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O meu nobre amigo José Maia, sendo devidamente intuído pelo Astral Superior, pois que eu mesmo ignorava a minha condição de cientista da espiritualidade, já que ainda não conseguia compreender a razão da vida que levava, e muito menos ele, que ignorava as minhas particularidades, afirmou espontaneamente para mim, de um modo bem pessoal, mas categórico, com convicção, o que me deixou estupefato, o seguinte:

─ Marcos, você é um cientista, e está no seu limite.

Em relação ao fato de eu ser um cientista a sua afirmativa calou fundo em minh’alma, fazendo todo o sentido do mundo, então eu teria que me conscientizar desta realidade, de uma maneira ou de outra, pois que tudo se encaixava na minha vida como sendo realmente ciência, em conformidade com as minhas mais altas aspirações. Mas em relação ao fato de eu estar no meu limite, isto teria que ser ponderado do modo mais profundo possível.

Ora, se eu sou um cientista e estou no meu limite, então indaguei para mim mesmo: então qual é o meu limite? Várias alternativas para identificar a natureza deste meu limite me vieram ao pensamento, como as que se seguem:

  1. A fronteira que liga a ciência e a Saperologia já estava ao alcance da minha contemplação. Neste caso, eu somente deveria ultrapassar a esta fronteira quando ela estivesse bem definida e especificada para mim mesmo;
  2. Os sofrimentos extremamente dolorosos por que estava passando haviam chegado ao seu ponto de saturação, tornando-se insuportáveis. Neste caso, eu deveria opor o máximo de resistência a eles, estendendo a minha capacidade em suportar todos os sofrimentos dolorosos que me viessem do ambiente terreno, para que assim pudesse cumprir com pleno êxito a minha missão neste mundo;
  3. As minhas experiências científicas já haviam sido todas concluídas, com a minha permanência no ambiente mundano sendo em vão, com elas se estendendo além do necessário. Neste caso, as minhas introspecções deveriam me deixar convencido da minha satisfação plena em relação a todas elas;
  4. As correntes formadas pelo ambiente mundano, que por elas eu me deixei levar por livre e espontânea vontade, atingiram o seu limite no âmbito científico, o qual eu não poderia ultrapassar, pois que dificultaria ainda mais a minha saída desse ambiente mundano. Neste caso, eu teria que expandir toda a minha força de vontade a fim de me tornar livre desse ambiente mundano em que me encontrava;
  5. O meu planejamento em plano astral para cumprir a minha missão neste mundo incluía um cronograma de realização, com este cronograma estando em inteira conformidade com o meu tempo de encarnado neste mundo. Neste caso, eu teria que dar continuidade à minha missão neste mundo, passando para outra etapa, mas, de qualquer maneira, tendo atingido o meu limite como cientista, eu me encontrava assim rigorosamente dentro do meu cronograma.

Mas, de qualquer maneira, o limite era meu, dizia respeito apenas a mim, a mais ninguém, e eu sei que o limite é uma espécie de linha de demarcação, uma espécie de linha real que une dois campos contíguos, mas que não os separa, pois que a separação diz respeito ao afastamento, ao rompimento, ao desligamento, cuja união se caracteriza como sendo uma divisa que serve de fronteira para determinar os limites extremos de cada um dos campos, no caso em questão, o final da ciência e o início da Saperologia, que assim se interligam uma com a outra, em que o especializado se liga com o Universal.

No entanto, ao que tudo indica, a alternativa que mais se aproxima com a realidade não diz respeito a nenhuma das alternativas citadas acima, devendo ela se basear no fato de que, como cientista da espiritualidade, eu teria fatalmente que ser vítima do ambiente terreno, em virtude de como encarnado ignorar os perigos que diziam respeito às suas diversas correntes que se cruzavam de todas as maneiras, e, em minhas pesquisas, ou seja, em minhas experiências científicas, eu não podia ultrapassar em demasia as suas consequências maléficas, sob pena de prejudicar de algum modo a minha missão neste mundo, mesmo sendo incapaz de praticar algum mal contra os meus semelhantes, mas sendo vítima dos males próprios deste mundo.

De maneira análoga, como afirma o Dr. Eldo Frota, em sua obra Espiritualismo Científico – Biologia Astral, as primeiras vítimas das radiações não foram os infelizes habitantes de Hiroxima e Nagazaki, como se propala por aí, mas sim os bravos intelectuais cientistas que nas primeiras pesquisas com o elemento rádio, sem conhecerem os perigos inerentes, sofreram incuráveis queimaduras pelos efeitos malignos das radiações nucleares. Devendo se ressaltar que estes cientistas nunca pesquisaram com as intenções destruidoras ou danosas para a nossa humanidade, assim como eu também nunca pesquisei o ambiente terreno com a intenção de me afinar com ele, mas sim com a intenção de poder alcançar a uma grande finalidade, como realmente agora estou conseguindo alcançar.

Mas, de qualquer modo, estando eu no meu limite como cientista, isto significa que tenho que dar o próximo passo, ou seja, ultrapassar a este limite, porém sem permanecer como cientista, dando por encerrado a este meu estágio evolutivo, tendo que dar continuidade à minha evolução espiritual. Então, eu tenho que partir célere em busca da sabedoria, mas não de qualquer maneira, pois tenho que demonstrar da maneira mais lógica e racional possível o caminho por mim utilizado para me tornar um saperólogo, e este caminho se encontra demonstrado através do Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia, que foi elaborado por Descartes.

Como eu já tinha apreendido em meu corpo mental todos os conhecimentos metafísicos acerca da verdade transmitidos pela doutrina do Racionalismo Cristão, eu pude então constatar toda a fortaleza e o vigor que se encontravam contidos na verdade, por conseguinte, que se encontravam em maior escala em Luiz de Mattos, e, em menor escala, nos seus seguidores. Era tão imensa a influência da verdade nos militantes da doutrina racionalista cristã, que essa influência se dirigia também para mim de um tal modo como que me obrigando a ser mais um seguidor da verdade, e caso eu não lançasse mão de todo o meu ecletismo, fatalmente eu seria mais um seguidor da verdade. Ora, eu considerava muito rígida a linha de pensamento adotado pela doutrina do Racionalismo Cristão, enquanto que a minha linha de pensamento se caracterizava como sendo totalmente liberal, ou melhor, democrática, sem qualquer engessamento, por isso eu ia para onde os meus atributos me apontavam, sem qualquer vacilação, em praticamente quase nada me importando com a opinião alheia, com a minha conduta sendo própria de mim mesmo, portanto, sendo estritamente pessoal.

Estando por demais envolvido com a verdade, encontrando-me mesmo em seu próprio campo de ação, desse seu campo de ação eu tive que me afastar, para que assim pudesse contemplá-la sem qualquer envolvimento, estando longe da sua imensa influência. Procedendo desta maneira, eu pude aos poucos ir me situando no meu verdadeiro lugar, ultrapassando o meu limite de cientista e adentrando no campo da sabedoria. Ao adentrar cada vez mais no campo da sabedoria, eu pude então constatar que ela tinha o mesmo valor, a mesma importância que tinha a verdade. Na realidade, eu era detentor de um intelecto já bastante desenvolvido, por isso poderia manipular a própria verdade ao meu bel prazer, assim como também poderia manipular a própria sabedoria ao meu bel prazer, caso assim entendesse, mas aí eu seria um sofista, não passando de um impostor, e a impostura que passe bem ao largo de mim. No entanto, utilizando-me da verdade e da sabedoria, simultaneamente, eu não poderia jamais manipular com ambas ao mesmo tempo, pois não se manipula com a razão. A razão se encontra exatamente entre a verdade e a sabedoria, coordenando-as, estando no meio de ambas, unindo-as, irmanando-as, congregando-as, então aquele que se encontra na razão somente pode lançar mão da verdade e da sabedoria de modo simultâneo, sem prescindir nem de uma e nem de outra.

Tendo alcançado a condição de saperólogo, eu consegui compreender plenamente a realidade da vida, que a verdade era a genuína, a legítima e a autêntica fonte da sabedoria, e que com ambas eu havia alcançado a razão. Sorri para mim mesmo, pois o “doido” havia conseguido alcançar a razão, enquanto que os “normais” não faziam a mínima ideia do que era a verdade e muito menos do que era a sabedoria. E o que dizer da razão? E assim, na condição de saperólogo, eu me esforcei ao máximo para explanar o Racionalismo Cristão, escrevendo a obra A Filosofia do Racionalismo Cristão – O Sistema, que mandei encadernar artesanalmente, tendo vendido poucos exemplares para alguns conhecidos, e presenteado outros exemplares para alguns amigos, inclusive para o meu querido amigo José Maia. Mas ninguém se dispôs a lê-los. Posteriormente, eu cheguei à conclusão que havia fracassado na minha explanação do Racionalismo Cristão na condição de saperólogo. A Saperologia, então, não era ainda suficiente para esta complexa tarefa.

De qualquer maneira, essa tentativa de explanar o Racionalismo Cristão me foi deveras benéfica, pois empregando um imenso esforço nessa tarefa, eu pude estender ainda mais a minha sabedoria, ampliando cada vez mais o seu campo, até que consegui atingir o seu limite extremo, assim como antes havia conseguido atingir o meu limite como cientista da espiritualidade. Na realidade, eu estava prestes a adentrar no campo da Ratiologia. Entretanto, eu recusava de todas as maneiras me considerar um ratiólogo, pois o único espírito que eu considerava capaz de receber a essa denominação era Jesus, o Cristo.

Porém, por força das circunstâncias, vi-me obrigado a reconhecer que, na realidade, eu havia realmente adentrado no campo da Ratiologia, sendo, portanto, um verdadeiro ratiólogo, pois que havia me universalizado. Agora sim, estando elevado ao Espaço Superior e transportado ao Tempo Futuro, simultaneamente, eu poderia aos poucos ir percorrendo as coordenadas do Universo, até conseguir me situar nas coordenadas mais distantes, para que assim pudesse realmente estudar a vida fora da matéria e os mundos que rolam pelo espaço, inclusive o próprio mundo Terra, como Luiz de Mattos a mim solicitou que eu estudasse quando me encontrava encarnado como Ruy Barbosa. Assim, e somente assim, como ratiólogo, eu poderia realmente explanar o Racionalismo Cristão. Ora, se Jesus, o Cristo, é um ratiólogo, então Pamam, o Antecristo, também pode ser, pois, afinal, eu sou o seu maior seguidor.