Algumas pessoas que não compreendem a natureza do verdadeiro Deus, tomando por base o deus bíblico, portanto, levando em consideração o antropomorfismo, fazem o seguinte questionamento em forma de paradoxo:
“Se Deus cria uma pedra que não possa levantar, Ele não pode tudo, já que não levanta a pedra. Se Deus levanta a pedra, Ele não pode tudo, já que não cria a pedra que nem Ele possa levantar”.
Esse é um problema que diz respeito à Onipotência de Deus, por conseguinte, à Sua existência, que tem sido discutido desde a antiguidade pelos estudiosos, inclusive por Averróis. Em sua obra The Paradox of Omnipotence Revisited, L. Cowan realiza as seguintes considerações:
- Ou Deus consegue ou não consegue criar a pedra que não é possível erguer;
- Se Deus consegue criar a pedra, não é onipotente, já que não consegue erguê-la;
- Se Deus não consegue criar a pedra não é onipotente, já que não consegue criá-la;
- Logo Deus não é onipotente.
Outros autores encontram outras formas de esquematizar o paradoxo, como no exemplo abaixo:
- Por definição Deus é Onipotente;
- Logo, se não é possível que um ser onipotente exista, Deus não existe;
- Um ser é onipotente se, e somente se, ele consegue fazer qualquer coisa;
- Ou um ser consegue criar uma pedra que não é possível erguer, ou não consegue;
- Se consegue criar a pedra, então ele não é onipotente, pois existe algo que não consegue faze: erguer a pedra;
- Se não consegue criar a pedra, então ele também não é onipotente, pois existe algo que não consegue fazer: criar a pedra;
- Logo não é possível a existência de um ser onipotente, não é possível a existência de um ser que seja capaz de fazer qualquer coisa;
- Logo, Deus não existe.
As respostas fornecidas ao problema são todas carregadas de antropomorfismo, com aqueles que aceitam que o seu deus pode fazer tudo, incluindo aquilo que é logicamente impossível, tal como fazer cessar o efeito da gravidade para erguer a pedra, e com aqueles que aceitam que o seu deus somente pode fazer as coisas que sejam logicamente imaginadas, sendo esta a posição que a maioria dos estudiosos defendem, como os exemplos que se seguem:
Alguns estudiosos, como Tomás de Aquino, passam a argumentar que a onipotência do que eles imaginam seja Deus, não se aplica literalmente a todas as coisas sobre as quais nós podemos pronunciar, quer dizer, imaginar; sendo nesta compreensão distorcida de onipotência que o paradoxo se forma, pois de acordo com ele o deus bíblico pode fazer as coisas possíveis, incluindo, vejam só, partir o Mar Vermelho, ressuscitar a Jesus, o Cristo, entre outras, mas esse deus não pode violar as leis da lógica e da matemática da maneira como Descartes aceitava, ou seja, não pode fazer coisas impossíveis sob o ponto de vista da lógica.
Martin Bittencourt demonstra essa posição de Tomás de Aquino, partindo da alegação “cristã” tradicional de que o deus bíblico pode fazer o impossível, em que tal alegação possui somente um sentido real quando se tem por referência o próprio ser humano. Neste caso, partir o Mar Vermelho pode ser algo tradicionalmente visto como sendo impossível, quando, na verdade, somente é impossível para o ser humano, e que um impossível objetivo, englobando ao deus bíblico, seria, por exemplo, partir o Mar Vermelho, sem parti-lo. O esquema elaborado por esse autor, posto logo abaixo, demonstra o seu poder imaginativo.

Todos as soluções encontradas para esse paradoxo são equivocadas, situando-se no âmbito puramente imaginativo e tendo por base o antropomorfismo, pois que esse paradoxo somente pode ser compreendido após Deus estar organizado perante toda a nossa humanidade, conforme se encontra posto no capítulo 13- A Realidade de Deus de Acordo com a Razão, na obra prolegômena.
Deus é formado de Substâncias, que se dividem em Essência e Propriedades. A Essência é o Ser Total. As Propriedades são a Força Total, a Energia Total e a Luz Total. Temos aqui, portanto, Deus como sendo Perfeito, Infinito e Ilimitado.
Do Ser Total saltam para o Universo as Suas partículas para que possam realizar as suas autoconstruções individualizadas, por isso somos os seres do Ser Total, as criaturas do Criador, as coisas da Coisa Total. Assim como do Ser Total vem as suas partículas, do mesmo modo das Suas Propriedades da Força Total e da Energia Total vêm as suas partículas, que são as estrelas, as quais formam todo o Universo e fornecem as suas coordenadas, consoante os seus padrões de cores. Então todo o Universo se encontra contido em Deus, que o penetra por inteiro através da Propriedade da Luz Total.
A propriedade da Força contém principalmente o espaço e o magnetismo. A propriedade da Energia contém principalmente o tempo e a eletricidade. E as combinações de ambas as propriedades contêm principalmente o Universo, que é formado pelo espaço e pelo tempo, e o eletromagnetismo, assim como também os fluidos. Podemos afirmar, então, que tudo se propaga através dos fluidos, como o magnetismo, a eletricidade e o eletromagnetismo. O Universo, portanto, é todo fluídico.
Nas realizações das suas autoconstruções individualizadas, os seres passam a evoluir pelo Universo, adquirindo parcelas das propriedades da Força e da Energia, cujas parcelas passam a formar os seus corpos fluídicos. As propriedades da Força e da Energia formam as estrelas, que fornecem as coordenadas universais. Então, à medida que os seres vão passando pelas coordenadas universais, estas passam a ficar representadas em seus corpos fluídicos, uma vez que o Universo é todo fluídico. Quando os seres passam a evoluir por intermédio da propriedade da Luz, alcançando a condição de espíritos, eles passam a evoluir também pela propriedade da Luz, conseguindo assim penetrar partes do Universo que se encontram representadas em seus corpos fluídicos.
Note-se aqui que Deus, em sendo o Ser Total, possui a Força Total, a Energia Total e a Luz Total, e que o Universo Nele se encontra contido. E que os seres fazem parte integrante do Ser Total, possuindo parcelas consideráveis das propriedades da Força, da Energia e da Luz, e que, portanto, partes do Universo neles se encontram contidas. Podemos assim concluir, lógica e racionalmente, que Deus se encontra contido em cada um dos seres, consoante os estágios evolutivos em que eles se encontram.
Como Ser Total, Força Total e Luz Total, Deus é Perfeito, Infinito e Ilimitado. E como sendo os seres, já que estes fazem parte integrante do Ser Total, Ele também é Imperfeito, Finito e Limitado, devendo-se partir do princípio de que Ele é o Todo. E em sendo Ele o Todo, torna-se óbvio que tudo Nele se encontra contido, assim como o bem e o mal, o certo e o errado, etc., neste caso, o poder e o não poder.
Existe o Ser Total. Eu, você e todos os demais seres fazemos parte integrante do Ser Total. Ressaltando aqui o seguinte: o Ser Total é Uno. Em suas evoluções por intermédio das propriedades da Força e da Energia, os seres infra-humanos se agregam em suas interações universais e formam os diversos tipos de pedras, das mais pesadas às mais leves. Eu não posso levantar uma pedra que seja muito pesada, mas você pode. Pergunta-se: quem está agindo? Obviamente que é o Ser Total, em Sua Unicidade, assim como também a Força Total, a Energia Total e a Luz Total, também em sua Unicidade. Em resumo: Deus.
Todos agora podem claramente compreender que assim como nós somos os seres do Ser Total, as criaturas do Criador, as coisas da Coisa Total, somos também as inteligências da Inteligência Universal, cujas inteligências nós vamos revelando à medida que vamos ascendendo no processo evolutivo pelo Universo.