É sabido por todos nós que habitamos esta região linda e de dimensões continentais do planeta Terra, chamada Brasil, que um dos maiores problemas que nos afligem é a fera selvagem, tida como imbatível e invencível, chamada inflação.
Os efeitos devastadores que a sua ação acarreta é sentida em todas as classes que compõem a nossa sociedade: a política, a empresarial e a trabalhadora. E toda essa ação deletéria culmina os seus efeitos malignos, ao nos impor um quadro estacionário de crescimento econômico e até a um quadro decrescente de nossa economia, já tão combalida e desacreditada no mundo inteiro.
Detentora do poder e condutora das diretrizes que regem a nossa economia, fica a classe política a engendrar mil e uma fórmulas, em uma alquimia ridícula e estafante, como, por exemplo: a emitir os absurdos e temíveis “pacotes econômicos” que, por si, não resolvem absolutamente nada; a indexar e a desindexar a economia, pondo a nação em polvorosa, em virtude de contratos e acordos firmados com base em determinados índices; a elevar artificialmente as taxas de juros de forma insuportável e até criminosa; a congelar os preços dos produtos de forma unilateral, arbitrária e injusta, como se os empresários fossem os únicos responsáveis pelos ataques da fera; a congelar os salários da classe trabalhadora de maneira inescrupulosa, com requintes de perversidade e sem demonstrar o mínimo respeito pela sobrevivência digna da criatura humana, usurpando, inclusive, as suas escassas economias conseguidas à custa de muito sacrifício e renúncia; etc., etc., etc.
Agindo desta maneira, continua a classe política se comportando qual macaco em loja de louça, ou seja, a destruir irracionalmente tudo o que encontra pela frente; a agir igual a um franco atirador, que perturbado, louco e desvairado, atira em todas as direções possíveis, atingindo crianças, mulheres, trabalhadores, aposentados e demais inocentes de toda a natureza. Por fim, de tanto bater, bater e bater, tenta parar. Ou porque não existe mais um lugar sadio em que se possa ainda bater, ou porque, inchadas de tanto bater, as mãos já não aguentam mais. Fiquemos com a segunda opção, já que esse bicho é ruim e o que ele propõe para parar de bater é proposta de natureza alucinógena, efêmera, ilusória, pueril e delirante, o ridículo, farsante e mentiroso “pacto social” em outra versão mais bizarra, denominada de “entendimento nacional”.
E quem faria esse “entendimento nacional”?
Como para todo e qualquer entendimento, as partes têm que conversar com a mente liberta e voltada para a harmonia, a fraternidade e o bem comum; o espírito de renúncia revestido como fator preponderante; o egoísmo devendo ceder lugar ao altruísmo; a sagacidade, a matreirice e o poder de barganha devendo ser exterminados pelo senso do dever e da justiça; e o poder, em troca da dignidade humana. Tudo isso visando a felicidade da nação brasileira.
E de que forma poderíamos promover esse “entendimento nacional”, se as classes política, empresarial e trabalhadora, as envolvidas na mesa de negociações, não possuem a mínima afinidade de atração em suas representações? Poderíamos até compará-las com os personagens da estória popular formados pela onça, o bode e o capim, que um barqueiro queria transportar para o outro lado de um rio, mas que não podia levá-los todos de uma única vez, e, caso os deixassem a sós, um desses personagens poderia ser devorado por um dos outros dois, com a exceção da onça. No caso aqui em questão, a diferença é que os três querem se devorar.
A classe política, ao invés de ser formada ou representada por homens íntegros, que pratiquem a verdadeira moral e ética e façam de suas vidas públicas um verdadeiro canteiro de obras em favor do semelhante; na sua quase totalidade, é formada por homens corruptos, venais e prevaricadores, que subornam e são subornados, que atraiçoam e praticam todas as mazelas em favor da riqueza ilícita e da conquista do poder efêmero e passageiro; formada por homens que não praticam, e o que é pior, sequer conhecem a verdadeira moral e ética, por praticarem apenas a moral utilitária em parceria com aqueles que lhes são afins e que também se locupletam da mesma patifaria, sendo, portanto, coniventes; formada por homens ultraignorantes que desconhecem que a verdadeira vida pública é aquela destinada ao progresso, a evolução e a felicidade relativa do seu semelhante ou da comunidade a que representam, e não ao progresso próprio e material, e não à evolução do seu poder pessoal, e não à sua felicidade individual e materialona, própria de uma mente desenvolvida para a satisfação intemperada de sentimentos vaidosos, irresponsáveis e de grandeza.
São esses estúpidos, são esses animais quase quadrúpedes, são essas criaturas assuinadas, por possuírem um rei de lama na grande e desenvolvida pança, que querem promover e negociar um “entendimento nacional”?
Por outro lado, existe também a classe empresarial, que ao invés de ser formada, ou representada, por homens justos que promovam a riqueza e a distribua em relativa parte, proporcional e equitativamente com aqueles que são seus colaboradores diretos, indistinta e indiscriminadamente, exerçam a função ou o cargo que exercerem; na sua grande maioria, é formada por homens egoístas que preferem acumular riqueza e a usufruir nababesca e, geralmente, até perdulariamente da mesma, ao invés de nessa relativa parte, distribuí-la e contribuir com sua parcela para a elevação das condições da vida material do semelhante e, por conseguinte, da dignidade humana.
São esses supérfluos, são esses seres de um egoísmo primitivo, são essas criaturas fanáticas e radicais na satisfação do próprio ego, através da ostentação e posse de riquezas materiais, que devem negociar um “entendimento nacional”?
Por último, e como sempre, para não sair dessa regra injusta criada pela própria imperfeição da criatura humana, vem, em derradeiro lugar, a classe trabalhadora. Essa classe sofrida que, embora enganada e iludida em sua boa-fé pela primeira, e oprimida e explorada pela segunda, forma, entretanto, a nação mais evoluída e espiritualizada de todo o planeta. Para tanto, basta observarmos a pesquisa de opinião pública encomendada pela classe empresarial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, ao IBOPE. Nela, iremos constatar que a nação, em sua grande maioria, não se encontra apática ou desanimada; que ainda acredita no Brasil; que está disposta a morrer pela Pátria; que, embora pareça impossível para qualquer ser humano normal, ainda assim, está disposta, ressalte-se, com disposição incomum, a fazer ainda mais sacrifícios para tirar o país da crise em que se encontra; que se a classe política diminuísse os seus gastos e a classe empresarial os seus lucros, os recompensariam em triplo, ou seja, abrindo mão de qualquer reajuste salarial, gastando apenas o essencial e, ainda assim, que exemplo para o mundo, topando a recessão; e mais, muito mais ainda tem essa classe amiga, pacata, ordeira e otimista para mostrar ao mundo, pois, apesar de tudo, acredita que a vida vai melhorar e muito, tamanha é a confiança no seu país; que não concorda, porém, com as medidas econômicas da classe política e com a falta de diálogo com a classe empresarial.
O que mais alguém poderia exigir dessa classe, que por mais que eu me esforce nada consigo encontrar para mais exigir? A não ser que de repente o capiroto, satanás ou o próprio diabo em pessoa, com rabo, pés de bode, chifre, tridente e tudo o mais que a terrível classe sacerdotal inventou para amedrontar e, por conseguinte, dominar o povo, apareça e queira levar a alma de toda a nação. Mas isso é impossível! Em conformidade com as Leis Universais, os afins se atraem e os contrários se repelem, e a alma da nação brasileira, de há muito que, pelo seu altíssimo grau de evolução em relação ao planeta, pelos seus elevados atributos de amor, fraternidade, compreensão, tolerância e valor moral, encontra-se em afinidade e sintonia com as Forças do Bem. Estando, portanto, à salvo de perder o que de mais precioso e eterno possa existir: o verdadeiro espírito cristão.
Mas, infelizmente, essa classe não pode se sentar a uma mesa de negociações, em virtude de ser pela sua própria natureza de origem abstrata, invisível aos olhos físicos, por ser formada pela alma, o espírito do povo brasileiro. Em decorrência, falsos líderes, criaturas radicais, agressivas, renitentes, voluntariosas e completamente ignorantes da natureza humana, reunidos em grupos locais e nacionais, com os mais diversos nomes e siglas, acham-se os seus verdadeiros representantes, detentores da verdade e com direitos exclusivos de defender um segmento da classe trabalhadora, como se a mesma pudesse ser sacrificada e retalhada tal qual ocorre com um boi, porco, galinha ou bode. E ainda ao sentirem de leve o gosto do poder, não mais se contentam em apenas representar um segmento de uma classe. Querem mais! Muito mais! Por isso, passam a fazer todo o malabarismo possível para passar à classe política, a que simboliza o poder, para, assim, liderar toda a sociedade. E o que acontece quando chegam a ocupar cargos de alta responsabilidade? Que nos responda o nosso ministro, ex-sindicalista, Sr. Rogério Magri.
Serão também esses radicais, esses invejosos e despeitados das outras duas classes, que no auge da sua ignorância e agressividade sentar-se-ão à mesa para negociarem um “entendimento nacional”?
É claro que não! Enquanto a nossa humanidade não se conhecer a si própria, enquanto a ignorância e os baixos sentimentos imperarem no espírito humano, enquanto isso acontecer, nenhum entendimento poderá haver entre as criaturas, principalmente entre grupos ou classes.
Assim, enquanto a Filosofia não comprovar cientificamente que alcançou o seu objeto de estudo, qual seja, o de revelar os segredos da vida e o enigma do Universo; enquanto ainda não forem divulgados em nosso planeta os fundamentos de uma nova ciência que possa resolver os problemas da humanidade; vamos nós, à nossa maneira, tentar resolvê-los.
Infeliz da criatura que critica a tudo e a todos, sem que aponte as causas e as soluções inerentes ao objeto ou alvo de suas críticas. Assim, seguindo rigorosamente essa linha de raciocínio, passaremos, daqui para frente, a explanar as soluções para conter essa fera terrível chamada inflação, já que as causas já foram devida e exaustivamente apontadas, anteriormente. Que essa fera não é tão terrível assim como se pinta, já que não existe um mal que perdure para sempre, como diz a sabedoria popular, e já que, como provado ficará ao final destas páginas, o bicho é domesticável. Assim, dessa maneira, vamos enumerando cada passo que irá justificar e demonstrar a solução ora proposta, conforme o que segue:
- As inúmeras tentativas que fizeram de acabar com a fera foram infrutíferas e apenas alimentaram uma certa esperança na nação, para, logo em seguida, proporcionar uma desilusão ou frustração de redobrada intensidade, reduzindo o ânimo e a esperança daqueles menos fortalecidos. Em todos esses casos, a fera renasceu das próprias cinzas, cada vez mais forte, invulnerável e ameaçadora, qual o mitológico pássaro Fênix. Logo, devemos concluir: a tentativa de combatê-la, de guerreá-la, de exterminá-la e de matá-la, não vem sendo a solução.
- Se a luta contra essa fera é inglória, inútil e em vão, muito menos aceitável ou mesmo reprovável seria a convivência pacífica e tolerante aos ataques da mesma, pois nos tornaríamos vencidos, derrotados e humilhados pelas nossas próprias imperfeições. Ora, se não podemos mais lutar contra a fera, se não podemos permanecer passivos aos ataques da mesma, que caminho nos resta?
- É sabido de todos, o dito popular: “quem não pode com o inimigo, alie-se a ele”. Mas se aliar a ele para perder a própria autonomia, para perder os mais elevados valores humanos e a estima pessoal, é coisa que só poderia lembrar à quase totalidade da classe política, na ânsia de se conservar no poder, ou à grande maioria da classe empresarial, na ânsia ultradesejada de satisfazer a os instintos da ganância, do egoísmo e do lucro pessoal. Aliar-se aqui, no caso, é trazer o inimigo para o nosso lado e saber utilizar toda a sua força e ferocidade em prol dos nossos objetivos, unindo e obtendo um sinergismo como resultado. Em outras palavras: domesticando a fera.
- O primeiro passo a ser dado neste sentido, embora a princípio cause espanto e um certo desânimo, é congelar os preços de todos os produtos e serviços por um período de 30 dias, anunciando com a devida antecedência a medida, visto que a coisa é séria e, sendo séria, deve toda a nação tomar conhecimento das medidas com antecedência, para que cada um possa realizar os seus estudos e análises devidos, e, consequentemente, adotar as medidas que achar justas e necessárias à sua pessoa, sendo inteiramente justiçado, e não, como acontece hoje em dia, atraiçoado e pego de surpresa com medidas imprevistas.
- No período que antecede ao congelamento, devemos deixar a fera livre e à vontade para atacar onde, quando e como quiser, para ela saber e se certificar de que todo e qualquer ataque seu apenas fere, nunca mata. E mais, para observarmos aquelas criaturas transformadas em abutres, que se alimentam das vítimas desses ataques, insuflando e disparando seus arpões venenosos na traiçoeiríssima tentativa de se obter mais vítimas, e, por conseguinte, mais despojos ou carniças com que se alimentar. Estes serão os primeiros a se manifestarem contra as medidas contidas nesta racional solução.
- No período de congelamento, deve-se fazer uma análise honesta, justa e criteriosa das perdas salariais relativas ao período compreendido entre o primeiro dia de congelamento, exclusive, é claro, e os dois últimos anos. Devemos atentar para o fato de que, teórica e praticamente, o período de maior ataque da fera, ou seja, ao que antecede ao congelamento de 30 dias, justo e previamente anunciado, encontra-se aqui nestes dois anos.
- No último dia de congelamento, isto é, no 30º dia, deverá ser concedido um reajuste em todos os salários, pelo exato percentual das perdas sofridas neste período de dois anos. A classe trabalhadora, alma da nação brasileira, abdica, abre mão, renuncia à defasagem dos últimos cinquenta anos, cumpre com a sua obrigação, faz a sua parte nesse entendimento; a classe política adota a medida, aprova no Congresso, sanciona, transforma em lei, cumpre também com a sua parte; a classe empresarial, por sua vez, tem todo o tempo necessário para armar a sua estratégia, precaver-se, adotar suas medidas, tomar suas decisões e continuar a enriquecer o nosso país, por isso, cumprindo também com a sua parte.
- Resta-nos mais um ponto. Se a inflação é a grande causadora da perda do poder aquisitivo da classe trabalhadora nos últimos cinquenta anos, pelo menos; se é a grande responsável pelo entrave do nosso crescimento econômico, que tanto abala e prejudica à própria classe empresarial; e se também é a grande culpada da classe política querer arrecadar cada vez mais sobre cada vez menos, o que leva tudo ao caos, à sonegação, ao suborno; é justo, correto e esperado que sejam elas os instrumentos de reversão deste triste quadro. Atentemos que, daqui para frente, todas as perdas dos últimos dois anos já estão repostas e que partiremos todos de um ponto com inflação zero, em condições mais ou menos iguais.
- A relação de trabalho de qualquer assalariado é com o próprio empregador, ou melhor, com a empresa para a qual ele trabalha, e não com sindicalistas, e não com a classe política, e não com outras empresas, quer sejam do mesmo ramo ou não. Isso quer dizer que se uma determinada empresa vai mal, ela não pode e nem deve ser agravada com custos adicionais, aqui no caso com o de pessoal, só porque os sindicalistas impuseram, porque a classe política assim o determinou, ou porque as outras empresas do mesmo ramo assim o fizeram. Ficando entendido, então, que ela não majorará os preços dos seus produtos, visto que a tendência é mantê-los, ou até baixá-los, para que o volume do seu faturamento seja passivo de incremento e consiga maior fatia de mercado.
- Caso uma determinada empresa majore os preços dos seus produtos, ficará entendido que ela se encontra em uma boa situação, visto que, ou a oferta se encontra bastante aquém da demanda, ou a enorme eficiência e dedicação dos seus funcionários conquistaram a preferência do consumidor. Em ambos os casos, em contrapartida, devem estes funcionários receberem os repasses do percentual dessa majoração em seus salários. E mais, e aqui é o fator relevante, é o ponto fundamental, é a pilastra mestra, ou o “pulo do gato”, como se diz. Deve ser concedido a esses funcionários a título de produtividade, de reposição, de domesticação da fera, de crescimento econômico, ou seja a que título lhe arranjarem, um acréscimo de 10 % ao próprio percentual de majoração de preços dos produtos que foram também repassados aos salários.
- Se uma criança recém-nascida, portanto, ainda virgem de sentimentos inferiores, analisar os fatos, perceberá que ocorrendo qualquer inflação o poder de compra se verificará sempre acima dela, e o que é mais importante, sempre crescente. E perceberá também que isto, tanto é bom para a classe política, quanto para a classe empresarial, como também para a classe trabalhadora. ESTÁ DOMESTICADA A FERA!
- A solução, ou melhor, o enquadramento nesta teoria dos trabalhadores públicos, bancários e outros segmentos desta classe, não caberia no reduzido espaço deste artigo, visto que todas as analogias, comparações e equiparações, bem como todos os dados e fontes de informações, deveriam também vir acompanhadas das devidas justificativas e explicações.
Que todos analisem com o espírito desarmado e sem melindres, é apenas o que peço.
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