13- Parte IX: Discurso do método e meditações da 1a. filosofia – Descartes

De acordo com a obra História da Filosofia, de Umberto Padovani e Luís Castagnola, Descartes nasceu em 1596, em La Haye, na Turena. Educado no Colégio dos Jesuítas de La Flèche, recebeu uma educação filosófica e científica segundo os princípios da escolástica contemporânea. Após um período de vida mundana em Paris, dedicou-se à carreira militar, que cedo abandonou para se consagrar inteiramente à meditação científica, segundo a sua íntima vocação. Entretanto, quis antes viajar pela Europa, que percorreu de 1619 a 1628, para ler e estudar no grande livro do mundo e da natureza. A família queria que se casasse, mas em 1629, aos 33 anos, retirou-se definitivamente para a Holanda, onde durante 20 anos se entregou completamente ao estudo, à meditação filosófica e à composição de suas obras. A convite da rainha da Suécia, Cristina, partiu para Estocolmo em 1649, onde faleceu no mesmo ano, por não resistir às inclemências do frio e do clima.

Descartes não gozou de grande saúde física, mas teve uma inteligência viva, curiosa e penetrante desde a sua mocidade. Considerou o fim último da sua vida a procura pessoal da verdade, daí o fato de eu considerá-lo como sendo um veritólogo, e não como sendo um filósofo, sacrificando a este fim todos os grandes bens sociais.

Segundo os autores, o método cartesiano pode ser esquematicamente resumido do modo seguinte:

O ponto de partida, o primeiro início do conhecimento é proporcionado pela intuição, que seria a apreensão intelectual imediata de essências elementares, tais como a extensão e o movimento, e de relações simples, tal como duas proposições iguais a uma terceira são iguais entre si, e, logo, evidentes, claras, distintas. Não se pode ir além destes elementos intuitivos, primeiros, pois eles têm que servir, portanto, de fundamento a todo saber. O critério da verdade é a clareza e a distinção.

Da intuição depende o processo discursivo, a dedução em geral, que Descartes distingue em análise e síntese. A análise seria o procedimento que, na variedade e complexidade do saber, isola as noções intuitivas, de onde deve partir a dedução no sentido estrito, denominada por Descartes de síntese.

Além da intuição, da análise e da síntese, um quarto elemento do método cartesiano é representado pela assim chamada enumeração completa. Esta seria o controle que certifica que nenhum elo da longa cadeia dedutiva ter sido omitido, e ser, portanto, a conclusão igualmente certa como o ponto de partida.

Para os autores, tal é o esquema abstrato do método cartesiano. É mister poder aplicá-lo à realidade, para construir um sistema de realidade. É preciso achar um início concreto, para construir um sistema concreto. Para garantir um sólido ponto de partida ao saber, Descartes submete à dúvida universal, mas metódica, provisória, não sistemática, definitiva, todos os conhecimentos humanos. E, destarte, isola um conhecimento que se impõe necessariamente, justifica-se pela própria dúvida, e pode, portanto, proporcionar o princípio intuitivo, de que necessariamente procede a enciclopédia científica.

Segundo o meu irmão, Kelsen Valente Serra, por telefone, o Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia de Descartes, consiste no seguinte:

  1. Nunca devo aceitar uma coisa como realmente verdadeira, sem antes conhecê-la como tal, isto é, devo cuidadosamente evitar pré-julgamentos e incluir nos meus julgamentos somente aquilo que se apresente para a minha mente, com tal claridade e precisão, que eu não tenha ocasião de pô-la em dúvida.
  2. Dividir cada dificuldade examinada em tantas partes quantas forem necessárias, para resolvê-la da melhor maneira possível.
  3. Conduzir os pensamentos de uma maneira ordenada, começando dos objetos mais simples e os elevando, gradualmente, como por degraus, para o conhecimento das coisas mais complexas. E sempre supondo uma ordem entre as coisas, que mesmo não proceda naturalmente uma da outra.
  4. Fazer enumerações completas e revisões tão gerais, que possa me certificar de que não omiti nada.