VERDADE OU FICÇÃO?
Já é tempo da nossa humanidade entender que não existem conhecimentos secretos. Existem, e isto sim, interesses secretos, inconfessáveis. E por causa deles a verdade tem sido duramente sacrificada.
É lamentável que em um século de tamanho avanço tecnológico, prevaleça, ainda, arraigada em tantos espíritos, a concepção deísta, divinal, de sentido adoratório.
O espírito é Força, é Energia, é Luz, com iniciais maiúsculas. Todos, sem exceção, estão sujeitos às mesmas leis e aos mesmos princípios no processo evolutivo. Não há espíritos privilegiados, como seriam os deuses e os seus supostos filhos.
Os que hoje rendem culto a um deus abstrato, ao cabo de tantas encarnações quantas forem necessárias para atingir o necessário esclarecimento, acharão tão tolo é esse culto, quanto ridícula entendem agora ser a ideia, que também já alimentaram em encarnações passadas, de adorar deuses representados por elementos da natureza ou animais inferiores.
Mas o livre arbítrio não lhes nega o direito de satisfazer a essa sua irracional vontade adorativa, de até mesmo adorar um pedaço de pau, gesso, ou bronze, com feições humanas, embora venham mais irracionalmente ainda argumentar que tudo isso é apenas simbólico.
De qualquer forma, uma coisa é certa: nenhum adorador é capaz de dissociar a ideia de adorar, da ideia de pedir. A razão é óbvia: adorar e pedir são duas muletas iguais para uma só invalidez mental.
Enquanto o ser humano não adquirir o pleno conhecimento de si mesmo como espírito, Força, Energia e luz, encarnado à matéria, enquanto não adquirir a compreensão mais segura, mais nítida e realística da ação do espírito sobre o corpo material, deverá sempre se situar no lado inverso ao da sua verdadeira caminhada, ou seja, estará sempre do lado da ficção religiosa por achar que é verdadeira; ao invés de estar no lado da espiritualidade, por achar que é ficção.
CERTO OU ERRADO?
Aos seres humanos bem intencionados e de boa vontade, a quem realmente estes dizeres interessam, nós pedimos toda a atenção quando lerem o que escrevemos, e que o façam livres de ideias preconcebidas ou paixões arrebatadoras, para que, então, com verdadeira isenção de ânimo, possam julgar as nossas palavras.
Ao se tratar da doutrina da verdade, só de leis e princípios se deve cuidar, e não de mitos, ritos, dogmas, misticismos ou crenças e fés. Não se deve cuidar também de pessoas, por mais normais e sábias que possam parecer, pois as pessoas serão sempre instrumentos bons ou maus, esclarecidos ou ignorantes, conforme o seu estado de alma, de pensar e de sentir, refletidos em ações e obras; serão, pois, representantes de leis e princípios certos ou errados, salutares ou danificadores, e nada mais.
Para a criatura conseguir algo de bom, precisa ser, além de metódica e disciplinada, livre para pensar e agir, pois, de outro modo, nada de bom, nada de útil fará para o bem de si mesma, da família, da nação e do todo humano.
Em sendo assim, é de se indagar: poderá o ser humano, que se diz espírita, conseguir algo de belo e útil, se o espiritismo que ele segue carece de método e disciplina? Poderá o ser humano, que se diz espírita, agir de conformidade com o seu livre arbítrio, se o espiritismo que ele segue não o deixa livre para pensar e agir? Poderá o ser humano, que se diz espírita, militar em ambiente limpo e saudável, se o espiritismo que ele segue não tem noção do que seja o astral inferior e do que seja o Astral Superior?
A resposta é uma só: Não! Porque ele se preocupa, basicamente, apenas em se certificar se o espiritismo que ele segue é verdade ou ficção, e, certificando-se da sua veracidade, passa a aceitar como correto tudo aquilo que vem desse mundo espiritual, sem analisar com profundidade as suas bases religiosa e científica, no âmbito da racionalidade.
BAIXO ESPIRITISMO
E é justamente por aceitar tudo aquilo que vem do mundo espiritual, sem analisar com profundidade a sua base religiosa e científica, com base na racionalidade, que os chamados espíritas religiosos se deixam dominar e dirigir pelo astral inferior, ou seja, por aqueles espíritos que, após desencarnados, ao invés de retornarem para os seus mundos de origem, continuam a perambular pelo mundo Terra, por ainda se encontrarem totalmente materializados e fortemente atraídos pelos gozos deste mundo. E tais espíritos quedados nesta atmosfera infecta, doentia, cheia de miasmas deletérios, só desgraças podem oferecer a quem lhes procura.
Infelizmente, por não fazer uso criterioso do próprio raciocínio, as criaturas se deixam levar por essa corrente de pensamentos mundanos transmitida por tais espíritos ignorantes, e passam a pensar e a agir conforme tal corrente, achando-se absolutamente certos de haverem encontrado o verdadeiro caminho do espírito, mas obsedados e fanatizados pelo baixo espiritismo, não se apercebem de que o verdadeiro caminho a ser trilhado diz respeito às coisas elevadas, belas, cheias de moral, portanto, bem distantes deste mundo material, para que possamos realmente denominá-lo de Alto Espiritismo.
ALTO ESPIRITISMO
Aqui tudo é diferente. Para se ingressar neste caminho o ser humano tem que saber renunciar aos prazeres deste mundo, por serem eles efêmeros e falarem direto ao corpo material, e procurar sentir o prazer verdadeiro, que é espiritual e nos fala diretamente à razão, por ser esse prazer eterno e imutável. Mas, para tanto, torna-se necessário que a criatura faça uso criterioso do seu livre arbítrio, utilize-se da sua força de vontade e paute o seu viver conforme as leis e os princípios estabelecidos com base na moral e na ética, respectivamente, e não em danças, magias, liturgias, símbolos, cantos, preces, rezas e demais rituais estabelecidos com base na crendice e na ignorância humanas.
No Alto Espiritismo tudo é regido pelas Forças Superiores, que são compostas de espíritos extremamente evoluídos e que não mais necessitam deste mundo-escola para evoluir. Não sendo mais afins a este mundo, as suas aproximações só se podem realizar através de correntes de pensamentos elevados, efetuadas por pessoas esclarecidas e de conduta exemplar, que sejam condizentes com a sua natureza elevada. Daí a razão por que tais correntes têm que ser formadas com o máximo de critério e disciplina.
A ação dos Espíritos Superiores se dá à distância e em conformidade com o ambiente fluídico formado. Sendo, pois, inversa à dos espíritos inferiores, que se dá sempre por invocação e em qualquer ambiente.
O Alto Espiritismo é praticado em sintonia com Espíritos Superiores que vêm dos seus Mundos de Luz — do Astral Superior — para esclarecer e fazer evoluir a este mundo. O baixo espiritismo é praticado em parceria com espíritos quedados na atmosfera deste mundo, que é a sua aura, os quais se aproximam de seus afins para praticarem toda a sorte de males e misérias que habitualmente vemos por aqui.