27.01- A exegese

Nessa época eu ainda considerava que para aqueles que faltarem os elementos promotores da evolução, teriam que ser rebaixados para uma outra humanidade, a que nos segue na esteira evolutiva, onde lá teriam que se servir das experiências que lhes seriam reservadas em plano físico, bem mais árduas, até ficarem habilitados a uma nova oportunidade como esta que está por vir, que eles não aproveitaram.

Hoje o meu pensamento é bem diferente, pois considero que a nossa humanidade teve o seu início formando uma agrupamento humano, e que esse agrupamento deverá continuar coeso, até que todos venham a se integrar ao Ser Total, com os mais evoluídos devendo esperar que os menos evoluídos, os retrógrados, subam na escala evolutiva.

Eu me encontrava muito preocupado com o fato da minha querida mãezinha haver participado da minha primeira gnosiologia, tornando-se vítima das circunstâncias apresentadas. Por isso, resolvi escrever uma carta para ela, na tentativa de lhe explicar o ocorrido, para que assim ela não viesse a ter mágoas do seu filho. Vamos então relembrar a essa minha primeira gnosiologia.

Antes de mais nada, vale aqui ressaltar que esta gnosiologia foi preparada para mim pelo Astral Superior, para que através dela eu pudesse mensurar toda a minha coragem e toda a minha ética, em face das circunstâncias por que estava passando, assim como também demonstrar a imensa importância da minha missão planejada em plano astral, tal como se eu não pudesse falhar em nenhuma hipótese.

Estava eu dirigindo o carro da minha genitora, estando ela ao meu lado, em direção à casa racionalista cristã, filial de Fortaleza – CE, quando de repente tudo começou a rodar na minha frente. Desci do carro, estando me sentindo como se estivesse sozinho no inferno, em que todas as pessoas que se encontravam ao meu redor não passavam de demônios, tendo a minha mãe como sendo o próprio Diabo em pessoa, sendo ela a chefe do inferno, a maioral do antro infernal. Para mim, tudo era real!

E agora eu pergunto: o que faria o estimado leitor se de repente se visse nessa situação? Com certeza ficaria com medo, clamando por Deus em desespero!

Mas eu não tive o mínimo de medo, e muito menos gritei em desespero, clamando por Deus, pelo contrário, a minha coragem falou mais alto, ocasião em que o meu espírito preparou o meu corpo carnal para a realização de grandes feitos, produzindo em grande quantidade a adrenalina, quando então o meu pensamento era de me apoderar do antro infernal, tornando-me o senhor do inferno, pois que para mim muitos anjos haviam vindo do céu para cumprir com uma missão na Terra, mas que todos haviam fracassado em suas missões, ficando decaídos nas trevas, e eu tinha que resgatar a todos eles, pois que me julgava como sendo o último dos anjos enviados para vencer ao Diabo.

Olhando para a minha mãe como se fosse o próprio Diabo em pessoa, dirigi-me a ele no intuito de provocar um combate mortal, quando então, ao me sair vencedor, todos os demônios teriam que me obedecer, tornando-me o senhor do inferno. Mas ele, logicamente, não me atacou. Então eu lhe dei uns dois tapas na cara para que ele reagisse e me atacasse, quando então eu poderia liquidá-lo. Mas ele novamente não me atacou. Então eu o considerei como vencido, pois que a minha ética não permite que eu ataque a quem não oferece resistência.

Mas faltava ainda dobrar os demônios, fazer com que eles a partir daquele momento me obedecessem e me vissem como sendo o chefe. Então tentei atacar alguns transeuntes, que para mim era demônios, mas todos correram, quando então eu já ia me dando por satisfeito, julgando-me o chefe. Mas na esquina do prédio em que ficava o apartamento da minha mãe, na Rua Barão de Aracati, havia uma oficina, em que um dos mecânicos ficou parado, olhando fixamente para mim. Eu, então, considerei que ele não queria me obedecer, ocasião em que lhe desferi um potente soco, fazendo-o ir ao solo. Ele se levantou e fez a menção de me atacar. Eu me julgava invulnerável. Assim, ofereci-lhe o rosto para que ele batesse com toda a sua força, o que ele fez em seguida, sem que eu sequer acusasse o golpe recebido, mantendo-me na mesma posição, pronto para receber mais um golpe. Nessa ocasião, alguém que estava ao lado disse que ele não fizesse mais aquilo, pelo que ele recuou, com a expressão admirada de quem era bastante forte para desfechar um soco tão violento em alguém, e este alguém sequer recuasse um milímetro ante o impacto causado.

Após esse acontecimento, eu adentrei no prédio, subindo em um dos carros que estavam parados no estacionamento, desafiando a todos para um combate mortal, mas todos se encontravam apavorados com a minha atitude, e ninguém se atreveu. A seguir, eu subi para o apartamento da minha mãe, onde lá se encontravam a minha esposa e a minha filha, quando então eu falei algo relacionado com a minha atitude.

Após me acalmar, fui conduzido a um dos portões da garagem do prédio que dava para a rua, quando então uma viatura da polícia militar me aguardava do lado de fora. Os policiais, então, algemaram-me, fizeram-me entrar na viatura, e me conduziram a um hospital psiquiátrico, onde lá eu passei uma temporada.

E vejam só, apesar disso eu me considero o espírito da razão!