É sabido que a Veritologia é o tratado superior que toma aos seus cuidados a percepção, a captação e a transmissão dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, através de um corpo de doutrina, por meio de teorias “a priori”, que são as causas de tudo quanto existe. Que a Saperologia é o tratado superior que toma aos seus cuidados a compreensão, a criação e a transmissão das experiências físicas acerca da sabedoria, através de um corpo de sistema, por meio de teorias “a posteriori”, que são os efeitos de tudo quanto existe. A Veritologia, portanto, é a fonte da Saperologia. E que a Ratiologia é o tratado superior que toma aos seus cuidados a coordenação entre a Veritologia e a Saperologia, coordenando assim os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, alcançando por meio dessa coordenação a razão, por conseguinte, o Saber, por excelência, que deve ser transmitido por meio de teorias, que são as causas e os efeitos de tudo quanto existe, interligando assim as causas aos seus respectivos efeitos, por onde se pode estabelecer uma finalidade universal para tudo quanto existe.
Para que se torne possível o aprofundamento cada vez maior do Saber, por excelência, como um todo, torna-se racionalmente lógico que ele venha a ser dividido em parcelas especializadas, pois que assim, de modo análogo, torna-se racionalmente lógico que o corpo humano seja estudado em seus múltiplos aspectos, daí a razão das especialidades médicas. A essas parcelas especializadas do Saber, por excelência, nós podemos denominar de parcelas do Saber.
No estudo das parcelas do Saber, a Veritologia sai de cena para ceder o seu lugar às religiões, a Saperologia sai de cena para ceder o seu lugar às ciências, e a Ratiologia sai de cena para ceder o seu lugar às religiociências.
As religiões tomam aos seus cuidados a percepção, a captação e a transmissão dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade que são especializados, através de um corpo de doutrina, por meio de teorias “a priori”, que são as causas de tudo aquilo que diga respeito às suas especializações.
As ciências tomam aos seus cuidados a compreensão, a criação e a transmissão das experiências físicas acerca da sabedoria que são especializadas, através de um corpo de sistema, por meio de teorias “a posteriori”, que são os efeitos de tudo aquilo que diga respeito às suas especializações.
As religiões, portanto, são as fontes das ciências.
E as religiociências tomam aos seus cuidados as coordenações entre as religiões e as ciências, coordenando assim os conhecimentos metafísicos acerca da verdade especializados e as experiências físicas acerca da sabedoria especializadas, alcançando por meio dessa coordenação a razão relativa às parcelas do Saber, por conseguinte, os saberes que a elas dizem respeito, que devem ser transmitidos por meio de teorias, que são as causas e os efeitos relativos às parcelas do Saber, interligando assim as causas aos seus respectivos efeitos inerentes, por onde se pode estabelecer uma finalidade universal para todas as parcelas do Saber.
Como os conhecimentos metafísicos acerca da verdade se ligam diretamente às causas, eles proporcionam o poder. E como as experiências físicas acerca da sabedoria se ligam diretamente aos efeitos, elas proporcionam a ação. O poder e a ação representam a vida.
Note-se que o poder e a ação manifestam a vida em proporção direta ao estágio evolutivo em que os seres se encontram. Todos sabem que os seres atômicos já possuem parcelas das propriedades da Força e da Energia, tanto que eles trocam os seus acervos entre si, através dos elétrons, que para esse desiderato contam com a interveniência dos seres moleculares, por meio das suas interações, em obediência ao preceito da integração. Mas os estudiosos somente consideram a existência da vida a partir de um determinado estágio de evolução, quando se torna patente a sua manifestação aos seus olhos da cara.
Encontrando-se na fase da imaginação, os estudiosos passam a especular a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, sem que tenham qualquer conhecimento de causa, com tudo isso não passando de representações de imagens, quando a partir daí passam a formular hipóteses, desde que para eles sejam verificáveis, quando então passam a realizar as suas experimentações, sem atentarem para as causas, deparando-se apenas com os efeitos, que não sendo replicáveis, ou seja, contestáveis, passam a incorporar o rol dos conhecimentos ditos científicos, de onde emanam as suas leis e os seus princípios. É assim que são realizadas as investigações e as pesquisas científicas da atualidade, de onde surge toda a tecnologia posta aos olhos de todos, tendo como base a existência da matéria.
É certo que a imaginação tem os seus próprios conhecimentos e experiências, mas eles são todos ilusórios, pois que esteados na matéria, que não existe. Sabe-se que a verdade é absoluta, imutável, eterna, e que a sabedoria é relativa, mutável, passageira, em função do seu aperfeiçoamento. E aqui se justifica a afirmativa de Aristóteles, que com a sua imensa clarividência assim se expressa:
“O fim da ciência especulativa, com efeito, é a verdade, e o da ciência prática, a ação; porque se os práticos consideram o como, não consideram o eterno, mas apenas o relativo e o presente. E nós não podemos conhecer o verdadeiro sem conhecer a sua causa”.
Toda essa tecnologia científica esteada na ilusão da matéria, está tendo agora o seu final decretado, uma vez que nós temos que agir como espíritos que somos, assumindo a nossa obrigação de fazer evoluir a este mundo, procedendo com as transformações dos seres que aqui se encontram de modo lógico e racional. Para tanto, torna-se absolutamente necessário que as religiões ocupem os seus verdadeiros lugares, servindo de fontes para as ciências, através de um casamento harmonioso, tendo por base o Saber, por excelência.
Com as religiões e as ciências partindo do princípio de que estão lidando com seres, e não com a matéria, que não existe, tudo deverá ser modificado, pois que as transformações de todos os seres que aqui se encontram, formando os mais diversos tipos de corpos, deverão ser realizadas através das suas auras. O notável Farias Brito já previa a essa mudança radical a ser sofrida pelas ciências, quando em sua obra Finalidade do Mundo – 1° Volume, a página 18, esse grande cearense afirma o seguinte:
“É um erro supor que o progresso é indefinido, nem mesmo devemos lisonjear-nos com as descobertas modernas que um dia serão reduzidas a nada. O telégrafo, a navegação, o vapor, a eletricidade, o magnetismo, tudo isto é na verdade admirável, tudo isto é incontestavelmente maravilhoso; mas… nada do que aparece no tempo é eterno. Virá um dia que não restará mais… as conquistas realizadas pela indústria e pela ciência moderna e a todos os nossos sonhos de engrandecimento”.
É certo que o planeta Terra é o mundo próprio dos seres hidrogênios, que estando em interação com os demais seres atômicos e com os seres moleculares representam toda a exuberância da natureza, daí a razão das parcelas do Saber positivas. Mas os demais seres que situam acima deles e abaixo dos seres humanos também fazem parte da exuberância da natureza, daí a razão das parcelas do Saber infra-humanas. E para completar a toda essa exuberância que podemos contemplar na natureza, vamos encontrar o homem, que a ela do mesmo modo se encontra integrado, daí a razão das parcelas do Saber humanas. No entanto, o planeta Terra faz parte integrante do Universo, o que é óbvio, então os nossos estudos devem transcender a este mundo e se estender pelas coordenadas universais, daí a razão das parcelas do Saber cosmológicas. E em todas elas as religiociências devem estabelecer as suas finalidades.
Como se pode compreender, as parcelas do Saber devem partir da base para o topo, para que assim nós possamos perceber e compreender as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza, em sua totalidade, estendendo-se ao âmbito universal. Mas acontece que muitos consideram a natureza como sendo formada apenas pelos seres atômicos e pelos seres moleculares, que interagindo entre si passam a constituir a massa formada pelo planeta, mas que não é propriamente assim. É por isso que Farias Brito, na mesma obra, a página 34, vem assim se expressar:
“É preciso começar pela ciência da natureza, para terminar pela ciência do homem; nem há outro meio para que se possa chegar à dedução de que devemos estar satisfeitos com o mundo dado, não obstante as misérias a que estamos sujeitos, senão no fato de que entramos como elementos na obra comum da natureza, quando esta não pode deixar de tender à realização de um fim grandioso”.
No âmbito das ciências postas neste mundo, a comunidade científica somente realiza as suas investigações e pesquisas em relação aos assuntos que ela julga sejam verificáveis, olvidando daqueles que ela julga não sejam verificáveis, como, por exemplo, Deus, a existência da espiritualidade, a reencarnação, etc. Isto caracteriza claramente uma falha grosseira de raciocínio, partindo-se do princípio de todas as coisas, fatos e fenômenos que existem são passíveis de verificação, caso contrário não haveria a razão para a existência de algo que não fosse verificável. E tanto isto é uma falha grosseira de raciocínio, que outras ainda mais grosseiras também existem, como, por exemplo, o fato dela ainda não haver conseguido definir o que seja a vida, mas que, mesmo assim, novas ciências são criadas com o intuito de verificar a existência da vida fora do planeta, tal como a Exobiologia, quando, na realidade, as ciências sequer chegaram a romper a atmosfera da Terra, que é a sua aura. Quanta incongruência!
A ignorância medra por toda a comunidade científica. E o mais interessante de toda essa supina ignorância, é que os integrantes dessa comunidade científica ignoram completamente que Deus se encontra em si mesmos, consoante os seus estágios evolutivos, portanto, que a verificação acerca da existência de Deus se encontra neles mesmos. Ora, se Deus é assim verificável, é de se indagar: por que então as coisas, os fatos e os fenômenos universais não são também verificáveis, se se encontram em Deus? Mas parece que a ilusão da matéria provoca um fascínio tão exacerbado nos integrantes da comunidade científica, que eles adquiriram o medo em declarar a sua não existência, receosos dos risinhos de deboche dos próprios colegas. Foi em razão de tudo isso que Naquet, não o historiador e antropólogo, veio a adotar o seguinte ponto de vista em relação às ciências:
“A cada passo que a ciência dá para diante, Deus dá outro para trás”.
Os nossos olhos da cara servem apenas para que possamos observar as coisas, os fatos e os fenômenos que se encontram ao nosso redor, afim de que o nosso corpo humano possa se integrar a este mundo, mas nunca, jamais, para fazer ciência unicamente sob os seus auspícios, como hoje é exclusivamente assim, de tal modo.
É certo que os cientistas de hoje empregam esforços no sentido de obter os conhecimentos e as experiências que eles consideram sejam reais, mas assim, da maneira como eles procedem, torna-se muito fácil, pois eles somente tentam explicar aquilo que se encontra alcance dos seus olhos da cara, daí a razão da obscuridade científica para aqueles que realmente sabem raciocinar. Se todos esses cientistas fossem autênticos e sinceros, como Claude Bernard, considerado como sendo o fisiologista mais notável da escola experimental, por isso o seu representante, que afirmou não saber o porquê de serem necessários dois seres hidrogênios e um ser oxigênio para a formação de outro ser, o seu molecular denominado de água, pelo que assim o estudioso afirma ignorar as causas das interações entre esses seres, o desenvolvimento científico já estaria muito mais adiantado. Mas assim não é, porque os cientistas insistem em investigar e pesquisar somente aquilo que se encontra ao alcance das suas explicações imaginativas, olvidando dos questionamentos que se encontram fora das suas imaginações, quando não, afirmando que aquilo que ignoram não é verificável cientificamente.
Em razão disso, tem que se empregar um esforço redobrado para que então as parcelas do Saber venham a emergir para este mundo, com as religiões tomando aos seus cuidados os conhecimentos metafísicos acerca da verdade que são especializados, demonstrando as causas de tudo quanto existe, servindo de fontes para as ciências, para que estas então possam tomar aos seus cuidados as experiências físicas acerca da sabedoria que são especializadas, demonstrando os efeitos de tudo quanto existe, e com as religiociências tomando aos seus cuidados a tarefa de demonstrar as suas finalidades. Não se deve olvidar de investigar e pesquisar o que quer que seja, mas para tanto tem que se redobrar o esforço, sem jamais fugir dos questionamentos que não querem calar. Farias Brito, em sua obra Finalidade do Mundo – 1° Volume, a página 190, em relação ao fato, vem afirmar o seguinte:
“Mas ser claro não é tornar a ciência acessível a todos sem esforço. Isto é impossível. E por mais que deva ser claro e preciso quem escreve, nunca se pensa que a ciência possa ser adquirida sem longa paciência e perseverante estudo. Entretanto, o que por via de regra se quer, é adquirir ciência sem esforço, do mesmo modo que é tão comum na sociedade acumular fortuna adquirida sem trabalho. Daí a facilidade com que são aceitas as obras ligeiras, ao passo que ordinariamente se olha com medo para os trabalhos de séria meditação em que se leva ao último grau o exame detalhado da natureza”.
Assim como as ciências medram na ilusão da matéria, os credos e as suas seitas medram no devaneio do sobrenatural, sabendo-se que nem um e nem outro existem. Daí a razão pela qual eu reencarnei neste mundo como cientista, para mudar o rumo das investigações e pesquisas postas no âmbito da matéria e dirigi-las para o âmbito da espiritualidade, que é o correto, pois não se pode pôr em dúvida que todos nós somos espíritos, sendo isto extremamente óbvio, mas que os demais cientistas insistem em ignorar a esta realidade, optando pela renitência, não querendo enxergar a própria obviedade que se lhes apresenta com imensa clareza.
É o intelecto que faz vir a luz na compreensão de todos os seres humanos. Em sendo assim, como realmente é assim, então é o próprio intelecto que fará mudar o rumo das ciências, tal como elas se encontram postas atualmente, realizando os seus casamentos com as religiões, as verdadeiras, fazendo emergir as religiociências, completando assim os estudos das parcelas do Saber. E se o intelecto fará mudar o rumo das ciências já postas neste mundo, ele então deverá extinguir por completo a todos os credos e seitas do orbe terrestre, pelo fato deles serem extremamente nocivos à nossa humanidade, como é prova incontestável a nebulosa escura credulária que se formou na atmosfera da Terra, que foi fotografada pela NASA, cujas imagens se encontram postas na categoria Prolegômenos.
O criptoscópio é o órgão mental da percepção, por isso ele tende a aceitar com mais facilidade o devaneio dos conhecimentos posto no âmbito do sobrenatural. Enquanto que o intelecto é o órgão mental da compreensão, por isso ele não aceita com facilidade a esses conhecimentos sobrenaturalísticos, pois que a compreensão não é dada a devaneios. Em razão disso, de algum tempo atrás para cá, com o desenvolvimento intelectual dos seres humanos, o intelecto vem combatendo os credos e as suas seitas. E agora, com a minha explanação do Racionalismo Cristão, todos eles serão extintos de uma vez por todas.
Essa guerra travada pelo intelecto contra o mal proveniente dos credos e das suas seitas, que encabresta o corpo mental dos seres humanos mais fracos, tornando-os uns verdadeiros cretinos, foi anunciada por John William Draper, que se utilizou do termo religião, cujo termo ainda hoje é utilizado para se referir aos credos e as suas seitas, mais propriamente contra o catolicismo, que é o credo que predomina no mundo, nos seguintes termos:
“Não há ninguém que, conhecendo o estado atual dos espíritos na cristandade, possa dissimular que uma crise intelectual e religiosa (leia-se credulária, digo eu) está próxima. Sobre todos os pontos do horizonte o céu se obscurece; de todos os lados ouvimos soprar a tempestade. Na Alemanha, o partido nacional se coloca em ordem de batalha contra o ultramontanismo; na França, os homens de progresso lutam com os homens de imobilidade, neutralizando assim as forças e destruindo a supremacia deste grande país; na Itália, Roma pertence a um soberano posto fora da Igreja. O papa, fingindo ser prisioneiro, fulmina do alto do Vaticano os seus anátemas e no meio das provas multiplicadas dos seus erros proclama a sua infalibilidade. Um arcebispo católico anuncia, com verdade, que a sociedade civil da Europa parece se destacar publicamente do catolicismo. Na Inglaterra e na América, as pessoas religiosas (leia-se credulárias, digo eu) percebem dolorosamente que as bases intelectuais da fé estão minadas pelo espírito do século, e se preparam, como podem, para o desastre que preveem”.
Assim como a Saperologia, sob a denominação imprópria de Filosofia, encontrava-se mesclada com a Veritologia, sem que assim pudesse emergir a Ratiologia. Do mesmo modo as ciências se encontravam mescladas com as religiões, sem que assim pudessem surgir as religiociências. Então tudo para os seres humanos girava em torno das ciências, em razão dos tratados superiores não haverem chegado ainda a uma conclusão clara acerca das suas fundamentais importâncias para o esclarecimento da nossa humanidade.
Mas agora que os tratados superiores conseguiram desvendar os segredos da vida e os enigmas do Universo, e que as religiões se encontram segregadas das ciências, em um casamento perfeito, fazendo emergir as religiociências, cabe agora às parcelas do Saber, em suas especialidades, promover a reorganização das sociedades, tendo por base a arquitetura do novo edifício social posto no seio da nossa humanidade através dos meus ideais. Farias Brito já possuía uma clara ideia a este respeito, quando em sua obra Finalidade do Mundo – 2° Volume, a página 36, o notável saperólogo cearense assim se expressa:
“Destas três tentativas de solução para o complicado problema da reorganização das sociedades, a mais ambiciosa é, sem dúvida, a de Augusto Comte. Basta saber que aí se pretende partir da ciência (leia-se parcelas do Saber, digo eu), ao mesmo tempo que só se pretende falar em nome da ciência (leia-se parcelas do Saber, digo eu). É a ciência (leia-se parcelas do Saber, digo eu) que tudo deve regular; é, pois, pela ciência (leia-se parcelas do Saber, digo eu) que devem ser reorganizadas as sociedades”.
As religiões, as ciências e as religiociências são as três componentes das parcelas do Saber.
Para que um ser humano possa se tornar um verdadeiro religioso, torna-se absolutamente necessário que ele venha a adquirir os atributos individuais superiores que formam a moral, para que assim ele consiga se elevar ao Espaço Superior e lá possa perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade que dizem respeito à parcela do Saber com a qual se ocupa, transmitindo-os ao mundo através de teorias “a priori”, formando assim um corpo de doutrina, estabelecendo as causas de tudo quanto existe, servindo de fonte para a sua respectiva ciência.
Para que um ser possa se tornar um verdadeiro cientista, torna-se absolutamente necessário que ele venha a adquirir os atributos relacionais positivos que formam a ética, para que assim ele consiga se transportar ao Tempo Futuro e lá possa compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria que dizem respeito à parcela do Saber com a qual se ocupa, transmitindo-as ao mundo através de teorias “a posteriori”, formando assim um corpo de sistema, estabelecendo os efeitos de tudo quanto existe, tendo como fonte a sua respectiva religião.
E para que um ser humano possa se tornar um verdadeiro religiocientista, torna-se absolutamente necessário que ele venha a adquirir tanto os atributos individuais superiores que formam a moral como os atributos relacionais positivos que formam a ética, tornando-se assim verdadeiramente educado, para que então ele consiga se elevar ao Espaço Superior e se transportar ao Tempo Futuro, concomitantemente, universalizando-se, para que estando situado nas coordenadas universais ela possa, simultaneamente, captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria acerca da parcela do Saber com a qual se ocupa, alcançando assim a razão que lhe diz respeito, transmitindo-os ao mundo através de teorias, formando assim um corpo de doutrina e um corpo de sistema, ao mesmo tempo, estabelecendo as causas e os efeitos de tudo quanto existe e que lhe diz respeito.
Como se pode claramente constatar, tanto a moral como a ética, que formam a educação, situam-se em primeiro plano em tudo aquilo que diz respeito às religiões, as ciências e as religiociências, sendo elas o tripé de sustentação de todas as parcelas do Saber. Mas acontece que as ciências de hoje não são assim, pois que para elas tudo gira em torno da ilusão da matéria. É por isso que Farias Brito, em sua obra Finalidade do Mundo – 3° Volume, as páginas 34 e 35, realiza uma crítica direta a essas ciências, fazendo-o da seguinte maneira:
“É somente da ordem dos fenômenos que as ciências cogitam. Mas os fenômenos são apenas manifestações acidentais da existência. Por conseguinte, conhecem as ciências somente acidentes, modalidades exteriores da existência; mas não a existência mesma. Quer dizer: conhecem partes; mas não o todo. Deste modo nunca poderão chegar à compreensão da verdadeira significação racional da natureza, isto é, nunca poderão precisar uma concepção do mundo; e, sem isto, é impossível fazer a dedução da moral (grifo meu)”.
É justamente girando tudo em torno da ilusão da matéria, que as ciências passam também a materializar aos seres humanos, quando estes não são arrebanhados pelas correntes negras dos credos e das suas seitas. E assim, estando materializados, os seres humanos passam a desdenhar da própria Filosofia, por eles assim considerada, tachando-a de inútil, levando-a ao descrédito geral, porque dela não recebem os retornos materiais que recebem das ditas ciências, já que a sua quase totalidade reluta em receber o acervo para a satisfação do espírito, preferindo sempre receber o acervo para a satisfação do corpo carnal.
Ignoram todos que as religiões são filhas legítimas da Veritologia. Que as ciências são filhas legítimas da Saperologia. E que as religiociências são filhas legítimas da Ratiologia. É por isso que Farias Brito, em sua obra A Base Física do Espírito, as páginas 13, 14, 22, 23, 24, 25, 26, 32, 33, 35, 46, 47 e 61, referindo-se diretamente à Filosofia e as ciências, por ainda ignorar os tratados superiores e o verdadeiro papel das religiões, vem afirmar o seguinte:
“Em verdade, a Filosofia é o embrião da ciência, a nebulosa de que resultam por cristalização sucessiva as diferentes disciplinas científicas.
…
… na consideração de que as cogitações filosóficas não aumentam o poder material do homem, e é desta consideração precisamente que deriva a crise da Filosofia. Ora, a ciência só se justifica como instrumento da ação: é o ponto de vista prático da geração atual, o ponto de vista do pragmatismo, doutrina que foi fundada pelos americanos do norte, e que está bem em harmonia com o temperamento desse povo. O sábio moderno é o homem do laboratório e do maquinismo, o homem da ação sobre a natureza. O que não lhe presta nenhum serviço neste sentido deve ser abandonado como inútil. E a Filosofia está neste caso, pois não habilita o homem para agir sobre as coisas, nem o prepara com aparelhos de força para o domínio dos elementos.
…
… e ainda por ação da ciência, inúmeros aparelhos e máquinas são descobertos que, aplicados na indústria, servem para aumentar a nossa capacidade de ação, nas mesmas condições que outros aparelhos aumentam e precisam a nossa capacidade de percepção… como se o mundo fosse, por assim dizer, um prolongamento do nosso próprio corpo, de modo a poder obedecer às vistas de nossa inteligência e aos impulsos da nossa vontade. Tal é o poder da mecânica, da física, da química, e mesmo da biologia: tal é o poder maravilhoso das ciências positivas.
…
É, pois, da ciência que parte o golpe mortal contra a Filosofia. Ora, nós sabemos que a ciência é filha da Filosofia. Costuma-se mesmo dizer que a Filosofia é como uma árvore de que resulta a ciência. É um fato que se prova não só pela história do pensamento, como igualmente pelo exame do espírito. Mas aqui acontece que a filha matou a própria mãe. É como se o fruto, desenvolvendo-se em excesso, terminasse por matar a árvore de que foi gerado, por lhe absorver toda a seiva e vigor. Verdade é que o fruto, de si mesmo, encerra a semente que há de nascer a árvore nova; mas o sábio não considera isto, e, deslumbrado pelo poder da ciência, conclui que a Filosofia está morta e bem morta.
… os próprios filósofos tiveram disto a clara compreensão; tanto assim que, sentindo-se perdidos ou sem coragem para reagir na luta que tinham de sustentar, procuraram, com todo o esforço, impressionar, não já pelo valor das ideias, mas unicamente pela estranheza e mesmo pela extravagância das concepções. Daí as obras informes e escandalosas, que constituem a característica particular do pensamento contemporâneo: poderoso elemento de demolição e anarquia. Alguns, porém, mais resistentes e, sobretudo, mais férteis em recursos de acomodação, entenderam que era necessário transigir e, assim, como meio de salvação, trataram de fazer o que eles próprios denominam, com certo orgulho e pomposamente, filosofia científica.
…
Também, se a Filosofia, para empregar uma imagem de que já me servi, pode ser compreendida como a árvore de que resulta como fruto a ciência, forçoso é reconhecer que, no caso da filosofia ciência, a árvore é como uma árvore feita de cimento, imóvel e fria; dura como a rocha e estéril como o deserto. É que falta a essa filosofia o espírito que dá vida, o laço imperceptível pelo qual se liga cada coisa ao grande todo.
…
Desfeitas as crenças populares, entregue o povo sem ideal e sem fé, exclusivamente ao império das paixões desordenadas, quem será capaz de prever o que daí poderá vir de loucura e de excessos? Toda extravagância é imaginável, toda crueldade é possível, porque sem governo moral o homem é o mais perigoso dos animais.
…
A ciência contra a Filosofia, a Filosofia contra a religião (leia-se credo, digo eu), e, na esfera da atividade religiosa (leia-se credulária, digo eu), cada religião (leia-se credo, digo eu) contra todas as religiões (leia-se credos, digo eu) — eis o estado atual do espírito humano.
…
A causa real de todos os conflitos, de todas as lutas, de todas as tradições do espírito, como de todas as convulsões sociais, é o erro, o erro que se disfarça por mil modos e domina como senhor onipotente. Se não o erro, MAS A VERDADE DOMINASSE (grifo e realce meus), todo o conflito desapareceria, e a paz reinaria, sem interrupção, entre os homens. Somos, pois, obrigados a proclamar, no caso particular que nos ocupa, que a ciência que se opõe à Filosofia, é uma falsa ciência (grifo meu). Do mesmo modo devemos reconhecer que a filosofia que se opõe à religião, é uma falsa filosofia (grifo meu). E assim é, porque todas estas produções do espírito, ciência, Filosofia, religião, são necessários e correspondem a aptidões reais e vivas que têm o seu fundamento natural e orgânico no mecanismo mesmo da nossa vida espiritual.
…
… a atmosfera está contaminada de ceticismo e o filósofo, sem advertir-se, vai sendo levado inconscientemente pela corrente dominadora, a despeito de serem inteiramente contrárias as suas ideias e as suas convicções.
É preciso, entretanto, sair desta situação duvidosa. Estamos em época de verdade e sinceridade, e as posições vacilantes e incertas já não são aceitáveis. Hoje o princípio que devemos proclamar é este: não há salvação fora da verdade. Por conseguinte, tratando-se de metafísica, a alternativa é esta: ou a metafísica é uma necessidade fundamental do espírito, força que exerce função viva e real, e neste caso deve ser cultivada… e sobretudo defendida com valor e coragem… a religião, por exemplo, que é uma aplicação imediata da metafísica, que é a metafísica fazendo a dedução da lei e organizando a sociedade, só por ação da força moral, a religião, digo… que é o princípio supremo em tudo o que diz respeito à vida do espírito… a religião é a verdade e nesse caso deve dominar sobre todos e sobre tudo.
…
Particularizando-se na observação dos fenômenos, a Filosofia produz as ciências, que são por isto mesmo o conhecimento especializado, decomposto em diferentes disciplinas, na proporção dos diferentes aspectos com que se nos apresenta a realidade”
A Veritologia, a Saperologia e a Ratiologia são os tratados superiores que tomam o todo aos seus cuidados, por essa razão elas conseguem alcançar o Saber, por excelência, representando, pois, a árvore frondosa do Saber. Enquanto que as religiões, as ciências e as religiociências são os tratados inferiores que tomam as partes aos seus cuidados, as parcelas do Saber, por essa razão elas não conseguem alcançar o Saber, por excelência, representando, pois, os ramos que formam a estrutura da árvore frondosa do Saber.
Somente os tratados superiores podem responder aos questionamentos que dizem respeito aos segredos da vida e aos enigmas do Universo, não sendo esses quesitos da alçada dos tratados inferiores, como, por exemplo: o que é Deus? O que é a vida? Onde começa a vida? De onde nós viemos, quando encarnamos? O que estamos fazendo aqui neste mundo, como encarnados? Para onde nós iremos, após a desencarnação? Qual é a formação do Universo? Como nós podemos nos situar e nos orientar no Universo? Quais são as naturezas do bem e do mal? Por que são necessários dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio para a formação da água? Quais são as origens do magnetismo, da eletricidade e do eletromagnetismo?
A ciência de hoje responde a esses questionamentos? Não. Por quê? Porque ela trata somente daquilo que julga poder explicar, com todas essas suas explicações se situando, única e exclusivamente, no âmbito dos efeitos, sem que consiga alcançar as causas. Assim, tudo aquilo que extrapola ao âmbito das suas competências, ela simplifica afirmando simplesmente que tal coisa, tal fato, tal fenômeno, não é verificável.
E aqui o próprio leitor pode fornecer o seu parecer em torno desta questão: é racionalmente lógico que as coisas, os fatos e os fenômenos universais não venham a ser verificáveis em sua totalidade? Se sim, então estamos obscurecendo a nossa própria inteligência, denegrindo-a, reconhecendo a nossa incapacidade por desvendar os segredos da vida e os enigmas do Universo, o que neste caso todo o desenvolvimento da nossa inteligência desde os tempos mais remotos seria em vão, levando-nos fatalmente a desistir da busca pela verdade, pela sabedoria e pela razão. Se não, então estamos iluminando a nossa própria inteligência, enaltecendo-a, reconhecendo a nossa capacidade por desvendar os segredos da vida e os enigmas do Universo, dando sentido ao desenvolvimento da nossa inteligência desde os tempos mais remotos, levando-nos a insistir na busca pela verdade, pela sabedoria e pela razão, certos de que os nossos órgãos mentais reúnem as condições propícias para perscrutar todo o Universo.
Em razão da mescla que sempre existiu em todos os tempos em relação aos tratados superiores e aos tratados inferiores, os estudiosos do assunto se referem sempre em seus escritos unicamente à Filosofia e a ciência. É por isso que Will Durant, em sua obra Filosofia da Vida, as páginas 13 e 245, vem assim se expressar:
“Ciência é a interpretação analítica das partes; Filosofia é a sintética interpretação do todo.
…
Todas as ciências transferem à Filosofia os problemas que não podem resolver”.
E se a ciência de hoje joga a toalha, assim como se diz por aí, não conseguindo concluir a respeito daquilo que não é da sua competência, como é o caso da vida, recusando-se a tratar daquilo que considera não seja verificável, como são os casos de Deus e da espiritualidade, os tratados superiores aqui se fazem presentes para pôr tudo nos seus devidos lugares.
É certo que alguns chegaram a tratar a respeito da verdade, mas nenhum conseguiu o intento de se elevar ao Espaço Superior e utilizar o seu criptoscópio para perceber e captar os seus conhecimentos metafísicos, por isso as suas saperologias, ou a suas doutrinas, são um tanto quanto estéreis, situando-se mais no âmbito especulativo, tendo apenas Luiz de Mattos e os seus seguidores conseguido alcançar a esse desiderato.
E que alguns chegaram a tratar a respeito da sabedoria, mas poucos foram aqueles que conseguiram se transportar ao Tempo Futuro e utilizar os seus intelectos para compreender e criar as suas experiências físicas, principalmente porque não se depararam com a verdade para que pudesse explaná-la, em que nos tempos atuais podemos destacar o nosso Farias Brito.
Mas nenhum tratou diretamente a respeito da razão, a não ser o grande Platão. A tentativa infrutífera de Tomás de Aquino em conciliar a fé credulária com a razão, tendo por base a sabedoria de Aristóteles, não possui qualquer fundamento, por isso a sua saperologia denominada de escolástica é completamente estéril, sem qualquer fruto, daí a razão pela qual ele é venerado pela Igreja Católica, que teima em disseminar a ignorância por todo o orbe terrestre, pelo fato dos seus sacerdotes seres instrumentos do astral inferior, principalmente o papa, em sua vaidade estúpida e grosseira.
Somente a razão, que coordena a verdade e a sabedoria, iluminando a consciência dos seres humanos de boa vontade, pode fazer sobressair o criptoscópio e o intelecto, promovendo a espiritualização de toda a nossa humanidade. E se a razão coordena a verdade e a sabedoria, ela também coordena o poder e a ação, ressaltando a natureza da vida em seu mais alto grau de manifestação, afirmando a sua existência eterna e universal. Ernest Renan, em sua famosa obra L’avenir de la Seience, escrita há mais de um século, diz o seguinte:
“A última palavra da ciência moderna é organizar cientificamente a humanidade. Tal é a sua pretensão, audaz, porém legítima. Chego mais longe. Como a obra universal de que se vive é tornar perfeito a Deus, quer dizer, realizar a grande resultante definitiva que enfeixa o círculo das coisas com a unidade, indubitável é que a razão, que até agora não tomou parte alguma nesta obra, se encarregará um dia de levá-la a cabo, e, depois de haver organizado a humanidade, organizará a Deus (grifo meu). Nada deve assombrar a quem considere que todo o progresso realizado até agora não é talvez mais que a primeira página do proêmio de uma obra infinita”.
É sabido que os veritólogos que pertenceram às escolas jônica, eleática, itálica e atomista buscaram a verdade, mas sem que houvessem conseguido formar um corpo de doutrina para os conhecimentos metafísicos que eles transmitiram ao mundo. Aristóteles, então, compilou a esses conhecimentos metafísicos transmitidos por esses veritólogos e deles se utilizou para dar origem às ciências. Por aqui já se pode comprovar que as ciências são filhas legítimas da Saperologia.
Com a encarnação de Jesus, o Cristo, através das suas palavras “Somente a verdade poderá livrar a humanidade das garras da ignorância e levá-la ao cumprimento do dever”, nós podemos comprovar, sem qualquer sombra dúvida, que a verdade ainda não se fazia presente no seio da nossa humanidade. Foi a partir da encarnação do nosso Redentor que teve início uma nova Grande Era, a Era da Verdade, em que nela os seres humanos passaram a desprender esforços no sentido de conhecer a verdade, tendo alcançado a esse desiderato somente com a encarnação de Luiz de Mattos, através do Racionalismo Cristão.
Assim, a partir de Aristóteles, as ciências passaram a tomar corpo, desenvolvendo-se, mas sempre esteadas na matéria, estando elas mescladas com as religiões, uma vez que os tratados superiores ainda se encontravam em fase de desenvolvimento, em que a Saperologia, sob a denominação imprópria de Filosofia, era a encarregada de todas as investigações e pesquisas transcendentais, como se aparentemente estivesse em uma espécie de “banho maria”, mas apenas aparentemente, pois que ela mesmo assim sempre foi atuante. Adísia de Sá, uma mulher estudiosa e bastante culta, em sua obra Introdução à Filosofia, a página 173, relata-nos este quadro, da seguinte maneira:
“Como já foi dito, Filosofia e Ciência tiveram uma origem comum. As ciências faziam parte do corpo da Filosofia, mas foram se afastando gradativamente, buscando autonomia: Geometria (Euclides); Mecânica (Arquimedes); Física (Galileu e Newton); Química (Lavoisier); Biologia (Claude Bernard); Psicologia (Wundt); Sociologia (Comte).
A Filosofia ficou, por assim dizer, num território a ser conquistado”.
E Renan vem completar o relato desse quadro, mas sem enfatizar o progresso único das ciências, conseguindo também contemplar o progresso dos tratados superiores, apesar de focar a esse progresso unicamente na Filosofia, quando assim se expressa:
“Sócrates deu aos homens a Filosofia e Aristóteles deu-lhes a ciência. Existia Filosofia antes de Sócrates e ciência antes de Aristóteles; e depois de Sócrates e de Aristóteles a Filosofia e a ciência progrediram muito, mas tudo se construiu sobre os fundamentos que eles lançaram”.
É belo de se apreciar o esforço dos estudiosos da história dos tratados superiores, no que tange à Filosofia, por querer explicar as especulações veritológicas e as hipóteses saperológicas, embora sempre olvidem da razão.
É sabido que o método utilizado pela Veritologia e pelas religiões é o método dedutivo, pois que ambas tratam dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade; a Veritologia em relação ao Saber, por excelência, e as religiões em relação às parcelas do Saber. Que o método utilizado pela Saperologia e pelas ciências é o método indutivo, pois que ambas tratam das experiências físicas acerca da sabedoria; a Saperologia em relação ao Saber, por excelência, e as ciências em relação às parcelas do Saber. E que o método utilizado pela Ratiologia e pelas religiociências é o método da inferência, determinando as finalidades de tudo quanto existe, pois que ambas tratam tanto dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade como das experiências físicas acerca da sabedoria; a Ratiologia em relação ao Saber, por excelência, e as religiociências em relação às parcelas do Saber.
Mas esses estudiosos ainda não conseguiram segregar a esses assuntos de natureza transcendental, por isso, ignorando as relações de causa e efeito, passam a confundir os conhecimentos metafísicos com as experiências físicas, denominando a estas de causas segundas, que não existem, e àqueles de causas primeiras, que também não existem, pois todas as causas são causas em si, e eles ainda passam a considerar que para que se possa apreender o Saber, deve-se partir da experiência, ignorando completamente que os conhecimentos são as fontes das experiências, que coordenadas se pode alcançar o Saber, por excelência. É isso que vamos encontrar nos autores Umberto Padovani e Luís Catagnola, em sua obra conjunta intitulada de A História da Filosofia, a página 59, quando os autores afirmam o que se segue:
“Quando ao método da Filosofia, ele é indutivo, quer dizer, parte da experiência, como todo saber humano; mas, enquanto as outras ciências se restringem ao âmbito da experiência (às causas segundas), a Filosofia transcende-o (até as causas primeiras), para explicar inteiramente a experiência”.
A comunidade científica é mais do que ciente de que muitos questionamentos com que se deparam as ciências não são das suas competências, então os seus integrantes vêm com a desculpa esfarrapada de que certos assuntos não são verificáveis, quando não, passam a imaginar que isso é assim e assim outro, ou ainda, tentam a explicar apenas os assuntos que lhes convêm, olvidando dos demais. Se isso não for falsidade, pode ser então o quê? Covardia? Presunção? Soberbia? Nescidade? Que cada um avalie como bem quiser.
Esses ditos cientistas possuem a certeza plena de que necessitam de tratados que sejam superiores às ciências materialistas em que medram, mas, infelizmente, são renitentes, teimando em não dar o braço a torcer, como se diz por aí. Tratando acerca do assunto, Umberto Padovani e Luís Catagnola, na mesma obra, as páginas 503, 514 e 515, dizem o seguinte:
“A ciência do século XX possui a consciência nítida da necessidade de uma filosofia racional que dê valor às suas conclusões, bem como possui a consciência nítida da sua dependência dessa filosofia. Lemos, a esse propósito, até em manuais escolares: ‘Os cientistas contemporâneos não escondem mais sua admiração diante da ordem e da harmonia do Universo, reveladas pela mais rigorosa investigação experimental. Com isso, vão abandonando as fórmulas mecanicistas, vazias e inexpressivas, para admitirem um sentido no Universo. É assim que Einstein se refere, a cada instante, ao longo da sua obra, à ‘harmonia do mundo’ e à ‘ordem sublime do universo’. Para Jeans, ‘o universo parece ter sido concebido por um puro matemático’… Segundo Eddington, ‘a ideia de um espírito ou logos universal seria uma inferência muito plausível do estado atual das teorias científicas; ou, pelo menos, aquela estaria de acordo com estas’. E depois de confessar as ‘contradições do pensamento científico’, declara peremptoriamente, que ‘os novos princípios da ciência convidam a fazer interpretações espirituais do universo’.
…
… querendo relacionar a filosofia racional com as ciências particulares — assunto que empolga os filósofos de todas as correntes do pensamento moderno — é preciso levar em conta a natureza específica da filosofia racional e das ciências. Com base nesse princípio, Maritain estabeleceu quatro cânones, que nós julgamos fundamentais, demonstrando como a filosofia racional… sabe resolver com a mais acertada precisão as questões sempre novas que se apresentam ao espírito humano ao longo da sua história…
Eis, pois, os princípios de Maritain a esse respeito:
- A Filosofia, e acima de tudo a Filosofia por excelência ou metafísica, é a ciência mais elevada. Logo, tem direito de julgar todas as outras ciências humanas, condenando como falsa qualquer proposição científica incompatível com suas próprias verdades;
- Os princípios da Filosofia, por serem os princípios absolutamente primeiros de todo conhecimento humano, mantêm de certo modo em sua dependência os princípios de todas as outras ciências humanas. Logo a Filosofia dirige as outras ciências;
- Visto, pois, que as ciências particulares desenvolvem as suas demonstrações partindo de certos princípios ou de certos dados que não podem elucidar e nem tampouco defender, é forçoso admitir que a tarefa de defender a esses princípios e a esses dados pertence a uma ciência superior. Logo cabe à Filosofia defender os princípios de todas as ciências contra qualquer adversário;
- Pelo fato de que a Filosofia, a título de sabedoria e de ciência suprema, julga e defende as outras ciências, não está ela sob a dependência das ciências, o que significa que a Filosofia é independente das ciências inferiores, ou, pelo menos, só depende como o superior que, não sendo bem forte e não se bastando a si mesmo, depende dos ministros ou dos instrumentos que emprega. Eis porque Aristóteles a considerava como sendo a ciência livre por excelência”.
Estando devidamente explanadas as naturezas tanto dos tratados superiores como dos tratados que lhes são inferiores, sabe-se agora o porquê das existências do Saber, por excelência, assim como das parcelas do Saber.