05.01.07- O determinismo

O determinismo pode ser considerado como sendo um sistema de sabedoria que subordina o poder e as ações de todos os seres aos ditames da Providência Divina, no caso dos seres humanos, que é o assunto ora em pauta, sem que lhes seja negada a faculdade do livre arbítrio. E como o poder e a ação representam a vida, então nós podemos considerar que a vida de todos os seres humanos se situa rigorosamente contida no âmbito do determinismo.

Para que possamos compreender melhor a esse sistema de sabedoria, recordemos Luiz de Souza se referindo a respeito das vocações, quando o veritólogo afirma que como as peças de um relógio, cada ser humano tem de assumir o seu lugar na vida e procurar fazer, do melhor modo possível, a sua tarefa vocacional.

Entende-se com isso, que cada ser humano faz parte integrante da humanidade, como é óbvio, o que nos leva automaticamente à compreensão de que fazemos parte de um todo humano, cuja organização tem que ser considerada consoante as normas administrativas, para que assim se possa alcançar a ordem e o progresso em harmonia, que conduz rumo à perfeição, proporcionando a que todos, indistintamente, mas em conjunto, aos poucos tenham acesso aos atributos individuais superiores e relacionais positivos, à medida que deles forem se fazendo merecedores, tornando-se educados, por intermédio do cumprimento das leis espaciais, dos princípios temporais e dos preceitos universais, até se confundirem com o Todo, sendo para tal fim que cada um existe, daí a razão pela qual a existência é eterna e universal.

E sendo para tal fim que cada um existe, não pode cada um existir com o fim em si mesmo, mas sim com o fim no Todo, tendo antes para tanto que assumir o seu lugar dentro do todo relativo à organização da nossa humanidade. Em consequência, não pode cada ser humano se bastar a si mesmo, uma vez que nem o todo humano pode se bastar a si mesmo, já que existem outros todos humanos encarnando por esses mundos-escolas que rolam pelo Universo, com todos os seres evoluindo em busca das suas origens, do Criador, que é o Todo.

Meu Deus, que panorama exuberante de se participar e de se explanar!

Assim, cada ser humano se encontra subordinado a uma organização humana, que naturalmente o obriga não só ao cumprimento das regras de adaptação ao todo humano, como também em relação ao meio que vive neste mundo, sob as quais a natureza impõe o exercício das atividades espirituais, que são as obrigações naturais, como também a conviver racionalmente com os demais integrantes que formam a parcela restante do todo humano, os quais são os seus próprios semelhantes. 

Fica claro, então, que todos os espíritos que formam uma humanidade se encontram ligados uns aos outros de modo indissolúvel, com cada um devendo executar as suas respectivas obrigações naturais em prol e em obediência a esse todo, assim como também os seus deveres, e, em alguns casos, as suas missões. Todas essas obrigações naturais, deveres e missões têm os seus graus de complexidade relativos à posição em que cada um se encontra no seu respectivo estágio de evolução da escala humana, como a lógica assim faz pensar, pela sua obviedade e pela sua própria clareza em relação a todo o contexto.

Está, pois, bastante inteligível o que o autor quis exprimir, quando diz que “Como as peças de um relógio, cada indivíduo tem de assumir o seu lugar na vida e procurar fazer, do melhor modo possível, a sua tarefa vocacional”, uma vez que cada indivíduo se encontra subordinado a uma organização que lhe especifica um lugar determinado a preencher na vida, lugar esse que deve ser ocupado com o cumprimento das obrigações naturais, dos deveres e das missões, que por sua vez devem ser recebidas como dádivas da Providência Divina, quando delas se forem fazendo dignos, para que assim possam exteriorizar os seus talentos por intermédio das suas vocações.

Vejamos mais algumas afirmativas desse notável veritólogo chamado de Luiz de Souza, quando em sua obra Ao Encontro de Uma Nova Era, a página 184, ele assim se expressa:

“Em tratados de Filosofia, sina e destino são palavras substituídas por determinismo. Realmente, há um certo determinismo na vida. Desde que todos, ao virem a este mundo, trazem uma rota a ser percorrida, ficam sujeitos a um plano geral de ação, dentro do qual se nota uma parcela de determinismo que se alia à sua vocação.

Assim, exemplificando, o que nasceu para ser um comerciante segue uma linha determinada, diferente daquela que norteia o advogado. Essa poderá, em certos casos, determinar as rotas de cada um, baseadas, principalmente, na vocação.

O determinismo, encarado espiritualmente, não é fatalismo. A falta de conhecimento de alguns filósofos sobre as leis da reencarnação e a maneira de preparar-se o retorno do espírito à Terra, em novo corpo físico, levou-os a pensar que era Deus quem enviava os seres à via terrena com esta ou aquela vocação, com este ou aquele destino, fato que os induziu a acreditar que o determinismo fosse rota determinada ou imposta por Deus, inexoravelmente. Só a ausência de ilustração espiritualista os poderia conduzir a tal conclusão.

A ideia errônea de pensar que na vida impera o destino, a sina, o fatalismo, leva os seres a não se esforçarem por mudar o curso dos acontecimentos, julgando ser inútil o esforço desenvolvido nesse sentido”.

Todos aqueles que são afeitos à espiritualidade, possuem a consciência plena da existência do determinismo. Quando presidente do Racionalismo Cristão aqui na Terra, após a manifestação do espírito de Antônio Cottas em sessão pública de 16 de junho de 1983, por ocasião do seu doutrinamento, conforme consta na obra Discursos de Antônio Cottas, a página 198, o Dr. Humberto Rodrigues assim se pronunciou:

“A evolução do mundo é um determinismo incontestável, e para a constatação dessa verdade não é preciso muita inteligência e intelectualidade. Basta analisarmos o desenvolvimento imposto pelos fatos e circunstâncias desde a pré-história até o século XX da era cristã, para verificarmos que esse determinismo evolutivo é lento, gradativo, mas inexorável”.

Apreciemos agora um pouco do belo que existe na beleza infinita da Inteligência Universal.

É a nossa própria humanidade quem determina um lugar específico a cada espírito no contexto da organização humana, ela então é a responsável direta pelo determinismo do ser humano. É da própria Providência Divina de onde emanam as obrigações naturais, os deveres e as missões para que os humanos seres possam fazer valer as suas vocações dentro desse contexto humano. Ela então é a responsável direta pelo determinismo de toda a nossa humanidade. Deus assim se utiliza da nossa humanidade para estabelecer o determinismo aos seres humanos, e se utiliza dos seres humanos para estabelecer o determinismo à nossa humanidade.

Recorrendo novamente ao mesmo veritólogo Luiz de Souza, para reforçar a afirmativa acima, vemos essa fonte segura do conhecimento da verdade dizer que a Inteligência Universal está presente em toda parte, e cada ser se move no Seu oceano de Sabedoria, com uma trajetória definida. Se o mau uso do livre arbítrio não opuser dificuldades a que o espírito prossiga, serenamente, na sua jornada, pode se considerar vitoriosa a encarnação consumada, e novos horizontes serão descortinados na vida espiritual.

Aqueles que fazem bom uso do livre arbítrio, pautam as suas ações nas leis espaciais, nos princípios temporais e nos preceitos universais, cujo autor é Deus, pois que Ele está contido em cada um de nós, consoante os nossos estágios evolutivos, então tudo emana de Deus, como jamais poderia ser diferente. Em decorrência, os seres humanos recebem as obrigações naturais, os deveres e as missões para que possam nortear as suas ações, cujo autor também é Deus, sendo assim que se revela a Providência Divina. É lógico, então, que tudo tem que ser determinado por Deus e estar de acordo com a sua vontade, mesmo as nossas ações, que são todas humanas, ou melhor, devendo ser todas espirituais. Não se pode esquecer que tudo faz parte do Todo, inclusive a ignorância, de onde emana todo o mal deste mundo.

Aqueles que fazem mau uso do livre arbítrio, pautam os seus poderes e as suas ações nas leis e nos princípios dos mais fortes, mas dos mais fortes materialmente falando, cujos autores, logicamente, são também os materialmente mais fortes, onde se inclui tudo aquilo que possa agradar aos seus desejos e apetites intemperados, portanto, materializados, sendo por isso que tais poderes e ações não emanam de si mesmos, mas daqueles que lhes devem obediência, ou que se encontram sob as suas ordens. Em decorrência, recebem obrigações pessoais para que assim possam nortear os seus poderes e as suas ações, cujos verdadeiros autores são também os materialmente mais fortes, que são os seus subordinados. É lógico, então, que tudo tem que se encontrar de acordo com os ditames dos materialmente mais fortes e satisfazendo aos seus desejos intemperados. E como os maus por si se destroem, a tendência é o isolamento, a solidão do bando, os conflitos internos, até que as dores do mundo os obriguem a fazer bom uso do livre arbítrio, concedendo-lhes o direito de retorno e o convívio harmonioso com os demais seres humanos.

Além do mais, é inconcebível a existência de alguma trajetória evolutiva que tenha sido determinada da parte para o Todo, quer dizer, à revelia do Todo, de forma autônoma, isolada, alheia à Sabedoria Absoluta. Seria como se assim nas milhares de peças que integram um veículo automotor qualquer, que se movimenta normalmente para frente ou para trás, o pneu traseiro do lado esquerdo, e apenas ele, independentemente de todas as demais peças, resolvesse, por si, rodar em direção dos lados.

Por isso, a personificação da fatalidade a que alguns supõem sujeitos todos os espíritos e todas as coisas deste mundo, que são os acontecimentos fatais denominados de sorte, fado, sina, destino, etc., em si, não existem, pois como afirma Luiz de Souza, o determinismo, encarado espiritualmente, não é fatalismo.

Sabemos que existe uma escala ascendente em relação às obrigações naturais, aos deveres e às missões, escala esta que vai ascendendo de acordo com as sucessões das encarnações humanas, à medida que vão sendo destinadas à nossa humanidade mais obrigações naturais, mais deveres e mais missões, que tanto dizem respeito às atividades de relação dos espíritos com este planeta como às atividades essenciais dos espíritos entre si, com elas se tornando cada vez mais numerosas e mais complexas, como é exemplo o sistema de processamento eletrônico de dados e outros, uma vez que o seu envio obedece estritamente às necessidades requeridas pela evolução do espírito humano.

Sabemos também que, desde os tempos primitivos, até os dias de hoje, é preciso o auxílio do processamento eletrônico de dados para que se possa agrupar e catalogar todas as obrigações naturais existentes, sem que ninguém de bom senso se arrisque a mensurar o grau de complexidade que se encerra em cada uma delas. No entanto, ignoram-se ainda os deveres e as missões espirituais.

E sabemos ainda que assim se pode compreender com clareza todo o processo evolutivo da nossa humanidade, e como no âmbito desta compreensão deixa a Providência Divina transparecer toda a sua ação provedora para com os seres humanos, bastando apenas que alguém se resolva a ordenar a escala ascendente das obrigações naturais — restringindo-se apenas a elas — existentes em determinados períodos da civilização humana, para constatar que elas partem de uma quantidade bastante reduzida para uma outra mais numerosa, das mais simples para as mais complexas, sempre com o objetivo voltado para o progresso espiritual, para que todos possam operar e influenciar cada vez mais sobre o meio em que vivem, rumo à aproximação dos povos, em busca da harmonia total, no sentido da evolução.

Esse determinismo assim posto, já foi dito em discurso pelo Dr. Humberto Rodrigues, conforme se pode comprovar quando ele diz que a evolução do mundo é um determinismo incontestável, e para a constatação dessa verdade não é preciso muita inteligência e intelectualidade. Que basta analisarmos o desenvolvimento imposto pelos fatos e circunstâncias desde a pré-história até o século XX da era cristã, para verificarmos que esse determinismo evolutivo é lento, gradativo, mas inexorável.

O Deus verdadeiro, também denominado de Grande Foco, Inteligência Universal, Alma do Universo, Arquiteto do Universo, Ser Supremo, Luz Divina, ou, simplesmente, Pai, como Jesus, o Cristo, assim a Ele se referiu, que é o Todo — e não o deus vivo pregado pelos credos e seitas materialísticos e mercenários, exclusivamente de cunho comercial —, por ser Onipotente, Onipresente e Onisciente, não pode ser univalve, já que é composto por cada um dos seres que o integram, sendo por isso também denominado de Ser Total, que possui a Força Total, a Energia Total e a Luz Total. Desta forma, como afirma o Dr. Pinheiro Guedes, Ele só age indiretamente, posto que age por intermédio dos executores da sua vontade, que são os espíritos.