09- Parte V: Carta à empresa jornalística “O Povo”

À

Empresa Jornalística “O POVO” S/A

Av. Aguanambi, 282

60.000 Fortaleza – CE

Att.: Sra. Zínia – Editora do 2º Caderno

Senhora Editora:

Reconheço que, embora empregando o máximo de esforço, boa vontade e educação, é quase impossível se dar um grau satisfatório de atenção a um indivíduo qualquer que se nos apresente com a imagem de religioso, devoto, crente, místico ou sectário. Principalmente, quando esse indivíduo nos solicita para propagarmos ou divulgarmos a sua religião, os seus cultos, as suas crenças ou misticismos que nem sequer conhecemos ou ouvimos falar.

Minha cara Editora, em primeiro lugar gostaria de esclarecer que o objeto da propagação ou divulgação que solicito não é religião ou seita, e sim, doutrina; ou seja, uma ciência, uma teoria, uma opinião, um ensino, ou uma instrução. Portanto, isento de devoção, cultos, fé, crenças, dogmas, misticismos e, principalmente, fanatismos.

Por dedução lógica, fica desde já entendido, que este que lhe escreve não tem a mínima semelhança com qualquer tipo de religioso, tenha ele a origem que tiver, sendo, portanto, também como a sua doutrina, isento de tudo aquilo citado anteriormente.

Senhora jornalista, a doutrina do Racionalismo Cristão não é para ser lida como uma historieta qualquer e abandonada, senão esquecida, após a sua leitura.

Trata-se de trabalho sério de pesquisa e elucidação para estudos e consultas constantes, capaz de abrir novos horizontes ao ser humano, com a amplitude da visão panorâmica que coloca diante dos seus olhos, perspectivas até agora inimaginadas por ele, que poderão contribuir para imprimir nova orientação, novos rumos à sua vida, e fazer com que ela se modifique a cada passo para melhor, alcançando um sentido mais prático, mais amplo, mais profundo, mais objetivo, mais seguro e autêntico.

Ora, todas as pessoas — não há quem não o reconheça — têm a necessidade de pautar os seus atos por um regime educacional estruturado em princípios de elevada moral. Entendendo-se por moral a conduta subordinada a normas que representem a mais alta expressão da espiritualidade ambiente, capaz de servir de padrão e exemplo ao meio em que elas vivem.

Querer divulgar a essa doutrina, ou a essa teoria, opinião, ensino, instrução ou ciência, significa apenas querer que as pessoas tomem conhecimento desses princípios que eles encerram, sem pretender, jamais, armar-se de um temperamento voluntarioso que reflita apenas a personalidade egocêntrica dos que entendem que a razão está exclusivamente do seu lado, e queira impor aos outros as suas próprias ideias.

Deste modo, elaborei um questionário, anexo a esta carta, com as principais perguntas que um determinado repórter também pudesse elaborar. E todas as respostas deste questionário formam a base filosófica da doutrina Racionalista Cristã, podendo através delas a Sra. Editora tirar as suas próprias conclusões sobre a sua importância ou não para o ser humano, se tem fundamento ou não os seus princípios, se são dotados de moral elevada ou não os seus ensinamentos, se são baseados na verdade ou não os seus conceitos, em resumo: se é correta ou errada.

Se a conclusão for que a doutrina é correta, minha ilustre Editora, cumpra o seu papel de jornalista esclarecida. Torne de conhecimento público a esses corretos ensinamentos, através desse caderno jornalístico de sua responsabilidade. Use a sua imaginação para evitar suprimir o texto o máximo possível, nem que para isso tenha que dividir a matéria em mais de uma edição. Escolha um dia de alta circulação do jornal para editar a matéria. Enfim, não procure poupar esforços em revelar ensinamentos que irão proporcionar ao ser humano o melhor resultado possível, e para a empresa jornalística em que a Sra. Editora trabalha, um impulso para frente, a marcação de mais ponto no quadro da informação útil e responsável.

Por outro lado, se a conclusão for que a mesma é errada, cumpra de igual modo ou forma o seu real papel de jornalista esclarecida. Mostre os erros existentes nesses ensinamentos e alerte ou previna aos leitores sobre ela, da maneira que mais lhe convier.

Existe também a remota possibilidade da Sra. Editora, face à transcendência da matéria, não concluir se a doutrina é correta ou errada. Neste caso, agradeceria muito o empenho e a atenção, considerando, com sinceridade, que mais não poderia fazer.

Ponho-me à disposição, para maiores esclarecimentos que se fizerem necessários.

Sem mais para o momento, envio votos de elevada estima e distinta consideração.

                                                                                            Atenciosamente,

Obs.: A Senhora Editora publicou logo após o referido questionário.