℗ 0146

Muitos falam acerca da perfeição e da imperfeição, mas sem que tenham a mínima noção acerca da natureza de ambas. Todos aqueles que abordam este assunto afirmam, invariavelmente, que a perfeição se encontra em Deus, e a imperfeição nos homens. Mas tal afirmativa é completamente equivocada, pois caso ela tivesse alguma procedência, nela estaria contida também outra afirmativa, a de que Deus é ignorante, um ignorante da imperfeição, e, obviamente, isto não procede, pois Deus é a Inteligência Universal, então Ele é o Todo, e o Todo abrange tanto a perfeição como também a imperfeição, logicamente.

Para que se possa obter uma melhor compreensão acerca da perfeição e da imperfeição, vamos partir do princípio de que a perfeição se liga diretamente com o infinito, e que a imperfeição se liga diretamente com o finito. O infinito é uma extensão ilimitada, enquanto que o finito é uma extensão limitada. E aqui surge outro princípio do qual devemos partir, jamais se deve tentar ligar o infinito ao finito, uma vez que este possui início, meio e fim, supostamente o início, enquanto que aquele não possui início, meio e fim, em decorrência, jamais devemos tentar ligar o ilimitado ao limitado, pelas mesmas razões. E digo supostamente o início do finito, porque a lógica determina que Deus nunca foi um ignorante do próprio finito, pois que Ele não pode ser afeito apenas a supor a sua existência, então vem a lógica novamente determinar que sempre houve o finito. Mas isto não é assunto para este pensamento.

Tudo aquilo que é limitado é representado por números, mas os matemáticos ainda se encontram na fase da imaginação, por isso não conseguem conceber uma extensão que se situa no âmbito universal, pois que não possuem qualquer ideia acerca do Universo, por esta razão quando os números extrapolam uma quantidade imaginativa, que seja expressiva, eles dizem que esta quantidade tende para o infinito, quando, na realidade, nenhuma quantidade tende para infinito, pois todas elas são finitas, e, em conformidade com o princípio acima, não se deve tentar ligar o infinito ao finito, nem matematicamente, e nem também o ilimitado ao limitado, pois que não faz sentido, em função do ilogismo que essas ligações encerram.

Para que Deus possa ser o Todo, é óbvio que tudo Nele deve estar contido, tanto a Perfeição em sua Infinitude, que é o Ilimitado, como também a Imperfeição em sua Finitude, que é o Limitado. Deixemos, pois, Deus com a Sua Perfeição e a Sua Infinitude, que é o Ilimitado, que se encontra fora do alcance da nossa compreensão, e vamos tratar diretamente da Sua Imperfeição e da Sua Finitude, que é o Limitado, que se encontra ao alcance da nossa compreensão, uma vez que todos nós somos imperfeitos e finitos, portanto, limitados, e aqui se encontra o ponto chave de toda essa questão.

É sabido que Deus é formado de Substâncias, que se dividem em Essência e Propriedades. A Essência é representada pelo Ser Total, e as Propriedades são representadas pela Força, pela Energia e pela Luz. Nessas Substâncias de Deus se encontra a Perfeição e o Infinito, que é o Ilimitado.

O Ser Total, então, para que possa estar contido em Si a Imperfeição e o Finito, que é o Limitado, passa a se individualizar em partículas, que são os seres advindos do Ser Total, ou as criaturas advindas do Criador. Aqui tem que ser observado atentamente que, por hipótese alguma, deve-se ligar o infinito ao finito, ou seja, o Ser Total é Infinito, enquanto que as suas partículas individualizadas são finitas, então não se deve supor que ∞ -1 possa ser igual a qualquer quantidade, ou que ∞ – qualquer outro número, seja lá qual seja ele, tenha quantos dígitos venha a ter, possa ser igual a qualquer quantidade. Desta maneira, a quantificação tem o seu início a partir das individualizações das partículas individualizadas do Ser Total, aqui sim, deve ter início as operações matemáticas, em seus primórdios.

Tendo o Ser Total se individualizado através da geração das suas partículas, que são os seres individuais, estes principiam a adquirir as primeiras parcelas das propriedades da Força e da Energia, surgindo no Universo como seres hidrogênios, tendo que passar por todas as categorias de seres atômicos, depois de seres moleculares, e assim continuam as suas trajetórias evolutivas, de transformação em transformação, adquirindo cada vez mais parcelas das propriedades da Força e da Energia, até que conseguem atingir a animalidade, cujo ápice é a classe primata, ainda irracional, quando então ascendem para a classe primata racional, adquirindo o raciocínio e o livre arbítrio, pois aqui passam também a evoluir por intermédio da propriedade da Luz, recebendo a denominação de espíritos.

Todos os seres têm inteligência, por mais ínfima que esta possa ser, mas nos seres infra-humanos a inteligência é ainda mais incompleta, pois que lhes falta o desenvolvimento do órgão mental denominado de consciência, que neles ainda se encontra latente. Portanto, é evoluindo na espiritualidade que a inteligência dos seres mais se faz valer, pois que o espírito possui a inteligência completa em relação aos órgãos mentais, e em possuindo o espírito a inteligência completa, só lhe resta desenvolver cada vez mais os seus órgãos mentais, que são o criptoscópio, o intelecto e a consciência, cada um deles com a sua função e com a sua finalidade que lhes são específicas.

Mas acontece que os órgãos mentais são comandados pelos atributos. Neste caso, o esforço dos espíritos passa a se concentrar primeiramente em sopitar os atributos adquiridos na irracionalidade, que são instintivos, e em adquirir os atributos próprios da racionalidade, que são espirituais. Nesse esforço, à medida que os atributos da racionalidade vão sendo adquiridos, com eles comandando os órgãos mentais, estes passam a se desenvolver cada vez mais, para que assim possam obedecer plenamente aos comandos dos atributos racionais adquiridos, em inteira conformidade com os seus desenvolvimentos.

Note-se que as partículas individualizadas, no âmbito da espiritualidade, pois que já adquiriram a condição de espíritos, encontram-se ainda na imperfeição e no finito, que é o limitado. Tais como espíritos, eles adquirem dois tipos de atributos: os atributos individuais e os relacionais. Quando os espíritos desenvolvem os atributos inferiores individuais e os atributos negativos relacionais, eles passam a praticar o mal, então o mau é decorrente da imperfeição e do finito, que é o limitado. E quando os espíritos desenvolvem os atributos superiores individuais e os atributos positivos relacionais, eles passam a praticar o bem, em contrapartida à prática do mal, então o bem é também decorrente da imperfeição e do finito, que é o limitado.

E aqui surge a grande incógnita da questão, que é justamente a contraposição entre o bem e o mal, com ambos estando no âmbito da imperfeição e do finito, que é o limitado.

Nos espíritos mais atrasados, os desenvolvimentos dos seus órgãos mentais são diretamente proporcionais aos desenvolvimentos dos seus atributos inferiores individuais e dos seus atributos negativos relacionais, já que estes comandam àqueles, razão pela qual esses espíritos praticam os males, por isso procedem sempre às escondidas, sempre de maneira covarde, sempre de maneira traiçoeira, e outras maneiras pusilânimes e reprováveis, sem jamais assumirem as suas faltas, pois que são falsos e mentirosos, e quando assumem tais procedimentos os fazem diretamente das suas tocas, salvaguardando-se lá das consequências, quando não, é porque se encontram em um beco sem saída, sendo, pois, forçados a confessar as suas patifarias, os seus crimes, por força das circunstâncias. Todos os males, então, são praticados por espíritos que possuem o corpo mental extremamente atrasado. Em função disto tudo, podemos afirmar que o mau é fraco, pelo fato de ser oriundo de mentes atrasadas.

Já nos espíritos adiantados, os desenvolvimentos dos seus órgãos mentais são diretamente proporcionais aos desenvolvimentos dos seus atributos superiores individuais e dos seus atributos positivos relacionais, já que estes comandam àqueles, razão pela qual esses espíritos praticam os bens, por isso procedem sempre às claras, sempre de maneira corajosa, sempre frente a frente, e outras maneiras fortalecidas e aprováveis, mas sem propagar a esses bens que praticam, não enaltecendo a si mesmos como se fossem bondosos ou caridosos, para que assim os atributos inferiores individuais e os atributos negativos relacionais ainda não sopitados fiquem aonde se encontram, não emergindo dos seus espíritos, sempre assumindo os seus próprios erros, pois que são autênticos e sinceros. Todos os bens, então, são praticados por espíritos que possuem o corpo mental extremamente adiantado. Em função disso, podemos afirmar que o bem é forte, pelo fato de ser oriundo de mentes adiantadas.

Conclusão: o bem, sendo forte, vence sempre o mal, que é fraco.

Mas não para por aqui a luta do bem contra o mal. A prática do bem se revela por intermédio do maior desenvolvimento dos órgãos mentais, que são comandados pelos atributos superiores individuais, que formam a moral, e pelos atributos positivos relacionais, que formam a ética, para que assim os espíritos possam ir se educando, em função disso a prática do bem gira em torno de espíritos mais evoluídos, portanto, de espíritos mais inteligentes. Enquanto que a prática do mal se revela por intermédio do menor desenvolvimento dos órgãos mentais, que são comandados pelos atributos inferiores individuais, que formam a amoral, e pelos atributos negativos relacionais, que formam a aética, em que os espíritos renitentes teimam em permanecer mal-educados, em função disso a prática do mal gira em torno dos espíritos menos evoluídos, portanto, de espírito menos inteligentes.

Em sendo assim, como realmente é assim, pois que jamais poderia ser diferente, a vitória final do bem contra o mal deverá ocorrer por intermédio da inteligência, ou seja, da inteligência superior contra a inteligência inferior. Então, por uma questão de pura lógica, aquilo que é superior vence sempre aquilo que lhe é inferior.

Mas a meta de cada espírito é desenvolver nas maiores extensões possíveis os seus atributos superiores individuais, para que assim possa tornar completa a sua moral, assim como também desenvolver nas maiores extensões possíveis os seus atributos positivos relacionais, para que assim possa tornar completa a sua ética. Tornando completas a sua moral e a sua ética, o espírito se torna um ser verdadeiramente educado. Somente um espírito verdadeiramente educado pode contemplar o Universo, por conseguinte, estando contemplando o Universo, pode contemplar também o planeta em que se encontra temporariamente a habitar, transmitindo a realidade plena e universal para todos os seus semelhantes.

No entanto, faz-se preciso que o mal venha a emergir com o máximo da sua potência no seio da nossa humanidade, para que assim possamos avaliar a contento toda a sua pujança. Este fato faz parecer aos mais pessimistas que o mal está vencendo o bem, em função de todas as desgraças dolorosas que ele acarreta. Mas isto não passa de uma mera impressão imaginativa, fora do contexto da realidade universal. Ora, caso não fosse assim, nós não poderíamos avaliar a contento toda a extensão da prática do mal que cabe à nossa humanidade, o que acarretaria, fatalmente, em uma menor extensão da prática do bem, e o bem, o verdadeiro bem, que deve ser consciente, e não aleatório, deve ter toda a sua extensão comparada com a extensão da prática do mal, para que assim os seres humanos possam percorrer toda a sua extensão, em conjunto, formando um único bloco praticante do bem.

Note-se que, atualmente, os seres humanos se encontram divididos, com uns praticando o bem, mas sem tanta consciência de como se deve realmente praticá-lo, e com outros praticando o mal, com estes tendo a consciência de que realmente o estão praticando, mas que em função dos seus próprios atributos inferiores individuais e dos seus próprios atributos negativos relacionais, preferem deixar as suas consciências enegrecidas, para que assim possam praticar todos os tipos de crimes, desta maneira, como a consciência não pode exercer a sua função e nem a sua finalidade, é óbvio que os outros dois órgãos mentais exercem as suas funções e as suas finalidades em separado, mas em pouca monta, o que realmente demonstra uma verdadeira falta de inteligência.

E como os seres humanos se encontram ainda na fase da imaginação, mesmo assim, podem através dela supor o fim dessa separação entre eles, ou seja, com uns praticando o bem e outros praticando o mal, com todos se unindo, formando um único conjunto, visando unicamente a prática do bem, por intermédio de um único bloco, com vistas ao progresso. E isto somente pode ser conseguido através da inteligência, pois que somos partículas de Deus, então a nossa inteligência tende para a Inteligência Universal, pois que, como seres, tendemos a retornar para o Ser Total, que dizer, as criaturas tendem a retornar para o Criador, ou para Deus. No entanto, esta união entre todos os seres humanos somente pode ser conseguida por intermédio da produção da amizade espiritual, que possibilita a prática verdadeira e autêntica da solidariedade fraternal. Para tanto, faz-se absolutamente necessária a espiritualização de toda a nossa humanidade, com todos os seres humanos se esclarecendo sobre os segredos da vida e os enigmas do Universo, que agora se encontram todos desvendados por intermédio do Racionalismo Cristão, e à disposição de todos aqueles que tenham boa vontade em se esclarecer e praticar o verdadeiro bem ao próximo.

Não poderia existir o bem, caso não existisse também o mal, e que tanto o bem como o mal se encontram em nós mesmos, e não em seres originados da fantasia humana. Ignorando esta realidade, os seres humanos, que ainda se encontram na fase da imaginação, em suas fantasias imaginativas, que são próprias dos seus atrasos mentais, uma vez que ainda não se encontram devidamente espiritualizados, realizam uma divisão estapafúrdia, tal como se fosse lógica, mas que não é, por hipótese alguma, sendo apenas representações de imagens, e de imagens distorcidas, entre dois conceitos, em geral contrários, ou antagônicos, como no caso do bem e do mal, procurando lhes esgotar as extensões, mas ignorando as suas naturezas, daí passam a imaginar fantasiosamente, projetando para fora de si mesmos dois seres inimigos uns dos outros, já que a inimizade também se encontra em si mesmos, daí a necessidade da espiritualização para a produção da amizade espiritual no seio da nossa humanidade.

Esses dois seres imaginários que os seres humanos projetam para fora de si mesmos, também possuem poderes antagônicos, que os seres humanos julgam não possuir, então tais projeções vão se situar fatalmente no âmbito do sobrenatural, pois que os seres humanos pendem para o âmbito da materialidade ou para o âmbito do sobrenatural, vivendo sempre na irrealidade da vida, já que nem um e nem outro existem, sendo, pois, irreais. Daí surgem o deus bíblico e outros, que representam sempre o bem, mas o bem à moda dos seus inventores, e como os seres humanos ignoram o poder que possuem e as ações decorrentes desse poder, cujo dueto é famoso como sendo a potência e o ato, pois que costumam exercer o poder sempre pautando as suas ações através do poder bélico, formado por exércitos ou bandos sempre submissos aos belicosos que exercem o poder, eles do mesmo modo formam o exército desse deus bíblico e de outros, fantasiando a existência de anjos, inclusive com trombetas, como nos exércitos comuns, que as utilizam desde a antiguidade. Por outro lado, surge o Satanás, ou Lúcifer, que representa sempre o mal, como se a prática do mal fosse oriunda das ações de satanás, e não dos próprios seres humanos, surgindo na imaginação humana como sendo um anjo rebelde, já que os seres humanos não conseguem sequer imaginar o princípio da sua existência, pois que não se atrevem a afirmar que ele não tem princípio, que sempre existiu, pois que assim estariam igualando a sua existência com a existência do próprio deus bíblico e outros, e como estes têm o seu exército de anjos, Satanás também tem o seu, formado por demônios, que são os anjos decaídos que acompanharam Lúcifer em sua revolta contra o deus bíblico e outros.

Como a covardia sempre imperou no seio da nossa humanidade, o deus que representa o bem tem o seu exército maior do que o exército de Satanás, que representa o mal, além de mais poderes, tornando assim a luta final entre ambos tremendamente injusta, por ser desigual, tal como as lutas de antigamente, em que os exércitos mais poderosos sempre venciam os exércitos menos poderosos, desde a antiguidade. E assim, eles que guerreiem entre si com os seus exércitos, na batalha final, ou no Juízo Final, com os adoradores e os portadores da fé credulária se colocando eles mesmos ao lado do bem, através dos cultos que praticam, arrebanhados que são pela classe sacerdotal, e os que não agem assim como eles sendo colocados ao lado do mal, considerados como se fossem todos ímpios, sendo todos destruídos ou queimados para sempre no fogo do inferno.

E aqui eu devo realizar algumas indagações por demais elementares: São realmente esses credulários os que se encontram ao lado do bem? São esses deuses bíblico e outros que representam o bem, praticando o genocídio com os seres humanos, entregando as suas próprias criaturas, que afirma serem seus filhos, para o seu maior inimigo? São esses credulários que julgam se encontrar ao lado do bem, conformando-se ou se regozijando com a destruição daqueles que eles julgam sejam ímpios? Onde se encontra a solidariedade fraternal daqueles que julgam se encontrar ao lado do bem?

Tudo isso é balela. Tudo isso não passa de uma estúpida e grosseira baboseira. E aqueles que procuram as suas salvações nos credos, que se conformam com a condenação dos que são considerados ímpios, simplesmente porque não adoram, não possuem a fé credulária e nem participam dos cultos sacerdotais, estão praticando o mal contra os seus próprios semelhantes, notadamente os sacerdotes, que são enganadores e mentirosos. Mas aí eles dizem: mas nós nos esforçamos para salvá-los, mas eles se negam a ser credulários como nós somos, pois que eles julgam que os credos que praticam sejam religiões, por isso os que não praticam essas “religiões” sacerdotais, fatalmente serão condenados.

Mas acontece que todo esse esforço não se refere à salvação, pois que esta não existe, uma vez que sempre existimos no seio do Criador, e que nos individualizamos justamente para prover a Deus do finito e da imperfeição, que contêm o limitado, portanto, todo esse esforço é justamente para tornar cretinos os seus semelhantes, levando-os para as garras aduncas da classe sacerdotal, a fim de aumentar as suas riquezas adquiridas com a prática do estelionato e extorsões praticadas com base na fé credulária. O que esses credulários deveriam fazer, em primeiro plano, seria se ajudar primeiro a si mesmos, como Jesus, o Cristo, assim ensinou, adquirindo e desenvolvendo os seus atributos superiores individuais, para formar a moral, e os seus atributos positivos relacionais, para formar a ética, tornando-se assim educados, aí sim, poderiam se dispor a ajudar aos seus próprios semelhantes. E esses ignorantes petulantes e atrevidos, que muitas vezes se regozijam com a suposta desgraça dos seus próprios semelhantes, sendo todos anticristãos, praticando o mal a torto e a direito, como se diz popularmente, ainda se considera como se fossem realmente cristãos, nessa tremenda estupidez em que se encontram a medrar neste mundo de meu Deus.

O mal somente pode ser extinto de vez quando os seus praticantes passarem a impedir a evolução dos seus semelhantes, ou, segundo as palavras de Jesus, o Cristo, quando o joio começar a impedir o crescimento do trigo. Aí sim, a inteligência tem que se valer no seio da nossa humanidade, esclarecendo a todos acerca da realidade universal, quando então acontece o verdadeiro Juízo Final, através da separação compulsória entre o joio e o trigo, pois que a evolução é a maior de todas as leis universais, e como a lei da evolução tem que se fazer valer, as demais leis universais que a acompanham também têm que se fazer valer aos seus modos, e a lei das afinidades, neste caso, em se fazendo valer, deverá proceder à separação devida entre o joio e o trigo, como assim determinou Jesus, o Cristo.

Estando toda a nossa humanidade espiritualizada, com todos estão redimidos dos males que praticaram, com todos produzindo a amizade espiritual neste mundo Terra, fazendo surgir assim a tão esperada solidariedade fraternal, o bem deverá ser praticado por todos os seres humanos, com a devida consciência da sua prática, até que atinja a um ponto tal que essa sua prática não se torne mais necessária. Ora, nesse estágio evolutivo já não se torna mais necessária a prática do bem, pois que não terá mais nenhum ser humano que necessite da sua prática, pois que ele também já aprendeu a praticar o bem, não sendo mais carente de nada em relação ao próprio bem. Extingue-se, assim, por decadência, a carência espiritual, pois a prática do bem já não mais se faz preciso no seio da nossa humanidade.

Ao atingir a esse estágio evolutivo, a nossa humanidade também deverá deixar de produzir a amizade espiritual, para que esta possa ceder o seu lugar para a produção do amor espiritual. Produzindo o amor espiritual, toda a nossa humanidade ficará unida em um conjunto harmonioso, para que assim todos os seres humanos possam ficar ligados uns aos outros através dos cordões de luz, quando então poderão finalmente alcançar a felicidade espiritual. E aqui a propriedade da Luz deverá se fazer valer em toda a sua natureza de esplendor, através da consciência, com todos estando cientes da sua marcha acelerada em retorno para Deus, aonde se encontra a Infinitude do Amor.

Quando do retorno para Deus, toda a finitude e imperfeição da nossa humanidade, que é o limitado, assim como o bem e o mal, deverá se agregar ao Todo. E assim acontece com todas as humanidades. Deus, portanto, é o Infinito e a Perfeição, que é o Ilimitado, o Finito e a Imperfeição, que é o Limitado, portanto, o bem e o mal. Em compensação, cada uma das humanidades passa a receber o Infinito e a Perfeição, que é o Ilimitado, tal como se fosse uma troca de acervo. E como ocorre este fato? Sinceramente, não sei.

E aqui surge ainda uma questão que é de fundamental importância para a nossa compreensão. Ao atingirmos o estágio máximo da nossa evolução espiritual, nós podemos contemplar toda a extensão do Finito e da Imperfeição, que é o Limitado, e que se encontra no Todo, portanto, em Deus. Em corolário, podemos também contemplar a extensão que lhe corresponde no Infinito e na Perfeição, que é o Ilimitado, que se encontra no Todo, portanto, em Deus. É o Amor em toda a Sua plenitude. E justamente aqui, neste ponto, onde se encontra o amor de Jesus, o Cristo. Então podemos afirmar que viemos do Amor e retornamos para o Amor. E agora aqui se pode comparar o ódio que tínhamos em nosso espírito, como o amor de Jesus, o Cristo, mas não com o Amor de Deus, dada a sua Infinitude.

Mas, na realidade, toda essa extensão do Finito e da Imperfeição, que é o Limitado, e que se encontra no Todo, portanto, em Deus, e que podemos contemplar, é realmente Limitada? Sim, absolutamente sim. Caso não fosse assim, obviamente que não poderíamos contemplar. Mas acontece que na contemplação dessa extensão nós podemos contemplar também toda a extensão correspondente do Infinito e da Perfeição, que é o Ilimitado. Em sendo assim, só me resta supor que Deus pode contemplar toda a extensão do Finito e da Imperfeição, que é o Limitado, partindo da extensão que Lhe corresponde, se é que assim eu posso me expressar em relação ao Infinito e à Perfeição, que é o Ilimitado, como sendo extensões. Mas eu posso apenas supor, nada mais do que isso.

Conclusão: a nossa existência é eterna e universal, e a evolução dos seres tem os seus propósitos em relação à individualidade e ao Todo.