10- Parte VI: Publicação do questionário acerca do Racionalismo Cristão pelo jornal “O Povo”

01) O QUE É O RACIONALISMO CRISTÃO?

O Racionalismo Cristão é o instituto da razão, onde estão sendo congregadas a Força e a Energia, por onde a humanidade atingirá a Luz, em cujo contexto, além de outros, vão também se congregar a verdade e a sabedoria, a religião e a ciência, a causa e o efeito.

02) QUAL A FINALIDADE DO RACIONALISMO CRISTÃO?

A finalidade do Racionalismo Cristão é espiritualizar a humanidade e integrar este mundo ao Universo. Isto implica em dizer que ele tem também por fim esclarecer, educar, instruir, levantar as almas combalidas, fortificar os corpos enfraquecidos, combater os vícios e ensinar a criatura a ser justa, valorosa, honrada, simples e verdadeira.

03) EM QUE O RACIONALISMO CRISTÃO ASSENTA OS SEUS PRINCÍPIOS?

O Racionalismo Cristão assenta os seus os princípios no raciocínio e no entendimento, ensinando que pela lucidez do raciocínio a criatura se emancipa do fanatismo e das superstições. Incentiva a leitura e o estudo. Combate a todos os vícios. Combate as magias branca ou negra. Ensina a respeitar a todas as religiões, bem como a maneira de pensar dos seres humanos. Não admite provação nem destino, no sentido da predestinação. Ensina que todos os atos de nossa vida dependem do emprego do livre arbítrio, e que viemos à Terra para evoluir, mas nunca por provação ou predestinação. Não tem cor política, mas combate todas as ideologias extremistas. E, por seus ensinamentos, prepara a criatura para ser consciente perante a vida, útil a si e à família, à pátria e a humanidade.

04) ONDE ESTÁ O MAL DO SECTARISMO RELIGIOSO, SE ELE ENSINA E TAMBÉM COMBATE COISAS PARECIDAS?

Pode até ser que o sectarismo religioso também ensine e combata algo parecido, uma vez que não deixa de ser a sua óbvia obrigação. O grande mal está, no entanto, no seguinte: ignorarem a composição do Universo e a própria composição humana; serem os sectários pedintes obstinados e esmoleiros inveterados; fazerem campanhas ostensivas de angariação de dinheiro, tomando-o, por opressão moral, sem se limitarem ao círculo dos adeptos; apresentarem ao mundo um deus materializado, sem onisciência e vaidoso, pois é preciso pedir para que ele escute, é preciso implorar para que ele atenda, é preciso se humilhar para que ele conceda, e é preciso temê-lo para que ele se satisfaça; admitirem o perdão para os erros cometidos — fazendo disso comércio e forma de dominação —, sem a obrigação de resgatá-los, mesmo quando tenham redundado em graves prejuízos morais e físicos para terceiros, quando Jesus afirmou: “Quem mal faz, para si o faz”; desconhecerem o que se passa depois da desencarnação, limitando-se a fantasiar acanhados conceitos lendários, de nenhuma realidade, quando, na época que atravessamos, já não há mais barreira intransponível entre esta e a outra vida; recusarem a aceitar a verdade sobre as reencarnações, pela completa ignorância do processo evolutivo universal; incutirem ideias falsas de inferno, de céu paradisíaco, de condenação eterna, ridicularizando, deste modo, a Justiça emanada das Leis Universais; fecharem o raciocínio ao cenário da vida, que apresenta à reflexão, cegos e loucos, aleijados e maltrapilhos, ao lado de ricos e sábios, poderosos e sadios, sem atentarem para a evidência das culpas e das responsabilidades, do mérito e dos acervos espirituais; tudo isso também porque apreciam a vida no curto e limitado espaço de uma existência efêmera, quando ela tem de ser considerada através de numerosas reencarnações, uma vez que os fatos da existência presente estão diretamente ligados ou associados aos das vidas anteriores.

05) QUER DIZER QUE O SECTÁRIO ESTÁ PERDIDO?

Claro que não! A concepção de vida do sectário está formada sob um outro aspecto. Ele se encontra viajando por um caminho sinuoso, e este, apesar disso, mais lhe agrada; mas ele deverá chegar à meta final, muito embora isso possa levar séculos incontáveis e encarnações saturadas de dor.

06) O QUE O RACIONALISMO CRISTÃO ENTENDE POR DEUS?

Grupos afins se reúnem para adorar, de um certo modo, um certo deus. Cada povo, cada raça, criou a imagem desse deus à sua própria semelhança. Um chinês, por exemplo, jamais admitiria um deus com feições ocidentais, assim como um ocidental acharia absurda e até ridícula, a ideia da divindade de rosto asiático.

Os deuses possuem, invariavelmente, os caracteres físicos e mentais dos seres que os conceberam. Não importa que estes, invertendo a realidade dos fatos, afirmem que foi Deus que criou o homem à sua imagem e semelhança. A verdade é bem outra, e não é preciso ter grande imaginação para descobrir o logro multissecular de que tem sido vítima a humanidade.

Foi o homem quem imaginou, quem concebeu, quem criou os deuses. Criou-os, mentalmente, com a forma humana e as mesmas qualidades e defeitos que possui.

No credo — que é a oração principal de uma das religiões — aparece um deus com o filho sentado ao seu lado direito, compondo um quadro cotidiano da vida material comum.

Na Bíblia, no Velho Testamento, livro sagrado e intocável para tantos adoradores, existem várias referências ao deus de temperamento iracundo e vingativo da época. Esse vergonhoso sentimento, especialmente em um deus, nada mais é do que o reflexo do sentimento do próprio povo que o imaginou.

Quando a criatura, de evolução em evolução, chegar a compreender que é como espírito, Força, Energia e Luz, quando se convencer de que possui atributos morais para vencer racionalmente quaisquer dificuldades; quando adquirir a consciência da sua condição de partícula de um Todo harmônico que é o próprio Universo; caem por terra, como inautênticas e ridículas, as ideias primitivas do deus protetor às quais vivia jungida.

Definirá Deus, então, como Grande Foco, que dá a ideia de Luz e também de intensidade de brilho, e que representa a Inteligência Universal ou a Força Criadora; do qual todos nós somos pequenas partículas em evolução.

07) E O QUE É O UNIVERSO?

O Universo é o conjunto de todos os sistemas planetários. E cada sistema planetário é um grupo de mundos. E os mundos podem ser: uns, puramente materiais, são inertes; outros, espirituais, têm vida.

08) QUAL A COMPOSIÇÃO DO UNIVERSO?

O Universo compõe-se de dois únicos elementos: Força e Energia. A Força é a propriedade que em nosso evoluir nos leva à onipotência. E a Energia é a propriedade que em nosso evoluir nos leva à onipresença. A congregação entre ambas dá origem à Luz, que pode ser considerada como sendo uma propriedade, que em nosso evoluir nos leva à onisciência.

09) O QUE O RACIONALISMO CRISTÃO DEFINE COMO VIDA?

Na propriedade da Força, a manifestação que prepondera no ser é o poder. Na propriedade da Energia, a manifestação que prepondera no ser é a ação. E na Luz, onde o poder e a ação se encontram congregados, a manifestação que prepondera no ser é a existência, a vida.

10) SE TEMOS VIDA QUEM SOMOS NÓS?

Somos espíritos, luz, inteligência, vida, poder criador e realizador. Não possuímos matéria em nenhum dos seus estados. Somos, portanto, imateriais. Partículas individualizadas, e assim nos conservamos em toda a trajetória que fazemos no processo da nossa evolução.

Somos indestrutíveis, indivisíveis, eternos e evoluímos para o aperfeiçoamento cada vez maior. Como partículas do Todo — Grande Foco, Deus ou Inteligência Universal —, somos inseparáveis dele e subsistimos a qualquer transformação, nada havendo que nos possa destruir.

A evolução das partículas de Deus se inicia no reino mineral, passa pelo reino vegetal e termina no reino animal. Neste reino, quando a evolução atinge um grau de desenvolvimento que permite incitar e movimentar um corpo humano, cada partícula passa a se denominar espírito, denominação que mantém, daí por diante, em sua longa caminhada evolucionária.

11) COMO SE EXPLICA SUA AFIRMATIVA ANTERIOR QUE NÃO POSSUÍMOS MATÉRIA EM NENHUM DOS SEUS ESTADOS?

Foi dito anteriormente, que os mundos existentes no Universo são uns puramente materiais. O planeta Terra é um deles, ou seja: é um mundo-escola, um laboratório depurador, uma oficina de aprendizagem, onde aqui o espírito se instrui, aperfeiçoa-se, desenvolve-se. Outros são espirituais, têm vida, ou seja, são mundos que servem de morada aos espíritos, sendo, por isso, denominados de Mundos de Luz, ou mundos espirituais. Todos nós, seres humanos, que nos encontramos no planeta Terra, pertencemos a um desses Mundos de Luz, que estão distribuídos por classes, de acordo com a evolução de cada um.

12) QUER DIZER QUE NÓS, ESPÍRITOS POR NATUREZA, SOMOS ORIGINÁRIOS DE MUNDOS DE LUZ E ESTAMOS EM UM MUNDO-ESCOLA, QUE É O PLANETA TERRA, PARA EVOLUIRMOS?

Exatamente. E a esse fenômeno nós chamamos de encarnação. Ao encarnarmos nós nos misturamos intensamente para a formação dos povos de estrutura heterogênea, como convém a um mundo-escola. Os que sabem mais, os que dispõem de maior tirocínio, de maior lastro de conhecimentos e experiências, ensinam aos que sabem menos aquilo que, por seu turno, aprenderam de outros. Justamente por este fato é que se veem com frequência seres de espiritualidades bastante diferentes em uma mesma família.

Para bem aprenderem as lições da vida, precisam as criaturas encontrar nos seus semelhantes as qualidades que ainda não possuem.

13) O CONTRÁRIO ENTÃO, OU SEJA, A MORTE SERIA A DESENCARNAÇÃO?

Exatamente. A desencarnação é um fenômeno natural na vida dos seres humanos, que significa o oposto à encarnação. O espírito encarna na ocasião em que se apossa do corpo, à natalidade, e desencarna no exato momento em que abandona definitivamente esse corpo.

Uma vez abandonado pelo espírito, o corpo material nada mais é que um composto de matéria. A sua fonte de vida já não mais existe. Cessada esta, pelo afastamento do espírito, juntamente com seus corpos fluídicos e de luz, cai no domínio das leis químicas, desintegra-se, e as suas moléculas passam a compor outras formas de vida e a constituir outros organismos.

14) ENTÃO, APÓS A DESENCARNAÇÃO, O ESPÍRITO RETORNA AO SEU MUNDO DE LUZ?

Nem sempre. E isso é um grande problema. Quando o ser desencarna, se não possui, como acontece com alguns poucos, esclarecimentos a respeito da vida espiritual, são as coisas intimamente relacionadas com a matéria que mais o influencia, nos momentos que antecedem e sucedem à desencarnação, da qual comumente não se apercebe.

E essa influência é mais forte, mais dominadora ainda quando o ser viveu enchafurdado nos vícios, com o pensamento voltado para os prazeres materiais. Em tal estado, fica vagando pela camada atmosférica que envolve a Terra, que denominamos de astral inferior. Nessa camada, estão espíritos que pertenceram a todas as classes sociais e que na sua vida de encarnados se deixaram empolgar pelas emoções materiais.

15) O QUE ACONTECE COM ESSES ESPÍRITOS QUE, AO INVÉS DE RETORNAREM AOS SEUS MUNDOS DE LUZ, FICAM VAGANDO PELO ASTRAL INFERIOR?

No astral inferior, os espíritos desencarnados dão expansão aos vícios que alimentaram em corpo humano. Assim, se têm vontade de fumar, encostam-se ao encarnado que está fumando e experimentam, por indução, o mesmo prazer que este sente.

De igual modo procedem com relação aos demais desejos, daí, podendo-se concluir que todos os seres encarnados possuidores de vícios e demais sentimentos inferiores, entregam-se, como instrumentos inconscientes, à satisfação do que se alimentam os espíritos do astral inferior.

16) QUER DIZER QUE AS AÇÕES DOS ESPÍRITOS DO ASTRAL INFERIOR SÃO MALÉFICAS?

O perigo do contato com os espíritos do astral inferior não está somente em se sujeitar o ser humano às influências intuitivas que resultam em desatinos, em obsessões que provocam loucuras e doenças psíquicas, em conflitos domésticos, em ressentimentos infundados, em desentendimentos com a família, em prevaricações e infidelidades.

Há também o risco de acidentes e desastres motivados pelo estado de perturbação a que eles podem fazer chegar os seres humanos.

Maiores seriam os males, no entanto, se os espíritos do Astral Superior não dispusessem de correntes mais fortes formadas pelas irradiações dos pensamentos de seres encarnados e esclarecidos a respeito dos seus deveres espirituais, que podem conservar a mente limpa e se manter em condições de reagir contra qualquer influência maléfica.

17) COMO ENTÃO ELES ASCENDEM AOS SEUS MUNDOS DE LUZ?

Com o auxílio das correntes fluídicas formadas nas sessões de limpeza psíquica que as Casas Racionalistas Cristãs realizam. Através delas, os espíritos do Astral Superior penetram na atmosfera da Terra e arrebatam obsessores de todas as espécies, dos mais pacatos aos mais agressivos, uns de grande inteligência, outros de enorme obtusidade, e outros, ainda, de grande intelectualidade, mas todos atolados no mais profundo materialismo: escamoteadores contumazes, magistrados venais, mistificadores, charlatães, ministros envaidecidos, presidentes impatriotas, políticos demagogos, reis megalomaníacos, papas adoradores e de mental obscurecido pelos dogmas, etc.

18) COMO SÃO FORMADAS ESSAS CORRENTES FLUÍDICAS?

Através do pensamento. É o pensamento uma manifestação da inteligência, é a irradiação do espírito, é a ação espiritual.

Ao atingir determinada fase evolutiva, sente o espírito a necessidade de dar expansão aos seus conhecimentos, alargar os horizontes da inteligência e, cada vez mais, fortalecer os princípios morais que for aperfeiçoando, de encarnação em encarnação, na rota da existência.

Pensar é raciocinar, é criar imagens, conceber ideias, construir para o presente e o futuro. É pelo pensamento que a criatura resolve, soluciona, descobre e esclarece os problemas da vida.

O espírito imprime ao pensamento a própria força de que é dotado. Como o som e a luz, ele também faz todo o seu percurso em ondas irradiativas que ficam registradas no oceano fluídico de que é provido o Universo e, com facilidade, pode se tornar conhecido de todos os espíritos, desde o instante em que é emitido. Daí a impossibilidade de ser alterada a verdade na vida espiritual.

19) O RACIONALISMO CRISTÃO ENSINA AS CRIATURAS A PENSAR?

Sim. Ensinamos que pensando mal o ser humano não só transmite, mas também capta na mesma intensidade, queira ou não, pensamentos afins e os efeitos desses pensamentos maléficos.

Mostramos que a educação e o fortalecimento da vontade têm importância fundamental na ação de governar os pensamentos. Que se fortalecendo com sentimentos repletos de valor, o ser humano criará em torno de si uma barreira fluídica de tamanha rigidez, que os pensamentos maléficos dos espíritos obsessores não terão forças para quebrar.

Esclarecemos que ânimo resoluto para pensar e deliberar é condição que se impõe. Que temores e indecisões conduzem ao fracasso. E que o pensamento racionalmente otimista deve prevalecer, sempre e sempre, porque — quando aliado à ação — constitui-se em uma força capaz de demolir os mais sérios obstáculos.

20) EM QUE CONSISTEM ESSAS SESSÕES PÚBLICAS DE LIMPEZA PSÍQUICA CITADAS ANTERIORMENTE?

As sessões públicas de limpeza psíquica, além de arrebatar espíritos quedados no astral inferior para os seus Mundos de Luz, esclarecem as criaturas de boa vontade sobre a verdade relacionada com as leis e os deveres que a vida impõe, e, ainda, beneficiam, com a limpeza psíquica, as pessoas presentes, para que elas possam fazer bom uso do seu livre arbítrio e se preparem, deste modo, para melhor cumprir as suas atribuições terrenas e espirituais.

Todos os assistentes poderão verificar o interesse dos responsáveis pelo Racionalismo Cristão, nas Sessões Públicas, voltado, exclusivamente, para o esclarecimento dos semelhantes. Estamos em um mundo-escola — a Terra — onde precisamos saber interpretar as lições que ele nos apresenta.

A quase totalidade das criaturas se encontra rodeada de dúvidas, incertezas e confusões oriundas da falta de conhecimentos verdadeiros a respeito do que somos espiritualmente, e precisa ser esclarecida.

21) PARA ASSISTIR A UMA SESSÃO PÚBLICA É NECESSÁRIO PAGAR OU OFERECER ALGUMA DOAÇÃO?

As sessões públicas são realizadas no Centro Redentor — Filial de Fortaleza — sito à Rua João Cordeiro nº 3350, Bairro de Joaquim Távora, às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir das 19:30 horas, e todas as pessoas possuem livre acesso às dependências do Centro.

Conforme esclarecido na resposta anterior, o único interesse dos responsáveis pelo Racionalismo Cristão é voltado para o esclarecimento dos semelhantes. Não confundimos e nem misturamos, jamais, a vida espiritual com a vida material. Deste modo, não permitimos nem que se converse sobre assuntos materiais, quanto mais receber esmolas, donativos, doações, ou seja lá que nome se der à tentativa de se angariar fundos.

Não queremos nem um muito obrigado daqueles que se acham beneficiados pelos esclarecimentos, pois encaramos os nossos trabalhos como obrigação e dever, e nunca como favor, caridade ou filantropia.

22) O QUE O RACIONALISMO CRISTÃO ACHA SOBRE JESUS CRISTO?

Gerou-se uma quantidade de lendas, criou-se de forma proposital um clima de emotividade mística em torno do nome de Cristo, assim como no de outros evoluidíssimos espíritos que acabaram sendo endeusados pelas diversas seitas, clima esse forjado com fins pouco confessáveis, quase sempre se adulterando, criminosa ou imbecilmente, os sãos princípios que eles procuraram difundir.

A evolução do espírito de Cristo se processou como a de qualquer outra Partícula Inteligente. Simplesmente que esse grande espírito, que na sua última encarnação recebeu o nome de Cristo, atingiu estágios muitíssimos elevados, estágios esses, porém, que muitos outros também já atingiram. Mas todos que por aqui se encontram, lá chegarão. O único senão é que se torna impossível prever o tempo que cada qual precisará para percorrer o caminho.

23) O QUE O RACIONALISMO CRISTÃO ACHA SOBRE O ANO 2000 E SOBRE O FUTURO?

A frase de Cristo: “A dois mil chegará, mas daí não passará”, foi como quase todas as demais a ele atribuídas, interpretada a bel prazer de cada um. Mas não foi mais do que um aviso quanto à duração da ignorância dos povos que habitam este mundo-escola.

Foi como a delimitação da data máxima concedida, aceitável, para que a humanidade se esclarecesse. Não marcou um limite mínimo, mas sim um máximo.

A humanidade deveria ficar esclarecida antes, mas, em última análise, não poderia ultrapassar o segundo milênio da Era do após Cristo.

Estamos, portanto, junto da delicada linha divisória, perto do pontão que liga a noite ao dia, a escuridão à luz. E para vencer a essa distância é imprescindível o equilíbrio, é preciso não deixar deslocar demais o eixo da gravidade.

Mas aos poucos as barreiras vão sendo vencidas, os mais afoitos, os que mais honesta e forçadamente puserem os seus raciocínios a trabalhar, acabarão por se libertar definitivamente, e, se de repente não vislumbram a verdade, não se pode lhes negar um relevante mérito, o de, livremente, sem sujeições espirituais ou outras de qualquer espécie, quererem e poderem raciocinar, quererem e poderem analisar, quererem e poderem escolher, sem pressões, o caminho a seguir. E muitos acabarão por encontrar a estrada certa, muitos outros o seguirão, aumentando o fluxo dos que se dirigem para a luz. Porque todos, sem exceção, acabarão por vê-la. E desde que a vejam pela primeira vez não mais a perderão de vista, jamais dela se desligarão. Porque essa luz será com base na verdade. E quando atingirmos o tão falado segundo milênio, iniciando-se o Século das Luzes, a verdade já terá emergido com toda a sua pureza e pujança.

E não queremos que vejam nisto que dizemos como sendo mais uma previsão de futurólogo, desses que agora por aí abundam, assim como de profetas, que ultimamente andam muito ativos; mas que vejam que estamos a procurar interpretar, não uma opinião de última hora, mas um parecer bem meditado e estudado, e, estamos certos, bem interpretado, desde longos anos, pela nossa Doutrina.

Quanto ao futuro, esclarecida que seja a humanidade quanto à Verdade Científica da Vida, deixarão de existir os problemas de maior gravidade que a todos assoberbam, na quase totalidade motivados pela ignorância. A sensatez pontificará em todos os setores, comandará todas as ações, orientará os pensamentos, passando as criaturas a raciocinar com calma e lucidez. Todos compreenderão que fazem parte integrante de um conjunto harmônico, em que cada qual tem a sua função a desempenhar, em que cada qual representa uma peça maior ou menor, mais ou menos importante da grande oficina, sábia e adredemente estruturada. Todos se compenetrarão de que nessa oficina, e em cada máquina nela existente, desde o parafuso mais insignificante ao eixo-diretor de maior valia, todas as peças são indispensáveis para o seu bom funcionamento. Os extremos deixarão de fazer sentido, sendo a arrogância e a humildade substituídas pela dignidade; a usura e o desperdício pela modesta economia; a ambição e o descaso pelo bom senso; a temeridade e a covardia pelo valor e coragem; e os obscuros dogmas religiosos, as oníricas utopias materialistas, os doentios racismos, os extremados nacionalismos e todas as demais desventradas fantasias darão lugar a um claro senso de responsabilidade, a uma noção real dos fatos, a uma limpidez de raciocínio, que permitirá facilmente discernir a mentira da realidade, o falso do verdadeiro, com o lógico descortino da verdade, daquela verdade a que Cristo se referiu com a frase: “Só a verdade poderá libertar a humanidade das garras da ignorância, e, assim, prepará-la para o cumprimento do seu dever na Terra”. Viver-se-á, então, em uma humanidade decente, em que a nobreza de caráter, a ponderação, a colaboração construtiva e a harmonia serão uma constante.