Após escrever uma carta para a editora do segundo caderno do jornal O POVO, ela resolveu publicar a minha matéria, tendo designado uma jornalista para fazer a reportagem. Em reunião com essa jornalista designada pela editora, eu passei a argumentar que ela não era versada no assunto que iria ser exposto, que o melhor seria que eu mesmo elaborasse um questionário contendo determinadas perguntas que seriam respondidas por mim mesmo. Tendo a jornalista concordado com a minha argumentação, eu passei a elaborar o questionário.
Eu ainda não possuía qualquer conteúdo para que pudesse tirar de mim mesmo tudo aquilo que deveria constar do questionário, em relação às perguntas e as respostas, uma vez que praticamente todo o meu estudo se resumia apenas aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade que se encontravam contidos na doutrina racionalista cristã, não atentando para o fato de que me encontrava passando por um período de transição, estando na condição de cientista, realizando experiências físicas voltadas para o âmbito da espiritualidade, mais precisamente da baixa espiritualidade, em busca de me tornar um saperólogo.
Então eu comecei a pesquisar os assuntos que se encontravam postos nas obras doutrinárias racionalistas cristãs, e assim, à medida que ia pesquisando, eu passava a elaborar as perguntas que considerava as mais importantes, tendo por base os assuntos que mais me chamavam a atenção, os quais me serviam de respostas, praticamente sem alterar o seu contexto.
As obras doutrinárias racionalistas cristãs faziam referências apenas à Força e a Luz, não como sendo propriedades, mas fazendo alusão a Deus, como se o Criador fosse a Força, e nós fôssemos as suas partículas, o que não fazia eco em meu corpo mental. Entretanto, eu já possuía alguma noção acerca das propriedades da Força, da Energia e da Luz, através das quais todos os seres evoluem pelo Universo.
Possuía também alguma noção de que a verdade deveria ser unida, irmanada, congregada, com a sabedoria, para que assim pudesse se alcançar a razão, embora não fosse tão preciso nas minhas palavras. E possuía ainda alguma noção de que deveria realizar o casamento entre as religiões e as ciências, para que assim pudesse conciliar as relações de causa e efeito. Mas tudo isso era ainda muito vago em meu corpo mental.
Sob o prisma da verdade, eu considerava que a finalidade do Racionalismo Cristão não poderia se resumir a apenas esclarecer, educar, instruir, levantar as almas combalidas, fortificar os corpos enfraquecidos, combater os vícios e ensinar a criatura a ser justa, valorosa, honrada, simples e verdadeira, sendo tudo isso de suma importância para o viver humano, mas que o seu maior fundamento se situava no contexto da espiritualização da nossa humanidade e na integração deste mundo ao Universo.
É certo que para a transmissão eficaz dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade por parte dos veritólogos, devem ser inseridas algumas experiências físicas acerca da sabedoria, formando um corpo de doutrina, ou uma saperologia, para que assim possam ser apreendidos pelos intelectos dos saperólogos, daí a razão das limitações em relação à finalidade do Racionalismo Cristão posta pela sua doutrina, pois que ela não tratava da sabedoria em si.
Outro assunto importante a se ressaltar dizia respeito diretamente a Deus e aos deuses. A doutrina racionalista cristã não era clara em relação a Deus, como posto mais acima. E em relação aos deuses, ela considerava que eles possuíam os mesmos caracteres físicos e mentais dos seres humanos que os conceberam, afirmando que foi o homem quem os imaginou, quem os concebeu, quem os criou mentalmente, com a forma humana e as mesmas qualidades e defeitos que possui, quando, na realidade, os deuses não foram imaginados, pois que se trata de espíritos obsessores que se encontram quedados no astral inferior, daí a razão pela qual eles possuem as mesmas qualidades e defeitos que o homem possui, pois que antes de se encontrarem quedados no astral inferior, eles se encontravam encarnados.
Em relação ao Universo, eu consegui pelo menos descaracterizar a sua composição de Força e Matéria, assim considerada pela verdade, afirmando ser a sua composição de Força e Energia, embora ainda não soubesse que ambas combinadas formavam as estrelas, que eram partículas da Força Total e da Energia Total, e que forneciam as coordenadas universais. Mas sabia que o Universo era habitados pelos seres, que formavam os mundos, os quais se encontravam sob as égides das estrelas. No entanto, eu considerava que a congregação entre as propriedades da Força e da Energia dava origem a Luz, mas mesmo assim a considerando como sendo uma propriedade, quando, na realidade, a Luz é uma outra propriedade que penetra todo o Universo, distinta das propriedades da Força e da Energia.
Mas todos esses meus embaraços iniciais, que eram decorrentes da falta de uma maior erudição, não conseguiram me impedir que eu pudesse antever as finalidades do processo da evolução, em que através da propriedade da Força nós buscávamos a onipotência, através da propriedade da Energia nós buscávamos a onipresença e através da propriedade da Luz nós buscávamos a onisciência, que são os atributos de Deus.
Pode-se constatar claramente que eu já engatinhava na busca por definir a vida, pois já sabia que na propriedade da Força, a manifestação que preponderava no ser era o poder, e que na propriedade da Energia, a manifestação que preponderava no ser era a ação, mas considerava que apenas na propriedade da Luz o poder e a ação podiam se encontrar congregados, manifestando a existência, portanto, a vida; quando, na realidade, o poder e a ação, por conseguinte, a vida, manifesta-se logo nos primeiros seres.
Não se pode considerar a esses meus embaraços iniciais como sendo contradições, uma vez que ninguém encarna já sabendo a respeito dos segredos da vida e dos enigmas do Universo, em que os mais evoluídos vão aos poucos desbravando as regiões mais inóspitas situadas no campo da sapiência, no intuito de extinguir com a ignorância, justamente por isso eles trazem consigo dos seus Mundos de Luz os seus talentos e as suas vocações.
Ora, eu era apenas um cientista, cujas experiências físicas estavam voltadas para o âmbito da espiritualidade, para provar aos demais cientistas que tudo pode ser verificado, notadamente a espiritualidade, e, inclusive, Deus, que se encontra em nós mesmos, consoante o estágio evolutivo em que nos encontramos. Antônio Cottas nos fornece uma visão clara a respeito deste assunto, quando em sua doutrinação dada em sessão pública de 12 de junho de 1950, inserida na obra Discursos de Antônio Cottas, a página 145, o Consolidador afirma o seguinte:
“Quantos cientistas… começam às vezes por fazer obra imperfeita! Quantos! Mas, vão se aperfeiçoando, até que chegam a apresentar um objeto perfeito. E — quando esses espíritos encarnados se concentram no estudo — não estarão nos seus mundos outros espíritos, que já estudaram tudo isso, a irradiar esses instrumentos para que eles concorram para o progresso da humanidade?”.
Que ninguém venha a imaginar que desbravar as regiões mais inóspitas situadas no campo da sapiência, no intuito de extinguir a ignorância, seja uma tarefa assim tão fácil de se realizar, pelo contrário, é uma tarefa dificílima, pois como Jesus, o Cristo, afirmou: “O grande mal da humanidade é a ignorância”. E somente tendo como foco principal a espiritualidade é que se pode extinguir de vez com a ignorância, pois que todos medram ou na ilusão da matéria ou no devaneio do sobrenatural, daí a razão pela qual eu concentrei todas as minhas experiências científicas no âmbito espiritual, primeiramente na baixa espiritualidade, e depois na alta espiritualidade. No que diz respeito ao assunto, em sua obra A Morte Não Interrompe a Vida, a página 155, Luiz de Souza nos ensina o seguinte:
“A humanidade é vítima de si própria, da sua ignorância em assuntos espirituais, que são, afinal, os que mais importam para a solução de todos os problemas. Jesus Cristo ensinava que se deveria procurar, primeiramente, o reino do espírito (grifo meu), isto é, a conquista da espiritualidade, e que, decorrentemente, tudo o mais viria ao nosso encontro, na ordem das legítimas aspirações.
Aí está enunciada a corrente das oportunidades a dirigir-se, com toda a fluência, aos que puserem em primeiro plano a prática dos relevantes ensinos da espiritualidade”.
E era justamente isso o que eu me encontrava realizando, procurando em primeiro lugar o reino do espírito, para que tudo o mais viesse ao meu encontro, na ordem das minhas legítimas aspirações, que eram todas em prol da minha amada humanidade.