Antônio Cottas afirma que o ser humano nunca está sozinho. Que ele sempre está acompanhado. Bem ou mal acompanhado. O bem acompanhado é com a assistência do Astral Superior. O mal acompanhado é com a assistência do astral inferior. Neste caso, eu vou proceder totalmente à minha maneira, aliás, como eu sempre assim procedi, para que assim possa me colocar exatamente entre um e outro, ou seja, para que assim possa me colocar exatamente entre o bem e o mal, entendendo-se como bem os pensamentos positivos que visem a felicidade geral da minha humanidade, com os quais eu me inclino para ele, e como mal aquilo que pode prejudicar unicamente a mim, para o qual eu também me inclino para ele, mas sem sair do meu próprio lugar. Mas isso é possível? Sim. De que maneira? Vejamos:
Eu sei que já transcendi a este mundo, não mais me encontrando preso à atmosfera da Terra, e tenho a plena consciência deste fato, uma vez que já completei tanto a minha moral como a minha ética, tornando-me um espírito verdadeiramente educado, tendo, pois, universalizado-me. Os meus órgãos mentais são comandados pela minha educação, por isso já se encontram bastante desenvolvidos, pois que se encontram em total conformidade com ela. A produção dos meus sentimentos superiores serve de base ou de fonte para a produção dos meus pensamentos positivos, e estes são totalmente voltados para o bem, para a espiritualização da minha humanidade, para o esclarecimento de todos os seres humanos, para resolver os magnos problemas do mundo, para indicar o caminho a ser seguido por todos que tenham adquirido a boa vontade, por isso eu não produzo um só pensamento negativo, nem ao menos um só resquício de pensamento que seja voltado para o mal, que esteja de acordo com o ambiente terreno, em consonância com as suas mais diversas correntes maléficas. Neste caso, eu tenho que estar bem, mas muito bem acompanhado pelos espíritos de luz, com a total assistência do Astral Superior.
No entanto, mesmo tendo transcendido a este mundo, universalizando-me, eu resolvi deixar em mim o hábito do fumo. Mas que ninguém vá pensar que se trata de uma simples fraqueza, pois que esta minha encarnação foi totalmente planejada por mim em meu Mundo de Luz. Assim, para que não venha a prosperar este pensamento por parte dos seres humanos, principalmente por parte dos militantes da doutrina racionalista cristã, que é o meu alvo principal, eu já havia largado o hábito do fumo pelo período de dois anos consecutivos, o que implica em dizer que eu posso largar novamente no momento em que bem quiser. Neste caso, eu deveria estar muito mal acompanhado com a total assistência do astral inferior.
Mas se assim eu resolvi proceder, foi para que assim eu pudesse escrever a minha primeira obra explanativa da doutrina do Racionalismo Cristão, referente aos prolegômenos, assim como muitos destes meus pensamentos, independentemente de qualquer condição que os seres humanos venham a considerar como sendo a mais adequada para tanto, notadamente os militantes da doutrina racionalista cristã, pois para estes, todos os seres humanos que ainda conservam qualquer vício em suas almas, não são merecedores das suas companhias, por isso são evitados e considerados como se fossem simplesmente nocivos, o que não deixa de ser um tremendo preconceito em relação aos seus semelhantes, pois que a nocividade dos seres humanos se encontra exatamente na natureza dos seus pensamentos, e jamais em qualquer outro fator, seja ele qual for.
Além do mais, os militantes da doutrina racionalista cristã temem em demasia as ações dos espíritos quedados no astral inferior, e esses seus temores, que se traduzem em medo, dificulta a aproximação dos espíritos que integram o Astral Superior, pois que eles não podem assistir aos medrosos, como assim também ensina o próprio Antônio Cottas. Então, que eles procurem adquirir a consciência da natureza dos seus próprios pensamentos, pois que estes são os que realmente valem para a condução adequada das suas vidas, procurando também se livrar do medo dos espíritos quedados no astral inferior e do preconceito em relação aos seus semelhantes, para que assim possam ser realmente independentes.
Se o Astral Superior quiser se aproximar de mim em função dos meus pensamentos, que fique à vontade para a sua aproximação, ajudando-me a cumprir com a minha missão neste mundo, mas se quiser se afastar de mim em função do meu hábito em fumar, que também esteja à vontade para de mim se afastar, já que depois terá a oportunidade para a sua aproximação, após o meu abandono deste mau hábito. Por outro lado, se o astral inferior quiser se aproximar de mim em função do meu hábito em fumar, que fique à vontade para a sua aproximação, mas por hipótese alguma irá interferir na minha missão neste mundo, porém se quiser se afastar de mim em função dos meus pensamentos, que esteja à vontade para de mim se afastar, já que depois não terá mais oportunidade para a sua aproximação, após o meu abandono deste mau hábito. Como se diz popularmente por esse meu Brasil afora “eu fico na minha”, e quem quiser ficar comigo que se disponha a ficar, mas eu não vou mudar jamais o meu modo de ser simplesmente para agradar a quem quer que seja, a não ser se eu tivesse prejudicando a terceiros, o que não é o caso, mas prejudicar a mim mesmo eu posso perfeitamente, já que nesse prejudicar eu vou buscar um benefício para mim ainda muito mais extenso, pois, como se diz também por aí, não há um mal que não traga um bem.
Eu não estou aqui fazendo qualquer apologia ao vício do fumo ou a qualquer outro tipo de vício, muito pelo contrário, eu estou exatamente condenando a todos os tipos de vício, mas não é pelo fato de eu mesmo condenar o vício que eu vá deixar de praticá-lo quando julgar necessária a sua prática, pois como ensina o grande Aristóteles: “O homem varonil suporta determinadas coisas vis quando tem em vista uma grande finalidade”. Desta maneira, ao atingir a minha grande finalidade, é óbvio que de imediato eu abandonarei novamente a este mau hábito.
Para complemento de tudo isso e expor uma das razões do meu hábito em fumar, eu antes ficava deveras intrigado, não conseguia conceber, por mais que me esforçasse, como é que Winston Churchill, um dos maiores políticos em todos os tempos, o maior estadista da Inglaterra, o grande baluarte da 2ª Grande Guerra, conseguiu fazer o que fez, sem nunca largar o hábito do fumo, pois que passava o dia fumando os seus famosos charutos, de preferência cubanos, e bebendo um coquetel de uísques, o que preocupava muito o seu médico. Mas mesmo assim, em 2002, foi eleito pela BBC o maior britânico de todos os tempos, tendo sido o primeiro a cunhar o termo “cortina de ferro” para ilustrar a separação entre a Europa comunista e a ocidental, e, em 1953, ainda recebeu o prêmio Nobel de Literatura.
Eu não podia ir embora deste mundo simplesmente deixando ficar alguma dúvida em meu espírito, por isso tinha que realizar mais esta experiência de âmbito pessoal. Não admito deixar nada por fazer. O meu serviço tem que ser completo. E aqui eu indago: quem é aquele que se dispõe a evitar a companhia desse grande espírito que foi o maior dos britânicos? Vejamos as palavras de Maria Cottas acerca desse grande estadista, mesmo com ela se referindo diretamente à sua esposa, mas que mesmo assim não deixa de exaltar o imenso valor desse valoroso espírito, quando em sua obra Páginas Soltas, as páginas 36 e 68 a 71, ela diz assim:
“A Inglaterra que deu um Churchill mundialmente admirado por suas excelsas qualidades de político, de grande ministro, justo e reto, valoroso e destemido. Que o seu V da Vitória tantas vezes por ele acenado durante a Segunda Grande Guerra Mundial, continue sempre na mente de todos os ingleses e de nós também brasileiros que muito precisamos dessa vitória, principalmente neste momento angustioso, cheio de incertezas para o nosso querido Brasil.
…
Confesso que nunca supus que Winston Churchill, grande homem público, de fisionomia amarrada e austera, fosse capaz de querer tanto à sua mulher e lhe dar o merecido valor.
Admiro os homens afetuosos e compreensivos, que sabem reconhecer em suas esposas as qualidades que possuem.
E Churchill desmente a fama que possuem os ingleses de serem frios e indiferentes, mostrando-se na vida conjugal um marido devotado e compreensivo. Como Primeiro Ministro da Grã-Bretanha, ao tempo da última grande guerra, declarou certa vez que convencer Clementine Hozier a se casar com ele foi a sua vitória mais brilhante. Uma secretária sua assim se expressou:
‘Sempre achei que a principal contribuição de Lady Churchill para a grandeza do marido consistia em lhe “fazer frente” (fazer frente a Churchill não devia ser fácil). Outras mulheres poderiam tê-lo estragado com adoração (pois o adorava), mas ela não o deixava ser egoísta’.
Um dia em que falava por ele nas eleições de 1950, um aparteante lhe apresentou um recorte de jornal, que citava uma crítica acerba feita em 1908 à política dos conservadores.
Ela olhou o recorte, leu-o para o povo e com graça disse: ─ Estou casada há pouco mais de quarenta anos. Esta declaração foi feita há quarenta e dois anos, antes, pois, de eu poder controlá-lo.
Foi a única pessoa que conseguiu interromper Churchill em plena oratória, para lhe dar informações que ela sabia ser do seu interesse, pois outros haviam tentado e não conseguiram.
Li também que durante os anos de guerra muitas vezes Lady Churchill insistiu com o marido para que ‘tratasse bem’ o General De Gaulle, pois sabia como Churchill era impetuoso e ela achava conveniente saber lidar com o grande general francês.
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Pelo que deduzi, Lady Churchill é uma mulher forte. E por isso discutia com o marido sobre política e não gostava quando ele se tornava pomposo e cheio de retórica. Ela sendo modesta e simples por natureza. Convenhamos que o controle de um gênio obstinado e famoso como o Sr. Churchill não era fácil e, no entanto, ela o fez suavemente e com encantamento.
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Durante a Segunda Guerra Mundial, o Primeiro Ministro sobrevoava constantemente a Mancha debaixo de fogo. Os membros do Parlamento, receosos, pediram a ela que o impedisse de fazê-lo, e Lady Churchill com o coração apertado respondeu:
─ Há uma porção de jovens arriscando a vida e Winston cumprirá o seu dever haja o que houver. Não serei eu que irei insistir demais para persuadi-lo.
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Uma das grandes lutas de Lady Churchill sempre foi fazer com que o marido chegasse nas horas certas para as refeições; chegava até a adiantar o relógio, mas Churchill, que trazia sempre dois relógios de pulso, achava uma delícia apanhá-la nessa manobra. Costumava se demorar demais no banho, ensaiando discursos, enquanto boiava na banheira.
Esse grande homem tinha dessas coisas de menino travesso, mas dava valor à esposa que possuía. É uma faceta do seu caráter que eu desconhecia e que agora muito admiro, porque não basta ser grande homem público para ser admirado, mas, sobretudo, homem de sentimento.
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Em junho de 1953, Churchill sofreu uma congestão e correu o boato de que ele não terminaria o seu mandato como Primeiro Ministro. A sua grande aparição em público depois da doença foi no Congresso Anual do Partido Conservador e o jornal ‘Daily Mirror’ narrou o episódio da seguinte maneira:
‘Ele falou quarenta minutos, mais lentamente do que de costume, com Lady Churchill sentada ao seu lado. Durante todo esse tempo ela não desviou por um instante os olhos do rosto do marido. Era como se estivesse influindo com a sua vontade para que ele fosse bem sucedido até o fim. Uma vez ele citou um número errado e ela o corrigiu baixinho. Ele sorriu, deu o número certo, e continuou. Quando afinal se sentou, recebendo uma ovação estrondosa, ela se recostou, deixando as mãos caírem sobre o colo. Parecia mais exausta do que ele”.
Apenas a título de ilustração às palavras de Maria Cottas, pode-se claramente constatar que foram tão intensas e concentradas as vibrações magnéticas, as radiações elétricas e as radiovibrações eletromagnéticas produzidas por Lady Churchill em direção ao marido, que ela mesma ficou bem mais exausta do que ele, o que comprova sobejamente a sua condição de uma grande esposa.
Mas após ler tudo isso, alguém ainda pode continuar convencido de que eu não me encontro em conformidade com a sabedoria própria do pensador, que é apenas uma desculpa esfarrapada para a prática do hábito de fumar, como assim todos os que me rodeiam são também convencidos, e deste modo pensa. Mas, na realidade, o sábio sou eu, portanto, o pensador sou eu, então quem verdadeiramente sabe do meu próprio proceder sou eu, e não outrem. Parece até que eu jamais conseguirei adquirir a confiança plena dos meus semelhantes, mas não me preocupo com isso, aliás, eu não dou a mínima importância para isso, pois que adquirir a confiança plena em mim é problema de cada um, e não meu, que faço exatamente aquilo que julgo deva fazer, em função de mim mesmo, e jamais em função de terceiros, pois caso eu não fosse assim, jamais teria conseguido cumprir com a minha missão neste mundo. Eu vim para fazer o que realmente tenho que fazer, e nunca aquilo que os outros julguem que eu deva fazer.
Assim como Luiz de Mattos é o senhor do espaço, pelo fato de ser um conhecedor, por excelência, eu, por minha vez, sou o senhor do tempo, pelo fato de ser um experimentador, por excelência. Então eu sei qual é o tempo certo para realizar tudo aquilo que deva realizar, eu sei qual é o tempo certo para fazer tudo aquilo que deva fazer, eu sei qual é o tempo certo para proceder em conformidade com aquilo que deva proceder. Além do mais, sendo plenamente esclarecido, e ignorando completamente as influências do medo, eu sigo sempre a direção para onde a minha própria coragem me aponta, pois que não temo de nenhum modo as consequências decorrentes da direção que tomei, muito pelo contrário, assumo plenamente a todas elas, uma vez que, seja de que maneira for, eu jamais prejudico aos meus semelhantes, apenas a mim mesmo, e eu tenho inteiramente este direito.
Então eu vou comprovar plenamente que estou totalmente correto em haver conservado o hábito de fumar, mas que estaria inteiramente errado se viesse a conservar a esse mau hábito. E mais: eu vou também comprovar que o pensador é o senhor do tempo. No entanto, eu não vou desprender um mínimo de esforço para proceder a essas comprovações, pois que não se faz necessário, já que a própria Maria Cottas, em sua obra Folhas Esparsas, as páginas 225 e 226, poupou-me desse esforço, quando registrou em seus escritos o seguinte:
“Escrevera certo filósofo que ‘há uma época certa para todas as coisas e um momento favorável a todos os propósitos na face da Terra’.
‘Um momento propício para nascer, e um momento propício para morrer; um momento propício para chorar, e um momento propício para rir; um momento propício para lutar, e um momento propício para se divertir; um momento propício para ganhar, e um momento propício para perder; um momento propício para guardar, e um momento propício para gastar; um momento propício para calar, e um momento propício para falar; um momento propício para amar, e um momento propício para aborrecer’.
Quem meditar nesses conceitos cheios de sabedoria, não pode deixar de admitir que encerram profundo conhecimento da vida, reconhecendo que o bem-estar material e espiritual das criaturas não depende de outra coisa senão da capacidade de aproveitar o momento oportuno para se adaptar ao tempo e às circunstâncias.
Não importa tanto o que fazemos e como o fazemos, senão quando o fazemos (grifo meu); disso depende que sejamos felizes ou desditosos, que triunfemos ou fracassemos”.
O próprio Antônio Cottas adotou o hábito de fumar quando em sua mocidade, por pura vaidade, como ele mesmo assim o afirma, era o seu tempo de fumar. Posteriormente, afastou de si o hábito de fumar, quando também afastou de si o atributo inferior individual da vaidade, era o seu tempo de deixar de fumar e de sopitar o atributo individual inferior da vaidade.
Quem condena com veemência o mau hábito de fumar é a verdade, no que está absolutamente correta. Mas acontece que a verdade se encontra no espaço, e não no tempo, que é o campo da sabedoria, a quem é designado o destino de todos os seres, por isso eu não sigo a verdade, mas a tenho como sendo a minha legítima fonte. A sabedoria também condena o mau hábito de fumar, o que é óbvio, mas há um tempo certo para tudo. O fundamental é saber qual é o tempo certo.
Amado leitor, o tempo de desconfiar já passou, agora é tempo de confiar, pois como bem disse Luiz de Mattos: “Duvidar é grave”.