SR. PRESIDENTE DA FILIAL DE FORTALEZA!
SRS. DIRETORES E MILITANTES DO RACIONALISMO CRISTÃO!
MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES!
Somente quem é esclarecido, somente quem estuda, investiga, pesquisa e analisa os princípios do Racionalismo Cristão, somente quem sente acesa em seu íntimo a chama da espiritualidade, pode, com relativo acerto, mensurar a grandeza deste acontecimento.
São completados, hoje, onze anos de inauguração da sede da nossa filial do Racionalismo Cristão, em Fortaleza. São completados, hoje, onze anos de lutas, sofrimentos e dedicação em prol do esclarecimento do povo cearense. São completados, hoje, onze anos de vitórias travadas nas inúmeras batalhas contra as forças da ignorância, nesta guerra contínua pela felicidade da nossa humanidade.
Nesta festa fraterna, nós jamais poderíamos nos esquecer de mencionar aquele que em vida física, armado com o poderoso machado dos atributos espirituais, desfechou os primeiros golpes nas árvores que impediam o progresso do povo cearense, árvores essas que simbolizavam a floresta da ignorância deste nosso povo. E para essa floresta tão negra em ignorância, o povo cearense requisitou das Forças Superiores um espírito que fosse inversamente proporcional em termos de esclarecimentos.
Povo danado, esse povo cearense! Se na labuta do dia a dia, ele busca a sobrevivência nas regiões mais distantes deste nosso planeta ainda tão materializado, por que na guerra contra a ignorância não buscaria um general nas regiões mais elevadas do Universo?
Todos sabem a quem me refiro: JOÃO FACUNDO CANDEIA! Esse espírito imbatível e pioneiro, que desprendidamente dedicou grande parte da sua existência física ao progresso espiritual do povo cearense, dando-nos a honra e o orgulho de ser o fundador e o primeiro presidente da nossa filial. E que hoje, no seu Mundo de Luz, continua incansável a sua obra luminosa. Somos-lhe gratos, Seu João! O atributo de gratidão foste tu quem nos ensinaste, e na espiritualidade serás tu o primeiro a recebê-lo.
Foi Jesus, o Cristo, quem disse que “De uma árvore boa, só frutos bons nascerão”. E a sabedoria popular, com o seu linguajar característico, confirma que “Filho de gato, gatinho é”. Quero com isso dizer, que essa obra luminosa iniciada em prol da sofrida gente cearense, teria que continuar após a desencarnação do nosso primeiro presidente. A responsabilidade era imensa, e o caminho por demais longo e acidentado. Uma obra de tal magnitude, não poderia ter a sua continuidade entregue a qualquer um. Não! Absolutamente não! Era a nossa felicidade que estava em jogo, a felicidade do povo cearense. E a sua continuidade teria que ser entregue, segundo Jesus, o Cristo, ao fruto do grande homem que iniciou a luminosa obra, teria que ser entregue, segundo a sabedoria popular, ao “filho do gato”.
Sim, teria que ser entregue a ti José Maia, a quem tomo a liberdade e o atrevimento de chamar apenas de José, ou, simplesmente, meu amigo José. Apenas tu reunias todas as qualidades necessárias para continuar a obra de teu pai, porque tu eras, e hoje o é bem mais, possuidor de uma força de vontade como raras vezes vi neste mundo. És também possuidor de inúmeros sentimentos elevados e nobres, mas que não posso ressaltá-los, porque um dos principais deles me impede: o teu sentimento de humildade. Porque foi dando continuidade de forma tão brilhante à obra iniciada pelo teu pai, que tu me revelaste a grandeza desse teu atributo, dizendo-me simplesmente: “Marcos, eu não estava preparado para ser presidente”.
Ora, meu amigo José, esclarecido como és, bem sabes que em teu Mundo de Luz assumiste a esse compromisso com o povo da nossa terra, e que tu, somente tu, é quem estavas, e, digo novamente, que hoje estás bem mais, preparado para conduzir os destinos do Racionalismo Cristão em nossa terra. A cada dia que se passa fica o povo cearense cada vez mais grato e em débito contigo.
Lembra-te quando em junho deste mesmo ano, disposto a me tornar um militante do Racionalismo Cristão, dirigi-me à sede desta filial — que tão satisfeitos neste momento comemoramos o seu décimo primeiro aniversário de fundação — e naquela ensolarada manhã de domingo eu te encontrei sozinho à cabeceira da mesa, inarredável e firme no cumprimento do dever, à espera de criaturas sofredoras e ansioso para lhes dar o conforto espiritual? Pois olhas, meu amigo José, se é dando que se recebe, foi quando talvez recebeste pela primeira vez um incentivo em tua labuta constante em prol do nosso povo, pois ali eu fui te oferecer a minha ajuda incondicional a essa tua labuta. Lembro-me que, embora não pudesse ser grande coisa a minha ajuda, tiveste a capacidade de perceber que aquilo que a ti eu oferecia havia brotado da fonte mais límpida e verdadeira do meu atribulado espírito, ensejando, pois, que, naquele momento, eu também percebesse outra fonte maravilhosa, representada pelo teu amor ao próximo, inundar o teu espírito e ultrapassar as barreiras da matéria, fazendo transbordar pelos sinceros olhos que me fitavam lágrimas de felicidade. Faz pouco tempo, meu amigo José, mas enquanto a minha missão terrena não me afastar temporariamente do teu convívio físico, renovo neste instante as minhas promessas de estar sempre ao teu lado, nesta luta gigantesca em favor da nossa gente.
Nós somos cearenses! Cabras da peste! Cabeças-Chatas! Paus de arara! O nosso Ceará é mais ou menos o que se vê nos jornais: retrato da fome, da seca, da miséria e da luta heroica pela sobrevivência material. Espírito que queira evoluir encarnando em nossa terra querida tem que saber suportar a tudo isso. E mais: tem obrigatoriamente que lutar para ser feliz, tem que ser hospitaleiro e cordial com aqueles que vêm nos dar a honra das suas visitas, tem que ser tolerante e compreensivo com aqueles dirigentes sem visão que nos olham, mas não nos enxergam, tem que ser grato àqueles que nos ajudam, e até àqueles que simplesmente tiveram ao menos a intenção de nos ajudar, tem que mostrar progresso de qualquer forma, tem que ser bom e mostrar que se esforça para ser melhor, tem que mostrar ao mundo que não se encontra à margem da luta pela espiritualização da nossa humanidade.
E é o que estamos fazendo! Onze anos da inauguração da nossa humilde, simples, mas confortável sede. É o que damos de exemplo ao mundo. É verdade que bem poucos de nós se encontram na linha de frente desta luta pela espiritualização da nossa humanidade. Mas acreditem, por favor! Não é desculpa amarela. A verdade é que os nossos outros irmãos cearenses não atingiram ainda a “maioridade” plena, embora já devessem estar bem mais “crescidinhos”.
Assim, tomando a liberdade e me declarando de direito representante do nosso povo, peço desculpas por essa grave falta, e, ao mesmo tempo, prometo o que me for possível fazer para educá-los e esclarecê-los, a fim de que eles atinjam mais rapidamente a essa maioridade específica.
Quero homenagear ao Pe. Antônio Vieira, idealizador e fundador do Racionalismo Cristão, em plano astral. A Luiz de Mattos, fundador, primeiro presidente e implantador dos seus princípios básicos. A Luiz Alves Thomaz, que o alicerçou de bases financeiras. A Antônio Cottas, que substituiu a Luiz de Mattos na sua presidência, com a missão de consolidar a sua doutrina no mundo, ressaltando que sob a sua presidência é que foi erguida a nossa sede, motivo desta manifestação fraterna. A Humberto Machado Rodrigues, seu atual presidente, o qual não sei se terei a honra de conhecer pessoalmente no futuro próximo.
Quero também neste momento sublime, fazer um alerta a todos os meus irmãos que tiveram a coragem, a honra e até a ousadia de encarnar nesta terra caracterizada e conhecida pela bravura e valentia dos seus filhos queridos. Não existem mais motivos para permanecermos nesta ignorância cega, agressiva e perniciosa, que teima em nos barrar a marcha para os gloriosos mundos que a nós, povo cearense, foi reservado pelo poder infinito da Inteligência Universal.
Repito. Não existem mais motivos. Porque a Doutrina da Verdade já se faz presente em nossa terra. E se faz presente através dos irmãos mais velhos, mais fortes e mais curtidos pelos sofrimentos das inúmeras encarnações por que passaram, portanto, pelos irmãos já mais “crescidos”, que também estão diariamente a mostrar e a ensinar com amor, abnegação, desprendimento, tolerância e fraternidade, o caminho e a caminhada para aqueles gloriosos mundos a nós reservados.
E é justamente por isso, que nas comunicações dirigidas à nossa humanidade, as Forças Superiores declaram constantemente que “os tempos são chegados”. Sim, são chegados para acabar com os dogmas e os misticismos que nos eram impostos a ferro e a fogo psicológicos pelas inúmeras falsas religiões e seitas que ainda campeiam em nossas áridas, mas acolhedoras terras. São chegados, para desembaraçar dos nossos espíritos os engodos da mentira, da farsa, da falsidade e da hipocrisia, fazendo com que abracemos com todas as forças a doutrina da verdade, única e verdadeira estrada da evolução espiritual. São chegados, portanto, para nos vedar todos os caminhos que possam nos levar aos ilusórios castelos do mal.
Por isso, qualquer um de nós que enveredar por qualquer um desses falsos caminhos, estará, obrigatoriamente, declarando, em plena consciência, perante a Inteligência Universal, que obrigatoriamente também estará fora das leis que regem o Universo, que estará utilizando o próprio livre arbítrio em favor das forças do mal, que se encontrará estacionado em sua jornada evolutiva, que estará sendo um obstáculo para a evolução da nossa humanidade, por nada fazer em favor desta, e que deverá, por fim, pagar muito alto pela baixa ousadia, certo de que não mais encontrará um só atenuante que amenize conduta tão pusilânime. E plagiando o poeta, acrescento por fim um brado de apelo aos meus irmãos cearenses, dizendo: cearense, ama com orgulho a terra em que nasceste, pratica a doutrina da verdade, e não verás nenhum lugar como este!
Quero, para encerrar a estas minhas palavras, não só homenagear, como também oferecer minhas radiações amigas em favor dos meus colegas de causa que militam em prol do povo cearense, nesta filial do Racionalismo Cristão, cuja sede nesta auspiciosa data comemoramos onze anos de existência.
Estejamos certos de que todo esforço, dedicação e sacrifício que ora fazemos em benefício da nossa gente, nos serão regiamente compensados. Não que busquemos alguma recompensa por qualquer bem que fizermos. Isso não! Por hipótese alguma! Mas porque somos esclarecidos e sabemos perfeitamente que pelas leis universais: “quem o bem faz, para si o faz”. Ademais, somos também conscientes de que tudo aquilo que ora fazemos, são decorrentes de compromissos assumidos em plano astral, que por sua vez deverão resgatar faltas cometidas em encarnações passadas. Daí a razão pela qual não estarmos fazendo um mínimo favor a quem quer que seja, já que estamos apenas cumprindo com as nossas obrigações e deveres, e cumprir com as nossas obrigações e deveres é o que esperam de nós as Forças Superiores, as nossas esposas, os nossos filhos, os nossos pais e irmãos, o povo do nosso querido Ceará, toda a nação brasileira e toda a nossa humanidade.
Sejamos, pois, fortes, disciplinados, unidos, tolerantes, assíduos, estudiosos e convictos para que possamos corresponder àquilo que nos propusemos realizar. Sejamos dignos de nós mesmos! Sejamos dignos do nosso querido Ceará.