Fortaleza, 29 de abril de 1993
À
Minha Amada Mãezinha.
Saudades!
Logo após a nossa longa conversa telefônica, não resisti e logo vim escrever sobre tudo aquilo que conversamos. Mas antes, como a senhora já é ciente, devo dizer que aqui vai tudo de bom para melhor, inclusive em relação ao aspecto familiar. Quando a Jaquelene chegar aí em Recife, ela contará, tenho certeza, tim-tim por tim-tim de tudo aquilo que por aqui se passa.
Agora, com relação ao meu trabalho, tive recentes problemas com um subordinado, o contador da empresa, o qual, por ser desonesto e detentor de um caráter deturpado, fez de tudo para me prejudicar. Porém, conforme os ensinamentos do nosso grande Antônio Cottas, eu vivo apenas me defendendo, sem jamais atacar ou prejudicar a quem quer que seja. E, neste caso, foi o próprio contador quem, por si, prejudicou-se. É justamente como o ditado popular diz: “o mal por si se destrói”; já que ele próprio se destruiu a si mesmo. Atos indignos e desonestos praticados por ele fizeram com que os próprios donos da empresa o demitissem, sem que fosse preciso eu mesmo demiti-lo pessoalmente.
Contudo, no mais, tudo se encontra na santa ordem. Os meninos crescendo rápido e cada vez mais chegados a mim. Sabem e sentem que têm um pai que os ama e que está sempre disposto a ampará-los e a conduzi-los pelo reto caminho do cumprimento do dever. São espiritualizados e esclarecidos quanto às suas presenças neste planeta, mas, como é lógico e natural, as suas inexperiências ensejam pequenos erros e atitudes intempestivas, mas acredito que as primeiras aulas deste mundo, após tomarem as suas vidas independentes, os tornarão homens fortes e nobres. Quanto à minha filhinha, tentarei fazer dela uma grande dama, uma educadora exemplar, pois, para tanto, já tenho cá comigo em meu alforje o exemplo da avó.
Pois bem, mãezinha! Agora quero adentrar em um outro terreno. Quero pegá-la no colo e, juntos, adentrarmos no mundo real. No mundo do Logos. Da Razão. Sou ciente de que tudo que falei para a senhora é de difícil compreensão, mas não ininteligível. Assim, querida mãezinha, tem que partir da sua valiosa cabecinha um pouquinho mais de esforço para compreender o teor do que ora lhe exponho.
Não se esqueça de que o meu objetivo maior é privá-la de pensamentos ou ideias nas quais eu esteja enquadrado como um louco, um visionário, um iludido, um perturbado ou outra qualificação qualquer desta natureza, que denote excesso de fraqueza de espírito e, por conseguinte, torne-me não confiável e indigno de circular entre as pessoas de bem. É terrível e doloroso que uma digna mãe veja tal imagem refletida nas atitudes de um querido filho. É muito sofrimento, eu sei. Mas é muito mais terrível e doloroso, quando esse filho querido, por apenas um ato de natureza gnosiológica, reflete tal imagem distorcida para a sua amada mãe, e a vê sofrendo por tal fato. Não sou, e lhe afirmo do mais íntimo do meu ser, nenhum elemento perturbado ou louco como quase todos imaginam, por isso não sofro, nem um pouco, com o que dizem ou o que pensam ao meu respeito. Mas sofro por vê-la sofrer. E quero que o seu sofrimento cesse, já.
Quanto ao meu sofrimento, mãezinha, não ligue, pois como diz o filósofo, “Sofrer não é o mesmo que ser infeliz”. Se a minha felicidade ou infelicidade viesse de fora, de algo alheio à minha vontade, o mundo deixaria de ser um cosmos, acabando em um caos. Portanto, com ou sem sofrimento, sou um homem extremamente feliz. Feliz porque sou convicto que cumpro com os meus deveres espirituais. E neste mundo de depurações, cumprir com tais, é passar por tudo aquilo que for necessário, seja o que for, tenha a natureza que tiver, para, assim, os resultados poderem sair tais quais os foram encomendados pelas Forças Superiores. E é nessa estrada que caminho, firme e forte, pois como afirmam os Espíritos de Luz, “Os tempos são chegados”. Sim, minha mãezinha, os tempos são realmente chegados para que a humanidade se espiritualize e, como diz o fundador da nossa Doutrina, “tome novos rumos”.
Atente a senhora para tudo quanto ora em diante eu vou lhe expor. Não esqueça de que no telefone eu falei que para quase tudo eu buscaria confirmação naquilo que os grandes homens disseram, inclusive os grandes racionalistas cristãos. Porém, devo alertá-la que algumas coisas para a senhora parecerão absurdas. Quando isso acontecer, lembre-se sempre que o grande Tertuliano, do segundo século cristão, chegou ao ponto de dizer “credo quia absurdum”, isto é, creio porque é absurdo. Mas, como também diz o filósofo, “absurdo não quer dizer contraditório, mas, para além da percepção intelectual”, e continua ainda afirmando que a “realidade absoluta é, necessariamente, absurda para uma faculdade relativa como a inteligência, porque o Todo não pode ser abrangido pela parte, nem o Universal cabe no individual”.
Agora, se a senhora assim o desejar, coloque em mãos todos os livros do Racionalismo Cristão e busque a confirmação de todas as afirmativas que servirão de anteparo, ou alicerce, a tudo aquilo que ora vou revelar, exclusivamente, para a senhora. Assim, espero, a senhora possa confirmar o dizer de Cristo de que “de uma árvore boa, só frutos bons nascerão”, ou seja, em conformidade com o que concordamos ao telefone, a senhora é um espírito superior, portanto, boa árvore; eu sou fruto do seu ventre, portanto, bom fruto. Pois bem, vamos adiante.
Afirmo para a senhora que os meus ideais, extrapolando a tudo aquilo que se refira à matéria, diz respeito, única e exclusivamente, a humanidade. Em ver esta humanidade livre, liberta da ignorância, esclarecida, espiritualizada e apta a cumprir com os seus altos desígnios neste mundo. E sei que sou parte integrante do conjunto que trabalha para tanto. Mais além: sei que sou uma espécie de eixo-diretor desse conjunto, e que o cumprimento da minha missão é fundamental para tanto.
Agora posso lhe indagar: quem são os espíritos detentores de tais ideais? Se a senhora abrir o livro Racionalismo Cristão, a página 10, irá encontrar o seguinte:
“Nos espíritos integrantes da camada superior refulgem as vocações idealistas, destacando-se não só o alto interesse que nutrem por toda a humanidade, como o domínio das vibrações produzidas pelos conflitos humanos, principalmente na etapa final da evolução terrena, em que a sua espiritualidade se revela acima da mentalidade comum existente no planeta”.
Recorde, mãezinha, que sou seu fruto, portanto, merecedor de tal camada. E observe, em consequência, que a minha espiritualidade, por se revelar acima da mentalidade comum existente no planeta, é, por dedução lógica, difícil de ser compreendida, tanto por essa mentalidade comum como pela mentalidade incomum. E quando o vulgo não compreende, ou ri com descaso ou chama de louco a quem algo se lhe apresenta.
Falei também para a senhora, que jamais pedi e nem peço ajuda às Forças Superiores. Não porque eu seja indigno de tal fato, mas porque é inútil pedir, pois as Forças Superiores, muito mais que nós mesmos, sabem o que é melhor para nós, e Elas tudo fazem em prol da nossa evolução.
Por isso, embora solitário nas minhas ideias, continuo firme a estudar, a pesquisar e a escrever sobre Filosofia, certo de que este é o único caminho libertador da humanidade. Por enquanto, ocupo-me apenas disto, pois o resto não é problema meu, mas sim das Forças Superiores. E serão Elas quem irão decidir sobre o meu futuro material na Terra, pois cá embaixo, no mínimo, esforço-me em me conduzir com nobreza. Porém, se por motivo de força maior, os quais desconheço, eu vier no futuro a passar privações, mais ainda me compenetrarei em descobrir os meus erros, para que assim possa combatê-los e, por conseguinte, aperfeiçoar-me cada vez mais.
É por isso que, ao meu modo, continuo firme no cumprimento da minha missão, pois como está escrito na obra básica do Racionalismo Cristão, a página 54:
“O homem que é, por excelência, um espírito criador, quando influenciado pela falsa ideia do milagre e da ajuda divina, à espera do qual se detém, inerte, em lugar de se esforçar para se ajudar a si mesmo, chega, muitas e muitas vezes, ao fracasso, por não saber se utilizar de duas forças poderosas que possui e que, se devidamente exercitadas, o teriam conduzido ao triunfo. Essas forças, que na maioria dos seres jazem ignoradas e adormecidas, se chamam — vontade e pensamento”.
Nada, minha mãezinha, mas nada neste mundo é capaz de fazer com que eu me afaste um milímetro sequer daquilo a que eu próprio me propus fazer. Mesmo quando tudo e todos são contrários às minhas aspirações, aos meus ideais. Mesmo que digam que o filho do doido, que era mundano, bateu na mãe e foi também doido para o asilo, e agora botou na cabeça que é Ruy Barbosa e que vai salvar a humanidade.
Mesmo que assim o digam, mãezinha, não me influenciarei jamais. E não me influenciarei porque sou ciente de que a obra do Racionalismo Cristão, a página 144, revela o que se segue:
“Deve o indivíduo se procurar a si mesmo, e em si mesmo aprender a confiar, consciente de serem imensos e inavaliáveis os recursos que possui para levar a bom termo cada existência física”.
E como se isso não bastasse, o grande Luiz de Mattos, em sua obra, Cartas ao Cardeal Arcoverde, a página 145, diz o seguinte:
“O homem honrado, e que serve a uma causa justa, não precisa do apoio das influências terrenas, porque superior a elas e para as cristianizar tem a convicção do seu próprio raciocínio, que é a espada de todas as vitórias”.
Então, mãezinha, estou ou não estou até aqui de pleno acordo com a Doutrina?
Então continue assim, bem sentadinha e relaxada, pois tenho a impressão de que as cinco ou dez páginas iniciais desta carta vão sofrer um efeito multiplicador. Melhor para mim, que posso me mostrar mais como um homem digno de ser seu filho. Melhor para a senhora, que poderá constatar que o fruto do seu ventre ainda vai fazer muita coisa em prol desta gente tão sofrida, tão ignorante, tão necessitada de luz e conhecimentos.
Comecei a escrever esta missiva após as 23:00 horas; e como já é mais de 01:00 hora do dia seguinte, mais tarde continuarei.
Um grande beijo!
* * * * *
Capítulo II
Aqui estou novamente a continuar a sua cartinha, que de madrugada parei. São menos de 20:00 horas, e por volta das 22:00 horas deverei sair para buscar os meninos que foram a uma festinha no colégio. Portanto, tenho mais ou menos umas duas horas para dizer mais coisas de tudo aquilo que ainda tenho para dizer.
Pois bem, mãezinha, como é do seu inteiro conhecimento, jamais fui um espírito estudioso ou mesmo voltado para a análise ou pesquisa do que quer que fosse. A tudo e a todos eu levava no espírito maior da anarquia e da gozação. Quantas vezes eu não a fiz rir folgadamente com os meus estrupícios? A senhora sabe que desde o período da minha infância, até aos momentos que antecederam a minha separação, sempre fui, invariavelmente, assim. O turbulentíssimo período compreendido entre a minha separação e o meu segundo casamento, mais que ninguém, é a senhora conhecedora de todos os desvarios e atribulações por mim passados, pois mesmo a senhora, zeladora que sempre foi da conduta dos filhos, também com isto sofreu bastante.
Acontece, minha mãezinha, que guiado por suas luzes me dediquei de corpo e alma ao Racionalismo Cristão. E já militante desta divina doutrina, inclusive presidindo sessões, recuperei-me quase que em tempo recorde de todas as minhas agruras passadas. E foi aqui, neste exato período, que me deparei com a coisa mais séria e elevada deste mundo Terra: a vida espiritual. Passei então, pela primeira vez nesta minha vida, a estudar e a pesquisar com real interesse a vida espiritual, através das obras do Racionalismo Cristão. Mas elas, por si, não me diziam o suficiente, pois ali eu observava o absurdo, não o contraditório, mas o absurdo ininteligível para a minha inteligência. Eu só admitia aquilo que podia compreender, ou no mínimo conceber. O que me faltava então? Faltava reconhecer uma inteligência superior que me falasse diretamente à razão. Por quê? Porque essa inteligência superior deveria estar totalmente estribada na mais alta conduta moral que um ser humano já houvera alcançado. Sem um deslize sequer. Sem a mínima contradição. Tudo na mais perfeita lógica que uma razão esclarecida possa conceber.
E foi ele, minha adorada mãe, o gigante Luiz de Mattos, a quem eu rendo os mais sinceros respeitos e os mais profundos agradecimentos, quem me mostrou uma inteligência superior, aliada a uma moral, mas a uma moral como eu jamais houvera visto ou concebido, que é a moral com base na espiritualidade: a verdadeira moral! Então, dissecando-lhe a alma com absoluta nitidez, através de suas firmes, valorosas e verdadeiras palavras contidas em suas obras, foi que pude estender toda a minha credibilidade às demais obras da Doutrina. E em todas elas constatei, e nisto eu sou convicto, que são nelas que estão encerrados os tesouros da verdade.
Mas havia um senão, quanto mais eu via a verdade nas obras da Doutrina, mais eu sentia que os demais militantes não comungavam comigo em pensamento. Ou estavam buscando interpretações outras, ou, simplesmente, não as estavam entendendo. E eu ficava confuso com tanta distração, visto que as verdades, todas elas, eram literalmente claras em seu conteúdo. Fosse o que fosse que estava a acontecer, disso eu era convicto: a verdade estava ali. E quanto mais as verdades emergiam em minha mente, mais eu me julgava na responsabilidade de explaná-las. E me perguntava: Por que eu? Por que não um outro que possua tradição moral? Quem sou eu para explanar tão divinas verdades? E quanto mais eu me aprofundava nas divagações, mais fatos se me iam sendo revelados, de uma forma até quase agressiva, rápida, insofismável.
A esta altura, a minha coroinha amada já deve estar assaz curiosa em saber que verdades são essas. Pois eu lhe digo que essas verdades dizem respeito ao esclarecimento e a espiritualização da humanidade, prevista por Cristo para o final deste milênio. Isso mesmo, prevista para agora, para o ano 2000, o que poucos acreditam.
Pois bem, se a senhora ainda não guardou os livros, comece neles a confirmar tudo o que se segue. Logo na obra de Luiz de Souza, A Morte não Interrompe a Vida, as páginas 280 e 281, podemos observar o grande sinal de um Plano de Espiritualização da Humanidade, quando ele diz o seguinte:
“O uso de um só idioma em todo o mundo, será, pois, uma consequência da ação evolutiva permanente e obrigatória que ninguém poderá conter, e que tem a sua origem no desenvolvimento espiritual, que se processa na estrutura de cada indivíduo”.
E ainda continua afirmando mais:
“Luis Lázaro Zamenhof, nascido em 15 de dezembro de 1859, um instrumento do Astral Superior que na Terra operou, em consonância com um plano que tem por objetivo final a espiritualização das criaturas encarnadas, facilitando-lhes os meios para assimilar os princípios sãos do cristianismo puro, e pô-los em prática, em cada dia, para a transformação moral do mundo”.
Ora, mamãe, se existe um plano que tem por objetivo final a espiritualização da humanidade, como Luiz de Souza bem o disse, e se quotidianamente as Forças Superiores em suas comunicações alertam que “Os tempos são chegados”, a senhora acha o quê? Que os tempos são chegados para quê? Note também que Elas, as Forças Superiores, também dizem que “os fortes vencerão e os fracos sucumbirão”.
Parece até, inclusive para mim, que somente eu ando a me preocupar e a querer alertar e a esclarecer a humanidade com relação a esses certos acontecimentos de final de século, mas não é exatamente assim. Como está escrito no começo desta missiva, a parte não pode compreender o Todo, porque está contida Nele. Assim, cabe ao Todo alertar as partes, representadas por cada indivíduo, sobre o advento desses acontecimentos que por certo virão. E é justamente isto que vem fazendo as Forças Superiores, como bem o demonstra o próprio Luiz de Souza, na própria obra, A Morte não Interrompe a Vida, a página 289, quando afirma:
“A humanidade está sendo alertada, por processos intuitivos, da necessidade de ser construída uma nova era de recuperação para os seres transviados da rota ideal, da rota que conduz à meta segura, que é o plano de espiritualização (grifo meu)”.
E complementa ainda, na mesma obra, a página 290, quando também afirma:
“Grandes surpresas estão reservadas à posteridade, com os sucessivos adventos que marcam o brilho e a exaltação do século XX, no qual transparece o fato de se colocar à disposição dos seres terrenos um Código de esclarecimento espiritual, que lhes permite bem executar todos os seus elevados empreendimentos”.
E arrebata dizendo o seguinte:
“Isto não é uma profecia, mas uma demonstração racional do curso dos acontecimentos, face ao panorama que o mundo expõe, no estado dinâmico em que a humanidade se encontra”.
E o engraçado, mãezinha, é que só hoje eu vejo em Luiz de Souza, raios da mais pura luz de inteligência e sabedoria. Uma mente comum jamais creria em suas divinas palavras, achando-as sempre utópicas e absurdas. Mas não, mãe minha, não as são! Elas nada possuem de utópicas ou absurdas. Não se esqueça! O absurdo não é o contraditório, é simplesmente aquilo que não conseguimos inteligir, ou seja, compreender. E veja o que disse esse Espírito Superior ainda na mesma obra, a página 295, sobre o mesmo assunto:
“Jesus Cristo fez referências ao fim deste século XX, anunciando, velada e hiperbolicamente, que ele não terminaria sem que as trevas principiassem a ser varridas pela luz, sem que se cumprissem as leis naturais com a derrocada das ilusões, das mistificações, sem que fossem estremecidas as consciências pela revelação de Verdades Eternas, e transformações de assinalada importância se verificassem no cenário do mundo”.
Epa! Agora a parada é dupla: Luiz de Souza e Cristo. Mas se a senhora ainda tem alguma dúvida, vamos para frente.
Esse Luiz de Souza, mamãe, é um espírito moldado em fôrma idêntica à que foi moldado Luiz de Mattos. Veja também na mesma obra, a página 298, o que ele diz sobre como o terceiro milênio receberá a Doutrina que nós tanto amamos:
“O terceiro milênio receberá, deste século XX, o Racionalismo Cristão altamente fortalecido pelo número de discípulos, e a propagação dos seus ensinos será então efetuada, com facilidade, com os cursos maravilhosos da ciência. A obra é do Astral Superior, e não pode, por isso, deixar de progredir e de alcançar os seus objetivos. Nela se acham os recursos com que cada um se habilitará a subir de Plano, fato que entrará na cogitação de todos”.
E continua a página 299:
“É o que está sendo preparado neste século XX: a unificação do conhecimento cristão, nos termos da verdade única. Todos se sentirão felizes ao adotarem os mesmos princípios inalteráveis, sob o controle de uma convicção unânime”.
Eu sei, mama mia, que por mais que sejamos espiritualizados, inteligentes e nobres, torna-se por demais difícil a compreensão, o entendimento e a própria assimilação de tão claros absurdos. É tão patente, tão visível e tão manifesta essa verdade, que o próprio Antônio Cottas, o nosso grande Antônio Cottas, não as enxergou. Como bem prova com a sua afirmativa contida na obra, Páginas Antigas, a página 180, em um artigo por ele escrito sobre a vida de Luiz de Mattos, quando diz:
“Cinco anos decorridos da tua ascendência espiritual e, na verdade, a tua Doutrina está no mesmo marasmo; curar corpos, desobsedar almas! Isso é insignificante para a finalidade da tua obra”!
Sei também que Luiz de Souza, nessa época, ainda não havia escrito tais verdades. Mas o próprio Luiz de Mattos já as havia dito e de forma muito mais clara, como adiante ainda veremos. Eu apenas antecipei o fato, para lhe alertar mais cedo das grandes dificuldades que existem para a verdade se assentar no seio da humanidade.
Agora, já é hora de ir buscar os meninos no colégio. Amanhã eu continuarei. Outro beijo!
* * * * *
Capítulo III
Aqui estou eu de novo, velhinha, de pena na mão, como é costume antigo, firme e disposto a lhe expor minhas ideias que, se examinadas à luz da razão, são lógicas e elevadas.
Pois bem, ontem, antes de pegar os meninos no colégio, fui a uma churrascaria com a Jaquelene e Gota, que é o apelido carinhoso da sua netinha Taluana. Esta chegou dormindo e continuou a dormir dentro do carro, o que possibilitou uma conversa diferente que tive com a minha mulher. Para que a senhora tenha uma ideia da nossa felicidade, vou lhe contar alguns trechos desta minha conversa ocorrida com a Jaquelene nessa churrascaria:
Perguntei:
― Jaquelene, coloque a sua imaginação para funcionar e me diga, um tanto para mais um tanto para menos, que tipo de mulher você acha seja mais feliz que você neste mundo?
― Não conheço nenhuma mulher que possa ser mais feliz do que eu ― respondeu-me ela.
Estendi o alcance da questão, perguntando novamente:
― Você não entendeu, meu amor! Neste mundo existem bem mais que três bilhões de criaturas do sexo feminino. Como você poderia conhecer, nesse universo, alguma mais feliz que você? Não é isso o que eu quero saber. O que eu quero é que você me diga o tipo de mulher, ou seja, as características que formam o seu viver, por intermédio das quais você possa fazer um parâmetro sobre a sua vida, e, por conseguinte, concluir. Entendeu agora? Então, responda-me:
― Que tipo de mulher é mais feliz que você?
― Nenhum tipo de mulher é mais feliz do que eu — respondeu-me ela.
Isso é um fato, mãezinha, que prova de maneira irrefutável quão harmoniosa é a minha vida pessoal e de relação. Agora responda a mim a senhora:
― Pode a mulher de um louco, de um perturbado, ou de um visionário qualquer, declarar ao marido tal prova de felicidade? A não ser que ela também seja uma louca, uma perturbada, ou uma visionária qualquer, algo que por hipótese alguma ela é! Mas em sendo assim, que nos deixem os loucos em paz para que então possamos ser felizes.
Agora veja só o absurdo!
Tal fato faz de mim o homem mais triste e desgraçado deste mundo de sensualidades, misérias, patifarias, crimes, engodos e depravações, pois fazer nossas esposas felizes, mamãe, é a obrigação de cada um. E eu não posso me contentar em ver pouquíssimos homens saberem fazer as suas esposas felizes. Cumpro as minhas obrigações para com a minha esposa. Mas também tenho que cumprir com o meu dever para com as demais mulheres, esclarecendo-as e mostrando a verdade sobre a vida.
E ninguém pode me dizer que isso é tarefa das Forças Superiores, pois estou me limitando ao plano estritamente material. E aqui, neste plano, quem tem que agir são os instrumentos encarnados, como este seu filho, que por aqui ora se encontra a explanar, a divulgar e a exemplificar o papel da verdadeira conduta moral, antes mesmo de assumi-la, consoante a minha estratégia de vida. E o papel da verdadeira conduta moral a senhora, como instrumento encarnado das Forças Superiores, bem exemplifica. É justamente por isso que a nossa felicidade é relativa. E só sossegarei quando vir, além da minha, todas as mulheres felizes, pois assim, e somente assim, os homens também o serão.
E continuando ainda no assunto, creio que a senhora se lembra de quando ao telefone eu lhe falei que um dos maiores e principais males que afligem a humanidade é o sexo. Isso mesmo, esse monstro de grandes poderes é o causador dos males pelos quais padecem as famílias.
Homens e mulheres que abandonam os seus lares em busca do mero prazer. Mulheres que traem seus companheiros por simples atração física, ou por não resistirem a uma fala mansa e prazerosa, ou ainda, por pura vaidade, ao se sentirem desejadas ou solitárias. Jovens mães prematuras, pelo simples fato de não terem sido devidamente orientadas e conduzidas com parcimônia. Homens que também traem as suas companheiras em busca de autoafirmação, ou simples prazer de aventura, ou ainda, simplesmente pelo hábito vicioso.
Esses e muitos outros malefícios, vemos, no dia a dia, o sexo desregrado fazer. E quando eu lhe mostrei esse quadro doloroso, dizendo que qualquer mulher que para mim se insinuasse, ao invés de observar a matéria, eu via nitidamente o quadro perturbador, não sentindo, naturalmente, a mínima atração; a sua mente, que eu compreendo, sofrida pela vida, de imediato, achou que o perturbado era eu. E, lembra-se? disse:
― Mas você não é assim com a sua mulher não! ― Exclamou.
― É? ― Perguntou-me.
Ora, mama mia, eu sou gato escaldado. Fui passado, repassado e devidamente esfregado na casca do alho, como dizem. Como também dizem que quem foi rei sempre será majestade. Quero com isso dizer que fui lobo. Lobo do rebanho das mulheres. E continuo ainda sendo lobo. Só que lobo de uma ovelha só. Entendeu?
É até engraçado a senhora duvidar do meu ponto fraco, a “mulherenguisse”, justamente quando nele estou me tornando um forte, materialmente falando. Mas compreendo perfeitamente. Este mundo é tão ruim, tão podre, tão safado, que quando nós vemos algo de belo em alguém, achamos logo que tudo aquilo é uma casca, que o podre está por dentro, achamos logo que tudo aquilo é uma fachada, que o ser humano é um “sepulcro caiado”, como costuma o próprio povo dizer.
Mas, mãezinha, procure olhar o seu filho como o inverso daquilo que costumamos observar neste mundo. Posso não poder exibir nada por fora, ou até mesmo exibir o feio, a loucura, a perturbação, ou, até mesmo, o vício. Que cada um veja em mim aquilo que queira ver. Mas, por dentro, ou melhor, em espírito, sou tão puro e belo como a senhora o é. Se a afirmativa do Pe. Vieira, que para se conhecer o homem basta apenas lhe dar a pena, realmente procede, eis, pois, a minha alma, nestas poucas palavras, pronta para se dar a conhecer, in totum.
Gota já bateu não sei quantas vezes na porta. Com certeza é para brincar um pouco comigo. Vou dar uns dois ou vinte cheirinhos nela e logo eu volto a continuar a carta. Mais um beijo!
* * * * *
Capítulo IV
Eu sei, disso sou bem ciente, que o meu passado é nada recomendável quando se é levado em consideração e correlação com grandes ideais. Acontece que não se é de bom alvitre se recomendar o passado, quando se conhece o presente e em função dele se pode projetar o futuro, a não ser em relação a assuntos de museu. Conheça o meu presente, esqueça o meu passado, é o que recomendo, já que eu mesmo já sofri muito com ele.
Foi em função do meu passado, quando pela primeira vez me sentei à mesa de nossa Filial do Racionalismo Cristão, em Fortaleza, que me senti qual um macaco em loja de louças. Com as mãos paradas em cima da mesa, não sabia onde colocá-las. Em decorrência, as minhas pesquisas nas obras da Doutrina, as intuições que eu recebia do Astral Superior, às vezes me levavam a crer que eu estava sendo vítima de alguma gozação.
Sabe aquela história da música do grande Luiz Gonzaga? Da alma que toda vida perguntava se o pescador queria dinheiro? Até que ele, ao responder afirmativamente, recebeu como resposta: ― “vai trabalhar vagabundo!”.
Pois é, analogamente, eu conseguia ver tudo, mas não queria me dispor a cumprir a minha missão, achando-me indigno de tal fato, como se a qualquer momento, após eu me decidir a cumpri-la, uma voz também me dissesse: “vai apagar teu passado, seu boêmio!”.
Acontece que ninguém apaga o passado de ninguém. Muito menos o próprio. O que se pode, e se deve fazer, é praticar ações cada vez mais dignas e elevadas para se anular todo o mal que porventura se tenha praticado.
E foi justamente isso o que eu fiz e que até hoje continuo fazendo. E para qualquer outra pessoa que também, como eu, tenha andado na trilha incerta deste mundo, veja o que diz Luiz de Souza, na sua obra, A Morte não Interrompe a Vida, a página 305:
“Acontece que há aqueles que por haverem infringido a moral cristã, sentem-se desacreditados para assumir, depois, atitudes de maior respeitabilidade. Para se desviar, porém, do caminho das sombras e seguir a jornada com passo firme pela estrada ampla e iluminada da vida, sempre é tempo”.
Assim, julgando-me apto e digno para executar qualquer missão neste planeta, desde, é claro, que me julgasse possuidor dos atributos mínimos necessários para tanto, dispus-me a iniciar a jornada. E de imediato as Forças Superiores me colocaram em mãos uma obra que se referia à história da Filosofia. De início, eu nada entendia, visto que os termos utilizados pelos autores, na fase introdutória da obra, eram por demais complexos para mim. Então pulei para o 1º Capítulo, e ali, após as primeiras lidas da matéria, algo me fascinou. De imediato, foi-me descortinando todo o mecanismo que representa a Filosofia para a humanidade. Compreendi que ali se encontrava a chave que iria libertar a humanidade de toda a ignorância, sofrimento e engodo deste mundo.
Desde esse dia, minha mãe, venho enfrentando uma luta terrível. Uma luta solitária, fisicamente falando. Sei que nesta luta sou alvo de críticas e até de chacotas. A senhora mesma vive me aconselhando a largar a Filosofia, para que eu passe a viver a minha própria vida. Ou, pelo menos, que a largue temporariamente e passe a me dedicar a estudar para um concurso qualquer, e assim garantir o meu futuro e o futuro dos meus.
Mas a senhora observe o que abaixo eu vou escrever, para que o seu conceito sobre a Filosofia se modifique, e que, como tantos outros o fazem, não a julgue inútil e de um abstracionismo irreal e desprovido de fundamentos.
Desde a antiguidade, mamãe, que espíritos de elevadíssima superioridade vêm encarnando neste planeta com o objetivo precípuo de fazê-lo evoluir, através dos seus ensinamentos e do exemplo de suas próprias vidas. De todas as formas eles tentaram mostrar o caminho espiritual para a humanidade, sem, contudo, lograrem êxito.
Por ser a Ciência Espírita formada por princípios primeiros de impossível demonstração aos olhos da matéria, poucos a compreendem. Exemplo: existe o espírito, a Lei maior é a Lei da Evolução, existem mundos espalhados e dispostos conforme o grau evolutivo; etc. Como demonstrar isso?
Todos os filósofos já tentaram demonstrar, provar, ou pesquisar a Ciência Espírita, mas não sabiam como! Eles, então, após muita reflexão, chegaram à seguinte conclusão: só a verdade poderá libertar a humanidade das garras da ignorância!
Após isso, foi que o Astral Superior se dispôs a conceber um Plano para implantar essa verdade na face da Terra. E foi para isso que um deles, o nosso Pe. Antônio Vieira encarnou como padre em Portugal, vindo posteriormente para o Brasil, a fim de sentir como encarnado os efeitos proporcionados por uma falsa religião, para que assim pudesse conceber em plano astral uma doutrina verdadeira, real, baseada, única e exclusivamente, na verdade, pois toda doutrina concebida aqui pelo homem é falha.
Enquanto isso, a Filosofia ficava em compasso de espera, aguardando que a verdade fosse devidamente implantada no seio da humanidade.
Mas não se esqueça de que foi a Filosofia quem chegou a essa conclusão. E mais: ela, a própria Filosofia, através do maior de todos os filósofos, ou seja, aquele que como filósofo encarnou como Hermes, Krishna, Confúcio, Platão e, por último, Cristo, foi quem tentou há dois mil anos atrás antecipar a evolução deste planeta, não o conseguindo em virtude da imensa ignorância ainda reinante neste mundo.
Pois bem, mamãe, concebida a doutrina em plano astral superior, teria que vir algum espírito com coragem suficiente para implantá-la no seio da humanidade. Tarefa difícil! Lembra-se da historieta de quem iria colocar o guiso no gato? Pois, analogamente falando, é a mesma coisa.
Quem primeiro se dispôs a vir foi Alan Kardec. Mas, infelizmente, ao se deparar com a composição do Universo, isto é, com o conceito de Força, Energia e Luz, não resistiu ao firme raciocínio e se deixou levar por intuições outras, acrescentando aos princípios de Força, Energia e Luz, a excrescência do deus bíblico, conforme nos diz o valoroso Antônio Cottas, e também, como é óbvio, a excrescência Bíblia, como fonte de tudo. Mas nem por isso devemos criticar a esse espírito, visto que cada um dá o que tem, e ele, talvez por lhe faltar sabedoria, queria dar mais do que aquilo que tinha para dar, o que de qualquer forma não deixa de ser um gesto nobre, embora improfícuo, pois que se limitando apenas a isto.
Então, tomou o espírito forte e valoroso de Luiz de Mattos para si a tarefa de disseminar a verdade no seio da humanidade. E aqui encarnou, juntamente com Luiz Alves Thomaz, para juntos cumprirem tão gloriosa e divina missão. O resto a senhora já sabe.
Mas o que a senhora não sabe é que estando em compasso de espera pela verdade, a Filosofia, necessariamente, após o fato, teria que retomar as rédeas do destino da humanidade, rumo à sabedoria infinita, rumo ao Grande Foco, ou a Deus. Daí eu haver afirmado ao telefone que a Filosofia é parte integrante do Racionalismo Cristão, e que ela é o ponto de partida da humanidade rumo ao glorioso caminho do espírito.
Não é, portanto, na doutrina racionalista cristã que a verdade tem que prevalecer, mas sim através da Filosofia. A senhora duvida? Pois então verifique na obra, A Morte não Interrompe a Vida, do meu queridíssimo Luiz de Souza, as páginas 306 e 307, sobre os temas racionalistas cristãos desenvolvidos pelo mesmo autor, e atente para o que ele diz:
“Todos os temas desenvolvidos neste trabalho se voltam para o lado da espiritualidade, que é a fonte emanante da verdade em que se refletem a ciência e a sabedoria, sabido como é que sem a presença desses dois atributos espirituais na composição da vida terrena, a espiritualidade não se manifestaria”.
E continua dizendo:
“Nestas condições, ninguém se exima de procurar a verdade para com ela se firmar, reter a Sabedoria e, ainda com ela, entrar no domínio da ciência. No setor da Filosofia, procura o Racionalismo Cristão fazer prevalecer a verdade sobre todos os embustes em que se vê envolvida a humanidade explorada (grifo meu)”.
Veja, mamãe, que agora a senhora se vê em uma encruzilhada. No bom sentido, é lógico. Se duvidar da Filosofia, automaticamente estará duvidando de Luiz de Souza, pois não estará dando crença ao que ele afirmou.
Temo que quase todo racionalista cristão veja em seu semelhante um obsedado, um perturbado, assistido somente pelas forças do mal, unicamente por não frequentar as sessões de limpeza psíquica. E digo quase todos, porque não vejo o meu semelhante unanimemente desta forma, e ainda mais, considero-me um racionalista cristão.
Seu filhinho aqui não vai lhe dar tréguas, coroa. A luta milenar da Filosofia contra a ignorância é algo que a senhora vai ter que ver e presenciar neste tempo em que vivemos como mãe e filho, só que depende, única e exclusivamente, de a senhora aceitá-la ou não. Lembre-se que o pior cego é aquele que não quer ver, por isso não acredito que aconteça uma cegueira proposital na mente de um espírito com um grau evolutivo que nem o da senhora.
Como expus anteriormente, não sou um “sepulcro caiado”. Contudo, se a senhora ainda achar demasiadamente exageradas as minhas apelações para o grande Luiz de Souza, informo-lhe que é meu costume deixar a melhor parte do alimento por último, por isso ainda não adentrei ao mestre Luiz de Mattos, preferindo deixar para depois.
Mas para seu consolo, veja o que diz a digníssima filha dele, Maria Cottas, mulher estilo Marineide, só que um pouco mais letrada, em sua obra Folhas Esparsas, as páginas 200 e 201, sobre a luta contra a ignorância, e se não é a Filosofia, com seus próprios termos, quem irá encerrar esta luta milenar, quando ela diz:
“A obra da civilização, se a contemplarmos no seu conjunto, é comovente. Nela constatamos a luta secular do homem contra a animalidade da qual provém e à qual tende sempre a descer, pois mais depressa se aprende e imita o mal, do que o bem e a virtude”.
E conclui, ao continuar dizendo ainda:
“Por isso, essa obra de incessante aperfeiçoamento espiritual deve ser universal, e a sua ação moralizadora, enérgica e tenaz. A Filosofia a coroa com as suas palavras mais belas (grifo meu)”.
Parece-me que agora a minha mãezinha não vai mais duvidar de que o grande organismo chamado Filosofia é uma realidade, e não uma ciência inútil, formada pela imaginação do homem, como o é atualmente todo o fundamento do Direito, da Economia, da Administração de Empresas, da Ciência Política, da Psicologia e de todas as demais ciências ditas humanas.
Note que quando a senhora quer sossegar o raciocínio, como agora, aceitando a Filosofia como essencial à humanidade, lá se lhe vou eu de novo com novos absurdos. Mas isso é apenas para lhe amortecer os efeitos do imenso absurdo, que é o fato de eu poder lhe revelar quem realmente eu sou.
Largue a imaginação, tire Ruy Barbosa da cabeça e relaxe, pois agora vou mexer um pouquinho com a minha mulher, tomar um cafezinho e logo estarei de volta.
Outro beijo!
* * * * *
Capítulo V
Pois é, mexi um pouquinho com a minha mulher, tomei café com dois dos sanduíches que ela estava fazendo para jantarmos, tomei banho e cá estou de volta a dizer mais algumas coisinhas.
Antes, saiba que a senhora é a minha velhinha amada, viu! Pode ainda possuir apenas uns raros fios de cabelos brancos, embora já tenha passado dos sessenta, mas não deixa de ser a minha velhinha.
Agora vou tirar todas as suas dúvidas sobre os fatos que deverão ocorrer no final do século, ou milênio, como queira, se é que a senhora ainda conserva alguma em sua mente. Veja na obra Cartas ao Cardeal Arcoverde, lá pelas páginas 237 e 238, o que Luiz de Mattos, agora ele, diz sobre um recado de Cristo:
“Ele vos manda dizer, mestre Cardeal Arcoverde, que de fato, os tempos são chegados, não só para que toda a Humanidade se esclareça, como para que o Vaticano, e assim vós e todos os vossos escravos e parceiros, tomem novos rumos e se cristianizem, como se cristianizar devem todos os povos, até ao fim do presente século (grifo meu)”.
Agora, preste bem atenção para o que vai acontecer com a humanidade no final deste século. Procure fazer uma analogia com aquela minha “loucura” de considerá-la o próprio satanás, que eu lhe disse ser apenas uma gnosiologia, com uma espécie de “loucura” geral humana que certamente virá, pois é justamente isso o que vai acontecer. Não devo, neste momento, tentar explicar detalhadamente, porque o espaço e o tempo não permitem, apenas peço que tente entender Luiz de Mattos, em sua obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, as páginas 10 e 11, quando ele diz:
“A Humanidade, que está carecendo de preparo espiritual para resistir ao tremendo vendaval de loucura que se tornará a peste mais danosa do século e de todos os tempos, e para a qual o materialismo da ciência médica não terá remédio”.
E veja agora o que se segue:
“É sabido que as guerras prosseguirão até o fim deste século e princípios do vindouro, e que a mortandade, a fome e a peste serão terríveis, passando o mundo por grandes transformações”.
Neste ponto, quero que a senhora se lembre de que faz parte dos meus ideais concluir a Filosofia e iniciar uma nova ciência, que eu denominei de Veritologia, em função do grande Pinheiro Guedes, o qual criou o termo criptoscópio para o órgão espiritual que lida com tal ciência.
Mas continuemos com a afirmativa de Luiz de Mattos:
“À marcha da ciência ninguém ousará pôr entraves, mas os efeitos morais das guerras e da peste serão de tal ordem, que os espíritos fracos terminarão por enlouquecer, havendo, no final deste século, uma espécie de peste da loucura, como já houve a “peste negra”, que dizimou, pode-se assim dizer, mais criaturas do que as maiores guerras de antanho”.
Fica aqui provado que a humanidade vai passar por sua gnosiologia, e que se não tiver alguém para explicar cientificamente o que está se passando, a destruição da vida humana no planeta, nos moldes atuais, é inevitável, decretando-se o fim desta nossa civilização. Por isso eu passei por aquela terrível experiência, que se denomina gnosiologia, ao considerá-la o próprio Satanás, melhor dizendo, ao considerar o Satanás travestido em sua imagem, para que a humanidade não venha a sofrer ainda mais.
E veja, mamãe, que tudo isso que eles disseram é a mais pura expressão da verdade, pois o próprio Luiz de Mattos, em sua obra, Pela Verdade, a página 87, é consciente quando diz:
“um mestre nada deve dizer, nada deve afirmar que não possa provar teórica e praticamente, de acordo com as leis naturais que tudo regem”.
Como tudo o que esses grandes espíritos disseram é a legítima expressão da verdade, cabe agora a mim, então, provar teórica e praticamente tudo o que disseram esses mestres, com a legítima expressão da sabedoria. Enquanto eles, por sua vez, lá dos seus Mundos de Luz, continuarão a agir em apoio à Grande Causa.
Agora, a senhora pegue novamente a obra de Luiz de Souza, A Morte não Interrompe a Vida, a página 285, e saberá que, como ele bem diz:
“Está sem dúvida reservado ao Brasil um papel preponderante no futuro dos povos, e a isso se prende o fato de ser ele escolhido para receber a semente geradora de um movimento espiritualista destinado ao esclarecimento do mundo”.
Essa semente geradora, mamãe, só poderá ser lançada por um instrumento encarnado que possua ideais muito elevados, além dos atributos necessários para a empreitada. E isto o seu filho aqui realmente possui.
No entanto, esse movimento espiritualista esclarecedor, necessariamente, terá que se revestir de caráter científico, para que os seus fundamentos sejam lógicos, baseados na razão, e não na irracional fé. E aqui se encaixam a Filosofia e a ciência que eu criei, a qual denomino de Veritologia. Já em relação aos meus ideais, mais na frente, lá pelas páginas 286 e 287, ele ainda diz que:
“Deste país hão de passar para os demais, ainda no decorrer do século XX, e posteriormente, as correntes vibratórias saturadas dos mais elevados ideais, que produzirão as transformações por que o mundo há de passar, com fundamento na espiritualização”.
E por falar em ideais, lembre-se de que o pensamento é tudo na vida do ser humano. Que é ele, o pensamento, quem representa a manifestação do espírito. E como a própria obra básica do Racionalismo Cristão, a página 122,diz:
“A força do pensamento tem como medida o grau de evolução do ser humano, e como limite a capacidade que este possuir de se utilizar dos seus atributos espirituais”.
Como Luiz de Souza ainda mais acima afirma, as correntes vibratórias saturadas dos mais elevados ideais ensejarão pensamentos que serão postos em ação, os quais produzirão as transformações que o mundo requer. Para a senhora ter uma ideia da força do pensamento, veja o que o nosso grande cearense, e talvez o maior filósofo do Brasil, Farias Brito, tinha de conhecimento acerca da força de um pensamento idealista, quando ele diz:
“Uma reforma, pois, se faz necessária…, mas isto é o que só deve e só pode ser feito em nome de um grande princípio, de uma grande ideia (ou ideal, digo eu) moral capaz de regenerar o mundo”.
Observe que ele também sentia a grande necessidade da espiritualização da humanidade, quando falou em uma reforma. E veja também como esse grande espírito também sentia a necessidade do Racionalismo Cristão, quando disse:
“Todas as religiões atuais (época dele, digo eu) estão mortas… Há de ser criada uma religião nova sem o que não poderá ser mantida a civilização contemporânea que terá fatalmente de se dissolver e morrer”.
E esse mesmo autor, detentor de uma clarividência impressionante, ainda se refere a este entrelaçamento entre a Filosofia e o Racionalismo Cristão, quando diz:
“A Filosofia se confunde com a Religião. A Religião, de fato, é a Filosofia mesma passando do mundo das abstrações para o mundo da realidade… é a Filosofia deduzindo as leis da conduta”.
Não duvide de nada disso, mãezinha, pois como o próprio Luiz de Mattos afirmou: duvidar é grave. Assim quero que a senhora se conscientize de quão importantes e fundamentais são os pensamentos produzidos pelo meu espírito, todos com base nos meus ideais. É por isso que na própria obra Prática do Racionalismo Cristão, a página 25, está escrito o seguinte:
“Para uns, a missão é singela, para outros, mais complexa, para alguns raros, é árdua, e se projeta além das fronteiras do pátrio-lar, estendendo-se pelo orbe”.
Sei o que sou e o que represento, mãe, como também sei que estou só, completamente só, na mais árdua guerra de todos os tempos contra a ignorância, para então poder fixar neste mundo os meus ideais. E nesta batalha, preste bem atenção: contra tudo e contra todos, uma vez que todas as correntes são contrárias e todos os pensamentos são contra. Mas tenho vontade e pensamento, para que mais?
Vou tomar um cafezinho e volto logo.
Mais um beijo!
* * * * *
Capítulo VI
Aqui venho eu novamente, coroa. Agora disposto a lhe fornecer uma breve noção prática daquilo que representa o processo gnosiológico. Para tanto, eu vou fazer uma certa analogia, utilizando-me da senhora mesmo como instrumento de ação, para que assim a senhora obtenha, com base em si própria, uma ideia mais profunda do que seja a gnosiologia, e daquilo que representa o processo gnosiológico.
Suponhamos que o espírito do próprio Cristo, com todo o esplendor da sua luz, aparecesse para a senhora aí em Recife, e lhe dissesse exatamente o seguinte:
― Marineide, são 23:00 horas, daqui a exatamente uma hora, à meia-noite, a sua filha Vládia deverá sair de seus aposentos, dirigir-se à varanda, sofrer uma queda, cair no pátio e morrer. E somente a senhora, sem nenhum artifício, e se utilizando apenas dos próprios meios que possui, poderá salvá-la. E salvá-la desta forma é possível, asseguro-lhe.
Agora, mamãe, a senhora vai ter a noção dos momentos pelos quais passei, pelo menos em miniatura. Digo miniatura, porque a sua responsabilidade aqui posta é somente para um ser humano, apesar de ser sua filha, minha querida irmã. Ao passo que a minha gnosiologia era para com toda a humanidade e a todos os seres a ela ligados.
Acredite se for capaz!
Observe agora o que poderia suceder:
Em primeiro lugar, a senhora comunicaria e pediria o auxílio das pessoas a quem mais depositasse credulidade e também das que mais nutrisse admiração moral. O grande problema a enfrentar é que elas iriam tentar de todas as maneiras fazê-la crer que era vítima de alguma alucinação, ou, então, que estaria sendo vítima de intuições dos espíritos do astral inferior, querendo se divertir à sua custa.
Assim, elas não chegariam nem ao menos a duvidar do seu pedido, simplesmente porque não levariam o fato a sério. Tanto a sua inteligência como a sua capacidade de raciocínio, seriam considerados em desequilíbrio, e não seriam sequer levados em conta. Por mais que a senhora tentasse, por mais que insistisse, por mais que até suplicasse, nada conseguiria de auxílio, pelo contrário, iria apenas apresentar uma imagem ainda mais distorcida e ainda mais perturbativa do quadro desequilibrado que os apresentava.
Aflita. Desesperada. Quase tresloucada. Com o peso dessa imensa responsabilidade sobre os ombros, iria, talvez, tentar telefonar para a filha. Mas não poderia, pois teria que conseguir a sua salvação sem nenhum artifício e se utilizando apenas dos próprios meios.
Tentaria, quem sabe, enganar-se a si própria, achando que fôra vítima de alguma alucinação. Mas o esplendor da luz de Cristo não a deixaria se enganar a si própria.
O que fazer?
A omissão seria um pecado mortal, via resignação. Por isso, a alternativa de se convencer de que em uma hora, qualquer tentativa seria infrutífera para de Recife salvar a filha em Fortaleza, por ser uma tarefa sobre-humana, não procederia.
Ora, é óbvio que, de imediato, viria a lembrança de que Cristo afirmara ser possível realizar a tarefa. E a senhora é ciente de que Cristo não mente, não engana e muito menos se engana. Em decorrência, a resignação a levaria a um imenso sentimento de culpa pela morte da filha, visto não existir nenhuma desculpa para esta culpa, a não ser a própria fraqueza, a falta de confiança em si mesma e no Astral Superior, e a quase total ausência de vontade e pensamento.
Ainda mais aflita, ainda mais desesperada e ainda mais tresloucada, a senhora iria, talvez, morrer lutando. Poderia não conseguir, mas morreria lutando até o fim. Bom sinal! Iria receber ajuda divina, embora pensando estar sozinha.
Ante a eminente perda da filha, já quase fora de si, na sua luta até à morte, a senhora se disporia até a pular da janela do edifício em que mora, para, de lá, tentar sair voando, como se fôra uma deusa alada, nem que para isso morresse na queda. Mas logo veria que isso é irracional. Nenhum ser humano encarnado, por si, consegue salvar alguém como se fôra um deus alado. Assim, essa tentativa teria que ser logo descartada, a fim de que ela não se transformasse em uma fuga em forma de suicídio, algo que o astral inferior adora.
Sem qualquer alternativa racional que a senhora pudesse julgar como sendo viável, passaria a se apegar a qualquer coisa que julgasse poder salvar a filha. Apegar-se-ia até ao delírio de se julgar a encarnação da própria Nossa Senhora, a dita mãe do deus dos católicos, e passaria a dar ordens a torto e a direito, a tudo e a todos. Em tais circunstâncias não seria válida qualquer tentativa para salvar a filha?
Repentinamente, impulsivamente, poderia desabar em uma desenfreada carreira, aí de Recife, rumo a Fortaleza, na vã tentativa de salvar a querida filha. Mas o tempo, indiferente, implacável, iria passando como sempre passa, parecendo estar até acelerado, para que assim o seu desespero pudesse ser cada vez mais aumentado.
Nessa sua corrida desenfreada pelas ruas de Recife, rumo a Fortaleza, seria óbvio que todo o seu esforço mental empregado estivesse restrito apenas ao que é material. Mas uma voz misteriosa poderia lhe segredar aos ouvidos: ― “tire a roupa, que assim, daqui a Fortaleza, a senhora ganhará 10 segundos”. Então a senhora pensaria: “ora, 10 segundos é tempo mais que suficiente para eu segurar a minha filhinha e impedi-la de cair”. E, de imediato, se despiria.
Estando a senhora completamente despida na sua desenfreada carreira pelas ruas de Recife, este seu filho aqui, como que surgindo do nada, barrar-lhe-ia os passos e, segurando-a pelos ombros, indagar-lhe-ia: ― “Calma mamãe, porque a senhora está assim, completamente despida, correndo pelas ruas de Recife?”. Como a senhora é ciente de que os espíritos do astral inferior têm o poder de manejar fluidos para assumir a forma material que quiserem, inclusive a de qualquer ser humano, poderia julgar estar diante de um espírito do astral inferior, e não diante do próprio filho.
No ímpeto de salvar a própria filha, considerar-me-ia como sendo um espírito do astral inferior com a nítida intenção de lhe barrar os passos. Assim, a senhora estaria sujeita a qualquer “agressão” a mim, não com a intenção dolosa de me machucar, mas sim com a intenção verdadeira de me tirar do seu caminho, já que não dispunha de mais tempo para as respostas ou para quaisquer explicações.
Que dor, hein mãezinha! Que sofrimento medonho!
Mas seria essa dor e esse sofrimento que lhe faria assim pensar: “meu Deus, não agredi ao meu filho, meu Cristo, só quis tirar um espírito do astral inferior momentaneamente do meu caminho, achando que ele, assumindo a figura do meu filho, era um enviado do mal. Não sou louca, se assim despida correndo me encontro é porque estou desesperada para salvar a vida da minha filhinha querida!”.
De mesmíssimo modo, só que não por analogia, mas sim, na mais autêntica realidade, tanto a dor como o sofrimento decorrentes da minha gnosiologia, fazem-me, até hoje, assim pensar: “meu Deus, não agredi a minha mãe, meu Cristo, só quis provocar o Satanás, juntamente com todos os seus demônios, no próprio Inferno, em que julgava me encontrar, para uma luta mortal, achando que ele, assumindo a figura da minha mãe, representava o próprio mal. Não sou louco, se assim agressivo estava agindo era porque estava desesperado para salvar a humanidade, considerando-me como sendo o último dos enviados para desbancar o rei dos infernos do seu trono e assumir a sua chefia”.
Paro por aqui a esta analogia, queridíssima mãe! Pois meus olhos já estão inundados de lágrimas, não por mim, mas pela possibilidade da senhora sentir um tanto quanto a mesma dor que me foi imposta.
Continuarei de outra forma. Buscarei outra maneira de mostrar o quão doloroso, mas necessário, é o processo gnosiológico imposto a um ser humano que necessita transcender ao mundo terreno.
Mas, antes, quero que a senhora fique ciente, mas bem ciente, e se possível convicta, que no meu processo gnosiológico, eu, em prol da humanidade, fui pseudamente colocado no inferno pela própria Providência Divina, frente a frente com o próprio Satanás, tendo que enfrentá-lo em pessoa. Sim, tive que enfrentar o rei dos infernos com todos os seus demônios, sozinho e em seus próprios domínios. Com ele ainda assumindo a sua figura. Por quê? Não dizem que ele é falso, manhoso e cheio de artimanhas?
Mas, por favor, não vá pensar que eu esteja afirmando que existe o diabo ou o inferno. Isso não! Mas, mesmo que existisse, posso brincar com a senhora, eu o teria liquidado. O crucial é que foi a senhora a figura que a Providência Divina me deu em lugar da do próprio Satanás. Mas o fato é que não podiam me dar a figura deste, nem mesmo como o pintam, já que ele não existe.
Assim, mãezinha, como a senhora pode confiar a sua vida na moral de Luiz de Mattos, também pode confiá-la da mesma forma na minha ética, pois foi esta quem a salvou, pois eu não liquido a quem não tenta me liquidar, e naquela ocasião a senhora de nenhuma maneira tentou, embora eu a tivesse provocado para um duelo mortal, tendo a sua figura como se fôra o próprio Satanás, daí as pequenas escoriações sofridas pela senhora.
Além do mais eu precisava demonstrar uma extrema coragem, até ao ponto de enfrentar o próprio Satanás sozinho em seus domínios, acompanhado de todos os seus demônios, e assim assumir a chefia do próprio Inferno, coragem essa que me proporcionou reencarnar para cumprir uma missão quase impossível. Digo quase impossível pelo seguinte: a maior coisa que eu quero fazer, é a menor coisa que eu sei fazer; esperarei o tempo que for preciso; farei tudo o que me for possível; mas a farei! Esta é a minha própria sentença do meu despertar.
Veja o que diz Luiz de Souza sobre a coragem, em sua obra A Morte Não Interrompe a Vida, a página 257, quando ele assim se expressa:
“Dos planos mais elevados de espiritualização, descem à Terra, de quando em quando, para encarnar, espíritos iluminados. Mestres em disciplina espiritualista, nos quais não é difícil constatar, além de uma coragem sem limites, o espírito de renúncia, a expressão de simplicidade e a dedicação superior voltada para a evolução da humanidade”.
E ainda diz mais, conforme o que se segue:
“A coragem de modo algum pode prejudicar. Ela exige prudência, cautela e ação. Todos, na rotina da evolução, caminham para conquistá-la. A vida terrena oferece numerosas experiências para o exercício da coragem (grifo meu), pela necessidade que há dela se integrar na formação moral de cada pessoa. A coragem aviva os traços da personalidade, dá firmeza a atos e atitudes, consolida a autoridade, e por ela se elegem os condutores dos agrupamentos humanos (grifo meu).
A senhora há de convir que qualquer outro ser humano, estando certo de se encontrar em tal situação, tremeria de medo e talvez até enlouquecesse, berrando e gritando de pavor, desesperado por se ver sozinho no Inferno, frente a frente com Satanás, juntamente com todos os seus demônios, sem qualquer ajuda possível.
Mas, de qualquer maneira, como a sua imagem representava a do próprio Satanás, provoquei-a com certa energia para o combate, daí, repito, os pequenos hematomas que a senhora sofreu. Mas não foi violência, por hipótese alguma, foi apenas provocação para o combate mortal, simplesmente isso. Se realmente tivesse sido violência, creia, eu a teria liquidado de imediato, e a teria liquidado com toda a certeza que possa existir fora deste mundo material.
A gnosiologia, mamãe, em síntese, e espero que a senhora consiga compreender, é mais ou menos a maneira adequada e necessária para que a inteligência do ser humano transcenda a este mundo, projete-se para o orbe, para que assim possa cumprir com seus altos desígnios. Além do mais, ela mostra claramente a ética e a coragem empregadas no processo, sendo por isso que ela é uma situação criada e imposta pelo Astral Superior a um ser humano pretendente a filósofo. Como se pode também constatar, é pura utopia, é pura invencionice de espíritos atrasados, esse tal de Apocalipse, ou seja, a luta a ser travada no fim dos tempos entre Deus e o Satanás, pois se este realmente existisse, e tivesse reagido às minhas provocações para o combate mortal, eu fatalmente o teria liquidado, de imediato, desde que de fato e realmente posto no Inferno.
Já filosoficamente falando, a gnosiologia é o processo ou o meio pelo qual o ser humano se torna filósofo, liberta-se do corpo material em termos de pensamentos e sentimentos, passando a ficar ligado ao corpo físico apenas pelos cordões fluídicos, como realmente é para ser, pois assim o seu espírito pode raciocinar livre das peias da matéria, influenciado apenas pela razão, e não pelo ambiente, o qual ele deve aprender a superar.
Dessa forma, como é fácil supor, o ser humano, como filósofo, torna-se um instrumento dócil das Forças Superiores, as quais, através do próprio filósofo, e por intuição, poderá dotar este planeta da sabedoria necessária à sua evolução.
Aqui, mãe, neste mundo depurador, não existe sabedoria, esta tem que ser criada com base no Tempo Futuro, através do intelecto, tendo por base pensamentos elevados, sendo transmitida pelo profundo raciocínio. A própria obra básica do Racionalismo Cristão, a página 124, em relação a isso, afirma o seguinte:
“O grande repositório da sabedoria não está na Terra, mas no Espaço Superior”.
Mas o certo é que no Espaço Superior se encontram os conhecimentos acerca da verdade. Por isso, como a doutrina trata apenas da verdade, cometeu esse leve engano.
Voltando agora à sua analogia. Quando a senhora percebesse que, na realidade, quem iria salvar a sua filha seriam as Forças Superiores, e que a senhora seria apenas um instrumento, imediatamente iria lutar para se tornar um instrumento cada vez mais dócil e receptivo às intuições do alto. Assim, no momento oportuno, através de um procedimento divino, embora natural, a senhora, dirigida pelas Forças Superiores, salvaria a sua filha. Quer algum exemplo desta realidade? Pois bem, vou lhe dar.
Ponha em mãos a obra Como Cheguei à Verdade, de Maria de Oliveira, as páginas 78 e 79, e leia o seguinte:
“Cooperando, em desdobramento, com o Astral Superior, meu espírito é levado pelas Almas de Luz para salvar uma criança que brincava em uma janela de um quinto andar e estava prestes a se despenhar para a rua. Cheguei no exato momento em que o pequenino ser era empurrado pelas forças do mal e precipitado no vácuo.
Meu espírito assistiu e auxiliou em um dos muitos e lindos trabalhos da Grande Luz. Enquanto eu amparava no vácuo a criança, ambas éramos envolvidas por jorros de Luz do Astral Superior. A matéria do pequeno ente nada sofreu, apesar da enorme queda que, sem o auxílio que lhe prestado, tornaria inevitável a sua desencarnação.
Algumas vezes os periódicos noticiam, com grande destaque e admiração, graves acidentes ocorridos com crianças e até adultos que se despencam de grandes alturas sem nada sofrerem, além do susto, fato que causa espanto e que geralmente atribuem ao milagre!
É ignorado pela maioria dos seres, especialmente aqueles menos esclarecidos sobre a Grandeza Espiritual, que a luta das Forças do Bem contra as do mal é constante, e os auxílios da primeira contra os malefícios da segunda muitas vezes só são possíveis ao Astral Superior, quando o meio ambiente onde tem de agir lhe é propício.
O meio ambiente onde a Grande Luz tem de descer para prestar o seu valioso auxílio, precisa estar limpo dos pesados fluidos das forças do mal. Para isso, nos trabalhos de limpeza, atuam os espíritos encarnados e desencarnados que, de boa-vontade, se prestaram a cooperar no serviço do Astral Superior.
Portanto, no caso que acima me referi, a criança não foi salva milagrosamente, por uma simples razão: a inexistência do milagre. O primeiro foi obra da Grande Luz, que agiu com rapidez em um meio ambiente propício, preparado por espíritos ao seu serviço e vencendo a corrente negra que estava formada para arrebatar o menino”.
Se a senhora, como instrumento do Astral Superior falhasse, como poderiam as Forças do Bem atuar para poder salvar a sua filha? O certo é que ela fatalmente morreria. Por outro lado, enquanto a senhora sozinha e materialmente estivesse tentando salvá-la, o óbvio é que nada iria conseguir.
A lição que fica é que somos nós partículas do Todo, o qual tem que ser harmônico e coeso. E apenas agindo como tais, como partículas harmônicas e coesas do Todo, quer dizer, em conjunto com as Forças Superiores, é que conseguiremos feitos considerados como sendo extraordinários e notáveis, tidos para os ignorantes como “milagres”.
Por fim, a senhora com toda a razão pode agora me indagar:
― E que espécie de “milagre” a sua gnosiologia poderia proporcionar para você poder salvar a humanidade da extinção de mais uma civilização fracassada, se as únicas coisas que faz é ler e escrever?
Ponha em mãos a obra Caminhos Certos, de Olga B. C. de Almeida, abra-a a página 162, e leia o seguinte:
“O bom livro é o que age favoravelmente sobre os sentimentos, modificando-os, graças ao entusiasmo, à euforia que provoca. O curso da vida pode se modificar sob a influência do livro (grifo meu). As ideias retidas no subconsciente (perispírito) se transformam em princípio ativo, despertando interesses adormecidos”.
Mais um cafezinho e já volto. Um beijo!
* * * * *
Capítulo VII
Como antes eu falei, este mundo é tão apodrecido, tão cheio de mazelas e maldades, que todo mundo quando vê algo diferente à frente, bem próximo do próprio nariz, tenta ainda enxergar muito mais além, como que em busca de alguma sujeira ou de alguma perturbação.
Quando eu afirmo que fui Ruy Barbosa na encarnação passada, as indagações mais lógicas seriam para tomar ciência de como eu soube e por que me encontro aqui novamente. Posteriormente, investigar todas as razões e provas, analisá-las profundamente, para só então concluir se eu realmente fui ou não.
Mas assim não procedem! Antes de tudo, dão logo asas à imaginação, partindo do princípio de que é absurdo e impossível alguém saber quem havia sido na encarnação passada, então passam a vociferar contra aquilo que não investigaram e nem analisaram, e, aos seus modos, dizem: “ele diz que foi Ruy Barbosa porque está perturbado”; “ele diz que foi Ruy Barbosa porque só quer ser inteligente”; “ele quer ser Ruy Barbosa porque a sua extrema vaidade se tornou obsessiva”; etc.; etc.
Até o meu amigo José Maia, quando me telefonava, logo após eu haver parado de frequentar a Doutrina, na época em que tive alta da internação do hospital psiquiátrico, após a gnosiologia, ia logo perguntando: “— já parou com a mania de querer ser Ruy Barbosa?”.
Antes de tudo, mãezinha, eu não quero ser e, muito menos, tenho a mania de ser Ruy Barbosa, apenas afirmo que fui na encarnação passada, e para mim tal afirmativa basta. E isso ninguém tira de mim, porque é largamente fundamentado, tanto com fatos como com lógica.
Duvida?
Então se disponha a ler os meus escritos que tratam sobre o assunto, os quais serão inseridos no primeiro livro que escreverei, onde esta minha missiva também será inserida, e que ponho à sua disposição desde já. Atente para o fato de que todos os leitores a julgarão por isso. Assim, e somente assim, investigando, analisando, é que a senhora poderá analisar os prós e os contras das razões e da lógica que lá se encontram, não existindo outra maneira. Não seja precipitada a ponto de concluir pelas aparências.
Infelizmente, como nenhuma mentalidade deste mundo consegue atingir o alcance da compreensão natural de um fato desta natureza, todos se deixam levar pela imaginação, e aí, então, perdem-se. Não cabe aqui a demonstração completa da naturalidade da minha afirmativa, mas com a possível brevidade tentarei lhe dar a noção adequada da possibilidade da sua procedência racional.
E a farei por intermédio do próprio Luiz de Mattos. Este, em suas obras, não somente sabia quem havia sido nas encarnações passadas, como também sabia quem haviam sido outras pessoas. E, como se não bastasse, até fatos ocorridos com ele mesmo e com outras pessoas em encarnações passadas ele também sabia. Comprove em sua obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, a página 277, quando ele assim se expressa:
“Quantas vezes, meu Gustavo, nas encarnações anteriores (grifo meu), tu, clérigo, tu, frade, saías do coro, após aqueles maviosos cantares, ditos sacros, e que agora denominas devocionais, e ias torturar, por diversas maneiras, os cristãos novos…”.
E mais adiante, a página 333, ele também diz:
“É meu dever te esclarecer, meu Gustavo, porque muito te quer a minha alma, velha companheira da tua, sempre superiormente fradesca nas encarnações passadas (grifo meu)”.
E veja a página 353, quando ele ainda afirma:
“… se denomina diabo, com guampas, rabo e pés-de-cabra, conforme o inventamos em tempos idos, nas encarnações anteriores (grifo meu), em que fradejando essas vidas passadas, era nosso desejo ardente fabricar cretinos…”.
Ciente de que podemos saber das nossas encarnações passadas, a senhora também deve ser sabedora de que, embora o Racionalismo Cristão afirme que todo espírito tem uma missão a cumprir na Terra, ele não diz:
- Como se faz para se saber a missão, ou seja, que caminho seguir;
- Como se certifica que a missão encontrada a cumprir é realmente a correta;
- Como se faz para se cumprir com a missão;
- Quando se chega ao fim da missão.
Aliás, o Racionalismo Cristão, até hoje, é totalmente omisso com relação a tal assunto. Por quê? Porque a Luiz de Mattos coube a missão de implantar a doutrina da verdade. E a mim cabe a sua explanação, que engloba tanto o problema filosófico como o veritológico, vias pelas quais demonstrarei os problemas acerca da missão neste mundo. E isto, querida mamãe, chama-se razão.
E é pela causa da razão, ou da espiritualização da humanidade, quer dizer, em nome da verdade e da sabedoria, portanto, do Racionalismo Cristão, que eu, agora encarnado como Marcos Valente Serra, retroagirei à minha vida passada como Ruy Barbosa, detalharei todos os fatos necessários, e mostrarei, teórica e praticamente, tudo o que se relaciona com a missão do espírito na Terra.
Por enquanto, basta isso para que a senhora não me julgue como um louco, como um visionário, como um perturbado. Ora, perturbado eu fui no meu período de boemia, em que fui vítima das investidas atrozes do astral inferior. Sombras, vozes, risadas, intuições e até latidos de cães, vindos dele, como já vieram, viraram costume, não são mais novidades para mim.
Mas não me encontro mais no período de boemia. Hoje sou militante do Racionalismo Cristão. Sou um ser humano bem assistido pelos Espíritos Superiores. A prova disso se sucedeu quando em sua companhia, ao regressarmos de uma sessão da doutrina, logo que adentramos em seu apartamento, algo que pela divina doçura, o qual não reputo voz, alertou-me e me fez compreender o seguinte: ― “olhe a sua missão! Você vai ser Presidente do Racionalismo Cristão!”. Eu sei, mãezinha, e posso afirmar: isso foi obra de Espíritos de Luz!
Volto depois para a última parte. Um beijo!
* * * * *
Capítulo VIII
Para encerrar agora esta cartinha, com corpo de cartaça, quero que a senhora preste bem atenção à afirmativa de Cristo que está contida na obra A Verdade Sobre Jesus, a página 30, sobre os acontecimentos relativos a uma nova era da humanidade que se aproxima:
“Deixa, mulher, que atrás de tempo, tempo vem; há de chegar a ocasião em que os homens verdadeiros e sinceros não precisarão de templos e montes para neles fazerem suas adorações, porque saberão irradiar bons pensamentos, conservando no espírito a verdade; os templos desses homens, serão a consciência”.
Nós desenvolvemos três órgãos espirituais, a saber: a consciência, o criptoscópio e o intelecto. A consciência é o órgão que coordena o criptoscópio e o intelecto, portanto, o órgão da razão, o qual se liga à Ratiologia, ciência que darei os primeiros fundamentos. O criptoscópio é o órgão que capta os conhecimentos, portanto, o órgão da verdade, o qual se liga à Veritologia, outra ciência que darei os primeiros fundamentos. E o intelecto é o órgão que cria a experiência, portanto, o órgão da sabedoria, ou da Filosofia, ciência que muitos julgam conhecer, mas que poucos verdadeiramente conhecem, se é que realmente conhecem, a qual darei também os devidos fundamentos.
A atividade maior deste seu filho está ligada diretamente à Filosofia, ciência que a senhora releva ou pouca importância dá em termos de importância para a evolução, o que se estende a mim, justamente porque é difícil compreender as minhas experiências mundanas. Mas isto porque a senhora ainda não sabe quem realmente eu sou, e nem o que representa a Filosofia.
Agora, mãezinha querida, eu lhe pergunto: ― e a senhora sabe quem realmente foi Cristo? Parece que também não, já que a senhora, relevando o potencial da Filosofia, releva também qualquer filósofo. Então observe bem que o próprio Racionalismo Cristão, ainda na mesma obra A Verdade Sobre Jesus, a página 222, diz sobre quem é Cristo:
“Os fatos atribuídos pela história a Jesus, encarregam-se de demonstrar ter sido ele um sábio filósofo (grifo meu), inspirado nas doutrinas de outros grandes filósofos da Índia e da China”.
Está agora ciente que a senhora, sendo uma racionalista cristã, segue um filósofo? Convenceu-se agora que se os ensinamentos vêm de Cristo, declarado tal como filósofo, a senhora está seguindo a própria Filosofia, mesmo sem o saber?
Veja se a senhora agora consegue entender o que adiante vou lhe afirmar: a humanidade necessita se espiritualizar através dos conhecimentos da Veritologia, para receber as experiências da Filosofia e, assim, resolver os seus magnos problemas.
Dá então para entender que é a Filosofia a ciência que irá resolver os magnos problemas humanos, e não a Veritologia. Esta é a ciência encarregada de espiritualizar a humanidade, livrá-la das garras da ignorância, e dotá-la das leis necessárias para a assimilação dos princípios filosóficos. É por isso que acham a Filosofia inútil, e o filósofo um lunático, pois querem porque querem que ela resolva os magnos problemas humanos e ainda exerça o papel da Veritologia, sem que atentem para o fato de que ela não possui nem fundamentos e nem finalidade para tal.
E isso fica bem claro, quando os próprios editores da obra A Felicidade Existe, escrita por Luiz de Souza, a página 7, afirmam o seguinte:
“A evolução normal da humanidade está na dependência de se poder ela firmar em princípios espiritualistas para, por meio deles, resolver os seus problemas fundamentais (através da Filosofia, digo eu)”.
E sobre essa nova ciência, a Veritologia, veja o que diz o célebre Anatole France, do qual o nosso grande sanitarista, Oswaldo Cruz, era admirador:
“A paz universal se realizará um dia, não porque os homens se tornarão melhores, não é permitido esperá-lo, mas porque uma nova ordem de coisas, uma ciência nova (grifo meu), novas necessidades econômicas hão de lhes impor o estado pacífico, assim como outrora as próprias condições da sua existência os punham e os mantinham no estado de guerra”.
E veja o que o próprio Luiz de Souza, em sua obraA Felicidade Existe, a página 16, diz:
“A Força Criadora mantém o Universo constituído na base da sua Ciência. As descobertas científicas que se fazem são o resultado da captação de vibrações do campo cósmico, feita por estudiosos que, com esforço, conquistaram essa faculdade receptora”.
Agora eu lhe pergunto:
― Quem capta e cria as irradiações da ciência melhor que o filósofo? ― Quem raciocina e estuda mais que o filósofo? ― Quem conquistou melhor essa capacidade receptora e criadora da ciência, se não o filósofo, o qual passou por um processo gnosiológico para ficar ligado ao corpo material apenas pelos cordões fluídicos, como é o correto?
Logo após eu concluir as obras que atualmente estou escrevendo, a senhora vai ver o grande número de criaturas que militarão no Racionalismo Cristão, pois os acontecimentos serão como o próprio Luiz de Souza, ainda na mesma obra, a página 305, diz:
“É sabido que há na Terra um contingente valioso de pessoas que está aguardando contato com estudos desta natureza, para melhor poderem se firmar nas suas convicções espiritualistas”.
Não considere o que se segue como sendo uma grande pretensão de minha parte. Mas quem neste mundo se dispôs a explanar a doutrina do Racionalismo Cristão? Quem neste mundo está colocando em livros estudos desta natureza, para que os seres humanos possam melhor se firmar nas suas convicções espiritualistas? Para ambas as perguntas, a resposta é a seguinte: ninguém, a não ser eu, este seu filho.
A senhora então há de concordar que apenas este seu filho age no sentido de explanar o Racionalismo Cristão. Mas como ainda não concluí a minha obra, ele, o Racionalismo Cristão, até hoje, ainda não ocupou o espaço que merece no seio da coletividade humana.
Mas o fato é que a doutrina racionalista cristã não é deste mundo, ela transcende a ele, a prova disso é que foi idealizada em plano astral pelo Pe. Antônio Vieira. Por isso ainda não concluí minha obra, visto não ser tarefa das mais fáceis. E em não sendo tarefa das mais fáceis, é óbvio que a estúpida materialidade humana a ignore ou não a compreenda, pois não consegue alcançar a sua natureza ontológica, daí a julgarem como sendo apenas mais uma filosofia, dentre as tantas que existem.
Cabe a mim, pois, como explanador, tirar o Racionalismo Cristão da vulgaridade e do ostracismo em que se encontra, e provar, teórica e experimentalmente, que nele se encerra uma filosofia autêntica, pois como diz o mesmo autor, mais adiante, a página 305:
“Pode parecer, aos menos avisados, que a Doutrina Racionalista Cristã é mais uma filosofia (grifo meu) entre tantas, mas, na realidade, ela foi estruturada pelos Espíritos do Astral Superior…”.
Em relação a uma nova era que se aproxima, Luiz de Souza, agora em sua obra Ao Encontro de uma Nova Era, a página 16, diz o seguinte:
“Jesus, dotado de prodigiosa clarividência, já previa, há dois mil anos, que o mundo, antes de findar o segundo milênio, iria passar por fundamentais transformações”.
E continua dizendo:
“Uma nova era, desde então, se anunciava. A vinda de Jesus se deu no início da era que ora se finda, e é sabido que de dois em dois mil anos, no transcurso de cada grande era, um acontecimento de marcante profundidade, assinala a passagem do ciclo”.
E com relação ao lastimável quadro em que se encontra a humanidade, ele acrescenta:
“Outra observação de um fenômeno sistemático reside no fato de serem as grandes borrascas precedidas de eufóricas bonanças”.
A seguir, em relação ao que está ocorrendo na segunda metade deste século, ele diz:
“… verificam-se, no correr do presente século, extraordinários preparativos para o encontro de uma nova era”.
Mais na frente, ele continua:
“Nós, que nos encontramos encarnados, pertencemos às últimas gerações de uma era que se extingue, para dar começo à outra que se aproxima, plena de esperanças, de conquistas e de consequentes bem-aventuranças”.
Agora, já a página 17, ele é muito duro e incisivo, quando diz:
“Não se poderá ir ao encontro de uma nova era sem ter preparado a bagagem adequada para ela. Tal bagagem terá de ser constituída do acervo espiritual acumulado nesta existência física, através da conduta escorreita, do exemplo edificante e de provas de salubridade moral”.
Observe que os acontecimentos que virão são inteiramente normais, uma vez que se prendem ao processo evolutivo da humanidade, e não sobrenaturais, como os fanáticos religiosos assim os julgam e denominam de “juízo final”.
Na realidade, é apenas a separação do “joio do trigo”, quer dizer, a incompatibilidade de convivência entre os mais e os menos evoluídos, além, é claro, da espiritualização humana. Constate a procedência dos fatos com o próprio autor, quando ele, na mesma página, diz:
“Os que não quiserem se submeter à marcha para tal encontro (da nova era, digo eu), por lhes faltarem os elementos promotores, terão de se servir das experiências que lhes serão reservadas em plano físico, bem mais árduas, até ficarem habilitados, em oportunidades futuras, a concorrer ao acesso que nesta hora está sendo propiciado aos que amadureceram os seus espíritos para a renovação que se opera”.
O autor quer dizer que para aqueles que faltarem os elementos promotores da evolução, terão que ser rebaixados para uma outra humanidade, a que nos segue na esteira evolutiva, onde lá terão que se servir das experiências que lhes serão reservadas em plano físico, bem mais árduas, até ficarem habilitados a uma nova oportunidade como esta que está por vir, que eles não aproveitaram.
Preste bem atenção, mãezinha querida, que nesta cartinha de amor, eu estou prevendo tudo para a senhora. Mas ficar ao meu lado é decisão que compete unicamente à senhora, e não a mim, já que depende, única e exclusivamente, do seu livre arbítrio. A minha parte eu estou fazendo, se não bem, mas, pelo menos, com honra, dedicação, esforço, sacrifício, e o mais importante, com o máximo de boa vontade.
Aconselho agora a redobrar a sua atenção ao que diz também o autor, ainda na mesma obra, lá pelas páginas 18 ou 19, quando ele prognostica:
“Se assim for, somente os desprevenidos, os negligentes, os seres mundanos, entorpecidos pelos gozos terrenos, deixarão de se alinhar ao lado daqueles que podem antever os resultados venturosos que se delineiam (grifo meu)”.
Obviamente eu não a estou incluindo no grupo dos seres mundanos e entorpecidos pelos gozos terrenos. A senhora está há anos luz longe disso.
E mesmo para esse grupo, mamãe, o qual representa o joio, eu virei com novos fatos, todos baseados na ciência, até deixá-los exauridos e sem saída em relação ao mundo material em que se encontram, a fim de arrebatá-los para o lado do mundo espiritual, incansável que sou no cumprimento da minha missão, conforme aprendido com Luiz de Mattos e outros.
E até isso foi previsto pelo Racionalismo Cristão. Para a devida comprovação, basta observar o que está contido na obra Ao Encontro de Uma Nova Era, as páginas 44 e 45, quando Luiz de Souza diz:
“Quando, com novas demonstrações científicas (grifo meu), uma parcela maior da verdade for publicamente revelada, de forma insofismável, os incrédulos de hoje se verão obrigados a recuar da sua pirrônica resistência, idêntica à do apóstolo Tomé, e a aceitar a vida, no seu verdadeiro aspecto”.
E com relação a isso, ele também afirma o seguinte:
“… estão neste caso também os religiosos que se dizem cristãos e que, apegados a textos vetustos, de origem duvidosa, recusam-se a participar dos novos surtos de espiritualidade”.
A ordem recebida, mamãe, é a de se empregar o máximo de esforço possível para não se perder uma só das ovelhas do rebanho que forma a massa humana, embora eu esteja observando na prática, cá embaixo, como encarnado, a impossibilidade de cumprir com tal desiderato, apesar de nunca desacreditar na capacidade humana de recuperação, mesmo presenciando erros de toda a natureza, assim como também crimes e corrupções das mais baixas categorias.
Por isso, não vá a senhora pensando que se eu venho errando na vida, esses erros sejam de natureza bestial, irracional ou desenfreada. Não! Por hipótese alguma! Todos eles são de natureza experimental, embora sejam autênticos. E servirá para mostrar que os erros podem ser recuperados, assim como também os crimes e as corrupções. Eu sei, e não estou surpreso, que a minha missão neste mundo é sublime. Se a senhora duvida, veja o que diz Luiz de Souza quando a ela se refere, ainda na obra, Ao Encontro de uma Nova Era, a página 108, quando ele afirma:
“… aqueles que trazem a incumbência de missões mais destacadas, estudaram-nas em seus mundos, antes de encarnar, para contornar os riscos a que se iriam expor na Terra, do modo que os que vêm errando não foram apanhados de surpresa no torvelinho da vida, mas se deixaram vencer pelas tentações, afogando-se, conscientemente, no mar das seduções”.
A senhora tem todos os elementos para, a partir de agora, compreender melhor tanto o meu passado como o meu futuro. Notadamente quando tudo que lhe foi exposto foi baseado nas obras do Racionalismo Cristão. E como se isso não bastasse, tudo quanto lhe afirmo é inspirado na fonte mais límpida do meu espírito, de onde eu também retirei os mais nobres ideais que me norteiam.
Como que se referindo a tudo isso, Luiz de Souza, agora a página 198, diz o seguinte:
“Os que alimentam sublimes ideais, que desejam, sinceramente, acertar em todos os lances da vida, que se esforçam por ser elementos úteis à coletividade, granjeiam a simpatia do Racionalismo Cristão, e as Forças Superiores estarão ao seu lado, para estímulo, encorajamento e final coroamento dos propósitos”.
Aqui eu me despeço, velhinha. Muito mais coisas ainda tenho para lhe dizer, mas não agora. Creio que o necessário está aqui. De qualquer forma, caso seja do seu interesse, escreva-me respondendo, e na sua cartinha, caso a senhora ache necessário, manifeste a sua opinião, críticas, dúvidas ou outros fatos necessários ao assunto, que eu, de imediato, a responderei, manifestando-me também sobre o mesmo.
Caso a senhora resolva se calar, daqui mesmo, agora, eu envio as mais sinceras manifestações de amor, carinho e dedicação para com a senhora, afirmando-lhe que, esteja certa, estarei sempre disposto a servi-la naquilo que lhe for útil e ao todo.
Deixo-a agora com a digníssima Sra. Olga B. C. de Almeida, educadora exemplar, que em sua obra Valorize Sua Vida, as páginas 84, 85 e 86, escreveu um belíssimo artigo intitulado, A Humanidade Caminha. Fique com ela, pois, e FELIZ DIA DAS MÃES!
“Se não sabemos, ainda, como serão as modificações futuras, podemos, entretanto, afirmar que as necessidades são evidentes.
A humanidade caminha para a formação de um Estado Mundial, de acordo com a poderosa força da inteligência e da justiça humana.
Para isso, há, no mundo, um aumento permanente de homens que trabalham pela unificação.
Hoje, arqueólogos, etnólogos, sociólogos, psicólogos e muitos outros se esforçam por fazer das instituições humanas o mesmo trabalho que os cientistas dos séculos dezessete e dezoito fizeram pelos meios materiais e mecânicos da humanidade (telégrafo, tráfego rápido por mar e terra, transportes aéreos…).
Tal contribuição serviu para esclarecer e tornar simples o que se há de fazer futuramente.
Um estado mundial será sustentado por uma educação universal. Toda a espécie humana será educada e desviará seus pensamentos e motivos para o círculo das ideias, sentimentos do eu, a serviço do saber e poder humanos, numa profunda escala de penetração.
Surgirá então uma civilização incorrupta, simplificada e mais bem compreendida.
Grande parte dos pais possuirá conhecimentos técnicos de ensino. Além dos deveres de paternidade, haverá um grupo de população adulta destinada à organização educacional do mundo.
Nova Era manterá a educação por toda a vida. À medida que forem amadurecendo tanto os homens como as mulheres, todos serão autoeducadores, educadores individuais e estudantes-mestres.
O sistema de trabalho será modificado. Ele não terá mais o aspecto monótono que gasta e consome o indivíduo. O trabalho é destruidor no plano psicológico, quando utiliza parte mínima das faculdades. O perigo está na atrofia de uma, que acaba por atrofiar e destruir as outras.
Cientistas e artistas sem fronteiras políticas empregarão a maior parte das faculdades para tornarem menos penosas as tarefas.
O trabalho não será encarado somente como meio de subsistência, mas como função psicofisiológica.
Até mesmo o lazer não se transformará em tédio mortal, fontes das neuroses.
Uma nova ciência surgirá (a Veritologia e a Ratiologia, digo eu), a da integração do homem no Universo, cuja diferença é apenas a que estabelece a humanidade.
Métodos eleitorais serão utilizados para a conquista do bem-estar político. O bem-estar econômico exigirá que um meio circulante seja utilizado com perfeita segurança para que a moeda se torne instrumento à prova de combinações e manipulações de homens inteligentes, mas desonestos.
Estas predições justificam a concentração do esforço humano em futuro próximo, e a transformação de nossas presentes confusões em um novo estado universal de justiça.
A guerra, essa visão de seres limitados, se atormenta a alma, é também um incentivo aos homens de imaginação (leia-se razão, digo eu) para o construtivo trabalho político e social…”.
Beijos e abraços.