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É sabido que o raciocínio silogístico é um dos mais simples que existem, pela dedução e pela indução formais que ele encerra em si, tal que, postas duas proposições denominadas de premissas, delas se tira uma terceira, que nelas logicamente se encontra implícita, denominada de conclusão. Tal como no exemplo seguinte:

Premissa 1: todos os seres humanos são ignorantes;

Premissa 2: a presidente da república do Brasil e os presidentes da república de todas as demais nações são seres humanos;

Conclusão: os presidentes da república de todas as nações são ignorantes.

Como se pode facilmente constatar, esse tipo de raciocínio é um dos mais simples que existem, sendo acessível a todos. Então todos podem raciocinar com exatidão que os dirigentes das nações não passam de ignorantes, com todos trazendo consigo certa dose de nescidade. Mas para que eles não fiquem melindrados, uma vez que desconhecem a realidade das suas próprias vidas, vou pô-los a par dessas suas realidades, pondo-os de frente com a sabedoria, tendo por base a verdade, para que assim eles tomem a consciência do que realmente são na vida, o que vou fazer realmente da seguinte maneira:

Todo homem sábio procura na vida sempre se abster de encargos e de responsabilidades, uma vez que não é recomendável procurá-los quando não lhe competem, pois ele sabe que é como se estivesse procurando sarna para se coçar, notadamente quando esses encargos e responsabilidades se destinam a ajudar aos outros, pois ele também deve saber que primeiro tem que se ajudar a si mesmo, para somente depois então ajudar aos semelhantes, mas que não foge de qualquer encargo ou responsabilidade, quando estes lhe são destinados.

O homem que procura com ansiedade os encargos e as responsabilidades públicos, simplesmente pela conquista do poder, jamais será um bom governante, pois ele irá pautar todas as suas ações visando em primeiro lugar a sua carreira política, para que assim possa manter o poder em suas mãos. Assim, tudo aquilo que ele irá construir tem que estar de acordo com as seguintes indagações que ele fará para si mesmo: É bom para a minha carreira política? O povo está satisfeito com as minhas medidas? Então que se faça!

Ora, as construções políticas não devem se ater àquilo que é bom para a carreira política de quem quer que seja, além do mais, todas as medidas têm que ser tomadas em prol do povo, quer este queira, quer não, e não para a simples satisfação política, devendo ser elas acompanhadas das devidas explicações das suas causas e dos seus efeitos. Mas se aquilo que for realizado em prol do povo se coadunar com as suas satisfações, então o povo estará evoluindo, pois realmente estará ciente daquilo que almeja.

Esses, pois, que buscam o poder a todo o custo, na ânsia incontida de serem os grandes da Terra, são os pequenos e inferiores no além, na outra vida, quero dizer, na espiritualidade, porque entre milhares e milhares de seres humanos não se encontra um que saiba realmente fazer bom uso do poder que detém em suas mãos, assim como também da fortuna pecuniária, como bem disse Luiz de Mattos.

Mas caso o meu raciocínio fosse silogístico, eu jamais conseguiria explanar o Racionalismo Cristão, pois a sua explanação exige um outro tipo de raciocínio, que seja mais profundo, que seja mais abrangente, que seja mais extenso, portanto, que reúna as condições necessárias que permita ao raciocinador contemplar o Saber como um todo, já que ele é adequadamente dividido em parcelas para o seu estudo especializado, que hoje em dia são denominadas, equivocadamente, de ciências, quando a denominação correta é parcelas do Saber, pois que elas contêm tanto as religiões como as ciências.

Assim, caso alguém seja especializado em apenas uma única parcela do Saber, estando ela ainda dividida em conhecimentos metafísicos e experiências físicas, com estas sendo da alçada dos cientistas, e aqueles sendo da alçada dos religiosos, jamais conseguirá uma visão global do Saber, por excelência. E aqui pode ser claramente evidenciada a petulância e a temeridade dos que se consideram cientistas em quererem se arvorar da competência de certificar a existência da vida fora da matéria, através das parcelas do Saber com as quais se ocupam.

Para que o ser humano possa adquirir a capacidade de obter uma visão geral do Saber, em que a verdade, a sabedoria e a razão devem se situar em primeiro plano, ele tem que desenvolver o seu raciocínio a um estágio bem mais elevado, em que nele possa afirmar, convictamente, que possui um raciocínio sinóptico.

A sinopse é uma contemplação do conjunto das parcelas do Saber, por conseguinte, do Saber, por excelência, em que o contemplador lança o seu golpe de vista sobre um objeto de investigação ou de pesquisa, e o relaciona com tudo aquilo que se refere a ele, indo de encontro a cada uma das parcelas do Saber que lhe diga respeito, para que assim possa explaná-lo como um todo, e não de maneira particularizada.

No entanto, aquele que já detém o raciocínio sinóptico não deve se imiscuir nos pormenores do seu objeto de investigação ou de pesquisa, que são específicos a cada parcela do Saber, portanto, sendo de competência dos seus religiosos ou cientistas. Ele deve sim, fixar-se nas suas origens, nas suas ideias gerais, no seu teor mais profundo, para que assim possa fazer a interligação entre todas as parcelas do Saber, norteando as produções dos sentimentos e dos pensamentos dos seus respectivos estudiosos especializados.

É por isso que se diz que tudo o que seja sinóptico abrange uma visão de várias coisas, fatos e fenômenos, do seu conjunto, das suas interligações com as demais, como se fosse um resumo, mas que não e propriamente um resumo, e sim a sintetização, em inteira conformidade com o que se encontra exposto logo acima, mas que todos utilizam como se o fosse, notadamente nas suas obras que são publicadas para o público em geral.

É justamente desta maneira que surge a polimatia, que é considerada como sendo uma instrução extensa e variada, e aquele que a detém sendo um polímata. Na minha encarnação passada, como Ruy Barbosa, todos me consideravam como se eu fosse um polímata, em face da minha imensa erudição, consideração essa que eu não fazia jus, portanto, imerecida, uma vez que as minhas investigações e pesquisas eram diretamente relacionadas ao Direito e aos trâmites políticos, em que estes englobam muitos assuntos dos conhecimentos humanos, os quais se radiavam com todos os assuntos correlatos a essas duas matérias. Ao que tudo indica, o primeiro polímata da nossa humanidade foi Aristóteles.

Nesta minha encarnação atual, como Pamam, eu me dediquei à explanação do Racionalismo Cristão me utilizando, sobretudo, da minha coragem e da minha boa vontade, pois que era apenas uma tabula rasa, sem qualquer erudição, quase que em analogia com os seres humanos que se dispõem à realização de algo sem estarem devidamente preparados, quando geralmente eles dizem o seguinte para todos: “Eu entrei com a cara e a coragem”.

Assim, à medida que ia se fazendo necessário, eu passava a investigar e a pesquisar os assuntos com os quais estava lidando, e que ninguém pense que foi fácil desbravar as florestas ainda virgens que estava explorando, tendo às vezes que refazer as trilhas marcadas pelos conhecimentos metafísicos acerca da verdade. Foi quando então eu pude me deparar com a minha própria inteligência, que a mim se revelou como sendo uma grata surpresa, e também com o tipo de raciocínio diferente que me era peculiar.

Sempre quando eu estava lendo um texto qualquer, de maneira rápida e precisa, conseguia abstrair tudo aquilo que não lhe dizia respeito, agregar tudo aquilo que lhe dizia respeito, que estivesse na minha mente, e sempre supondo tudo aquilo que na minha mente ainda não estivesse presente, ao mesmo tempo dando uma espécie de zom naquilo que estava destoando do seu contexto, que não se coadunava com o correto, no sentido de modificá-lo ou suprimi-lo, sempre no intuito de conseguir um todo harmônico em relação ao texto que estava a ler. Então eu ia buscar nas demais parcelas do Saber tudo aquilo que tinha correlação com o assunto, como que em busca do Saber, por excelência.

Por isso, quando Confúcio, uma das encarnações anteriores de Jesus, o Cristo, afirmou que os atributos exigidos para o seu super-homem eram a inteligência, a coragem e a boa vontade, estava absolutamente correto em sua afirmativa, pois foi justamente ele quem me escolheu para ser o Antecristo da minha humanidade, sabendo de antemão que, se na época eu não tinha todos esses atributos desenvolvidos nas extensões necessárias, poderia perfeitamente desenvolvê-los posteriormente em tais extensões, para tanto deveria ser orientado e monitorado por ele mesmo, que sempre foi o meu maior orientador e mentor.

E aqui se explica a razão pela qual eu nunca fui um bom aluno no colégio, pois não demonstrava o mínimo interesse pelas suas matérias de estudo, uma vez que para mim tudo aquilo era irrelevante, além do mais eu também era desprovido de memória para decorar as lições. E com relação à memória, o próprio Luiz de Mattos afirmou que provar memória não é provar inteligência, que somente pode ser bem exercida por intermédio do raciocínio profundo e lógico. Com relação ao raciocínio, em sua obra Cartas ao Cardeal Arcoverde, a página 135, o chefe da nossa humanidade afirma corretamente o seguinte:

“O homem honrado, e que serve a uma causa justa, não precisa do apoio das influências terrenas, porque superior a elas e para as cristianizar tem a convicção do seu próprio raciocínio, que é a espada de todas as vitórias”.