Alguns profissionais se julgam o máximo em função da profissão que elas exercem, como se elas lhes dessem alguma credencial de superioridade, ou então servidores públicos se julgam superiores aos demais em função das posições que ocupam, ignorando completamente que eles são empregados do povo, por isso não possuem qualquer superioridade em relação aos cidadãos. Esses são os que se conservam como asnos todas as suas vidas, conforme se encontra posto mais acima por Luiz de Mattos.
Certa vez um tio meu, que era funcionário do Banco do Brasil, estava atendendo a um cliente quando surgiu certa dúvida por parte do cliente. Um cidadão que estava ao lado observando a conversa entre os dois, logo se manifestou, dizendo o seguinte:
‒ Eu posso resolver a questão que o cidadão está em dúvida ‒ acrescentando logo em seguida ‒ eu sou médico.
O meu tio olhou um tanto surpreso para aquela manifestação um tanto descarada do discípulo de Hipócrates, e logo rebateu:
‒ O senhor não entendo nada do que estamos tratando, além do mais eu não perguntei qual é a sua profissão, e nem me interessa.
Desconfiado, o médico pôs o rabinho entre as pernas, como popularmente se diz, e logo se retirou para cuidar dos seus afazeres.
Uma outra vez, eu estava esperando para ser atendido pelo meu cabeleireiro, quando chegou um desembargador, cujo nome era Ernani Barreira, com o seu carro oficial e o seu motorista particular, ambos sob os auspícios do erário público, pelo que ele deveria se envergonhar, caso tivesse a elevação espiritual de um Oswaldo Cruz, que não admitia ser privilegiado com esse tipo de mordomia. Esse servidor público, então, demonstrando possuir um rei na barriga e um asno na mente, foi logo se assentando na cadeira do cabeleireiro, tão logo o cliente que lá se encontrava se retirou, desrespeitando o direito costumeiro da formação da fila, quando deveria dar o exemplo a todos, seguindo rigorosamente as leis. E era tão cínico e descarado esse desembargadorzinho de meia tigela, que ainda teve a petulância de perguntar a todos em voz alta se por acaso estava tomando o lugar de alguém, sabendo de antemão que estava tomando o lugar de alguns que já se encontravam à espera de ser atendidos, realizando tal pergunta com um sorriso de deboche para todos. Deu-me uma imensa vontade de responder a esse idiota de marca maior, como se diz em jargões populares, mas aí a minha rudeza poderia provocar alguma réplica descabida da sua parte, quando então ele fatalmente iria sentir no próprio lombo o peso de uma mão de um cidadão que nada teme, estando devendo ou não, não importa, que para mim é totalmente indiferente.
Muitos profissionais, políticos e outros servidores públicos, ricaços, empregadores e outros mais, julgam-se superiores aos demais cidadãos, quando, na realidade, não são, por hipótese alguma, daí partem para proceder da maneira que mais lhes agradam, em detrimento dos demais, ou os inferiorizando no proceder. Foi justamente por isso que Luiz de Mattos, em sua obra Pela Verdade, a página 73, escreveu o que se segue:
“Um dos mais notáveis médicos, trabalhando honrada, altiva e nobremente, o dr. Figueiredo de Magalhães, não respeitava pergaminhos nem posições oficiais, por maior que fosse o seu destaque, quando era preciso dizer a verdade e rebater toleimas, prosápias, falsas sabedorias de pergaminhados como ele:
…
Ele dizia:
‘Quem não quer que o chame de lobo, e que como tal se o descreva, que de tal animal não vista a pele, que é como quem diz: quem não quer sofrer consequências, não pratique faltas’.