06.01- A exegese

Todos os seres humanos trazem consigo dos seus Mundos de Luz o afã de ingressar por inteiro na espiritualidade, para que assim consigam cumprir com as suas obrigações e com os seus deveres neste planeta Terra, que é o nosso mundo-escola, e alguns para que consigam cumprir com as suas missões. Mas lhes faltam os acervos espirituais necessários para que consigam cumprir com esses seus desideratos, uma vez que a aura terrena se encontra impregnada de miasmas deletérios, tornada suja, pesada e enegrecida, em função da produção dos sentimentos inferiores e dos pensamentos negativos que nela se alojam, sendo necessário que se promova a sua limpeza o mais rápido possível, para que assim se possam formar os ambientes fluídicos limpos, leves e translúcidos, que venham a possibilitar a que os seres humanos venham realmente a dar vazão ao afã da espiritualidade que realmente trazem consigo.

Entretanto, mesmo faltando aos seres humanos os acervos espirituais necessários para que consigam cumprir com as suas obrigações e com os seus deveres neste nosso mundo-escola, e alguns com as suas missões, o esclarecimento espiritual se torna a mola propulsora para que todos venham a reconhecer os seus papéis de encarnados a serem cumpridos, conforme o planejamento em plano astral, honrando com os seus compromissos, criando um estado de espírito propício para poderem iniciá-los e concluí-los com êxito.

Para que eu pudesse cumprir com a minha missão neste mundo, eu tive que meditar bastante, quando então, através das minhas meditações, eu parti célere em busca de alguns elementos que viessem a influenciar, sobremaneira, o seu cumprimento, empregando um imenso esforço para identificá-los de maneira clara e objetiva.

Eu sempre procurei seguir aos sábios ensinamentos de Jesus, o Cristo, e tanto isto procede, que tendo sido orientado por ele em plano astral, em razão de ter que conviver lado a lado com o mal, quando das minhas experiências científicas acerca da espiritualidade, eu jamais o pratiquei, e a prova disso é que ele afirmou que “Ser bom entre os bons é fácil, o difícil é ser bom entre os maus”. Esta afirmativa do nosso Redentor é a prova provada de que os seres humanos são tremendamente influenciados pelo ambiente terreno, e que ele deve ser devidamente limpo, para que então todos venham a cumprir com as suas obrigações e com os seus deveres.

E seguindo sempre aos sábios ensinamentos de Jesus, o Cristo, quando na busca de alguns elementos que viessem a influenciar, sobremaneira, o cumprimento da minha missão neste mundo, eu consegui identificar a esse primeiro elemento, que era justamente me conhecer a mim mesmo, tomando por base o seu ensinamento de “Conhece-te a ti mesmo”.

Geralmente quando os seres humanos se deparam com esse ensinamento, eles pensam, equivocadamente, que se conhecer a si mesmo se refere a uma análise introspectiva das suas mentes, ou a separação da sua psique em seus elementos componentes, como os seus atributos inferiores e negativos, que compõem as suas virtudes e defeitos, respectivamente, evidenciando as suas qualidades, as quais são reveladoras dos seus caráteres e das suas personalidades, tal como se estivessem fazendo as suas próprias psicanálises.

Mas acontece que a psicanálise é o método psicoterápico criado pelo psiquiatra Sigmund Freud, que viveu no período de 1856 a 1939, segundo o qual as desordens nervosas nascem de complexos reprimidos, nos quais a energia da libido insatisfeita emerge do subconsciente de forma dissimulada, cujo tratamento consiste em tornar consciente o complexo, a fim de poder superá-lo, daí a razão de também ser denominada de ciência do inconsciente. Tanta repercussão teve esse método freudiano, que virou linguagem comum em todos os recantos do mundo a seguinte expressão: “Freud explica”; como se esse médico ignorante, assim como todos os seus colegas psiquiatras, tivessem a condição de explicar alguma coisa, sendo todos eles completamente ignorantes acerca da vida fora da matéria, já que deveriam saber que primeiro devem se esclarecer para somente depois então poderem esclarecer, conforme Jesus, o Cristo, assim também ensinou, e aqui nada tem de materialismo e nem de sobrenaturalismo.

Ora, o subconsciente nada mais é do que o corpo fluídico, ou perispírito, o qual se revela de inúmeras maneiras, consoante as tendências para as quais os seres humanos se inclinam, segundo o estágio evolutivo em que se encontram, em que se revelam os instintos irracionais, em razão do atavismo psíquico, e não com a energia da libido insatisfeita dele emergindo de forma dissimulada, como assim apregoa o médico. E mais: quem emerge neste caso são o poder e a ação, que representam a vida, que identificam o comportamento humano, e não a energia, que todos os psiquiatras ignoram do que realmente se trata, já que o corpo fluídico é formado pelas propriedades da Força e da Energia.

Na verdade, as desordens nervosas são provocadas pelos espíritos obsessores quedados na atmosfera da Terra, os quais são integrantes do astral inferior, que vendo nas auras dos seres humanos as tendências para as quais se inclinam, passam a intuí-los e a agravar as suas desordens nervosas, que são as obsessões, as quais os médicos psiquiatras denominam de nevroses, que se revelam através de dúvidas, percepções incompletas relativas aos sentimentos, compreensões ilógicas relativas aos pensamentos, ausências de atenção, fraquezas de força de vontade, e outras ditas nevroses, ocasionando as disfunções psíquicas.

A psiquiatria denomina a tudo isso de psicastenia, que é uma psicose caracterizada pela queda do nível da tensão psicológica, fazendo o paciente ter depressões, obsessões, compulsões, perda do sentido da realidade, embora a nossa humanidade ainda viva na mais completa irrealidade, e perda gradual da personalidade. Caracteriza-se também pelo esgotamento nervoso, com traços de fadiga mental, impotência diante do esforço empregado, cefaleias, distúrbios gastrointestinais, inquietude e tristeza. A tudo isso, sem que até hoje a psiquiatria tenha atentado para as suas causas, que é de natureza espiritual, e não material, como se fosse oriunda do próprio cérebro.

E são tão desatentos os médicos psiquiatras, em seus estudos relativos à área em que atuam profissionalmente, que ainda não conseguiram compreender a contento que a psique é a alma do ser humano, posto que a palavra é proveniente do grego psykhé, que significa justamente a alma, então é precisamente ela quem deve ser o objeto do estudo, pois que a psiquialgia, que compreende as suas dores, provenientes dos seus desequilíbrios, traduz as suas amarguras ingênitas, por isso estas devem ser tratadas à luz da espiritualidade.

Deveriam saber os psiquiatras, que a nossa mente se revela através dos seus órgãos mentais: o criptoscópio, o intelecto e a consciência; cuja denominação mais apropriada deve ser corpo mental, pelo fato dele conter cada um desses órgãos mentais, os quais se manifestam por intermédio do nosso cérebro, deixando revelar tanto os nossos atributos individuais superiores e inferiores como os nossos atributos relacionais positivos e negativos, os quais comandam o corpo mental. Ignorando a tudo isso, é de se indagar: como é que os médicos psiquiatras querem promover a cura dos seus pacientes, se ainda não conhecem os órgãos que compõem os seus corpos mentais e nem os atributos que os comandam, sem perscrutarem as suas almas, que ignoram completamente em seus tratamentos? Como é que os médicos psiquiatras querem promover a cura dos seus pacientes, se ainda ignoram completamente a existência do astral inferior e as suas influências nos corpos mentais dos seus pacientes?

Na realidade, Jesus, o Cristo, não estava se referindo a esse tipo de conhecimento quando proferiu as palavras relativas a esse seu ensinamento, e também não estava se referindo ao nosso corpo carnal, que é apenas um mero invólucro temporário de nós mesmos, para que com ele possamos habitar neste mundo por um período relativo a uma encarnação. Estava sim, referindo-se diretamente à nossa composição astral, aquela que nos torna aquilo que realmente somos, por toda a eternidade, sem que haja qualquer adição ou subtração nesta composição, apenas o seu aprimoramento, com o incremento de acervos, que se dá por intermédio do processo da evolução.

Assim, para que alguém possa se conhecer a si mesmo, faz-se necessário que ele consiga reconhecer a sua composição astral in totum, mesmo estando encarnado, assumindo a sua condição espiritual, para que assim possa estabelecer a sua identidade de criatura com o Criador, a sua identidade de ser com o ser Total, identificando-se como sendo da mesma natureza de Deus, pois que possui as Suas mesmas Substâncias. E possuindo as mesmas Substâncias de Deus, torna-se óbvio que Ele se encontra contido em cada um de nós, consoante o estágio evolutivo em que nos encontramos.

A substância, de um modo geral, pode ser definida como sendo tudo aquilo que compõe uma coisa e faz com que esta subsista por si mesma, independentemente de todo e qualquer acidente determinado. Podemos então afirmar, por extensão, que o Ser Total, a Força Total, a Energia Total e a Luz Total são as Substâncias de Deus. O fato de uma coisa subsistir por si mesma, tem a sua origem no próprio fato das suas substâncias também subsistirem por si mesmas, que é a sua condição sine qua non. Assim, nós podemos afirmar que as substâncias compreendem toda a realidade de uma coisa. E se elas compreendem toda a realidade de uma coisa, é óbvio que compreendem tanto a sua substância principal, que necessariamente é apenas uma, como as suas substâncias secundárias, que podem ser várias. À substância principal nós denominamos de essência, e às substâncias secundárias nós denominamos de propriedades.

É por isso que o advérbio substancialmente, ou a locução adverbial em substância, devem ser empregados no sentido de modo geral, sem entrar nos pormenores, quer dizer, sem quaisquer referências diretas à essência ou às propriedades, mas sim ao conjunto da coisa. 

O certo é que em relação a Deus devemos omitir tudo aquilo que na proposição se diz do sujeito, uma vez que não podemos limitá-Lo com predicados. Mas pelo fato de O considerarmos, por um aspecto, como sendo a Coisa Total, podemos afirmar que Ele é formado de Substâncias. A substância principal que representa a Sua essência é Ele, o próprio Ser Total; e as Substâncias secundárias que representam as Suas Propriedades são a Força Total e a Energia Total, que Nele se encontram harmonizadas em um grau indescritível na composição do Espaço e do Tempo, por conseguinte do Universo, daí a razão pela qual muitos afirmam que Ele é a Luz Total, que penetra todo o Universo.

No entanto, se a Coisa Total é formada de Substâncias, é óbvio que todas as coisas também o são, pois que Dela são originárias. Em toda e qualquer coisa, a substância principal que representa a sua essência é um simples ser, partícula individualizada do Ser Total; e as substâncias secundárias que representam as suas propriedades são a Força e a Energia, que nela vão aos poucos se alojando, por isso se encontram em porções parceladas, consoante o grau de evolução em que ela se encontra, até que também passe a adquirir a propriedade da Luz, alcançando a condição de espírito. Daí a razão pela qual os seres humanos tanto se esforçam por adquirir cada vez mais as propriedades da Força e da Energia, por conseguinte, harmonizá-las cada vez mais, coordenando-as no mais alto grau possível, a fim de que assim possam adquirir cada vez mais luz.

As estrelas são partículas das propriedades da Força e da Energia que formam todo o Universo, que é todo fluídico, fornecendo as suas coordenadas. E os seres são os seus habitantes, que formam os mundos, os quais se encontram sob as égides das estrelas. Daí se poder dizer que navegamos em um imenso oceano fluídico e de luz. Em suas atuações conjuntas, estando sempre em plena em harmonia, as propriedades da Força e da Energia formam os fluidos, que muitos denominam de éter, em cujo oceano os seres navegam em retorno para o Criador.

Assim posto, pode-se compreender perfeitamente a razão pela qual os seguidores da verdade, quando se referem a Deus, sem que tenham a pretensão de adentrá-Lo em busca do conjunto das suas substâncias, utilizam-se, normalmente, de apenas uma delas para expressá-lo, a da propriedade da Força, a qual contém os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, fazendo com que a mesma assuma todo o significado da existência do Criador.

No entanto, caso eles tivessem a pretensão de adentrar ao conjunto das suas substâncias, seriam necessariamente obrigados a discorrer sobre o mesmo em inteira conformidade com aquilo que cada uma delas representa para Deus, tendo que separar aquela que representa a Sua essência e as demais que representam as Suas propriedades.

Vejamos agora o que é essência e propriedade, considerando que do átomo ao ser humano tudo é coisa, inclusive Deus, que é a Coisa Total:

A essência, de um modo geral, pode ser definida como sendo a substância principal do conjunto que forma a natureza própria das coisas, aquela cuja função é considerada como sendo a finalidade das suas existências, o que a torna a mais pura, a mais bela e a de maior valor em relação a todas as demais substâncias componentes do conjunto, sendo, pois, a particularmente escolhida, por ser a única apta para o uso principal da criação, uma vez que ela, e somente ela, pode representar o seu conjunto com maior exatidão, já que possui a faculdade de exprimir, de revelar, de evidenciar, por si, todo o propósito do poder e da ação, portanto, da vida, que se traduz na existência eterna e universal.

É a essência que faz os seres humanos perceberem e compreenderem que as coisas — os seres e as suas propriedades adquiridas — são provenientes de Deus, uma vez que ela, exprimindo, revelando e evidenciando os seus propósitos de poder e de ação, é a substância indispensável para que elas existam tal qual existem.

Em sendo assim, a essência também pode ser considerada como sendo a razão primordial da existência de uma coisa, além da sua natureza íntima, o seu modo diferente de existir, a sua intenção, a sua significação especial, de acordo com o estágio em que se encontra em relação aos conhecimentos metafísicos, as experiências físicas e ao saber, relativos às propriedades que adquiriu. Em virtude desses caracteres distintivos que possui em relação às outras substâncias, a essência representa a ideia primeira de uma coisa, enquanto que as demais substâncias representam as ideias secundárias.

Por ignorarem essa realidade, tanto os seguidores da verdade como todos os demais seres humanos confundem, geralmente, a ideia principal de uma coisa, que é representada apenas pela sua essência, com as suas ideias secundárias, que são representadas apenas pelas suas propriedades.

Além disso, os seres humanos não conseguem apreender a ideia geral de uma coisa, que é representada pela sua essência e pelas suas propriedades, com estas compondo o restante do conjunto que forma a sua natureza própria.

O Ser Total, portanto, é a essência de Deus, e nós, os seres, somos partículas da Essência de Deus, quer dizer, partículas do Ser Total, que quando encarnamos como seres humanos somos considerados como espíritos, uma vez que somos provenientes do puro Espírito de Deus.

Como ainda nos encontramos em um mundo ainda extremamente materializado, tendemos, de imediato, a supor que pelo fato de sermos partículas da essência de Deus, somos como que partes dessa Essência que se parte ao infinito, gerando infinitos seres. Assim, torna-se difícil a compreensão de como Deus pode ser o Todo e, ao mesmo tempo, infinitos seres. Acontece que, na espiritualidade, a compreensão não pode se limitar às palavras terrenas. Quando mais adiante os seres humanos estiverem mais espiritualizados, e estiverem todos falando e escrevendo o esperanto, pode ser que novas palavras deem uma compreensão satisfatória em relação a essa realidade. Mas de qualquer maneira, no site A Filosofia da Administração – Abrindo Mentes, na categoria Prolegômenos, no capítulo intitulado A Realidade de Deus de Acordo com a Razão, tudo isso é devidamente explicado.

Já a propriedade, de um modo geral, pode ser definida como sendo toda e qualquer substância secundária do conjunto que forma a natureza própria de uma coisa. São aquelas cujas funções proporcionam as condições absolutamente necessárias para a finalidade da existência da sua essência, quer dizer, do ser, mas sem que sejam consideradas como sendo a substância principal, o que as tornam as menos puras, as menos belas e as de menor valor em relação à substância principal, sendo, pois, as ordinariamente escolhidas, por serem aptas apenas para uso em função da essência, uma vez que elas não podem representar a Divindade com exatidão, já que não possuem a faculdade de exprimir, de revelar, de evidenciar o seu propósito de poder e de ação, portanto, da vida, que traduz a existência eterna e universal.

Pode-se também explanar o significado de uma substância que está a representar o papel de uma propriedade, por intermédio da própria linguagem forense, quando esta trata do direito de propriedade, que, adaptada ao assunto em pauta, pode ser considerada como sendo a faculdade que a substância essencial tem de aplicar à conservação da sua existência e ao melhoramento das suas condições de existência, todas as demais substâncias que para esse fim legitimamente adquiriu e de que pode dispor livremente.

Eis aqui a principal razão da evolução!

Ora, se como seres humanos nós somos as partículas do Ser Total, portanto, a substância essencial, à medida que vamos evoluindo, ou seja, adquirindo cada vez mais parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, é que vamos aplicando à conservação da nossa existência e ao melhoramento das nossas condições de vida todas as demais substâncias que para esse fim legitimamente adquirimos e de que podemos dispor livremente.

Fácil é agora compreender que a evolução do ser humano, como essência, consiste justamente em adquirir as propriedades da Força, da Energia e da Luz, para que com elas possa formar um conjunto próprio de interseção ascendente com o conjunto do Ser Total, que possui a Força Total, a Energia Total e a Luz Total, assemelhando-se assim, progressivamente, ao Criador. Como se pode constatar, nós não somos, jamais, partículas das propriedades da Força, ou da Energia ou da Luz, somos sim, partículas da Essência, portanto, do Ser Total.

À medida que os seres vão adquirindo as propriedades de Deus, é evidente que eles também vão entrando na posse das mesmas, não cabendo aqui nenhum tipo de renúncia, uma vez que elas se tornam próprias deles. E tudo aquilo que passa a ser próprio dos seres passa a fazer parte integrante da sua natureza, uma vez que foi adquirido com legitimidade. Assim, e somente assim, faz-se valer a utilização dos pronomes possessivos meu, teu, seu, dele, nosso, vosso ou deles, que antes são adjetivos, porque sempre se lhes pode juntar o nome. Desta maneira, pode-se compreender, então, que a renúncia sobre algo cabe apenas aos bens materiais, próprios deste mundo, pois quem renuncia aos bens materiais renuncia a coisas alheias, mas renunciar aos bens próprios, como as propriedades adquiridas, é impossível.

Infelizmente, quando tentam de todas as maneiras tornar próprios os bens materiais, esquecendo-se de que próprios deles são os bens de outra natureza, os seres humanos passam a inverter a ordem natural das coisas. Nessa ânsia incontida pela conquista dos bens materiais, eles terminam por renunciar aos próprios valores morais e éticos, por conseguinte, educacionais, sem saberem que a conquista maior deve ser em prol da amizade espiritual, da solidariedade fraternal, da magnanimidade, da liberalidade e de outros valores superiores e positivos mais, e não em prol do egoísmo, da avareza, da ganância e outros valores inferiores e negativos mais. Para que se possa inverter de todo a esse processo deturpador da natureza espiritual, por demais perverso e danoso à evolução do espírito, basta apenas que os seres humanos adquiram a consciência de que os bens materiais são todos alheios, e que por isso jamais poderão lhes pertencer definitivamente.

No entanto, apesar de serem alheios todos os bens materiais, eles podem ser temporariamente emprestados pela Providência Divina, pelo tempo equivalente ao de uma encarnação, com a condição de que o seu uso seja compartilhado por todos, na proporção de quem melhor uso deles fizer. Caso contrário, serão chamados para a devida prestação de contas perante a Consciência Universal aqueles que fizeram o uso inadequado do alheio que tomaram por empréstimo, levando-se em consideração tanto a maneira pela qual tomaram a esse empréstimo, como também a sua quantidade e o seu uso.

Na realidade, os únicos bens que devem interessar aos seres humanos são as propriedades que eles podem adquirir com legitimidade, e com legitimidade somente Deus as pode ofertar, pois Ele, somente Ele, e mais ninguém, as possui natural e legitimamente in totum. A Essência é o nosso ser. A Força, a Energia e a Luz são as únicas propriedades que devemos e podemos adquirir com legitimidade, para incorporá-las ao nosso ser. Eis, pois, o nosso espírito e a nossa alma, a qual é formada pelo corpo fluídico e pelo corpo de luz!

Assim, e unicamente assim, nós podemos nos conhecer a nós mesmos.

E foi assim, conhecendo-me a mim mesmo, que eu pude identificar o segundo elemento que iria influenciar decisivamente no cumprimento da minha missão neste mundo, que diz respeito diretamente às produções dos sentimentos superiores e dos pensamentos positivos.

Para que eu pudesse cumprir com a minha missão neste mundo, eu teria que sopitar de vez a todos os atributos individuais inferiores que faltavam para completar de vez a minha moral, assim como vasculhar nos recônditos mais íntimos da minha alma, todo e qualquer atributo relacional negativo que porventura faltasse para completar a minha ética, tornando-me verdadeiramente educado, uma vez que são os atributos que comandam o nosso corpo mental, e ninguém pode cumprir com as suas obrigação e deveres neste mundo, por conseguinte, com a sua missão, dando vazão aos seus atributos individuais inferiores e aos seus atributos relacionais negativos, sem empregar o devido esforço para sopitá-los de vez, uma vez que eles irão comandar o seu corpo mental para a prática do mal, ou seja, para a satisfação dos seus desejos intemperados, pautando as suas ações unicamente no intuito de satisfazê-los.

Tendo tomado a devida consciência desses dois elementos que iriam influenciar o cumprimento da minha missão neste mundo, mesmo sem ainda me considerar o maior seguidor de Jesus, o Cristo, de toda a nossa humanidade, como agora tenho a plena consciência deste fato, já que consegui alcançar a condição do Antecristo, eu já procurava cultivar em meu ser o amor espiritual ao próximo, esforçando-me ao máximo por produzi-lo. E assim eu pude identificar o terceiro elemento que iria influenciar diretamente no cumprimento da minha missão.

Foi justamente empregando o máximo de esforço possível por produzir o amor espiritual em direção ao meu semelhante, que eu pude constatar que a minha humanidade sequer produzia ainda a amizade espiritual em direção ao próximo, e que cabia a mim o pesado encargo de estabelecê-la entre todos os seres humanos, e que somente por intermédio da produção da amizade espiritual é que a solidariedade fraternal poderia emergir neste mundo. Para tanto, eu deveria dar o exemplo maior da produção da amizade espiritual.

Na época, eu pude constatar que, de início, nós não tendemos a sentir em nós mesmos o manifestar de tão nobres produções espirituais, mas não considerei que o fato fosse motivo de qualquer inquietação, mas sim de júbilo, pois o mais importante eu já havia conseguido, que era justamente a consciência da fundamental importância a respeito da produção do amor e da amizade espirituais, o que me proporcionava o devido poder para produzi-los, faltando-me apenas promover as suas práticas, justamente o complemento do conhecimento do poder, em função da experiência física através das ações. Ora, assim eu estava preparando o campo, tendo já plantado as sementes das grandes produções espirituais. O restante era apenas questão de tempo, desde que eu regasse ao campo com carinho e atenção, esperando com firmeza e paciência que viesse a brotar os frutos universais.

E eles brotaram com exuberância em todo o meu ser, pois a amizade espiritual que produzo em relação aos meus semelhantes já atingiu o seu ápice, tanto que eu faço de tudo para ajudá-los em suas jornadas evolutivas, sempre através da solidariedade fraterna. E além da amizade espiritual, eu já produzo também o amor espiritual, mas a minha meta é intensificá-lo cada vez mais, até que eu consiga produzir o mesmo amor que Jesus, o Cristo, produziu. E aqui se confirma o tão conhecido ditado popular, que diz que “Cada uma colhe aquilo que planta”, quando então se faz valer a lei do retorno.

Para encontrar o quarto elemento influenciador que possibilitaria cumprir com a minha missão neste mundo não foi assim tão difícil, pois que ele se encontra no corpo mental de todos os seres humanos que são detentores da boa vontade, que se resume em ajudar a nossa humanidade em sua trajetória evolutiva, cooperando com a organização humana.

O grande problema para que aqueles que são detentores da boa vontade possam cooperar efetivamente com a organização humana, ocorre em razão do fato de cada um se considerar inoperante em relação ao todo humano, como se o seu papel fosse irrelevante, quando, na realidade, não o é, por hipótese alguma. É com este pensamento que muitos passam a se preocupar somente com as suas próprias vidas, cuidando apenas dos seus próprios afazeres cotidianos, tornando-se completamente alheios aos problemas do mundo, como se esses problemas não lhes dissessem respeito, quando então passam a fazer parte dos problemas, ao invés de fazerem parte das suas soluções.

Façamos uma analogia do organismo que forma o corpo da nossa humanidade com o organismo que forma o corpo humano, em que este tem a célula como sendo a menor unidade da sua constituição e aquele tem a família como sendo a menor unidade da sua constituição. É certo que este é um exemplo clássico, justamente por isso é o melhor de todos os exemplos.

Nós podemos observar que a família funciona como sendo um compartimento estanque, em que os seus vários componentes devem assumir as funções que lhes são próprias e inerentes, como os pais, os filhos, os irmãos, os avós, os netos, os tios, os primos, etc. Note-se que todas essas demonstrações de carinho e de afeto são decorrentes dos laços de sangue. Mas mesmo assim, caso essas demonstrações de carinho e de afeto fossem extensivas aos demais seres humanos, a começar pelos amigos, não poderia existir nenhum impedimento para esse fato, pois que estariam sendo decorrentes dos laços espirituais. Deste modo, nós poderíamos formar um organismo que possibilitasse a formação de um corpo sadio da nossa humanidade. Note-se que as famílias vão aumentando mesmo sem a necessidade da existência dos laços de sangue, com os genros, as noras e os demais parentes afins, e assim elas vão se multiplicando, através das descendências. E se essas multiplicações forem realmente sadias, sadio será o corpo da nossa humanidade, portanto, a sua organização.

Em corolário, nós podemos observar que a célula funciona como sendo do mesmo modo um compartimento estanque, em que os seus componentes devem assumir as funções que lhes são próprias e inerentes, como as organelas, que têm papéis específicos a desempenhar na função global da célula. As organelas, tais como se fossem uma família, trabalham de maneira integrada, em que cada uma assume uma ou mais funções celulares. Se todas as células que formam o organismo humano forem sadias, sadio será também o corpo humano, portanto, o organismo que elas formam. E as células, assim como as famílias, também se multiplicam, através de um processo denominado de mitose.

Todos devem partir do princípio de que existe um plano de espiritualização para a nossa humanidade. Em função desse plano espiritualizador, cada espírito encarna para cumprir com a sua parte nesse plano espiritualizador, trazendo consigo do seu Mundo de Luz os encargos que lhe são inerentes, que se traduz no contexto da organização humana. E como são bilhões os espíritos encarnados neste mundo, também são bilhões os caminhos que levam cada um a cumprir com os seus devidos encargos, e um desses caminhos é o nosso, que estão sempre em conformidade com as nossas vocações e com os nossos talentos, para que assim nós possamos cumprir com as nossas obrigações e com os nossos deveres, e, alguns, com as suas missões.

Existem muitos seres humanos que não acreditam em si mesmos, que ignoram todo o potencial que se encontra latente em si mesmos, seja em função dos seus erros pregressos, seja em função de outros motivos quaisquer, mas desde que eles adquiram a consciência de que os seus caminhos neste mundo foram previamente traçados em plano astral, poderá constatar que poderá, ora em diante, ao cumprir com as suas obrigações e com os seus deveres, ou com as suas missões, contribuir decisivamente para alavancar o progresso da nossa humanidade.

Para tanto, torna-se necessário que eles passem a combater com vigor os seus sentimentos inferiores e os seus pensamentos negativos, ajudando-se a si mesmos em primeiro lugar, que todo o resto virá de encontro a si, em conformidade com as suas aspirações. Mas para que possam vencer a essa guerra travada neste mundo Terra, têm que vencer, necessária e obrigatoriamente, os obstáculos que lhes surgirão pela frente, notadamente as correntes deletérias que se cruzam em todos os sentidos no ambiente terreno, para que assim os seus corpos mentais possam se fazer valer e então possam dar trato aos seus raciocínios.

No entanto, os corpos mentais não podem se fazer valer com eficácia para que se possa realmente dar trato ao raciocínio, estando os seres humanos ainda presos à fase da imaginação, raciocinando através das representações de imagens.

Foi assim, esforçando-me por me livrar da imaginação que se fazia presente em meu coro mental, que eu consegui identificar o quinto elemento: a razão!

Encontrando-se ainda na fase da imaginação, os seres humanos passam a manipular as imagens que lhes vêm ao corpo mental, em inteira conformidade com os seus atributos individuais superiores ou inferiores e com os seus atributos relacionais positivos ou negativos, os quais comandam os seus órgãos mentais.

Somente adquirindo a consciência dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas acerca da sabedoria, estando ambos coordenados pela razão, os seres humanos poderão se imiscuir de manipular com o poder que adquiriram em função apenas de si mesmos, dos seus próprios interesses pessoais, para a satisfação dos seus desejos, passando a pautar as suas ações em bem da coletividade e, por extensão, da nossa humanidade.

Ao contrário da imaginação, que é manipulável, sendo a razão o quinto elemento influenciador, em que se sobressai o órgão mental denominado de consciência, que coordena os outros dois órgãos mentais, que são o criptoscópio, que lida com a verdade, e o intelecto, que lida com a sabedoria, a ela ninguém pode ser capaz de manipular ao seu próprio paladar.