Em todas as lutas que são travadas entre os seres humanos, em que eles se digladiam entre si, existem dois fatores principais que podem ser considerados como preponderantes para que elas ocorram.
Em primeiro lugar, situa-se sempre a ignorância, que vem à frente de tudo, através das inúmeras formas em que ela se nos apresenta, tais como a conquista do poder, a conquistas de terras, a obtenção de riquezas, as vantagens comerciais, e tudo o mais que gira em torno de interesses pessoais ou coletivos, além disso, a ignorância gera a produção do ódio entre irmãos em essência, a intolerância credulária, as desavenças, os desentendimentos, os conflitos, e tudo o mais do gênero que é gerado pela imaginação humana. Em relação aos interesses pessoais, todos eles são efêmeros e passageiros, próprios da extrema materialidade reinante em nossa humanidade, e todos os seres humanos deveriam ser conscientes do fato, mas preferem olhar apenas para as suas próprias panças, empavesando-se ao extremo com todo e qualquer alimento que contenha os ingredientes próprios deste mundo, tornando-se todos glutões, pelo que se esquecem de alimentar as suas próprias almas, pois eles sabem que após a desencarnação nada levam deste mundo, apenas as suas boas ações, as que realmente alimentam as suas almas, mas mesmo assim preferem alimentar as suas próprias panças ao extremo, em detrimento das suas almas, mas não sabem esses pançudos, que adoram manter as suas panças bem cheias e pesadas com os alimentos próprios deste mundo, que vão afundar na lama infecta do ambiente terreno, que vão ficar decaídos na atmosfera terrena, engrossando as fileiras dos espíritos atrasados e pestilentos que se encontram integrando o astral inferior. Em relação à imaginação humana, que é própria da irrealidade da vida, aquilo que uns pensam é sempre diferente daquilo que os outros pensam, pois que eles pensam somente através de imagens, e estas vão se formando nas suas mentes em conformidade com os seus atributos, e como todos eles são insinceros, pelo menos a sua quase totalidade, jamais poderão se compreender uns aos outros através da insinceridade, por isso passam a se digladiar como se fossem inimigos, embora saibam que são irmãos em essência, já que afirmam a existência da irmandade humana.
Em segundo lugar, situa-se sempre a covardia, que tal como a ignorância se nos apresenta em suas inúmeras formas. As nações se valem do maior número dos componentes dos seus exércitos, do seu maior poderio bélico, da sua maior tecnologia, quando entram em conflitos com as demais, ou mesmo em seus conflitos intestinos. Os homens se valem da maior compleição física, do maior número que formam em relação aos seus oponentes, armam-se para as refregas, enquanto os oponentes se encontram desarmados, atacam de surpresa, sem chances de defesa para os adversários, ou atacam à traição, sem que os adversários sequer saibam que estão sendo atacados. Em todo e qualquer embate deve haver sempre a igualdade entre as partes oponentes, para que assim a peleja possa ser justa, através da equidade entre as partes da refrega, que devem se ajustar ao poderio um do outro, para que assim ambos possam ser honrados, mas não é assim que geralmente acontece.
De qualquer maneira, tudo isso é útil para a aquisição dos atributos e para que sejam apontados os erros em que a nossa humanidade vem incorrendo desde priscas eras, a fim de que assim os homens de real valor tomem esses erros como exemplos e possam fazer a justiça imperar neste mundo, pois que a equidade é a pedra fundamental que deve alicerçar as relações humanas, seja entre as nações, seja nos mais diversos setores da sociedade.
Os seres humanos devem se esforçar para que a hierarquia que existe na organização da nossa humanidade nos Mundos de Luz, portanto, no âmbito da espiritualidade, seja também estabelecida no mundo Terra, para que os homens de valor possam assumir as suas devidas posições na hierarquia humana. Após ser estabelecida a hierarquia na organização humana neste planeta, o próximo passo deverá ser o esforço no sentido de que todos os espíritos sejam iguais uns aos outros em termos de evolução, com todos tendo os mesmos valores, embora todos se diferenciem entre si.
Parece até um tanto estranho este meu pensamento, mas que não é, pois todos nós, quando ascendemos para a espiritualidade, ao formarmos a nossa humanidade, passamos a habitar o mesmo Mundo de Luz, ocasião em todos éramos iguais em termos de evolução espiritual, portanto, em termos de valores. Ora, se começamos todos iguais, é lógico que devemos terminar todos iguais, ao retornarmos para o Criador, reintegrando-nos a Deus. Não se pode admitir que os mais adiantados se reintegrem a Deus e abandonem os mais atrasados às suas próprias sortes, pois que isto é falta de solidariedade fraterna, do verdadeiro companheirismo, o que denota atraso espiritual, e não adiantamento.
Por isso, a minha grande luta consiste em desprender o máximo de esforço possível para estabelecer a igualdade entre todos os seres humanos, para que assim possamos todos juntos nos reintegrar a Deus, pois que, sozinho, em detrimento dos meus irmãos de humanidade, não me interessa a reintegração a Deus. Eu somente me reintegraria sozinho a Deus, caso fosse por Ele mesmo obrigado, mas aí eu seria o espírito mais infeliz de todo o Universo, pois que todos os meus pensamentos estariam voltados sempre para a minha humanidade, a cada instante da minha existência, e somente teria realmente paz quando visse todos os meus irmãos juntos a mim. No entanto, isto não impede que eu me esforce por evoluir e busque incessantemente a Deus, não para a reintegração, mas para que Ele fique cada vez mais contido em mim, pois quanto mais eu tiver Deus em mim, tanto mais eu posso ajudar aos meus irmãos de humanidade.