A partir do momento em que passei a estudar as obras doutrinárias do Racionalismo Cristão, sempre foi imensa a minha vontade em esclarecer aos meus semelhantes a respeito dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade. Mas, de antemão, eu já sabia que era uma tarefa das mais difíceis, uma vez que os seres humanos davam a clara impressão das suas tendências um tanto descabidas em aceitar praticamente tudo aquilo que viesse da classe sacerdotal, mesmo nada compreendendo ao seu respeito, assim como a própria classe sacerdotal nada compreende a respeito do que pregam aos seus arrebanhados. Mas talvez com a divulgação de alguns ensinamentos doutrinários em um jornal de grande circulação, eu pudesse conseguir com que alguns seres humanos mais esclarecidos viessem a militar em prol da nossa Grande Causa.
Eu tinha uma grande preocupação em relação ao reduzidíssimo número de militantes da nossa casa racionalista cristã filial de Fortaleza – CE, embora já tivesse a plena convicção de que no futuro as nossas casas estariam cheias. Causava-me uma certa aflição observar nos olhos do meu amigo José Maia, sentado à cabeceira da mesa, inarredável em seu posto, uma certa satisfação quando adentrava em nossa filial algum militante, e logo após uma certa desolação quando estendia os olhos para os presentes, constatando a diminuta quantidade dos presentes, parecendo até que ele pretendia lotar o salão com a sua esperança, como se esperasse que de repente algo de bom e inusitado viesse a acontecer.
A inércia não faz parte do meu viver, por isso eu resolvi marcar uma reunião com a editora de um jornal de grande circulação, para que através do seu caderno de Arte & Cultura, pudesse divulgar os ensinamentos doutrinários racionalistas cristãos. Após a reunião, eu lhe escrevi uma carta, solicitando dela o especial obséquio de divulgar a nossa doutrina.
Nessa carta, eu tive o cuidado especial de demonstrar para a editora que a doutrina que estava pretendendo divulgar nada tinha a ver com os credos e as suas seitas, pois, geralmente, as pessoas são seguidoras fervorosas de algum credo ou seita, e, em razão disto, não cedem facilmente à pretensão de alguém em querer divulgar algo que vá de contra àquilo que acreditam.
Quando não, quando não são seguidoras fervorosas de algum credo ou seita, as pessoas trazem consigo no recôndito mais íntimo das suas almas alguma predileção por algum tipo de crença sobrenatural, e assim, do mesmo modo, não cedem facilmente à pretensão de alguém em querer divulgar algo que vá de contra àquilo que acreditam, mesmo que não deem tanta importância às suas próprias crenças sobrenaturais.
Por outro lado, eu esperava contar com a colaboração da editora, pois que o assunto que pretendia publicar não se encontrava posto em toda a literatura mundial, e eu acreditava que ela tinha lá consigo as suas aspirações profissionais, que era justamente com o que eu contava para lograr êxito em meu intento, o que realmente acabou acontecendo, tendo sido publicada a minha matéria em seu caderno.