bastantes elevados, estando este desenvolvimento comandado pelos atributos individuais superiores e pelos atributos relacionais positivos, quando então ele se volta totalmente para empregar todos os seus esforços em prol do bem comum, consoante aquilo a que se propôs realizar neste mundo, quando em plano astral, antes de encarnar.
Aí sim, para ele pouco importa a riqueza, o status social e o poder que se referem a este mundo, por isso, geralmente, ele pouco dá atenção ou mesmo pouca importância dá ao valor que realmente possui, pois que não precisa se preocupar com o valor que já adquiriu, uma vez que ele somente pode ser mensurado em plano astral, já que os seres humanos ainda não reúnem as condições de mensurar o real valor de quem quer que seja, daí a sua atenção ser totalmente dirigida para aquilo que se propôs a realizar neste mundo, dando importância à sua contribuição pelo todo humano, que é o que realmente tem o devido valor, pois ele veio preparado do seu Mundo de Luz até para minimizar o seu valor aqui, mas maximizá-lo lá, que é o que realmente importa para o espírito verdadeiramente evoluído.
É lá, em plano astral, nos Mundos de Luz, que vai se formando a verdadeira cadeia hierárquica da organização da nossa humanidade, e não aqui neste mundo depurador, que serve apenas para acelerar a nossa evolução, e a evolução de outros seres infra-humanos.
Assim, o acúmulo de riquezas, os status sociais e os poderes exercidos, quando mal utilizados, fazem os grandes daqui e os pequenos de lá.