Eu estava certa vez a ler um livro, quando um dos personagens se expressou da seguinte maneira: “Isso é obra de consciência”. Tal expressão calou fundo no meu espírito, pois eu compreendia perfeitamente que havia uma profunda procedência nesse contexto, algo superior raramente encontrado, mas não estava conseguindo compreender como se fazia uma obra de consciência. No próprio livro o autor não explicava o que era uma obra de consciência. A conclusão a que cheguei é que apenas poucos autores sabiam da existência das obras de consciência, mas nenhum deles sabia explicar do que realmente se tratava. Era como se soubessem que o galo estava a cantar, mas que não sabiam aonde.
Mas, na realidade, o que é uma obra de consciência?
Existem as obras em que se sobressaem mais os criptoscópios dos seus autores, são as obras criptoscopiais. Existem as obras em que se sobressaem mais os intelectos dos seus autores, são as obras intelectuais. E existem as obras em que tanto os criptoscópios como os intelectos dos seus autores se sobressaem em seu conjunto, não importando se rigorosamente iguais ou não, já que o importante é a manifestação coordenada desses dois órgãos mentais que formam a nossa inteligência, por intermédio da nossa consciência.
Dessa maneira, estando o criptoscópio e o intelecto manifestados na obra, os mesmos se apresentam unidos, irmanados, congregados, portanto, coordenados pela consciência. Daí o fato pelo qual alguns autores consideram a existência das obras de consciência, pois elas representam em seu teor o conjunto dos nossos órgãos mentais, fazendo sobressair a nossa inteligência de modo completo, por conseguinte, os nossos atributos individuais superiores e os nossos atributos relacionais positivos.
O criptoscópio se liga diretamente aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade. O intelecto se liga diretamente às experiências físicas acerca da sabedoria. E a consciência coordena o criptoscópio e o intelecto, portanto, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, por onde se alcança a razão. Em sendo assim, podemos afirmar, com toda a convicção, que as obras de consciência são as que contêm a razão.