Eu venho até hoje escrevendo a minha explanação acerca da doutrina do Racionalismo Cristão sem que tenha largado o hábito de fumar, salvo em alguns intervalos, nas ocasiões em que eu frequentei as sessões da doutrina, e na ocasião em que me isolei no sótão da casa da minha ex-mulher para que pudesse investigar e pesquisar as Substâncias de Deus, a fim de organizá-Lo perante a minha humanidade, segregar a Veritologia da Saperologia, fazendo surgir a Ratiologia, e, consequentemente, efetivar o casamento entre as religiões e as ciências, fazendo surgir as religiociências, tirando as religiões das garras aduncas da classe sacerdotal, e nelas pondo os credos e as suas seitas, como de direito, para que assim pudessem vir à tona os vinte termos da evolução espiritual.
Eu sei perfeitamente que a doutrina do Racionalismo Cristão condena todos os tipos de vícios, assim como eu também condeno, como não poderia ser diferente, e que os seus militantes são preconceituosos com quem mantém o hábito do fumo, evitando sempre a sua companhia, pois que todos eles evitam se acompanhar daqueles a quem consideram obsedados. Justamente por isso, eu evitava fumar na companhia de qualquer um deles, pois que não faz parte da minha linha de conduta afrontar a quem quer que seja.
No entanto, o fato de eu ainda manter o hábito do fumo doía tremendamente em minha consciência. Algumas vezes eu até tentava largar a esse mau hábito, mas não conseguia. Outras vezes eu ensaiava largar a esse mau hábito, mas logo desistia. Era como se algo advindo de mim mesmo viesse a me impedir, não advindos dos espíritos quedados no astral inferior, mas se assim fosse pouco me importaria. A minha querida esposa sempre aproveitava essas ocasiões para dizer que eu era um fraco, que não tinha força de vontade, em que eu replicava dizendo que ela não se metesse nas minhas experiências saperológicas, ao que ela retrucava, dizendo que era desculpa amarela da minha parte para não largar o mau hábito.
Partir para a crítica ela bem que sabia partir, e como sabia partir, mas quando eu a convidava para partir para uma conversa transcendental comigo, ela partia para o sentido oposto, ou seja, fugia da conversa como o diabo foge da cruz, assim como igualmente fugiam todos os demais, e ela não podia ser diferente, alegando que não conseguia compreender as minhas palavras, embora nunca tivesse tentado compreendê-las, pois se tivesse tentado com certeza eu faria com que ela compreendesse. Ora, a minha querida mãe foi a única que se dispôs a conversar comigo, e eu não a fiz compreender as minhas palavras? Agora, se ela compreendeu, mas optou por seguir aquilo que sentia, aí é outra história.
Até que, recentemente, eu deixei o hábito do fumo por aproximadamente dois meses, mas tive que retornar ao hábito, quando então eu disse para mim mesmo: ‒ Meu Deus! Será que eu sou realmente tão fraco assim? Não pode ser. Deve haver alguma razão plausível para que eu esteja fumando, e esta razão eu hei de descobrir, assim como tudo que já descobri.
Há uns dois dias atrás, quando estava dormindo, sonhei com uma espécie de voz, e digo uma espécie de voz dada a sua suavidade e delicadeza, dizendo-me carinhosamente o seguinte: “‒ Pamam, você está fumando muito”. Logo em seguida, de imediato, veio-me o pensamento direto em Luiz de Mattos. E, realmente, eu estava fumando muito, pois fumava um maço de cigarros por dia, e hoje já estou passando dos dois, já que quando estou concentrado nos meus escritos passo a acender um cigarro quase seguido de outro.
De início, eu pensei que fosse alguma determinação do Astral Superior para que eu largasse o hábito de fumar, e logo resolvi obedecer. Porém, passei a refletir sobre o fato, mas passando a refletir fumando. Quando estava explanando sobre as vibrações magnéticas e as irradiações elétricas, adentrando ao assunto relativo aos ventos, com a descida dos fluidos provenientes do mundo-escola que seguimos na esteira evolutiva do Universo, em conjunto com o que a nossa humanidade vibra e irradia, o meu raciocínio sinóptico, associando várias ideias correlatas, fez-me chegar à conclusão acerca da origem dos vícios e muito mais.
Ao que tudo indica o meu hábito de fumar está chegando ao seu final, pois que desde o início das minhas experiências científicas acerca da espiritualidade, eu sempre fui um fraco, justamente para me deixar cair no erro e nas tentações, por livre e espontânea vontade, caso contrário as minhas realizações não seriam possíveis, pois somente assim eu poderia detectar as causas e os respectivos efeitos de todos os meus erros, tirando disso uma lição de vida, para que então pudesse explanar a doutrina racionalista cristã, conhecendo profundamente as influências maléficas do ambiente terreno, segregando-as da moral e da ética com legitimidade, que era a maneira mais lógica e racional para que a verdade e a sabedoria pudessem estar plenamente coordenadas pela razão, com tudo estando segregado. Sendo por isso que Luiz de Mattos afirmou em suas obras que todos iriam ver um fraco se tornar um forte.
Até hoje na minha vida todo o meu modo de proceder sempre teve um sentido, nada foi em vão, ao léu, e não poderia continuar de um modo diferente. Não é muito fácil um fraco se tornar um forte, eu bem o sei, mas é perfeitamente viável, pois tudo é possível quando se tem boa vontade, e nada é impossível quando as aspirações a serem alcançadas se encontram inseridas no âmbito da realidade, em conformidade com o estágio evolutivo em que o espírito se encontra, dentro do seu raio de ação.
Há pessoas que em algumas ocasiões procedem de modo muito devagar, quase que parando, e, em outras ocasiões, procedem de modo muito acelerado, quase atropelando tudo, quando então a sabedoria popular vem afirmar que elas “ou são oito ou oitenta”. Mas eu costumo me situar sempre no limite extremo, desde que tenha adquirido as condições mínimas de ação, como assim exige de mim o meu estágio evolutivo, pois caso não fosse assim, eu retardaria um tanto a minha evolução espiritual, e isto eu não posso deixar acontecer, pois sei exatamente da importância das minhas ações em relação à evolução universal, por isso eu não posso deixar de praticar o bem o qual eu almejo praticar, pois então eu me sentiria imensamente desconfortável com a situação, sentindo-me praticamente como se fosse algum inútil, pois como bem disse Antônio Cottas, tudo o que fazemos de bem para os nossos semelhantes é pouco para o bem que almejamos fazer.
Além do mais, e isto se reveste de um ponto fundamental para as minhas ações, para o meu modo individual de proceder, eu quero exercer a minha força de vontade com sabedoria, com plena consciência do modo como estou procedendo, e não em função das determinações alheias, sejam elas provenientes da verdade ou não, pois quem aponta e direciona o rumo da vida, indicando o seu verdadeiro caminho é a sabedoria, e não verdade, tendo esta que ser colocada como sendo a fonte daquela, para que assim se possa estar em inteira conformidade com a razão, que tem que ser universal. E assim eu já tenho tudo planejado.