23.01- A exegese

Quando a minha segunda sogra veio para minha casa e começou a interferir na educação da minha filha, talvez pensando que eu não era o pai biológico, esquecendo-se que o verdadeiro pai é aquele que cria e dá educação, eu não liguei muito, mas falei para a minha mulher que ela conversasse com a sua mãe, para que ela não interferisse na educação da criança. Mas foi em vão, porque a sua mãe paparicava a criança às escondidas e lhe dava chupeta ou o bico da mamadeira para ela chupar, mesmo sabendo que eu havia proibido tal prática. Eu também não liguei muito quando ela com a cara amarrada resolveu ir embora de repente, embora tivesse ficado surpreso com a sua atitude, pois não sabia da sua raiva contra mim. Mas quando ela me mandou uma carta deveras atrevida, acusando-me de coisas que não procediam, inclusive me chamando de monstro, eu resolvi responder a essa sua atrevida carta.

Nessa época eu já havia lido algumas obras de Luiz de Mattos, tais como Pela Verdade, Cartas ao Chefe do Protestantismo no Brasil e Cartas ao Cardeal Arcoverde, ficando deveras impressionado com o estilo dos seus escritos, com o seu linguajar viril, másculo, inclusive com ele escrevendo na segunda pessoa do plural.

Foi então, inspirado no estilo de Luiz de Mattos, que eu resolvi escrever uma resposta à carta a mim enviada pela minha segunda sogra, e toda a minha verve foi decorrente do fato dela fazer insinuações maldosas a respeito do meu relacionamento com a minha filha, algo que eu considerei por demais provocante, o que somente poderia sair da mente de uma pessoa que se encontrava demasiadamente obsedada. Por isso, cortei relações com ela.

Mas se passam os anos, quando então certo dia eu viajei para Aurora, uma cidade do interior do Ceará, onde residem os familiares da minha esposa, na qual se encontrava a minha segunda sogra, embora ela residisse na cidade de Juazeiro do Norte, uma outra cidade do interior do Ceará, mas que para Aurora havia se deslocado.

Nesse período, houve uma festinha em uma das casas dos familiares da minha esposa, estando presentes vários dos seus familiares, inclusive eu, a minha esposa e a minha sogra. Em certa ocasião, os familiares forçaram a situação para que eu e a minha segunda sogra nos abraçássemos, selando as relações amigáveis entre ambos. Como eu não sou de guardar rancor, aceitei o acordo de paz, tornando a manter relações com ela, que por sua vez nunca mais comentou sobre o assunto e nem se intrometeu em minha vida, principalmente no que diz respeito à educação da minha filha.