SR. PRESIDENTE DA FILIAL DE FORTALEZA!
SRS. DIRETORES E MILITANTES DO RACIONALISMO CRISTÃO!
MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES!
Neste momento de festa, alegria e felicidade em que comemoramos o 12.º aniversário de nossa tão querida e necessária filial. Neste momento em que os nossos espíritos se encontram mais fraternos e as nossas mentes mais abertas e receptivas às intuições para o bem. Quero aproveitar a oportunidade para me dirigir, de uma forma especial, a todas as mulheres que possuam acesa em seus íntimos a chama da noção do dever para consigo própria, a família e a Pátria.
O que tenho a dizer certamente não agradará aquelas que só vivem para a satisfação da própria vaidade, do egoísmo mundano e dos desejos sensualistas e intemperados. Mas, tenho certeza, não só agradará, como ficará gravado no íntimo daquelas mais esclarecidas e mais ansiosas por luz, que são as autênticas mulheres a quem verdadeiramente dedico estas palavras de atenção e alerta.
Os tempos são realmente chegados. E neste momento de importância tão fundamental para a transformação e remodelação do planeta, o que vemos? Crianças desassistidas e mantendo em seus perispíritos os mesmos hábitos viciosos e perniciosos advindos de encarnações pretéritas. Homens insensatos e imprudentes que, ao invés de buscarem no trabalho digno e honrado o sustento e a sobrevivência da família, buscam um caminho diverso, ou seja, buscam na prevaricação, no suborno, na corrupção e na desonestidade, a ostentação, o poder e o luxo desenfreado, que tanto prejudica a família.
E de quem é a culpa de tudo isso?
Sejamos francas, companheiras! Vamos pôr as mãos em nossas consciências e assumir a inteira responsabilidade por todos esses desmandos, desvarios e atos delirantes que ora presenciamos na conduta de toda a humanidade, e que culminará numa peste de loucura: a mais danosa, a mais medonha, a mais terrível peste por que passarão os seres humanos, como tão bem previu o nosso mestre Luiz de Mattos.
Nós, mulheres, não encarnamos para satisfazer à nossa altíssima vaidade feminina; mas sim, para combatê-la. Não encarnamos para perambular pelas ruas em busca de aventuras e prazeres; mas sim, para o ambiente familiar, como verdadeiras rainhas do lar que somos. Não encarnamos para aparecer em colunas sociais e na sociedade de mexericos, fofocas e libertinagem; mas sim, para permanecermos à sombra do honrado e digno nome dos nossos esposos. Não encarnamos, enfim, para vivermos para a matéria; mas sim, para o espírito.
Somos nós, e somente nós, quem devemos assistir ao desenvolvimento moral e intelectual dos nossos filhos, das nossas crianças. Modelando, esculpindo e transformando o caráter do futuro homem. Reprimindo com vigor e severidade os defeitos que se nos vão apresentando, e incentivando e aprimorando as virtudes que se vão desabrochando. A responsabilidade da educação é nossa, por termos, como rainhas do lar que somos, tempo para a isso nos dedicarmos; ao contrário dos nossos homens, que na luta ferrenha — e na maioria das vezes desleal — pela sobrevivência da família, volta-se quase que inteiramente para tal fato.
E é no decorrer dessa luta que eles muitas vezes, não resistindo ao tremendo vendaval em que navegam, desanimam, cambaleiam, tendem a entregar a honra e a dignidade em troca da calmaria falsa, efêmera e ilusória do mar de lama da falcatrua, da mutreta e do cambalacho, palavras essas que soam em total desacorde quando pronunciadas por uma verdadeira mulher, mas que necessárias, quando em socorro e amparo dos nossos homens, atiramo-nos com toda a força do nosso espírito, para provarmos que não temos vaidades, que o nosso viver é estritamente limitado àquilo que os seus esforços nos proporcionam, para provarmos que não abrimos mão do verdadeiro ambiente familiar, que seremos e permaneceremos como autênticas rainhas do lar, para provarmos que a sombra do seu honrado e digno nome é de fundamental importância para a nossa existência, e que protegeremos a essa sombra de tudo e de todos, custe o que custar, até ao extremo de nossas vidas, se for o caso. Enfim, que vivemos para o lado sério da vida. Que vivemos para o espírito.
Cada uma de nós que cumpra com aquilo que determinou cumprir para si própria em plano astral. São os votos sinceros de quem também se esforça para também cumprir.
Aparecida Jaquelene Leite Gomes