Assim como os deveres naturais, as missões espirituais são também encargos particulares que se inserem no processo evolutivo da nossa humanidade, as quais são determinadas pelas necessidades detectadas pelos espíritos de luz que integram a plêiade do Astral Superior, no decorrer do processo evolutivo inerente a este nosso mundo-escola, mas que extrapolam as obrigações naturais e aos deveres naturais, pelo fato delas serem consideradas absolutamente essenciais, em conformidade com as circunstâncias próprias do processo da evolução dos que se encontram encarnados, e que em nenhum caso devem ser suprimidas.
Como se pode claramente constatar, as missões não decorrem de uma sequência lógica e natural no processo da evolução que se destina a todos, mas sim de uma necessidade circunstancial no contexto do processo evolutivo da própria massa humana que neste mundo aqui se encontra, cujo cumprimento pelos espíritos mais evoluídos é uma demonstração de amor, de cortesia e de deferência na convivência espiritual, por isso as missões somente são assumidas pelos espíritos que se encontram em considerável grau de evolução.
Mas acontece que o ambiente terreno é por demais pesado, trevoso, deletério, em face das produções dos sentimentos inferiores e dos pensamentos negativos que vão se acumulando na atmosfera da Terra, que é a sua aura, proporcionando o ambiente fluídico favorável para as ações dos espíritos obsessores que se encontram decaídos no astral inferior. Por isso, muitos espíritos que já alcançaram um certo grau de adiantamento espiritual relutam em encarnar para cumprir com determinadas missões, pois não querem correr o risco de fracassarem em seus cumprimentos e contraírem débitos para posteriores resgates, geralmente dolorosos.
Alan Kardec é um exemplo típico de um espírito missionário que fracassou em sua missão aqui neste mundo, pois como veritólogo, ele encarnou com a missão de transmitir a verdade, assim como as leis e os princípios que a doutrina do Racionalismo Cristão ora transmite ao mundo, por intermédio de uma saperologia. Segundo Antônio Cottas, ele era um espírito altamente intuitivo, mas ao receber as intuições acerca da constituição do Universo, deixou-se influenciar por multisseculares crendices, e acrescentou o deus bíblico aos princípios de Força e Matéria, afirmando que o Universo é composto de Espírito e Matéria, cujos conhecimentos de Força e Matéria eram essenciais aos conhecimentos preliminares acerca da constituição do Universo, daí a enveredar pelo terreno sinuoso e mentiroso da Bíblia foi apenas um passo, já que a essa altura, sem o saber, estava inteiramente influenciado por sagazes obsessores bíblicos, os espíritos quedados na atmosfera da Terra, que fazem parte integrante do astral inferior, e que intuem aos sacerdotes e aos seres vulgares a seguirem aos credos e seitas que pululam por esse mundo afora de meu Deus, daí a imensa quantidade de prosélitos que eles detêm em seus antros perniciosos de cultos e de adorações.
No âmbito das ideias ele não conseguiu lograr êxito, e no âmbito da imaginação prestou um desserviço imenso à nossa Grande Causa de esclarecimento espiritual, contribuindo ainda mais para aumentar o ambiente de confusão a respeito da vida fora da matéria e para a formação desse indimensionável oceano de confabulações e de mistificações, em que o mundo parece viver submerso. Por isso, o espiritismo credulário, denominado de kardecismo, embora encerre algumas verdades, tais como a evolução, a reencarnação e outras, não deve ser seguido pelos seres humanos esclarecidos, uma vez que por invocação ele lida com espíritos ainda muito atrasados, que se encontram decaídos na atmosfera da Terra, fazendo parte integrante do astral inferior, por isso são considerados como sendo todos obsessores.
Fracassando Alan Kardec, tomou o espírito evoluidíssimo de Luiz de Mattos a resolução de reencarnar, para dar cumprimento à missão em que falhara esse espírito, que deveria ter iniciado a partir dos vinte e seis anos de idade, e na qual quase também fracassara, pois só aos cinquenta anos de vida física, nos quais se conduzira com elevadíssima moral e exemplar dignidade, assumindo a condição de livre pensador, para também desenvolver o seu intelecto, se pôde deixar influenciar pelos seus companheiros astrais, que se serviram de todos os recursos intuitivos de que dispunham para fazê-lo dar os primeiros passos na larga caminhada, que juntamente com o seu admirável companheiro, Luiz Alves Thomaz, fez para deixar fincados na Terra, de maneira definitiva, os sólidos alicerces que servem de suporte ao Instituto do Racionalismo Cristão.
Luís Lázaro Zamenhof é um outro exemplo de missionário. Em meados do século XIX, encarnou esse espírito na Lituânia, que, embora se houvesse diplomado em medicina, aos 26 anos, veio com uma especial missão, a qual se dedicou durante a sua existência terrena, que consistia em elaborar um idioma que bem se ajustasse a todos os povos, e ao qual deu a denominação de Esperanto, que será o idioma de todos os seres humanos, pois todos terão que falar apenas um único idioma.
A estrutura técnica do Esperanto lhe dá base e segurança para se manter indeformável, face à tendência comum da formação de dialetos e da instituição de termos de gíria. É com facilidade que novas palavras poderão ser formadas, obedientes à sistemática, sem a necessidade de se introduzirem expressões amorfas e desclassificadas.
Os anais da história nos revelam a existência de grandes espíritos que vieram a este mundo com as missões mais destacadas, tais como Tales de Mileto, Anaximandro, Heráclito, Anaxágoras, Arquelau, Diógenes de Apolônia, Xenófanes, Parmênides, Zenão, Melisso, Leucipo, Demócrito, Empédocles, Pitágoras, Filolau, Arquitas, Alcmeão, Buda, Sócrates, Aristóteles, Plotino, Euclides, Arquimedes, Cícero, Nicolau de Cusa, Bernardino Telésio, Giordano Bruno, Tomás Campanella, Galileu Galilei, Descartes, Spinoza, Malebranche, Leibniz, Wolf, Francis Bacon, Hobbes, Berkeley, Hume, Condillac, Rousseau, Voltaire, Kant, Hegel, Schopenhauer, Cousin, Pasteur, Luiz de Mattos, Luiz de Souza, Farias Brito, sem deixar aqui de incluir a heroína francesa Joana d’Arc, e tantos outros espíritos que aqui vieram com as mais destacadas missões a este mundo, em que o maior de todos foi Jesus, o Cristo, em suas várias encarnações.
Mas, infelizmente, ainda são muito poucos os espíritos que encarnam neste mundo para cumprir com as missões que lhes são destinadas, por isso nós precisamos que a nossa humanidade se esclareça espiritualmente, para que aqueles que são mais valorosos venham a se engajar na nossa Grande Causa, assumindo efetivamente as missões que lhes são destinadas, e delas se desincumbindo com eficácia.
A obra básica intitulada Prática do Racionalismo Cristão, diz que para uns a missão é singela, para outros, mais complexa, mas, para alguns raros, é árdua, e se projeta além das fronteiras do pátrio-lar, estendendo-se pelo orbe. Tudo isso indica claramente que o fardo que cada um carrega em seus ombros é proporcional ao estágio evolutivo em que se encontra.