12- Parte VIII: Considerações gerais

01- O DIFÍCIL COMEÇO

Não tenho a mínima ideia de como começar. Paro. Tento raciocinar. Minha filha chora e a sua mãe lhe diz algumas palavras para aquietá-la. São as pequenas coisas que tentam atrapalhar todo e qualquer projeto que tenha uma finalidade útil.

Mas tenho que continuar. É fundamental que eu tente reunir todas as minhas forças para que possa vencer a essa inércia, que já está retardando de forma considerável aquilo a que aspiro realizar.

Mas, de forma clara e concreta: o que será realmente aquilo que aspiro realizar e do qual não tenho a mínima ideia de como começar?

02- O DESCRÉDITO

De início, e como possível conhecedor que serei da humanidade, tenho a quase certeza e uma convicção quase absoluta de que tudo aquilo que eu venha a afirmar, por mais racional e lógico que seja ou que possa parecer, não será reconhecido como verdadeiro e nem compreendido por quase ninguém. Mas isso é assunto para muito depois.

Dessa forma, lançarei mão de homens cujo reconhecimento de valor se entenda por toda a humanidade, de homens cuja credibilidade não exista uma só pessoa hoje em dia que ouse ou tenha a petulância de contestar, sob pena de cair no ridículo e ter o desprazer, o que deveria ser o prazer, de ver toda a sua contestação ruir como um castelo de areia, através de argumentos claros, lógicos, racionais e universais.

03- O QUE DISSERAM ESSES HOMENS DE VALOR

Vejamos primeiramente o que Platão afirmou: “a ignorância da verdade é um dos maiores males que afligem o mundo”. Jesus, o Cristo, também disse: “só a verdade poderá libertar a humanidade das garras da ignorância e prepará-la para o cumprimento do dever”.

O mesmo Jesus, o Cristo, o espírito mais evoluído que já encarnou neste planeta, o espírito que mais exemplos de virtude nos deu até hoje, jamais faria uma afirmativa que não fosse verdadeira, pois tal fato seria tão ilógico quanto irracional. E a sua afirmativa de que “a dois mil chegará, mas que daí não passará”, foi como que a delimitação da data máxima concedida para que a sua afirmativa sobre a verdade se concretizasse, pois seria também ilógica e irracional qualquer outra interpretação, principalmente se nela estiver contida alguma alusão acerca do fim do mundo, pois tal fato só se admite na mente animalizada, fanática e mística dos sectaristas religiosos.

Entre esses homens de que lançarei mão, encontra-se o inesquecível mestre Luiz de Mattos, o espírito da verdade, que na obra de sua autoria, Pela Verdade, a página 152, diz o seguinte:

“Os tempos são, de fato, chegados para tudo ser colocado nos seus verdadeiros lugares, para que tudo se esclareça, para que a verdade se explane e impere por toda parte, como único elemento de progresso libertador dos povos escravizados à ignorância em que os têm deixado as religiões e as ciências materialistas”.

É a lei natural da evolução dos seres e das coisas, que neste mundo e no Universo existem, às quais todos estão sujeitos.

Quer isto dizer que o desmoronamento é geral para tudo quanto não tenha por base a verdade, e só ela, e que nada escapará à lei do progresso e à derrocada por tal lei decretada.

Em virtude desse princípio, a própria ciência tem de modificar determinadas ideias e a sua base (grifo meu), porque estão esteadas na matéria organizada, faltando-lhe o conhecimento da causa que é a Força que a incita e movimenta.

Para a destruição da falsa ciência e desses falsos princípios, os que mais concorrem são os verdadeiros cientistas.

Só os superficiais, os nulos, os ridículos, os ambiciosos vulgares, os atoleimados, é que teimam em se manter nesse pedestal de barro”.

04- COMEÇA A SE MANIFESTAR A INTELIGÊNCIA UNIVERSAL

Observemos agora como são belas e visíveis as manifestações da Inteligência Universal. Há milhões de anos que vive a humanidade na mais completa ignorância da verdadeira vida, que é a vida espiritual. Há quase dois mil anos, Jesus tentou libertá-la das garras da ignorância e acabou sendo vítima da mesma, não sem antes nos deixar verdadeiras lições desta vida. Já no início deste século, através de Luiz de Mattos, é implantada a doutrina da verdade, que até hoje, há menos de 10 anos para o final do século, continua a esclarecer àqueles de boa vontade.

Ora, se todos afirmam que a natureza não dá saltos, e se por todo esse período anterior não se foi possível esclarecer a humanidade, é óbvio que se indague: como será possível a concretização das afirmativas do Cristo sobre o ano 2000, e de Luiz de Mattos sobre os tempos que são chegados, faltando menos de 10 anos para tal?

05- MANIFESTAÇÕES DA INTELIGÊNCIA UNIVERSAL

Como afirmado anteriormente, ou melhor, como exposto anteriormente, tenho a quase certeza e a convicção quase absoluta de que tudo quanto eu afirme, de início, não será reconhecido como verdadeiro e nem compreendido por quase ninguém. Então lançarei mão novamente do nosso mestre Luiz de Mattos, que na mesma obra de sua autoria, Pela Verdade, as páginas 247 e 248, diz o que se segue:

“… errados, pois, estão todos os que insistem em que a “natureza não dá saltos” com o progresso indispensável que precisa fazer o espírito humano, o qual contém em si as grandes potencialidades, vontade e pensamento, que são capazes de fazer do fraco um forte e do ignorante um esclarecido.

… mesmo porque — alardeiam ainda — “a natureza não dá saltos”; e assim, ignorantes e vaidosos, confundem as violências dos homens egoístas e repletos de ciúme, inveja, e desejos de vingança, com as ações que as próprias leis da natureza impõem, por serem justas e necessárias, praticadas pelos Espíritos Superiores para a repressão de crimes, visando, unicamente, o bem-estar da humanidade e o progresso dos espíritos desencarnados, libertando-os das influências maléficas do meio, da matéria, dos pensamentos a que estão sujeitos todos os seres”.

Provado que está, portanto, que será possível a concretização do fato, é lógico e natural que se desperte a curiosidade de se saber algo mais sobre esse fato, e dessa forma a pergunta mais direta e óbvia seria a seguinte: de que forma, então, ou o que poderia ocorrer para acontecer essa transformação tão rápida e tão espantosa?

Novamente o mestre Luiz de Mattos, na sua obra, Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, as folhas 10 e 11, responde-nos em linguagem simples, clara e segura, da seguinte forma:

“… a Humanidade, que está carecendo de preparo espiritual para resistir ao tremendo vendaval de loucura que se tornará a peste mais danosa do século e de todos os tempos, e para a qual o materialismo da ciência médica não terá remédio.

… e que a mortandade, a fome e a peste serão terríveis, passando o mundo por grandes transformações. À marcha da ciência ninguém ousará pôr entraves, mas os efeitos morais das guerras e da peste serão de tal ordem, que os espíritos fracos terminarão por enlouquecer, havendo no final deste século, uma espécie de peste da loucura, como já houve a “peste negra”, que dizimou, pode-se assim dizer, mais criaturas do que as maiores guerras de antanho.

Naquela ocasião os empestados eram mortos à bala, para que o mal não grassasse, só se salvando os fortes de espírito e de corpo. Eis o que está reservado aos glutões, aos gozadores, aos devassos, aos escravos dos tóxicos que supõem que a vida se resume em comer, dormir, e praticar atos bestiais. A vida está nos mostrando ser de lutas, investigações e trabalhos…”.

Bem, poderia alguém duvidar de alguma afirmativa de Luiz de Mattos, já que a quase totalidade da mente humana é tão grosseira, atrasada e brutal que não analisa e decide de forma unitária e independente, mas apenas em bloco e por consagração pública, demonstrando tendência para a idolatria e a subordinação.

06- RECADO DE CRISTO

Mas existe outro caminho. Existe a alternativa de se efetuar uma devassa na vida particular de Luiz de Mattos, desse grande benfeitor da nossa humanidade. E nessa devassa, encontrarão os investigadores, além do modelo de conduta padrão, a bandeira pela qual ele dedicou grande parte de sua vida: a bandeira da Verdade! Daí a conclusão óbvia inevitável de que esse espírito evoluidíssimo era incapaz de mentir, mesmo que fosse por brincadeira.

Dessa forma, sem deixar de considerar as possíveis dúvidas sobre alguma afirmativa de Luiz de Mattos, mas considerando também que o mesmo só falava a verdade, vejamos o que ele diz na sua obra Cartas ao Cardeal Arcoverde, as páginas 237 e 238, com relação a um recado de Cristo:

“Ouvi o Espírito da Verdade, a que se referem os vossos Evangelhos, e que já está na Terra a revolucionar e a esclarecer a Humanidade, pela explanação da verdade, a única esclarecedora e libertadora de corpos e de almas, como Jesus, o Cristo, afirmou.

Ele vos manda dizer, mestre Cardeal Arcoverde, que de fato, os tempos são chegados, não só para que toda a Humanidade se esclareça, como para que o Vaticano, e assim vós e todos os vossos escravos e parceiros, tomem novos rumos e se cristianizem, como se cristianizar devem todos os povos, até ao fim do presente século. Mais: que não ficará pedra sobre pedra de tudo quanto existe, especialmente referente às 8 mil seitas que na Terra pontificam para provar que ninguém se entende, que o viver humano é uma balbúrdia, que todas estão erradas… Racionalismo Cristão… por ser a Doutrina da Verdade”.

07- AINDA MAIS JUSTIFICATIVAS

Vamos incluir mais um elemento que justifique a inércia, o descrédito, a inobservância e o pouco caso que a nossa humanidade está dando aos acontecimentos do final do século.

Esse elemento é o próprio fato de a humanidade não acreditar que se tornará melhor. É o próprio fato de a nossa humanidade não acreditar em si. É o próprio fato de a nossa humanidade ignorar sua verdadeira composição como partícula do Todo.

Porém, esse fato que compõe mais um elemento incluso que justifica ou reforça os acontecimentos do final do século, não será ainda afirmativa minha. Vejamos o que diz sobre isso o escritor e pensador Anatole France (1844-1924):

“A paz universal se realizará um dia, não porque os homens se tornarão melhores, não é permitido esperá-lo (grifo meu), mas porque uma nova ordem de coisas, uma ciência nova (grifo meu), novas necessidades econômicas hão de lhes impor o estado pacífico, assim como outrora as próprias condições da sua existência os punham e os mantinham no estado de guerra”.

08- COMO ESTARÁ O LEITOR?

A esta altura, estará o leitor ignorante estupefato com a possível violência que poderá ocorrer daqui a poucos anos adiante.

Mas é porque ele ainda não começou a fazer o mínimo esforço para raciocinar. Ora, se ele não está fazendo esforço para raciocinar, por pura preguiça mental, e por ser adepto à lei do menor esforço, é preciso, então, que eu redobre o meu para orientá-lo. E como as causas assim o justificam, tomo a liberdade de carinhosamente pegá-lo pelas orelhas e retornar com ele a página 38, e pedir que ele releia o seguinte:

“… confundem as violências dos homens egoístas e repletos de ciúme, inveja e desejos de vingança, com as ações que as próprias leis da natureza impõem, por serem justas e necessárias, praticadas pelos Espíritos Superiores para a repressão de crimes, visando, unicamente, o bem-estar da humanidade e o progresso dos espíritos desencarnados, libertando-os das influências maléficas do meio, da matéria, dos pensamentos a que estão sujeitos todos os seres”.

09- DESPERTANDO DA PREGUIÇA MENTAL

Esse meu esforço dobrado deve tê-lo despertado da preguiça mental, libertando-o da lei do menor esforço, pois ele perguntará: e o que poderão fazer os Espíritos Superiores para neutralizar esses acontecimentos e esclarecer a nossa humanidade?

Relembrando que sou apenas um possível conhecedor da humanidade, continuo carinhosamente a lhe segurar pelas orelhas e, desta vez, retornar a página 37, pedindo-lhe que releia o seguinte:

“… a própria ciência tem de modificar determinadas ideias e a sua base, porque estão esteadas na matéria organizada, faltando-lhe o conhecimento da causa que é a Força que a incita e movimenta.

Para a destruição da falsa ciência (grifo meu), desses falsos princípios, os que mais concorrem são os verdadeiros cientistas”.

Pulando com rapidez para o que está escrito mais acima, e ainda carinhosamente lhe segurando pelas orelhas, peço-lhe que releia o seguinte:

“… mas porque uma nova ordem de coisas, uma ciência nova (grifo meu), novas necessidades econômicas hão de lhes impor o estado pacífico…”.

10- DESPERTANDO PARA A INVESTIGAÇÃO

Vagarosa e carinhosamente lhe largo as orelhas e me salta aos olhos um leitor desperto, ávido de conhecimentos, de luz e de curiosidade. E corajoso e impetuoso como a natureza o quer, indaga de imediato:

E os cientistas humanos que poderão fazer?

Sorrio satisfeito e ainda carinhosamente lhe lembro que nada posso até agora afirmar, pois não posso correr o risco de que a minha afirmativa não seja reconhecida como verdadeira, e nem mesmo de que eu possa ser incompreendido.

Mas continuando e aproveitando a indagação do leitor ex-ignorante, vejamos o que Luiz de Mattos diz sobre isso, em sua obra Cartas Oportunas Sobre Espiritismo, a página 94, quando ele afirma:

“… ninguém pode indicar o remédio para os males que avassalam a humanidade, sem estar em condições de esclarecê-la, devendo os estudiosos dispensar mais atenção às coisas do espírito, para não continuarem a viver na ignorância do que seja a composição do Universo e a de si mesmo”.

Enquanto isso não fizerem, não teremos psiquiatras nem verdadeiros sociólogos, mas, apenas, homens possuidores de ilustração dada pelos compêndios, mas que enfermarão e deixarão enfermar toda a humanidade, por não saberem desintoxicá-la da profunda materialidade criada pela ciência e religiões materialistas, do que resulta a vida de gozos e prazeres desenfreados, aos que se entregam ao que Jesus veio combater, na sua época, e continua a ser combatida, hoje, onde quer existam consciências bem formadas”.

11- MEIA PALAVRA BASTA

Diz o ditado popular que “para um bom entendedor, meia palavra basta”. E o que foi dito, conforme acima está demonstrado, não se limita apenas a meia palavra, e nem tampouco também a apenas uma palavra inteira.

Dessa forma, para tudo quanto acima foi dito, não se faz necessária a presença de um bom entendedor para se concluir que, até a presente data, nenhum cientista dito oficial dispensou a mínima atenção às coisas do espírito, sendo, portanto, considerados todos cientistas pela metade, pois estudam, ou melhor, ocupam-se apenas de um dos elementos que sequer compõe o Universo, a matéria: o elemento insignificante, inerte e plasmável; esquecendo-se de estudar e analisar a Força, a Energia e a Luz, os elementos principais, incitantes e modificadores.

Ora, ainda assim, concluímos de forma inexata. Esses cientistas, dito oficiais, para o serem pela metade teriam de o ser na proporção de 50%, e não o são, pois se ocupam apenas da parte insignificante. E o que é insignificante? Não é o pouco que significa, ou o que pouco faz falta? E o que é que pouco faz falta? Não é aquilo com o que nós não nos importamos, ou aquilo a que pouco damos valor?

12- PARA NÃO CONFUNDIR O LEITOR

Agora, para não confundir o entendimento do leitor, podemos resumir que o elemento que esses cientistas dito oficiais se ocupam é o insignificante, ou o que pouco damos valor, ou seja, a matéria.

Podemos concluir agora de forma exata: esses cientistas, dito oficiais, são, portanto, cientistas sem ciência, como tão bem definiu o mestre Luiz de Mattos, que até denominou dessa forma um título de um livro seu, o qual, posteriormente, por motivos que não nos interessam, foi alterado para Pela Verdade.

Tire agora, o caro leitor, as suas conclusões sobre o que poderão fazer esses “cientistas humanos”.

13- SEM CONFUNDIR, MAS SEM PRECIPITAR

Mas, permita-me o caro leitor, que eu peça para que não se precipite em concluir, se é que o caro leitor pensou em que nada eles poderão fazer. Assim, atentemos para os entraves.

14- DESPERTANDO AINDA MAIS DA PREGUIÇA MENTAL

Satisfeita a indagação do leitor, vamos retornar ao item DESPERTANDO DA PREGUIÇA MENTAL e nos fixar nas seguintes palavras: destruição da falsa ciência e uma ciência nova.

Embora possam parecer óbvias em demasia as indagações abaixo que se seguem, elas se revestem apenas da minha boa intenção em deixar o mais claro possível a conclusão a que o resultado delas alcança, contando, para isso, com a devida compreensão e a paciência do leitor, uma vez que as respostas são simples repetições do que acima está escrito:

01) Luiz de Mattos acha que devem os estudiosos dispensar mais atenção a que coisas?

Resp.: Às coisas do espírito.

02) Para quê?

Resp.: Para não continuarem a viver na ignorância do que seja a composição do Universo e a de si mesmos.

03) E enquanto isso não fizerem o que acontece?

Resp.: Não teremos verdadeiros psiquiatras, nem verdadeiros sociólogos.

04) Não se faz necessária a presença de um bom entendedor para concluir o quê?

Resp.: Para concluir que até a presente data, nenhum cientista dito oficial dispensou atenção às coisas do espírito.

05) Em resumo, então, do que eles se ocupam?

Resp.: Ocupam-se do elemento insignificante ou que pouco damos valor, ou seja, da matéria.

06) O que podemos concluir de forma exata sobre eles?

Resp.: São cientistas sem ciência.

07) O que deve parir um cientista sem ciência?

Resp.: Uma falsa ciência.

08) Qual o contrário de uma falsa ciência?

Resp.: Uma ciência verdadeira.

09) Em que palavras devemos nos fixar?

Resp.: Destruição da falsa ciência e a criação de uma ciência nova.

10) A Ciência Espírita é uma ciência nova?

Resp.: Não.

15- A CIÊNCIA NOVA AINDA NÃO EXISTE

O leitor que possui imaginação fértil, que é um pouco apressado, que gosta de concluir rápido, quando anteriormente pedimos para nos fixarmos nas seguintes palavras: destruição da falsa ciência e a criação de uma ciência nova; pode ter imaginado que essa destruição poderia se dar através da Ciência Espírita.

Acontece que o vocábulo destruição é muito forte, e o fato enseja a que relevemos os demais. Porém, relevando os demais, esse leitor não se aperceberá que:

  1. Se a falsa ciência ainda não foi destruída;
  2. Se a falsa ciência será destruída por uma ciência nova;
  3. Se a Ciência Espírita não é uma ciência nova;
  4. A ciência nova ainda não existe.