℗ 0121

Eu estava assistindo a um programa musical na televisão local, estrelado pelo meu querido primo, Fred Benevides, que é um grande cantor e senhor de um bom repertório, além de um profundo conhecedor da música nacional, principalmente a do passado, já que a da época atual é de gosto duvidoso, cujo programa é denominado de Um Seresteiro Dentro da Noite, o qual resgata as músicas mais lindas do cancioneiro brasileiro, a tão famosa “época de ouro da música popular brasileira”, quando ele, em conversa com uma convidada do programa chamada de Vilma, cujo sobrenome eu não me recordo, falou que o programa estava sendo assistido por um grande público, com assistência inclusive no Texas, nos Estados Unidos da América, estando ele bastante orgulhoso do fato.

Pensando nisso, eu pude constatar o tanto que o artista precisa do público, não somente para lhe proporcionar as rendas de bilheteria e outras, que são necessárias para a sua sobrevivência, e até para enriquecê-lo, quando é o caso, mas para também apreciar ao seu trabalho, pois ele necessita da admiração e dos aplausos do público, que o deixa deveras satisfeito ao mostrar a sua arte.

Então eu resolvi me incluir no rol dos artistas, baseado no fato de Luiz de Mattos haver afirmado que não queria pessoas que não soubessem pensar para explanar a sua obra, querendo sim, pessoas que realmente soubessem pensar, portanto, artistas do pensamento, como ele mesmo assim se expressou. E como agora eu me encontro no rol dos pensadores da humanidade, sendo, pois, um artista do pensamento, satisfazendo plenamente ao anseio do veritólogo maior para a explanação da sua obra, vou então me comportar como tal, ou seja, um verdadeiro artista, uma vez que a minha arte é de pensar, com base no meu raciocínio sinóptico, e não de natureza outra.

Pensando assim, como artista do pensamento, eu me senti como se estivesse sozinho no palco deste mundo, representando um dos dois papéis principais de um monumental enredo neste grande teatro, escrito por Jesus, o Cristo, que me escolheu como um dos seus dois atores principais, cujo papel a mim foi determinado desempenhar por Luiz de Mattos, em que o grande final feliz será a espiritualização de toda a nossa humanidade.

Mas em meu papel como artista do pensamento, diferentemente dos artistas das demais artes, eu atuo sem plateia, sem admiração, sem aplausos, para que assim não possa ser atrapalhada a minha interpretação, que exige a solidão para a meditação e o anonimato para a concentração, pois que estou representando como se fosse para mim mesmo, para a minha própria consciência, permitindo ser assistido apenas pelos espíritos que nos acompanham do alto dos seus Mundos de Luz, aos quais eu sempre me dirijo em pensamentos, para que possa avaliar o sucesso da minha interpretação.