℗ 0041

Quando eu trabalhava em uma empresa de certo porte, cuja razão social era Vilejack Jeans S/A, exercendo o cargo de gerente de auditoria e O&M, os meus transportes eram um automóvel de pequeno porte e uma motocicleta de 180cc, e nesta geralmente eu ia para o trabalho, por questão de economia. Certa vez, quando eu trafegava pela av. Leste Oeste, em Fortaleza – CE, em direção à empresa, um ônibus de súbito atravessou a preferencial, com o choque sendo inevitável. Como a pista estava molhada, eu me utilizei dos freios com leveza, apenas o suficiente para diminuir a velocidade, para que assim a motocicleta não derrapasse em função da água e na queda eu não fosse projetado para debaixo do ônibus, com o risco das suas rodas passarem por cima do meu corpo humano. Então eu tive que deixar bater. Como estava sem capacete e apenas com os óculos de motociclista, que era acolchoado, este amorteceu um pouco o forte impacto no meu rosto contra a lataria do ônibus. Mas a pancada foi tão violenta que eu desmaiei de imediato, com o meu rosto ficando inchado de tal modo que posteriormente eu sequer podia abrir o olho esquerdo.

Mas o lado engraçado deste acidente é que um transeunte, vendo-me desmaiado no chão, colocou-me em seu carro, mas, ao invés de me levar direto para o hospital, foi primeiro buscar o seu filho no colégio, que ficava praticamente do outro lado da cidade, para somente depois me levar ao hospital, juntamente com o seu filho, estando eu ainda desmaiado no interior do seu veículo. Quando eu fui acordar, já estava bem próximo ao hospital.

E o engraçado também foi quando eu acordei no interior do seu veículo, pois passei a indagar para mim mesmo: Quem sou eu? Onde eu estou? De onde eu vim? Para onde eu vou? Parecia até uma cena de um filme qualquer.

Ora, o certo é que nem mesmo após as devidas respostas naturais, quando consegui me situar no momento, eu realmente sabia acerca da realidade e da importância dessas indagações, assim como das autênticas respostas, que também são naturais. Mas hoje sim, eu sei, e como sei, estando todas as indagações já devidamente respondidas, agora no âmbito universal.

Após ser medicado, eu fui para a minha residência. Em lá chegando, olhei para a minha mulher, hoje ex-mulher, diga-se de passagem, e para os meus filhos, que ainda eram pequenos. Sentei-me na cama, pus a cabeça entre as mãos e chorei bastante emocionado, sendo esse choro ocasionado por dois motivos: o primeiro, com base no consciente, em virtude da possibilidade de poder ter deixado a minha família no desamparo; o segundo, com base no subconsciente, em virtude da possibilidade de também poder ter deixado a minha humanidade igualmente no desamparo, caso eu não cumprisse com a minha missão neste mundo.