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Tendo considerado a premência dos meus estudos acerca dos segredos da vida e dos enigmas do Universo, eu vendi o meu veículo e me desfiz de tudo o que possuía, entregando toda a receita para a minha esposa, mandando-a para o interior, para a casa da sua mãe em Juazeiro do Norte-CE, juntamente com a minha filha, por um período que fosse suficiente para que eu pudesse estudar tudo aquilo que julgava necessário, tendo me isolado em um sótão sob os auspícios da minha ex-mulher, na casa que eu havia de lhe presentear, como que em recompensa pela sua valiosa e desprendida ajuda.  

Nesse período, eu estudava cerca de 18 a 20 horas por dia, dormindo muito pouco e dedicando o restante do tempo apenas para a minha alimentação e asseios. Era tanta a minha ânsia por desvendar os segredos da vida e os enigmas do Universo, que cheguei a um ponto em que praticamente não mais dormia, apenas estudando, estudando e estudando.

Em certa ocasião, eu pude perceber que o meu corpo humano não iria conseguir suportar a tremenda pressão que o meu espírito estava exercendo sobre ele. Então eu resolvi tomar dois compridos para dormir, cujo remédio o meu filho mais velho tomava apenas uma banda para desfazer as suas insônias, que eram constantes. Consegui dormir por apenas duas horas. Ao acordar, vi que tinha vertido urina em mim mesmo. Não me preocupei com isso, asseei-me com um banho restaurador e voltei de imediato aos estudos.

Foi nessa ocasião que eu consegui fazer emergir a Veritologia, segregando-a da Filosofia, que depois passei a denominar de Saperologia, assim como também consegui fazer emergir a Ratiologia. E não somente isso, mas também consegui identificar os órgãos mentais que formam a nossa inteligência, por conseguinte, conseguindo identificar também as Substâncias de Deus, do Todo, da Inteligência Universal, para que assim pudesse organizá-Lo perante toda a minha humanidade.

Mas de repente eu me vi como que pilotando uma imensa nave espacial, às turras, tal como sendo um piloto de primeira viagem, mas sabendo que Luiz de Mattos se encontrava comigo, ajudando-me e me orientando a conduzir a essa imensa nave espacial, que assim decolou do ambiente terreno. Na realidade, isso tudo era a representação exata de mim mesmo rompendo a atmosfera da Terra e tentando me situar no Universo, em pleno e total equilíbrio, empregando um tremendo esforço em me posicionar em uma das suas coordenadas, na tentativa por estabelecer um perfeito equilíbrio entre o espaço e o tempo, estabelecendo-me definitivamente em ambos, estando eles devidamente coordenados.

Como já era de se esperar, o cérebro do meu corpo humano não conseguiu suportar a tremenda pressão que o meu espírito exerceu sobre ele, entrando em colapso. Em face das ações do Astral Superior, pois que eu sabia que Luiz de Mattos se encontrava comigo, de repente eu me julguei sendo o próprio Cérbero, já atentando para o fato de ser o Antecristo.

Na mitologia grega, o Cérbero era um monstruoso cão de três cabeças que guardava a entrada do mundo interior, o reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais as deixando sair, despedaçando os mortais que por lá se aventurassem. Mas a descrição histórica da morfologia do Cérbero nem sempre é a mesma, havendo as suas variações.

Para mim, tal como sendo o Cérbero, eu era realmente um cão com três cabeças sim, mas elas representavam os três órgãos mentais que possuímos em nosso espírito: o criptoscópio, o intelecto e a consciência; pois que somos as inteligências da Inteligência Universal. E assim, eu seria o cão feroz que iria guardar para sempre as portas do inferno, não permitindo que nelas ninguém mais entrasse, pois que em uma gnosiologia anterior eu já havia me assenhorado desse antro, quando eu fui internado pela primeira vez em um hospital psiquiátrico, por isso iria extingui-lo de vez, enviando todas as almas para os seus Mundos de Luz.

E assim, tal como sendo realmente o Cérbero, eu cheguei mesma até a latir, e a latir com fúria, não permitindo que ninguém entrasse no recinto da casa, nem mesmo que ultrapassassem o muro do terreno que a circundava, pois que para mim eu havia entrado em guerra contra o astral inferior. Aqueles que ousaram entrar no meu território saíram correndo, pois caso ficassem seriam efetivamente agredidos. Mas felizmente não houve agressão alguma, pois que eu me encontrava sob os auspícios do Astral Superior.

Até que os meus familiares e amigos decidiram chamar o corpo de bombeiros, vindo em atendimento quatro soldados que já eram acostumados a situações de conflito. Dois deles ficaram ao portão da casa, chamando-me, enquanto mais dois ficaram escondidos no quintal. Saí da casa e logo avistei os dois que se encontravam à minha frente, julgando-os serem dois espíritos do astral inferior, principalmente porque eles se encontravam vestidos com uma camiseta vermelha, que é uma cor muito forte utilizada tanto na umbanda como no quimbanda. Não contei duas vezes, parti para o confronto, que para mim seria mortal, quando nessa ocasião os dois soldados que se encontravam escondidos me seguraram por trás, um pelo pescoço e o outro pelas pernas, vindo logo em seguida os outros dois para que pudessem completar a minha imobilização. E assim foi feito, sem que ninguém viesse a sofrer qualquer machucado. A seguir me conduziram amarrado para um hospital psiquiátrico.

Por ocasião da minha 2ª. internação em hospital psiquiátrico, ao virar o Cérbero, quando estava amarrado na cama, os meus ouvidos escutaram uma espécie de deliberação por parte de estranhos seres, que ao que tudo indica não eram espíritos quedados no astral inferior, mesmo que nessa deliberação eles tivessem o intuito de me dissecar. Estando com a mente ainda travada e sob os efeitos de remédios, eu pensava realmente que iria ser esquartejado vivo. Mas mesmo assim eu não gritei e muito menos clamei por socorro, de modo algum, não soltei um ai sequer, pois que sabia não ser um doido, pelo menos um doido comum eu não era, já que não tive qualquer medo de ser esquartejado vivo, um mínimo temor sequer. Nesse momento, a minha única reação foi em relação ao pudor, pois, embora estando fortemente amarrado na cama, fiz o máximo esforço possível para que as minhas partes íntimas fossem cobertas, não estando expostas quando porventura fossem cortadas.