A quase totalidade dos escritores, senão todos, quando publicam as suas obras, fazem questão de que elas sejam revisadas por um especialista em letras, a fim de que sejam corrigidos os erros de linguística. Do mesmo modo procedem os autores de trabalhos científicos, literários, de artes, acadêmicos, e de tudo o mais que seja transmitido pela escrita, e até as monografias estudantis também às vezes são revisadas.
Eu considero tal procedimento como sendo desabonador do talento daquele que escreve, uma vez que em seus escritos o que se deve levar em maior consideração são os pensamentos que neles estão contidos, que retratam as riquezas dos seus acervos espirituais. Os erros de linguística devem ser considerados como sendo uma decorrência natural da escrita, oriunda da própria deficiência do escritor, uma vez que ninguém é completo, por isso tudo aquilo que for transmitido pela escrita, deve ter o seu registro em original, e nunca revisado por especialistas em letras, cabendo a estes o magistério ou remover as dúvidas ora surgidas.
A originalidade dos escritos permite ao leitor um desenvolvimento maior do seu raciocínio, da sua capacidade de compreensão, uma vez que ele tem que empregar um maior esforço no intuito de apreender os sentidos das frases que está lendo, quais são as intenções do autor, o que está oculto nas entrelinhas, tudo isso sendo interpretado em meio das palavras bem ou mal empregadas e das pontuações corretas ou incorretas, já que as palavras com grafias incorretas não tiram os sentidos das frases, desde que se saiba realmente ler e interpretar.
Em suas correções de textos, os revisores correm o risco de modificar os sentidos das frases, as intenções dos autores e até de remover aquilo que se encontra oculto nas entrelinhas, uma vez que eles procuram dar um sentido literal àquilo que estão revisando, ou então um sentido que seja mais aproximado ao seu entendimento, uma vez que eles não conseguem açambarcar com precisão os sentidos que se encontram contidos nas diversas áreas de estudo.
Por outro lado, obriga os escritores a se aprimorarem cada vez mais nas suas línguas pátrias, pelo menos até que o esperanto venha a ser considerado a língua mundial.
Pelo meu lado, eu tenho poucas noções de português, pois não tive tempo de estudá-lo como deveria estudar, uma vez que priorizei os estudos acerca da verdade e da sabedoria, além de outras matérias científicas correlatas, a fim de que pudesse explanar o Racionalismo Cristão. No entanto, as práticas da leitura e da escrita são dois grandes ingredientes para o escritor. Ao que parece, eu estou me utilizando dos meus pendores linguísticos e filológicos quando encarnado como Ruy Barbosa. Mas de uma maneira ou de outra, eu jamais permitirei as revisões linguísticas das minhas obras. Que os erros, pois, nelas permaneçam, pois que são marcas da minha originalidade.