Realmente foi árdua a missão que Luiz de Mattos entregou em minhas mãos. Tendo encarnado na qualidade de cientista, redirecionando as minhas pesquisas para o âmbito da espiritualidade, mais especificamente para a baixa espiritualidade, sendo laboratório do astral inferior, servindo às vezes de instrumento a esses espíritos naquilo que tínhamos em comum, que eram os atributos inferiores que faltavam para completar de vez a minha moral, mas que jamais servir de instrumento para a prática do mal, e tendo ainda que mergulhar fundo na lama infecta e pestilenta deste mundo para sentir em minha alma os problemas do mundo, os abalos morais que sofri foram tão dolorosos que me fizeram sangrar a alma, ficando eu, por isso, desacreditado aos olhos de todos, mas jamais deixei de confiar na minha estrutura espiritual, apesar de não dar a mínima importância a mim mesmo.
Posteriormente, mesmo sem haver concluído totalmente as minhas experiências científicas acerca da baixa espiritualidade, tive que realizar algumas pesquisas acerca da alta espiritualidade, pois que os meus pendores saperológicos já estavam por se revelar. A seguir, eu consegui realizar ambas as pesquisas, estando praticamente pronto para poder realizar a plena transcendência a este mundo Terra.
No entanto, para que eu pudesse transcender a este mundo Terra, universalizando-me, eu teria que remar sozinho contra a correnteza do ambiente mundano, que eu já conhecia de cor e salteado, como se diz nas escolas primárias, relevando todos os conhecimentos e todas as experiências que eram próprias dos seres humanos, mesmo dos mais letrados. Assim, enquanto todos iam a favor dessa correnteza, esforçando-se ao máximo para adquirir esses conhecimentos e essas experiências próprias deste mundo, eu ia sozinho contra ela, esforçando-me ao máximo por relevar a todos esses conhecimentos e a todas essas experiências. Até que consegui o meu intento, tornando-me uma taboa rasa.
Tendo me tornado uma taboa rasa, em todos os sentidos, incluindo, inclusive, o domínio da minha própria língua pátria, eu parti célere para me tornar um saperólogo, quando então me dispus a escrever a obra relativa ao método. A partir daí todos os meus estudos passaram a se situar rigorosamente dentro do âmbito da espiritualidade, tendo como a minha legítima fonte os conhecimentos metafísicos transmitidos pela doutrina do Racionalismo Cristão. Ora, de posse dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, bastaria criar as experiências físicas acerca da sabedoria que lhes fossem correspondentes, deixando aos poucos de ser uma taboa rasa, e adentrando na realidade da vida, que é inteiramente espiritual.
Foi dura, duríssima, a minha luta por apreender em minha alma os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e criar as experiências físicas acerca da sabedoria que lhes correspondiam. Mas como desprendimento de um esforço inaudito consegui lograr êxito nesse meu intento, até que consegui coordenar a verdade e a sabedoria, alcançando assim a razão. E tendo alcançado a razão eu consegui me tornar um ratiólogo, universalizando-me.
Eu sei que os grandes veritólogos que transmitiram a verdade por intermédio da doutrina do Racionalismo Cristão, além disso, foram também intuídos para preparar o meu retorno a este mundo, como sendo o seu explanador. Existem muitas comprovações acerca deste fato, as quais deverão ser inseridas em minhas obras. Mas aqui, neste pensamento, eu vou citar apenas o que afirmou Luiz de Mattos, em sua obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, a página 172, quando ele assim se expressa:
“O espiritualista, antes de o ser, estuda, investiga os porquês da vida, dilata o raciocínio, observa que não há efeito sem causa e, de grau em grau, conclui que dos astros é que vem a eletricidade, que tudo é força magnética a nos cercar, que nada mais há além da matéria – fluida ou concreta – para, em laboratórios humanos ou outros (grifo meu), a força criadora com ela fazer, dentro das leis de atração e evolução, tudo quanto lhe apraz.
Abstrata é a eletricidade, como é o som, o pensamento, entretanto, por aquela podemos ser fulminados, pelo som podemos chegar à loucura, e o pensamento se transmite, deixando-nos sentir as vibrações de ódio ou de amizade”.