℗ 0009

Eu sei perfeitamente que existem as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, mas quando encarnei neste mundo como Pamam eles ainda não se encontravam propagados no seio da nossa humanidade, a não ser algumas leis e alguns princípios postos pela doutrina do Racionalismo Cristão, mas eu ignorava completamente as suas existências. As leis e os princípios postos neste mundo pela nossa própria humanidade, eu bem sabia que deveriam ser seguidos, e eu os seguia, na medida do possível, mas procurava sempre seguir as minhas próprias leis, os meus próprios princípios e os meus próprios preceitos, pois que na minha própria conduta de vida eu procurava justificá-los apenas para a minha própria consciência, e a ela ninguém tinha o poder de influenciar, pouco me importando se eu estava certo ou errado para os padrões determinados pela sociedade, desde que não viesse a prejudicar aos meus semelhantes, e desde que considerasse que de tal maneira devesse agir.

Então eu já possuía a convicção em mim mesmo, pois apenas sorria quando alguém me criticava ou reprovava as minhas ações no cotidiano da vida, sem que viesse a dar qualquer atenção a essas críticas. Mas mesmo assim, eu sempre procurava agir de acordo com o meio em que vivia, representando o meu papel no seio da sociedade, mas ao meu modo, saindo do script, ou do roteiro, sempre que as injunções da minha consciência determinavam, daí o meu agir diferenciado, pois não me caso jamais com o meio, convivo com ele sim, mas me casar jamais, por hipótese alguma.

Nem a própria doutrina do Racionalismo Cristão, portadora da moral de maior dimensão em toda a nossa humanidade, com toda a sua ontologia e rigidez, determinando de maneira absoluta a conduta dos seus militantes, foi capaz de alterar o meu proceder neste mundo um milímetro sequer, pois que sou o portador da ética de maior dimensão em toda a nossa humanidade, e a moral não pode se sobrepor à ética, e nem a ética pode se sobrepor à moral, com ambas tendo que ser unidas, para que assim o espírito venha a se tornar realmente educado.

Luiz de Mattos é o espírito detentor da maior moral em toda a nossa humanidade, por isso ele conseguiu se elevar ao Espaço Superior e lá captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, utilizando-se do seu fabuloso criptoscópio. Eu sou o espírito detentor da maior ética em toda a nossa humanidade, por isso consegui me transportar ao Tempo Futuro e lá criar as experiências físicas acerca da sabedoria, utilizando-me do meu intelecto já grandemente desenvolvido. E assim, tendo primeiramente demonstrado que o valor que a moral possui é o mesmo valor que a ética possui, sem tirar nem pôr um milímetro sequer, sem que uma venha se sobrepor sobre a outra, eu pude enfim tornar completa a minha moral, sendo assim o fiel da balança entre uma e outra. Além do mais, foi através da minha conduta individualizada, do meu modo próprio de ser, sem me influenciar por quem quer que seja, que eu pude adquirir o meu acervo de experiências, que se encontra contido no meu espírito, integrado ao meu ser, dando-me a consciência do quem realmente eu sou, em que eu pude me conhecer primeiramente a mim mesmo, conforme Jesus, o Cristo, assim nos ensinou.

Os sofrimentos, por mais dolorosos que possam ser, não me causam o mínimo temor, não me reduzem um milímetro sequer o ânimo e nem o alento, por isso eu nada temo, devendo ou não, já que isto eu considero irrelevante, principalmente porque não prejudico aos meus semelhantes, apenas confio em mim mesmo e espero o tempo certo para as minhas realizações, pois eu sei perfeitamente que a tendência de tudo é para se normalizar, e tudo deve se normalizar, necessária e obrigatoriamente, em mais ou menos tempo, pois é a experiência a grande responsável por encontrar as soluções criativas para todos os problemas do mundo, sendo ela quem verdadeiramente molda o caráter do espírito, e eu tenho caráter, muito caráter, até para dar e vender, como se diz popularmente. Vejamos o que a obra básica da doutrina racionalista cristã afirma sobre a aquisição do caráter, quando a página 155 ela assim se expressa:

“É o caráter um dos mais ricos e preciosos bens do espírito. A sua aquisição, porém, não é nada fácil. Ao contrário, exige prolongados períodos de meditação em numerosas encarnações, ao longo das quais as conclusões vão amadurecendo sob a dura prova da experiência (grifo meu)”.

E foi assim, através do meu caráter, passando pelas duras provas da experiência, que eu consegui alcançar a sabedoria, a mais autêntica sabedoria, a mãe de todas as ciências, sabedoria esta como a nossa humanidade jamais viu, pondo-me em pé de igualdade com Luiz de Mattos, que conseguiu alcançar a verdade, a mais autêntica verdade. E mais: lançando mão da verdade transmitida por ele e os seus seguidores, como sendo a minha legítima fonte, e, com a minha sabedoria, alcançando enfim a razão, a grande meta a ser alcançada pela nossa humanidade. Então eu jamais poderia ser um seguidor da verdade, dobrando-me a ela, que é fonte, tendo sim a sabedoria que ser seguida por todos os espíritos.

Em razão disso, se Luiz de Mattos é um gigante, eu também o sou, do mesmo modo, tendo, pois, a sua mesma estatura, pois que gigante tem afinidade com gigante, assim como anão tem afinidade com anão, quero dizer, assim como mau-caráter tem afinidade com mau-caráter. E não somente afirmo, como também provo e comprovo, e provo e comprovo através do próprio Luiz de Mattos, que gentil e docilmente veio entregar a verdade em minhas mãos, para que a utilizando com fonte, eu pudesse modificar a todas as ciências, para o bem da nossa humanidade, quando em sua obra Pela Verdade, a página 207, ele assim se expressou:

“Destruídos, arrasados os penedos científicos-oficiais pelo broquear ininterrupto do Racionalismo Cristão e a dinamite da Verdade, reduzidos a alvenaria e a brita esses penedos que por egoísmo e pretensão atravancaram os largos mares do progresso dos seres e das coisas deste mundo, dever é agora, o nosso, dar novo rumo a estas Notas, que podemos considerar modernas caravelas pilotadas pela Verdade (grifo meu) neste tormentoso mar de mentiras convencionais, empolado pelo irracionalismo de tal grei científico-oficial, e navegar, à larga, para os mares calmos, bonançosos, da sabedoria real, verdadeira (grifo meu), até podermos chegar, com vento de feição, com essa larga constante, ao porto de destino (a própria razão, digo eu), que é o progresso real da ciência e da humanidade”.

É por isso que nós somos os dois expoentes da nossa humanidade.