Após realizar a primeira parte das minhas experiências científicas acerca da espiritualidade no próprio ambiente terreno, além de outras experiências mais, o meu próximo passo foi agir no sentido de me tornar um saperólogo, demonstrando de logo o método por mim utilizado para alcançar a esse meu novo estágio evolutivo, nesta minha mesma encarnação atual, que foi o Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia de Descartes, em que nele eu demonstro parte por parte todo o meu esforço para abandonar a condição de cientista e me tornar um saperólogo, partindo da minha própria boa vontade, conforme irei demonstrar mais abaixo, antes mesmo de concluir a segunda parte das minhas experiências científicas.
E isto se fez absolutamente necessário, porque antes de partir para a segunda parte das minhas experiências científicas, que eram quase tão severas quanto a primeira, pelo fato de serem também muito mundanas, eu teria que haver apreendido em minha alma alguma noção do que poderia ser a Saperologia, assim como também acerca da doutrina do Racionalismo Cristão, uma vez que nesta segunda parte das minhas experiências científicas eu teria que mergulhar ainda bem mais fundo na lama infecta do ambiente terreno, já que nela eu teria que comprovar a real existência dos espíritos quedados no astral inferior, para que assim pudesse certificar as suas existências e as suas ações maléficas através das ciências, como laboratório deles que fui, inclusive formando o ambiente fluídico propício para que assim pudesse vê-los diretamente com os meus próprios olhos da cara.
Por isso, quando dedicado às tarefas da primeira parte das minhas experiências científicas, eu não tive tempo de me dedicar aos estudos, principalmente aos estudos da vida fora da matéria, pois que somente poderia fazê-lo após concluí-la, dando início à minha labuta em busca de me tornar um saperólogo e da investigação acerca da verdade. Desta maneira, eu era um iletrado, pois que não possuía qualquer cultura didática, sendo, portanto, uma tábula rasa. Mas assim teria que ser, necessariamente assim, pois que eu teria que mostrar toda a minha boa vontade para com a nossa humanidade tal como se fosse um diamante bruto, antes de ser lapidado pelos estudos acerca da espiritualidade, expressando-me de uma maneira in natura, para que assim pudesse completar com a demonstração da minha boa vontade os requisitos básicos para ser o super-homem de Confúcio, já que toda a minha inteligência e coragem eu já havia antes demonstrado na minha encarnação passada como Ruy Barbosa, como mais antes foi posto, quando eu transcrevi os meus escritos do período em que estava seguindo o método, na comprovação de quem eu fui na encarnação passada .
E assim, após a conclusão da primeira parte das minhas experiências científicas, estando já casado pela segunda vez, desta vez com a mulher considerada por mim como sendo a companheira ideal para a minha vida, que ainda hoje é a minha amada esposa, e estando afastado temporariamente do ambiente mundano em que antes me encontrava, ainda sem possuir qualquer estudo, mas já tendo alguma noção acerca do Racionalismo Cristão, mesmo que muito superficialmente, por intermédio da minha querida mãe, mas assim mesmo já tendo alguma noção, sentei-me à mesa da minha sala de jantar, na casa que havia alugado do nosso amigo em comum e militante da Grande Causa, o nosso amigo Joaquim, e pela primeira vez me sentei para começar a escrever a minha obra de explanador, mesmo sem possuir qualquer erudição, por mínima que fosse.
Mas, mesmo assim, eu jamais poderia escrever uma obra saperológica sem citar o método por intermédio do qual eu iria me tornar um saperólogo. No entanto, esse método por mim empregado foi de natureza espontânea, pura, sem ser de caso previamente pensado, tendo brotado naturalmente da minha alma, pois que eu simplesmente me dispus a escrever de maneira natural, mesmo considerando, equivocadamente, que não tinha um maior preparo anterior no âmbito da pesquisa, movido apenas pelo ímpeto do meu “eu”, que ansiava por escrever, o que demonstra claramente que em mim se encerrava um grande ideal que se encontrava calado, latente, por isso precisava emergir, vir à tona.
Desta maneira, sem ao menos me importar que era na realidade apenas uma tábula rasa, tal o doloroso estado de ignorância em que me encontrava, predispus-me, mesmo assim, a escrever para a nossa humanidade aquilo que julgava ser a verdade, embora o meu conhecimento sobre a mesma fosse apenas aquilo que superficialmente a minha mãe havia me transmitido ou que havia lido esporadicamente nas obras editadas pela doutrina do Racionalismo Cristão. Mas algo em meu espírito não se conformava com tal nível de conhecimento.
No início foi mais do que terrível!
Quando eu me sentei pela primeira vez para escrever qualquer coisa, fosse lá o que fosse, vi-me quase como que a entrar em pânico. Por mais que tentasse, por mais que insistisse, por mais que perseverasse, nada conseguia expressar. Voltava-me para mim mesmo no intuito de arrancar, da forma que fosse, mesmo que à força, algo que pudesse transmitir aos meus semelhantes. Mas nada de concreto conseguia encontrar em mim mesmo, que de mim mesmo pudesse extrair. Era como se tudo fosse um imenso vazio no interior da minha alma. Ou nada de útil existia contido em minha alma, na realidade, ou algo por demais abstrato deveria se manifestar, por si, de forma espontânea, natural, ou fosse lá como fosse, desde que eu não me submetesse ao brutal comando do inconsciente desnorteado, mas agindo puramente pelo meu ímpeto espiritual, pelo comando da minha coragem, por isso agindo racionalmente, em conformidade com a minha inteligência, por isso teria que brotar de mim mesmo toda a minha boa vontade para com a nossa humanidade, que para mim se encontra acima de tudo.
E assim eu passei um bom tempo vasculhando os recônditos mais íntimos da minha alma já imensamente sofrida pelos percalços da vida, decorrentes da primeira parte das minha experiências científicas, mas nela sentindo intensamente uma ânsia quase incontida de descobrir alguma fonte, pequenina que fosse, mas que dela pudesse brotar alguma sabedoria, ou, pelo menos, algo que de mim pudesse mostrar, desde que fosse útil e benéfico a toda a nossa humanidade, para que assim pudesse refletir alguma luz proveniente da minha alma, mas uma luz pura, verdadeira, in natura, para que então pudesse ser mostrada com honra e esforço aos demais seres humanos.
Ora, como estava difícil!
Nem ao menos eu tinha cá comigo uma boa noção da pontuação das palavras, pela minha pouca leitura. Não fazia sequer uma ideia aceitável das regras gramaticais da minha própria língua. O meu vocabulário, pela sua limitação de termos, não podia fazer frente às inquestionáveis exigências contidas nos argumentos dos universos metafísico e físico.
Meu Deus! Quanto desdouro, quanta insensatez, quanto arrebatamento, quanta coisa na conta do absurdo se me apresentava!
Desistir? Nunca! Retroceder? Jamais! Se eu não conseguia transmitir algo que fluísse racional e conscientemente de mim mesmo, que tentasse, pelo menos, algo transmitir. E esse algo eu teria que escrever, fosse de que forma fosse.
Com a mente já por demais cansada de tanto ser forçada a algo a que ainda não estava habituada, comecei a fazer alguns rabiscos em uma folha de papel. E assim eu passei toda uma noite e parte da madrugada para fazer cinco pequenas linhas que mais pareciam um verso de segunda categoria.
Ainda totalmente inexperiente na arte de escrever nesta minha encarnação atual, fiquei completamente esgotado, considerando aquilo que havia escrito como sendo algo tremendamente ridículo. Amassei a folha de papel e a joguei na cesta do lixo. A minha mulher, que estava atentamente a me observar sem que disso me apercebesse, vendo em meu semblante o desespero e acompanhando todo o meu esforço empregado, apanhou a folha de papel e, silenciosamente, sem a minha presença, colocou-a em cima da mesa. Tendo logo a seguir retornado ao meu cantinho improvisado de pretendente a escritor, ao juntar alguns livros e papéis que se encontravam espalhados por sobre a mesa, antes de me deitar, percebi a presença daquela folha de papel que havia amassado e lançado no lixo. O que é isso! Será que enlouqueci de vez antes do tempo!
Por demais intrigado, estava como se quisesse e pudesse exprimir a terceira exclamação, quando, de repente, a minha mulher se dirigiu a mim e me revelou haver sido ela quem havia retirado a folha de papel da cesta do lixo e a colocado em cima da mesa. Era o Astral Superior agindo em meu auxílio, sem que eu soubesse. Sorri para ela, e lhe disse para não mais se preocupar, pois que aquilo tudo era tolice, algo sem sentido, que carecia de qualquer valor, e que ainda bem que ninguém havia visto aquilo que eu havia passado tantas e tantas horas para escrever, já que assim não estaria sujeito a passar por maiores vexames, frente a algum companheiro, como sendo ridículo. Assim dizendo, amassei novamente a folha de papel, fiz com ela um pequeno rolo e, automaticamente, arremessei-a novamente na cesta do lixo.
No dia seguinte, à noite, lá estava eu sentado novamente à mesa, na posição característica de quem estava disposto realmente a escrever. Mas, infelizmente, continuava a não ver em mim mesmo nenhum conteúdo. Então, enquanto forçava a mente mais uma vez, comecei a remexer nos meus livros e papéis, em busca de alguma inspiração. E para a minha máxima surpresa lá estava ela outra vez, aquela frágil folhinha de papel, toda esticadinha, toda engomadinha, embora não conseguisse esconder os resquícios das amassaduras efetuadas por mim na noite anterior. Era o Astral Superior agindo mais uma vez em meu auxílio, sem que eu soubesse. Com a mente já descansada, reli aquilo que anteriormente havia escrito.
Inesperadamente as coisas começaram a fazer sentido. Mas tal sentido, não restava a menor dúvida, era somente para mim e para mais ninguém. Percebi que qualquer outra pessoa que viesse a ler o que ali estava escrito viria a achar tudo completamente sem sentido, pois que de início eu pensei também que fosse. Mas, enfim, o meu primeiro momento de imensa alegria, de a mais intensa felicidade. Logo a seguir, com essa imensa alegria e essa intensa felicidade estampada em minha face, corri um tanto quanto afoito para a minha amada e fiel companheira e lhe falei entusiasmado da importância daquele papel que, por duas vezes, ela havia feito retornar para mim. Sendo por demais acanhado em agradecer, pois que não sou dado a receber favores, por isso fico constrangido quando me agradecem, pois que me acanho quando me retribuem com qualquer coisa quando faço algum favor, mesmo com agradecimentos, foi desse jeito a minha maneira de lhe agradecer penhoradamente o zelo demonstrado pela vocação do marido.
Sim, algo me fazia pensar que aquilo que estava escrito naquela folhinha de papel amarrotada era algum despertar. E como este despertar se referia diretamente a mim, era bastante lógico que somente eu pudesse compreendê-lo. Assim, resolvi inserir esse despertar como sendo a primeira parte da minha obra explanatória relativa ao método, por intermédio do qual eu iria me tornar um saperólogo.
Era assaz difícil, mas eu já estava principiando a traçar o início de um caminho para a elaboração da minha primeira obra, que era justamente a obra explanatória relativa ao método, por intermédio do qual eu iria me tornar um saperólogo, embora ignorasse completamente que no futuro muito próximo ainda precisaria sentir as forças adversas do ambiente terreno e das suas estratégias de ataque, absorvê-las completamente e depois repeli-las, para que então pudesse combater todo mal existente neste mundo, sentindo todo ele em minha própria alma. O que estava escrito nessas cinco pequenas linhas que representavam o meu despertar, e que também representava a primeira parte da minha obra relativa ao método por mim seguido para me tornar um saperólogo, era o seguinte:
A maior coisa que eu quero fazer,
É a menor coisa que eu sei fazer.
Esperarei o tempo que for preciso.
Farei tudo o que me for possível.
Mas a farei!
Como se pode logicamente constatar, meus amados amigos, neste meu despertar para a vida espiritual, a maior coisa que eu estava pretendendo fazer era cumprir a minha missão neste mundo, embora ela fosse a menor coisa que eu sabia fazer, o que indica claramente que eu me encontrava exatamente no limite máximo da minha capacidade de realizá-la, mas que mesmo assim, mesmo sendo a minha missão neste mundo a menor coisa que eu sabia fazer, ela era a maior coisa que eu queria fazer nesta minha encarnação, sendo por isso que eu evoluo espiritualmente aproveitando a minha capacidade máxima de realização, sem perder um segundo sequer, e sem deixar de aproveitar ao máximo possível todo o potencial que se encontra latente em mim. E as minhas ações neste sentido não são voltadas para mim mesmo, para as minhas próprias conquistas pessoais, que geralmente relevo e coloco sempre em segundo plano, mas sim em prol da felicidade da nossa humanidade, pois que só me sinto feliz vendo os meus semelhantes também felizes, vivendo em paz e em plena harmonia uns com os outros.
Por aqui, pode-se de logo comprovar que, na condição do primeiro grande brasileiro, como Luiz de Mattos afirmou diretamente tal condição, assim como igualmente afirmaram as maiores mentalidades da nossa amada pátria, através da imprensa, eu estou fornecendo o primeiro exemplo do que Luiz de Mattos também afirmou em relação à nação brasileira, como mais adiante isto tudo deverá ser mais detalhadamente explicado, quando ele disse o seguinte:
“As criaturas verdadeiramente normais, que, como nós, desejem ser apenas instrumentos de esclarecimento do povo deste soberbo, lindo e querido Brasil que, queiram ou não, há de ser o pioneiro da nova civilização, por ser habitado por muitas almas já grandemente evoluídas, que só se sentem felizes vendo os demais povos em paz(grifo meu)”.
No entanto, eu deveria esperar mais um tempo para que realmente pudesse me tornar um saperólogo, pois ainda teria que concluir a segunda parte das minhas experiências científicas, daí a razão pela qual haver afirmado que esperaria o tempo que fosse preciso, fazendo tudo o que me fosse possível, mas que depois me tornaria um saperólogo, e, posteriormente, um ratiólogo, tornando-me um ser universal, quando nesta condição poderia concluir com êxito a minha missão neste mundo, por isso eu afirmei: mas a farei!
Nessa mesma noite, eu parti célere em busca da segunda parte relativa ao método que já me encontrava seguindo, cuja parte se referia aos elementos por mim considerados necessários que me permitissem chegar aonde eu queria e deveria chegar. E foi assim, exatamente assim, que eu pude escrever a segunda parte do método que estava seguindo, a qual eu denominei de A Luta em Busca da Sabedoria e da Verdade.
Ao escrever esta segunda parte do método que principiava a seguir, já estava com o raciocínio mais leve, mais solto, meditando profundamente, por isso consegui detectar quais seriam os meus cinco elementos necessários para a luta. Confesso que tive sérias dificuldades em detectar o quinto. Mas assim tinha que ser, para que eu pudesse compreender que este quinto elemento, difícil de ser detectado, era à prova de qualquer manuseio humano, principalmente de qualquer manuseio da minha parte. Desta maneira, parti célere em busca desse quinto elemento, e ainda de outros elementos mais, caso fossem necessários. Porém, de uma maneira muito especial: ao meu modo. A esse quinto elemento, todos os seres humanos conhecem, mas não possuem a mínima noção daquilo que ele representa para a nossa humanidade, o seu nome é RAZÃO. Observem que na minha tremenda luta em busca da sabedoria e da verdade, logo no início, eu já consegui antever que com ambas unidas, irmanadas, congregadas, eu deveria alcançar a razão.
Daí em diante, resolvi anexar tudo aquilo que fosse escrevendo ou que me viesse às mãos, mesmo que aparentemente o assunto não procedesse naturalmente um do outro, não importando a sua ordem ou a lógica entre si, mas desde que o seu teor tocasse diretamente ao meu espírito. E se assim resolvi proceder, fi-lo de forma natural, espontânea, talvez até intuitiva, mas não obedecendo a qualquer instrução ou procedimento teórico previamente estudado, simplesmente porque eu ignorava qualquer método sobre Saperologia, sobre pesquisa, ou sobre qualquer teoria da forma de pensar e de raciocinar.
Nesse período da minha vida, eu passei a frequentar o Racionalismo Cristão, pois que habituado apenas aos ataques do astral inferior, eu também tinha que sentir em minha alma as emanações invisíveis que se desprendem dos fluidos do Astral Superior, as suas exalações, conhecidas como efluviações, passando à pesquisa das suas obras doutrinárias, pois que na segunda parte das minhas experiências científicas mundanas, eu teria, obrigatoriamente, que sentir em minha alma a imensa diferença dos ambientes fluídicos que iria enfrentar em minhas pesquisas científicas, estando agora completamente ciente das investidas do astral inferior, pois que assim eu poderia formar um ambiente fluídico propício para ver diretamente os espíritos decaídos na atmosfera da Terra.
E assim procedi, até que realmente consegui vê-los diretamente. O meu próximo passo, então, seria exercitar a minha força de vontade, retirando-me das suas presenças, afastando-me dos vícios em que conscientemente havia me afogado, e que o astral inferior insistia que eu permanecesse. E aqui vocês podem também constatar a afirmativa de Luiz de Mattos, que predizendo as minhas experiências científicas, afirmou o seguinte: “Vocês verão um fraco se tornar um forte”. Agora vocês podem comprovar perfeitamente a minha luta travada no ambiente terreno para que eu pudesse explanar o Racionalismo Cristão, e a razão pela qual eu afirmo que saí com a alma sangrando, e não somente eu procedi a esta afirmativa, mas também o próprio Antônio Cottas, como vocês verão mais à frente.
Por ocasião das minhas pesquisas relativas às obras racionalistas cristãs, logo após alguns estudos, eu concluí haver sido Ruy Barbosa na minha encarnação passada. Estando, pois, convicto de quem havia sido na encarnação passada, mesmo sem qualquer erudição, apenas tendo apreendido em minha alma aquilo que havia lido nessas obras doutrinárias, então decidi escrever a comprovação de quem havia sido na encarnação passada, tendo anexado esses meus escritos como sendo a parte décima oitava do método que estava seguindo para me tornar um saperólogo. E agora eu transcrevi no tópico anterior para vocês, lembrando-lhes que eles se encontram tal qual foram escritos na época, sem que eu tenha procedido qualquer modificação em todo o seu teor, a não ser na atualização da gramática, que mudou, conservando assim toda a sua originalidade, uma vez que atualmente já procedi aos estudos de tudo quanto necessito para explanar o Racionalismo Cristão, tendo me tornado relativamente erudito, já que me tornei um polímata, pois que nesta condição eu tenho a máxima obrigação de reconstruir todas as ciências.