O comunismo é um sistema social em que tanto os bens da Terra como o produto do trabalho pertencem à comunidade ou ao Estado, e não exclusivamente a cada cidadão, como no capitalismo. Agostinho de Campos, em sua obra A Fé no Império, a página 77, em relação ao comunismo, diz o seguinte:
“Lenine… Definia o comunismo dizendo que este novo sistema de arrancar a Júpiter o fogo do céu era o socialismo mais a eletricidade”.
Na realidade, ninguém é legitimamente dono do que quer que seja, uma vez que as nossas únicas propriedades são as parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, que vamos adquirindo em nossa trajetória evolutiva, estas sim, sendo realmente adquiridas com a mais absoluta legitimidade, pois que passam a fazer parte integrante do nosso acervo espiritual, sendo, pois, as nossas legítimas propriedades.
No entanto, a nossa humanidade ainda se encontra muito atrasada, com quase todos sendo extremamente apegados à ilusão da matéria, em virtude dos atrativos que os seus efeitos proporcionam ao corpo carnal, que é o resultado das tendências da alma ao seu gozo desenfreado. Assim, cada qual procura satisfazer ao máximo aos seus prazeres mundanos, pouco ou nada se importando se os seus próprios semelhantes, frutos da mesma essência, estão passando privações ou não, já que o mais importante de tudo é o seu próprio bem-estar, assim com o dos seus, sendo geralmente assim, desta maneira, o viver de cada um.
Nessa ânsia insana e incontida por possuir os bens da Terra, as suas riquezas, os seus valores materiais, os seres humanos não dão o mínimo de atenção ao fato de que após alguns anos irão desencarnar, retornando para os seus Mundos de Luz originários, ou então ficando quedados no astral inferior por algum tempo, sem nada poderem levar de tudo isso, pois o mais importante para eles é o gozo do presente, sem que tenham qualquer visão acerca do futuro, que com ambição e egoísmo não pode ser jamais contemplado, por isso não se apercebem que o presente é efêmero, transitório e passageiro, que dura somente uma encarnação.
Essa falta de visão do futuro, sem a devida atenção às lições do passado, que estão proporcionando esse presente nada recomendável e o pouco ou nenhum zelo pela formação do próprio caráter, enseja a que os seres humanos queiram tudo para si, como se cada um fosse o centro do Universo, esquecendo-se completamente de que os seus semelhantes são iguais a eles mesmos, merecendo, pelo menos, uma vida digna, já que o excesso é prejudicial e aborrecível à alma.
Quando no futuro os seres humanos tiverem a plena consciência de que tudo o que existe fora de si mesmos são apenas os seres infra-humanos, os quais formam os bens e os atrativos da ilusão da matéria, tomarão também a plena consciência de que as coisas não lhes pertencem, servindo apenas de utilidades para lhes proporcionar uma vida digna e de relativo conforto neste mundo, devendo tudo ser compartilhado com os seus semelhantes, na proporção dos desejos apresentados por cada um, mas sem quaisquer excessos.
Tendo alcançado a esse estágio evolutivo, os seres humanos poderão compartilhar sabiamente de todos os bens deste mundo, sem que nada falte para quem quer que seja, e sem que ninguém se exceda no usufruto desses bens. Aí sim, o comunismo poderia até se fazer valer no seio da nossa humanidade.
Caso eu participasse do início desse comunismo, parece que eu não o faria com a devida sabedoria, pois de logo me utilizaria da convenção do conservadorismo, quer dizer, anteciparia sempre uma despesa e nunca uma receita, ou seja, usufruiria apenas do mínimo necessário para a minha sobrevivência digna neste mundo, tentando abrir mão ao máximo de qualquer conforto, com o objetivo de que nada faltasse para os meus semelhantes. Mas caso eu me excedesse ao absolutamente necessário, poderia correr o risco de que houvesse muitas sobras, se também outros seres humanos procedessem da mesma maneira. Neste caso, seria necessário um estudo macro da disponibilidade de todos os bens, para que todos os comunistas soubessem de antemão o seu quinhão na divisão dos bens comunitários, ou seja, o que deveria caber a cada um. Mas a natureza é pródiga. Então, nesse sistema social, tudo seria farto para todos. No entanto, existem outros valores a serem considerados, por isso a verdadeira democracia é que deve ser praticada, pois que Jesus, o Cristo, era um democrático.
Mas desde que surgiu neste mundo, o comunismo é totalmente impraticável para a nossa humanidade, pois ninguém ainda consegue se contentar com aquilo que tem, querendo sempre mais. A falta de caráter contribui para que o egoísmo possa reinar, ensejando o surgimento de manobras e mais manobras astuciosas na surdina para o usufruto dos diversos tipos de bens às escondidas, em que a mentira, a insinceridade, a hipocrisia, o cinismo, e tudo o mais do gênero reinam acima de tudo, principalmente a força bruta.
Mas de tudo isso, o mais lamentável é que os dirigentes impõem uma quota dos bens para toda a comunidade, exigindo o sacrifício de todos, menos os deles, que ao invés de serem os mais sacrificados, são os mais beneficiados de todos, com tudo podendo ser escasso até demais para o povo, mas sendo farto até demais para eles, que ainda não contentes com tanta fartura, ainda se entregam às mais reprováveis mordomias. É de se lastimar!